O livro "O Príncipe", de Maquiavel é um valioso manual de manutenção de poder, útil para ditadores em várias épocas. Era o livro de cabeceira de Stálin. Exemplo disso é a análise, baseado em Maquivael, que Stálin faz do período de Ivan, o Terrível: "faltou a ele discernimento para eliminar cinco famílias importantes, que o ameaçavam, e consolidar o seu poder", dissera ele.


Alekhine vs Euwe

Deve-se dizer que Alekhine, leitor de Maquiavel, procurou com afinco, após vencer Capablanca em 1927, cercar-se de todas as garantias para conservar o seu título mundial pelo maior período possível. Para isso, ele cuidou de afastar qualquer  possibilidade de enfrentar, novamente, Capablanca e colocou o seu título em jogo, apenas, contra jogadores em que a sua superioridade técnica era evidente. Assim venceu duas vezes(1931 e 32) ao russo Bogoljubow, mas o alcoolismo o interceptou. Quando colocou o seu título em jogo, em 1935, contra o campeão holandês, Max Euwe, nenhum enxadrista de bom senso apostaria no holandês. Alekhine perdeu a segunda partida do match, mas ganhou a primeira, a segunda, terceira e sétima, com o resultado de 4 x1, em seu favor. Os jornais deram o encontro como terminado quando o improvável  aconteceu e ele começou a perder partidas como principiante. Como seria possível tal mudança? Era a pergunta corrente. Depois de muitas suposições chegou-se a conclusão de que Alekhine estava jogando o match em completo estado de embriaguez. Numa delas, o seu adversário, falou com polidez, sugerindo o adiamento de uma partida: "Si le parece bien, lo dejamos para otro día". "De ninguna manera!" - respondeu Alekhine, embolando a língua. Mesmo assim, a diferença reduzira-se a uma partida em favor de Euwe e para tentar recuperar essa diferença Alekhine parou a bebida, mas o holandês não deixou que isso acontecesse, tornando-se então o novo campeão mundial de xadrez. O acerto pelo match, entretanto, previa uma revanche e dois anos depois, contra todas as  previsões, Alekhine recupera-se prontamente e vence o encontro. As novidades introduzidas por ele nesse match desquite passaram a integrar todas as antologias enxadrísticas. Euwe era, então, o maior conhecedor de aberturas do mundo, mas uma inovação feita por seu adversário na defesa eslava, o desconcertou e nas complicadas variantes que se seguiram ele se encontrou sem saída. A variante introduzida por ele levou mais de um ano para ser refutada. Ao término do match, a Sociedade Holandesa Contra o Alcoolismo mandou para o campeão uma simbólica cesta com biscoitos e queijos do país.

Nesse ponto de sua carreira, Alekhine principiou a subir o Gólgota.

Foto da morte de alekhine

Sua atuação nos torneios pós-1937 foram pálidas e repletas de derrotas. A segunda guerra mundial encontrou-o em Buenos Aires e, ao contrário dos mestres presentes que sensatamente preferiram ficar na Argentina, ele optou, junto com a sua terceira mulher, retornar a Paris onde serviu o exército francês até a queda da França em 1940. Após esse evento, ele abrigou-se  na Alemanha nazista e escreveu artigos infamantes sobre os judeus enxadristas. As suas vitórias sobre os enxadristas alemães e sobre dezenas de oficiais do exército, em simultâneas, irritaram os funcionários nacional-socialistas, e em 1943 ele se transfere, completamente na miséria e abandonado pela esposa, para Portugal onde passa a ser sustentado por admiradores. Com o término da guerra Alekhine foi banido dos torneios internacionais por suas ligações com os nazistas e em 1946,  em profunda depressão, recebe um telegrama do campeão russo Mikhail Botwinik, pedindo-o que  marcasse um desafio pelo título mundial. Com essa notícia ele pára de beber e principia a estudar para o encontro. A morte, entretanto o antecipa e Alekhine morre engasgado com um osso de galinha, diante do tabuleiro de xadrez, no seu quarto de hotel, em Estoril - Portugal.

Sua contribuição a teoria enxadrística foi muito importante. Ele fundou a chamada "escola hipermoderna": um conjunto de teorias que rompiam com os dogmas até então existentes.

O seu antigo adversário, Max Euwe, dissera sobre ele: "Alekhine é um rei no tabuleiro de xadrez e um peão na vida real".  Seguindo uma trilha de miséria, na qual a deusa caissa "brinda"aqueles que procuraram viver do jogo, Alekhine morreu  só e na miséria. No passado o e-x campeão Stenitz morrera de fome e o grande Scheletcher virara mendigo. Ele, apenas, continuou a tradição.

4 comentários para “Alekhine (parte 2)”
  1. jean monteiro diz:

    Excelente texto!
    Há muitos fatos interessantes e curiosos da vida desse Grande Gênio do Xadrez!

  2. onde achou esse artigo?
    muito interessante!
    se tiver mais coisas assim !
    por favor poste ai pra nós !
    vlwwwwwwww

  3. Esses artigos que estamos postando aqui no site estão sendo produzidos por Armínio. Por sinal estão muito bons mesmo.
    Parabéns Capi!

  4. Em defesa de Alekhine procurem ler o livro: Alekhine por A. Kotov

    Admiración por Alekhine
    Kotov dedicó parte de su vida y de sus investigaciones a estudiar la controvertida vida y la aportación al ajedrez de Alexander Alekhine, legándonos en sus libros sus valiosos descubrimientos sobre este genio. Gran admirador suyo, Kotov intentó limpiar la imagen de antibolchevique y antisemita que le perseguía, en sus libros. Aunque aporta importantes descubrimientos sobre su vida, la admiración que le profesaba le hace pecar de falta de objetividad en ocasiones, lo que no impide que hoy en día esté considerado el mejor y más acreditado de sus biógrafos.

    Como ejemplo de esa admiración, han quedado para la posteridad sus siguientes frases:

    “Es difícil encontrar a alguien con el talento para las combinaciones equiparable al de Alekhine, que lo desarrolló hasta la perfección”.

    “Era un ajedrecista universal, que sabía escoger lo mejor de los estilos de jugadores contemporáneos”.

    “Alexander Alekhine ha pasado a la historia del ajedrez como un gran artista creador de lienzos ajedrecistas dignos de memoria. En el transcurso de unas cuatro décadas ofreció al mundo obras llenas de ideas audaces, de originalidad y de vasta fantasía”.

    “Cuando en los torneos terminaba sus partidas, se pasaba horas analizando las partidas de los demás, sin importarle si se trataba de partidas de grandes maestros o de jugadores de segunda categoría”.

    “Alekhine era un maestro del ataque insuperable. Sin embargo, durante su extensa experiencia ajedrecística se encontraba muchas veces en posiciones difíciles, que exigían una defensa larga y perseverante. De no haber dominado los más importantes métodos de defensa, nunca hubiera conseguido resultados tan brillantes”.

    “Alekhine sorprendió tres veces al mundo del ajedrez: al ganar contra Capablanca, al perder contra Euwe, y al recuperar el título contra Euwe”.

    “Amaba profundamente al ajedrez. Hasta el último minuto de su vida se pasaba noches enteras analizando partidas a la luz de una lámpara.”

    “Luchaba por la belleza y la profundidad de su arte a través de sus clases, artículos y libros”.

    “Toda su vida había soñado con morir sin ser derrotado y su sueño se cumplió”.

    “El recuerdo de Alekhine, mago del ajedrez, durará mientras exista este juego, al cual dedicó su capacidad, sus pensamientos y su vida desde la infancia hasta la muerte”.

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