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Steinitz

Steinitz nasceu num gueto de Praga, numa família de pobres comerciantes sendo o nono de treze filhos. Os quatro seguintes morreram na infância. Aprendeu xadrez com o seu pai e na época que Morphy brilhava, Steinitz ganhava a vida como estudante em Viena, jogando xadrez apostado. Ao finalizar os estudos secundários, ingressou na Escola Politécnica de Viena para formar-se em engenharia. Em determinado ponto abandonou a escola e os planos de uma vida burguesa como engenheiro seguindo o chamado da deusa Caissa, para substituir Morphy que abandonara o xadrez desesperado de amor. De pronto se converteu no mais forte jogador vienense. Em 1862, a Sociedade Enxadrística de Viena recebeu um convite para que um de seus jogadores participasse do II Torneio Internacional de Londres e esta enviou Steinitz, então com 26 anos. O torneio foi vencido por Adolf Anderssen que qualificou a partida Steinitz versus Mongrédien como a mais brilhante do torneio. Nas palavras de Anderssen, a combinação de Steinitz lembrou a sua famosa partida, alcunhada como “a imortal”. "Las partidas consideradas brillantes en recientes torneos internacionales no son rivales para ésta", escribió Chigorin.

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“Eu só procuro um único título”! Pillsbury.

Harry Nelson Pillsbury

O xadrez é um jogo mortal! O fio condutor que liga o xadrez à tragédia, numa perfeita simetria do que ocorre no tabuleiro, não é o da tragédia tal como entendiam os gregos, no qual o homem assinalado pelos deuses se tornava impotente diante do destino inexorável, mas sim entendida, no puro conceito shakesperiano, como a somatória dos atos irrefletidos dos seres humanos, que no tabuleiro os fazem sucumbir ao xeque-mate e na vida podem levá-los à morte ou à loucura. Este foi o caminho seguido pelo americano  Harry Nelson Pillsbury, morto aos 34 anos, o único enxadrista que poderia ter tomado o título de Emanuel Lasker, antes do advento de Capablanca. Os seus resultados contra Lasker sustentam este ponto de vista: 5 a 5 e quatro empates. Foi o melhor resultado contra Lasker conseguido por qualquer jogador, antes de 1914.

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Nada mais é do que a providência em ação!". Para o desconhecido Igor Ivanov, representante da Repúlblica do Uzbequistão, nas Espartaquíadas de Moscou, em 1977, o diagrama abaixo significou bem mais do que uma simples partida de xadrez, representou a sua liberdade.

Karpov

Partida de Ivanov x Karpov

Igor Ivanov

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“Não estou jogando com peões brancos ou negros, sem vida. Jogo com seres humanos de carne e sangue”! Emanuel Lasker.

Emanuel Lasker

Pode-se dizer, parafraseando o Conselheiro Acácio, que existe no mundo do xadrez jogadores com os mais diferentes perfis psicológicos. Há aqueles que primam pela extrema racionalidade como Botvinnik; numa categoria especial, no Olimpo, estão os gênios como Capablanca e Mikhail Tal. Têm ainda jogadores como Kasparov que dominaram com profunda complexidade e heterodoxia as diversas fases do jogo. Num outro extremo está aqueles que usam da sua prodigiosa memória para se familiarizar com milhares de posições, como Fischer. Deve-se lembrar que Karpov quando se preparou para o match, não realizado, contra Fischer, tinha em mente conduzi-lo para posições no qual aquele não estava acostumado e forçá-lo a jogar no máximo desconforto possível, determinadas posições. O plano de Karpov estava em perfeita consonância com a escola psicológica de um dos mais originais enxadristas que já existiu, o Dr. Emanuel Lasker.  O seu estilo de jogo, surpreendentemente, não preconizava a melhor jogada e sim a que mais desagradava ao seu adversário.  O seu slogan da partida de xadrez poderia muito bem ser resumida na frase no qual refutou o conceito de estratégia de Steinitz: “O Xadrez é uma luta entre duas mentes”!  A luta psicológica, marca digital de Lasker, foi levada ao completo radicalismo. Nunca tantos excelentes jogadores erraram tanto, como quando o enfrentavam.

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Reproduzo aqui entrevista feita  por Luiz Roberto Guimarães da Costa Júnior.

