<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; Armínio Santos</title>
	<atom:link href="http://www.ccx.org.br/author/arminio/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.ccx.org.br</link>
	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
	<lastBuildDate>Wed, 04 Jan 2012 18:07:14 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Emanuel Lasker, Capablanca, Deysi Cori, Sun Tzu e o segredo do Barcelona</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker-capablanca-sun-tzu-e-o-segredo-do-barcelona/</link>
		<comments>http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker-capablanca-sun-tzu-e-o-segredo-do-barcelona/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 17:57:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Barcelona]]></category>
		<category><![CDATA[Capablanca]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Lasker]]></category>
		<category><![CDATA[Sherlock Holmes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ccx.org.br/?p=1053</guid>
		<description><![CDATA[Observação: sugere-se  ler a biografia de Lasker e Capablanca, antes da leitura deste artigo,nos respectivos links abaixo: http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/ http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/ Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo;  se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Observação: sugere-se  ler a biografia de Lasker e Capablanca, antes da leitura deste artigo,nos respectivos links abaixo:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/">http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/</a></li>
<li><a href="http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/">http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/</a></li>
</ul>
<blockquote><p>Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo;  se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não a os demais nem te conheces a ti mesmo, correrás perigo em cada batalha. Sun Tzu &#8211; A Arte da Guerra.</p></blockquote>
<p>Estou num táxi, em Salvador, lendo no Ipad, o artigo de Leontxo Garcia sobre Deysi Cori, o novo fenômeno peruano, no qual transcrevo abaixo.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/deyse-cori.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1065" title="deyse-cori" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/deyse-cori.jpg" alt="" width="308" height="386" /></a></p>
<h5>Deyse Cori</h5>
<p>
Embora o xadrez,  a música e as matemáticas sejam as atividades que produzem mais crianças  prodígio, Deysi Cori, atual campeã do mundo sub 20 aos 18 anos, é um dos  maiores fenômenos produzidos pelo esporte mental nos últimos decênios: aos 16  foi campeã do mundo desta idade e subcampeã   sub 20. E a sua maturidade como pessoa sempre chamou a atenção: aos 12  anos, em sua primeira visita a Espanha, se perdeu no metrô de Madrid e saiu bem  sem ajuda. O mais assombroso é que o seu irmão, Jorge, é o atual campeão do  mundo sub 16. E tampouco é fácil explicar por que o Peru produz tantos  enxadristas brilhantes como Julio Granda, residente agora em Salamanca. No caso  dos Cori, é clara a aposta do colégio limenho Saco Oliveros pelo xadrez como  ferramenta educativa. Também podemos recorrer ao imperador Atahualpa, que  demonstrou aos seus captores espanhóis que jogava xadrez melhor do que eles, o  qual – diz a lenda – influenciou na sua condenação à morte por 13 votos contra  11.<span id="more-1053"></span></p>
<p>Absorto na leitura sou interrompido pelo  motorista que sem que eu lhe pergunte diz: Neymar é muito superior a Messi! Eu lhe respondo com outra pergunta: o senhor assistiu ao jogo do Barcelona contra o Santos? Sim, assisti, mas não fiquei impressionado! Sei bem que futebol é também paixão, mas para mim futebol só tem sentido na perspectiva da arte, assim como ocorre no xadrez! A arte mesmo quando óbvia se oculta e escapa do senso comum, como pode ser visto na seguinte história: Em 1885, em Londres, um indivíduo por motivos inexplicáveis, escondido num estábulo, atirou no dorso de um cavalo e a bala ricocheteou nos ossos do animal e atingiu mortalmente um policial que passava por perto. A Scotland Yard, não poupou esforços na tentativa de descobrir o assassino e enviou para o local do crime os seus três melhores inspetores com a ordem expressa de só abandonar o local com indícios que permitissem desvendar o crime. Após uma semana os inspetores permaneciam no local sem conseguirem qualquer pista. O diretor geral da polícia inglesa pediu então ajuda a Sherlock Holmes. Ao chegar ao local do crime, a primeira pergunta que Holmes fez aos inspetores foi: qual a cor do cavalo? Perplexos, nenhum soube responder. Depois de um constrangedor silêncio, o primeiro inspetor irritado, retrucou: Holmes,  admiramos a sua genialidade, mas temos certeza que saber a cor do cavalo não ajuda em nada a elucidação do crime. Holmes deu um sorriso irônico e respondeu: se vocês deixaram passar algo tão óbvio como a cor do cavalo, o que mais vocês não observaram?</p>
<blockquote><p>Todos elogiam a vitória na batalha, porém o verdadeiramente desejável é poder ver o mundo sutil e dar-te conta do mundo do oculto até o ponto de ser capaz de alcançar a vitória onde não existe forma. Não requer muita força para levantar um cabelo, não é necessário ter uma vista aguda para ver o sol e a lua, nem se necessita ter muito ouvido para escutar o retumbar do trovão. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Bem&#8230; é certo que a arte, assim como a natureza, tem horror ao  vácuo.  Barcelona versus Santos terminou e eu me quedei estupefato. Os meus pensamentos iniciais foram: o que sucede? Como isto é possível? Qual o segredo do Barcelona? Esta última pergunta me empenharei em respondê-la!. Certamente, não se poderia comparar este time com o Santos de Pelé, pois o método é bastante diferente: o time do Barcelona se  baseia no coletivo de uma orquestra sinfônica e também na individualidade dos seus jogadores e também não se baseia em nada do que eu acabei de escrever! É isto mesmo&#8230; Um mundo quântico permite a convivência harmoniosa com as contradições e paradoxos. Faço uma ruptura epistemológica e tomo emprestada a coluna de xadrez que Leontxo Garcia escreveu no diário espanhol El Pais, do dia 24 de dezembro, 2011, a partir do inacreditável diagrama abaixo, de uma partida rápida entre Capablanca (jogando com as brancas) e Emanuel Lasker.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel1.jpg"><img class=" wp-image-1055 alignnone" title="emanuel1" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel1.jpg" alt="" width="278" height="280" /></a></p>
<h5>Capablanca X Emanuel Lasker – Café Kerkau, Berlim, 1914 (início da primeira guerra mundial e dois meses depois da magnífica vitória de Lasker no Torneio Internacional de São Petersburgo). <strong>Jogam as Brancas.<br />
</strong></h5>
<p>Escreveu o colunista: <em>Es una de las soluciones más impresionantes que el lector  haya visto, y está incluída en el número 490 del interessante semanário digital Nuestro Círculo, dirigido por el argentino Roberto Pagura ( la suscripción, gratuita, puede solicitarse en: <a href="mailto:ropagura@fibertel.com.ar">ropagura@fibertel.com.ar</a>). Cuenta Pagura que, en la clausura de São Petersburgo 1914, Lasker, vencedor del torneo gracias a un juego magnífico, fue convencido por su mujer para que se reconciliase con Capablanca, tras las desavenencias entre ambos durante la negociación de un duelo por el Campeonato del Mundo. El alemán se acercó al cubano y brindó por su salud! La posición del diagrama se dio en una de las 10 partidas rápidas que ambos disputaron dos meses después, en el Café Kerkau de Berlin. Las dos piezas blancas son muy inestables, y el peón de b5 está amenazado. Ciertamente, el rey negro sufre en el rincón, pero, por muchas vueltas que le dé el lector, <span style="text-decoration: underline;">es muy poco probable que encuentre la maravillosa idea que llevó a Capablanca a la victoria</span>. Ahora bien, merece la pena intentarlo porque entonces el placer de conocer la solución será mucho más intenso! </em></p>
<p>A solução não será dada pela coluna. No texto, entretanto, queda-se claro a forma do leitor obter a solução. Creio que a solução deste diagrama, já embutida às diferenças no tempo, trará subsídios para que eu consiga resolver outra questão: qual é realmente o segredo que permite ao Barcelona ganhar com relativa facilidade de qualquer time do mundo?</p>