O grande mestre russo Alexei Suetin esteve, recentemente, na USP para dar uma palestra e em seguida uma simultânea. Na palestra, Suetin, autor de livros como “Manual para jugadores avanzados” e “El laboratório del ajedrecista”, apresentou seu novo livro “Schach Training”, em alemão, ainda sem tradução para inglês ou espanhol.

O GM Suetin, que além do russo fala muito bem o alemão e entende um pouco de espanhol, esteve acompanhado por um tradutor simultâneo durante a palestra. Suetin disse que nasceu numa aldeia chamada Tula onde não havia treinadores de xadrez e teve que se desenvolver por experiência própria, antes de entrar no Palácio dos Pioneiros, em 1939, com 12 anos. Entretanto, com advento da segunda guerra mundial e, quando Hitler invadiu a antiga URSS, parou por 4 anos só voltando a dedicar-se em 1947 com 20 anos e já formado.

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José Raul Capablanca

Dentre as muitas definições de inteligência, uma delas é a “capacidade de se adquirir conhecimentos ou compreendê-los e usar em situações novas".Os psicólogos, contudo, diferem entre si sobre a própria definição e a função da inteligência.

Voltando os olhos para a história, nos deparamos com personagens de inteligências inexplicáveis, e quase somos tentados a convir com Platão que "conhecer" é apenas reaver  conhecimentos que já nos pertenciam.

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Em meados de 1860, a magnífica poetisa norte-americana, Emily Dickinson, escreveu: "O sucesso é mais doce\ A quem nunca sucede.\ A compreensão do néctar\ Requer severa sede.\Ninguém da Hoste ignara\ Que hoje desfila em Glória\ Pode entender a clara Derrota da Vitória\ Como esse- moribundo-\ Em cujo ouvido o escasso\Eco oco do triunfo\ Passa como um fracasso!\"

Sem dúvida, uma notável análise do real significado do sucesso na vida, diante do implacável adversário chamado tempo.

Mikhail Tal

No universo do xadrez, onde uma guerra surda de egos predomina, raros são aqueles que encaram a vitória ou a derrota com indiferença dentro da sábia visão de Emily Dickinson. Dos maiores enxadristas de todos tempos, pode-se dizer que apenas Mikhail Tal, “O mago de Riga” ou ainda “O mago dos magos”, pode atingir tão profunda perspectiva! Caso usemos a analogia das “Vidas Paralelas”, de Plutarco, Tal teria Mozart o correspondente na música, na pintura Leonardo e na religião estaria para São Francisco de Assis. A lógica enxadrística de Tal, nas palavras de um admirador, era a “lógica dos deuses”. Ninguém elevou mais o xadrez a categoria de arte do que ele.

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O livro "O Príncipe", de Maquiavel é um valioso manual de manutenção de poder, útil para ditadores em várias épocas. Era o livro de cabeceira de Stálin. Exemplo disso é a análise, baseado em Maquivael, que Stálin faz do período de Ivan, o Terrível: "faltou a ele discernimento para eliminar cinco famílias importantes, que o ameaçavam, e consolidar o seu poder", dissera ele.

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Foto de Alekhine

Às vezes têm-se a impressão de que a vida, de algumas pessoas, converge para uma determinada e suprema tarefa; seria difícil imaginarmos Gandhi sem a a doutrina da não-violência; Chaplin sem Carlitos; Madre Teresa sem a beneficiência. Descendo, consideravelmente, as escalas, pode-se dizer que no mundo do xadrez essa função de vida coube ao campeão russo, Alexandre Alekhine. Desde tenra idade ele fez de seu objetivo de vida tomar o cetro do campeão mundial, o prodígio cubano, Capablanca. Mesmo quando certa vez  lhe lembraram que Capablanca ainda não era o campeão, ele respondeu com altivez: "Mas será e ele é o meu real adversário de sempre!".

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Capa do livro a Variante Luneburg

Ao que parece, a invenção do xadrez está ligada a um episódio sangrento.

Com efeito, conta uma lenda que quando o jogo foi apresentado pela primeira vez à corte, o sultão quis premiar o obscuro inventor realizando qualquer desejo seu. Ele pediu uma recompensa aparentemente modesta, a de receber todo o cereal que pudesse resultar de uma soma simples: um grão na primeira das sessenta e quatro casas, dois grãos na segunda, quatro na terceira, e assim por diante…

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