<blockquote><p>Todo mundo conhece a forma que resultou em vencedor, porém ninguém conhece a forma que assegurou a vitória. Em consequência a vitória não é repetitiva, senão que adapta sua forma continuamente. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Há uma história antiga do Pato Donald, intitulada “O Demolidor”. Nesta história o Pato Donald chega a uma enorme construção para realizar o trabalho de demolição. Para isto ele lança mão, sob os olhares curiosos dos donos, de uma série de aparelhos a começar pelo estetoscópio! Depois de uma série de análises, ele saca um pedaço de giz de sua mochila e num determinado ponto de uma parede, marca um X. Logo a seguir ele pega um canudo, um grão de arroz e sopra o grão no local marcado com o X. A estrutura começa então a desabar, com os donos correndo para não serem soterrados! Na posição abaixo, já com a solução a vista, retirado do livro de Capablanca, “Chess Fundamentals”, apresenta-se um final no qual é facilmente possível se <em>equivocar</em> e se desviar do X da questão.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel2.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1056" title="emanuel2" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel2.jpg" alt="" width="587" height="440" /></a></p>
<p>Os equívocos do futebol brasileiro: é necessário um meio campista fixo&#8230; o craque sempre desequilibrará a partida através de seus lampejos geniais &#8230;o Barcelona joga como o flamengo de Zico. Bem&#8230; o flamengo de Zico perdia também muitas partidas, empatava e ganhava de 2&#215;1, 1&#215;0. Copa do rei (depois da vitória contra o Santos): Barcelona 9 x 0 Hospitalet! Um detalhe: os seus principais titulares não jogaram. Com outra ruptura seguimos para a partida <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=11133">Jan-Willem Te Kolste</a> vs <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=10626">Richard Reti</a> Baden-Baden 1925  ·  Alekhine Defense: Saemisch Attack <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=B02">(B02)</a>  que pode ser vista no link <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1007219">http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1007219</a>.</p>
<p>O interesse desta partida reside nos comentários  superlativos feitos por Réti (o vencedor) e a refutação dos comentários de Réti  por Emanuel Lasker.  Ao contestar as análises de Réti, no qual induz o leitor a pensar no surgimento de uma nova estratégia ganhadora, o pensador Lasker  reflete sobre  os princípios do xadrez e a validade dos dogmas enunciados por especialistas  e de forma marginal privilegia  a exuberância da arte no xadrez. Os comentários seguem abaixo:</p>
<p><em>1.e4-Cf6;2.e5-Cd5;3.Cc3-CxC3;4.dxc3. En la revista de Kagan, Neusten Schachnachrichtene, Reti califica esta jugada como “um error posicional”. Esto, cuando menos, es debatible. Pero lo que disse a continuación está fuera de toda proporción: “La partida sólo podrá mostrar como, por médio de la técnica ajedrecística, una pequena pero clara desvantaja posicional en que que se incurrió durante la Apertura puede convertirse facilmente en una victoria”. Neste ponto, Lasker evitando a ortodoxia corrente e sem maiores preocupações de criticar o especialista, pois Reti era tido nos meios enxadrísticos da época como um dos grandes finalistas do jogo, contesta da seguinte forma: ¿En una victoria? No es la proporción correcta. En iniciativa, en uma partida promissória, eso pudo concederse, pero no más, a menos que el oponente se equivoque de nuevo. El plan de Reti fue hacer uso del Peón doblado de las Blancas para obtener la superioridade de Peones en el flanco Rey. Pero,a pesar de todo, todavia estaba muy lejos de tener uma partida ganada. La combinación se refiere a la siguiente posición:</em></p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel3.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1057" title="emanuel3" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel3.jpg" alt="" width="303" height="302" /></a></p>
<p><em>Aquí, Te Kolste cometió el error de oferecer el cambio de Torres, que perde, porque el peón en a2 está retrasado y las Negras obtienen um Peón passado, mientras que las Brancas no logran ninguno. Reti señala que la jugada correcta 1.a3, también debió perder, pero su análisis contiene una omisión. 1&#8230;bxa3;2.b4-a2;3.Ta3-d5. Aquí Reti hace que las Blancas jueguen 4. cxd5,pero 4.Ta6+ &#8211; R mueve; 5-Txa2 – dxc; 6-T2c podrría assegurar a las Blancas y eliminar toda ventaja. Y esta combinación debía ser el punto culminante de uma estratégia que debía lograr uma inexorable victoria, baseada em la cuarta jugada de las Blancas! Admito que luego de 1.a3-Rc5! 2.a4 las Negras aún ejercen una ligera presión; decir algo más, sería uma exageración. Agora a lição do mestre: Los planes estratégicos concebidos con amplitude no tienen uma base tan frágil. No se puede construir el plan de toda uma partida bien disputada en un motivo como el indicado por Reti; es demasiado magro, demasiado estrecho, diminuto para tal fin. Las explicaciones de Reti cuando se relacionan con una análisis que cubre pocas jugadas son correctas y elogiables. Hasta ahora, nadie ha sido capaz de hacer mucho más que concebir planes como va procedendo la partida. Los señalamientos de Reti pueden llevar a que el lector piense que ha surgido una estrategia profunda y completamente nueva, con lo que tal vez se vea tentado a producir planes estratégicos muy profundos del mismo orden. El está en peligro de perder su saño juicio y ni el ni el Ajedrez son bien servidos con eso.</em></p>
<blockquote><p>A grande sabedoria não é algo óbvio, o mérito não se anuncia. Quando és capaz de ver o sutil, é fácil ganhar. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Barcelona versus Santos: Passes da dupla Xavi-Iniesta: 202. Passes incorretos: 1. Passes corretos: 201!!</p>
<p>Em 1875, Sherlock Holmes e o seu inseparável assistente, Dr. Watson,acamparam na área de <strong>Chatsworth House</strong>, grande palácio rural, localizado a aproximadamente 6 km a nordeste de <a title="Bakewell (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bakewell&amp;action=edit&amp;redlink=1">Bakewell</a>, no <a title="Derbyshire" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Derbyshire">Derbyshire</a>, <a title="Inglaterra" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inglaterra">Inglaterra</a> e originalmente construído por <a title="Bess de Hardwick (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bess_de_Hardwick&amp;action=edit&amp;redlink=1">Bess de Hardwick</a>. Esta propriedade pertencia então ao 7o Duque de Devonshire, conhecido pela má gestão financeira da propriedade e dos negócios desastrosos em Barrow-in-Furness. O Duque, entretanto, devia favores a Holmes relativo ao rumoroso caso da mulher do diplomata americano. O Duque tido pela imprensa inglesa como mulherengo sofrera chantagem referente às supostas cartas de amor trocadas entre a mulher do diplomata americano, Charles C. Parker e o duque. Este caso estremecera as relações entre Inglaterra e Estados Unidos e Holmes, a pedido do Duque, identificara o próprio marido como o autor e chantagista. Para chegar a esta conclusão, Holmes, observando a predileção do diplomata para fazer adivinhações sobre os temas mais rotineiros, como por exemplo, se um cão iria enveredar por uma rua A ou B, descobrira que o embaixador americano era na verdade um jogador compulsivo de Baccarat, e que recentemente contraíra vultosas  dívidas neste jogo. O Duque, então, em agradecimento, convidara Sherlock Holmes para passar uma temporada de descanso no seu palácio. Convite, gentilmente recusado por Holmes, que, entretanto, aceitara acampar nos arredores da magnífica propriedade. Ver foto abaixo.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel4.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1058" title="emanuel4" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel4.jpg" alt="" width="583" height="389" /></a></p>
<h5><strong>Chatsworth House</strong> vista a partir do espelho de água, aonde Sherlock Holmes e o seu assistente Dr. Watson, acamparam no verão de 1875.</h5>
<p>Na primeira noite de acampamento, Holmes e o Dr. Watson, fumaram charutos e tomaram uma garrafa de conhaque enviado pelo Duque e em seguida se recolheram à barraca para dormirem. Exatamente às 3 horas da manhã, Sherlock Holmes acorda, bate no ombro de Watson que necessita de quase três minutos para despertar, e indica as estrelas no céu: “O que as estrelas lhe informa, Watson”?  Watson observa o céu maravilhosamente estrelado e responde: Bem&#8230; Holmes. Do ponto de vista astronômico posso ver a Constelação do Dragão&#8230; e mais adiante a Constelação da Cabeleira de Berenice, próximo da Ursa Maior. Do ponto de vista astrológico posso ver as Constelações de Câncer e Sagitário. Da perspectiva metereológica posso lhe garantir que teremos um dia ensolarado hoje, propício para caminhadas. Watson faz então uma pausa e interroga Holmes: E para você Holmes, o que é que as estrelas lhe informa?  Watson, seu estúpido, roubaram a nossa barraca!</p>
<blockquote><p>Cada assunto requer um conhecimento prévio. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>O filósofo português Manoel Sérgio explica o segredo do Barcelona da seguinte forma: &#8230; Porque se desconhece que só sabe de futebol quem sabe mais do que futebol&#8230; Não há área do conhecimento que não se desenvolva sem uma sistemática relação com as demais áreas do conhecimento. A complexidade do real exige a complexidade do pensamento e da ação. E o futebol é bem mais do que a técnica e a tática. Há uma revolução a fazer no futebol. O Barcelona é a melhor equipe de futebol do mundo. E por quê? Em primeiro do mais, porque, nela, o todo é mais do que a soma das partes. E aqui as partes não são só a técnica e a tática e o físico, mas também o intelectual e o moral.&#8221;</p>
<p>Parece-me que o filósofo recorre indiretamente à educação, expresso nos termos e palavra, “áreas do conhecimento”, “complexidade do pensamento”, “intelectual”, para tentar desvendar o segredo do Barcelona. Na tentativa de sofisticar esta linha de pensamento do filósofo, algo ainda obscura e impenetrável, recorro ao pensamento de Emanuel Lasker sobre educação enxadrística (aprendizado do xadrez).</p>
<p>Escreve Lasker: “Suponhamos que um mestre que segue um bom método, se esforce em educar um jovem que não sabe nada de xadrez até que ele chegue ao nível de alguém a quem não se pode conceder vantagem. Que tempo necessitaria para logra-lo? Creio que estou correto em fazer o seguinte cálculo:</p>
<p>Regras do jogo e exercícios: 5 horas; Finais elementares – 5 horas; Algumas aberturas – 10 horas;  Combinação – 20 horas; Jogo de posição – 40 horas; Jogo de análise – 120 horas.</p>
<p>Sem perder-me nos cálculos, creio que não me equivoco ao afirmar que nossos esforços no xadrez, não alcançam mais do que a centésima parte de um por cento de seu resultado correto. Em todos os domínios do esforço, nossa educação consume terrivelmente o tempo e os valores. Em Matemática e Física, os resultados alcançados são ainda piores que em xadrez. Existe uma tendência a manter na estupidez, a maioria das pessoas? Para os governos do tipo autocrata, a ignorância das multidões sempre há sido uma vantagem. Quiçá também o medíocre que há obtido autoridade segue a mesma política. Evidentemente este motivo não é predominante no xadrez. O mal estado da educação em xadrez se deve por completo à nossa torpeza. O xadrez requer uma educação no qual o pensamento e o juízo sejam independentes. O xadrez não deve ser memorizado, simplesmente porque não é importante. A memória é demasiado valiosa para armazenar futilidades. Eu tenho dedicado pelo menos 30 dos meus 57 anos a esquecer-se da maior parte do que foi aprendido ou lido e não me gostaria perder nunca a tranquilidade e o regozijo que me causa logra-lo com êxito. Se fora necessário poderia aumentar minha habilidade para jogar xadrez (!); se fora necessário, poderia fazer algo do qual não tenho idéia na atualidade. Eu tenho armazenado pouco em minha memória, porém, posso aplicá-lo, e me resulta muito útil em emergências. Eu mantenho em ordem, porém, resisto a qualquer intento de aumentar o seu peso. Vocês não devem conservar na mente nomes, nem números e nem feitos isolados, <span style="text-decoration: underline;">e sim somente métodos!</span> O método é plástico (!). É aplicável em qualquer situação. O resultado, o incidente isolado é rígido, porque está ligado a condições completamente individuais. O método produz resultados: uns poucos permaneceram em nossa memória, embora sejam poucos, resultaram úteis para ilustrar e manter vivas as regras que ordenam os meus resultados. Estes resultados úteis podem renovar-se a cada certo tempo, da mesma maneira em que se fornece alimento fresco a um organismo vivente para mantê-lo forte e saudável. Porém, desta maneira os resultados úteis têm uma viva relação com as regras e estas se descobrem outra vez aplicando um método vivo: toda esta organização deve ter vida.</p>
<p>Mais que isto: uma vida harmoniosa! Aquele que deseja adquirir uma educação em xadrez deve fugir do que está morto: as teorias artificiais, apoiadas por poucos exemplos e sustentadas por um excesso de engenho humano; o costume de evitar tarefas difíceis, a debilidade de aceitar sem criticar as variantes ou regras descobertas por outros; a vaidade, que é arrogante; a incapacidade de admitir erros; em resumo, tudo que tende ao estancamento e a anarquia”. Neste momento, Lasker responde a uma questão importante: por onde o aluno deve começar a sua educação enxadrística? A resposta: pelos caminhos da teoria de Steinitz! E destaca a sua importância: “Esta teoria tem uma história que o aluno deve tratar de compreender porque lhe desvela um pouco o véu do mistério do caráter humano (!). Esta teoria tem um significado que se tornou evidente depois de uma dura luta contra as teorias contrárias no qual competia e que ganhou autoridade com um célebre match pelo campeonato mundial; esta teoria tem relação com profundos problemas e pede ao aluno que pense por si mesmo, que construa sua própria tabela de valores e que a mantenha de maneira constante, vigilante, em ordem. Esta teoria necessita audácia e precaução (!), força e economia, e, portanto, se converte em um modelo para ações fora do xadrez!  O caminho para esta educação requer bons professores (“!): mestres de “Xadrez que por sua vez sejam gênios do ensino”. Qual a forma de ensino a ser utilizada? Emanuel Lasker, filósofo e doutor em matemática, aluno do famoso matemático David Hilbert, responde: “introduzindo os jovens ao jogo de forma correta, com conferências e bons livros, jogando com seus alunos, assistindo aos seus encontros, fazendo notações e comentários dos pontos bons e maus das partidas. Há muitas e variadas maneiras no qual um bom professor pode fazer um trabalho eficiente”. <em> </em></p>
<blockquote><p>Podes ganhar quando ninguém pode entender em nenhum momento quais são as suas intenções. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Creio que finalmente tenho reunido informações e dados para desvendar definitivamente o segredo do Barcelona! Pero, um ratito solamente&#8230; Era costume na França, do século XIX, regimentos militares serem saudados, quando passava por uma cidade, por uma salva de 21 tiros de canhão. Certo general ao passar por uma pequena cidade deu voz de parada e perfilou os seus cavaleiros e soldados para ouvirem com respeito a saudação expressa nos tiros de canhão. Apurou os ouvidos e silêncio total. Quando perscrutou em volta para saber o que houvera viu o encarregado da guarnição local se aproximar esbaforido. General, general! Mil desculpas, mas não foi possível dar a salva de 21 tiros de canhão que a magnificência do seu cargo faz por merecer. E não foi possível por 19 motivos diferentes. Primeiro faltou pólvora&#8230;Neste ponto o general atalhou: não é necessário falar os outros 18 motivos. Faltar pólvora é, por si só, motivo suficiente! Na posição seguinte, se oferece ao leitor, o aprendizado da importância do princípio da oposição (a pólvora) em finais de partida, através de um exemplo do livro de Capablanca, <em>Chess Fundamentals.</em></p>
<p><em><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel5.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1059" title="emanuel5" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel5.jpg" alt="" width="565" height="443" /></a></em></p>
<p><em>Bem&#8230;Descobri uma solução maravilhosa que desvenda completamente o segredo do Barcelona, mas por razões de tamanho  não será possível escrevê-la neste espaço.</em></p>
<p><strong>Para escrever este artigo, eu usei as informações do Manual de xadrez de Emanuel Lasker, do livro de Capablanca, Chess Fundamentals, da Arte da Guerra, de Sun Tzu e do excelente apps (aplicativo) para Ipad, denominado:e+Chess Books, que permite, lado a lado, mover as peças em sincronia com a leitura do livro .</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker-capablanca-sun-tzu-e-o-segredo-do-barcelona/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Quando o futebol se rendeu aos princípios do xadrez</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/quando-o-futebol-se-rendeu-aos-principios-do-xadrez/</link>
		<comments>http://www.ccx.org.br/quando-o-futebol-se-rendeu-aos-principios-do-xadrez/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 23:52:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Lasker]]></category>
		<category><![CDATA[Xadrez]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ccx.org.br/?p=816</guid>
		<description><![CDATA[A copa do mundo de 2010 foi um momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios fundamentais do jogo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/xadrez-futebol.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-818" title="xadrez-futebol" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/xadrez-futebol-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>A copa do mundo de 2010 foi um  momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas  poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do  jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez  romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios  fundamentais do jogo, descobertos em parte por Steinitz, na copa da África do  Sul, o futebol se despediu do romantismo dos artistas do passado em detrimento  do planejamento  estratégico-tático. Os  craques continuaram a ter o seu papel fundamental com uma diferença: criando os  seus  movimentos dentro de uma estratégia  e  tática apurada, retirada basicamente  do xadrez e refletida longamente antes das partidas e sem nenhuma concessão à  improvisos fora do plano  estratégico.Assim  ocorreu com a seleção da Espanha, com mais intensidade com a Holanda e  principalmente com a seleção da Alemanha. Um exemplo que poderia ser retirado  não só das partidas de Steinitz,mas principalmente das partidas de Lasker,  ocorreu na partida Brasil versus Holanda. Nesta partida os dois craques  holandeses juntaram forças contra Michel Bastos, ao observarem que Robinho não  retornava para ajudar este lateral. O técnico brasileiro ou não percebeu ou  demorou bastante para notar esta fina adequação tática dentro do plano  estratégico holandês.<span id="more-816"></span></p>
<p>No passado os românticos não  entenderam os fundamentos elaborados por Steinitz, demonstrados em Nova Iorque,  janeiro de 1883, no match histórico, contra   Zukertort. Neste match Zukertort não foi capaz de resolver a forma como  Steinitz parecia advinhar-lhe as combinações. Tentou a solução para este  intrincante problema por quatro anos sem jamais chegar próximo de uma solução  e, mais grave, perdendo neste processo a sua grande maestria de excelente  jogador prático.Nem mesmo o mais brilhante jogador da escola romântica, o russo  Tschigorin pode obter sucesso contra os novos e revolucionários princípios. Assim  também Steinitz e muitos de seus seguidores, do que poderia se chamar de”escola  dogmática”, do qual Siegbert Tarrasch é um ícone, tal como Zukertort, não  conseguiram entender o refinamento do seus próprios sistemas  por Emannuel Lasker, conforme se pode ver na maravilhosa  sétima partida do match Stenitz versus Lasker, de1894. <a href="http://www.ccx.org.br/games/lasker_steinitz_7.htm">Stenitz versus Lasker.</a></p>
<p>Em 2010 Brasil e Argentina  perderam, respectivamente, para as seleções da Holanda e da Alemanha, sem  entenderem muito bem as razões da derrota, assim como Stenitz, apesar do seu  gênio não entendeu  que ocorrera na  sétima e inflexiva partida do seu match contra Lasker, uma revolução dos  princípios do xadrez. Eu diria que o Brasil perdeu principalmente por um plano  estratégico pobre recheado de dogmatismo, expresso pelo elogio do técnico à  marcação perfeita e ao posicionamento rígido. Este foi o plano estratégico do  Brasil. O Brasil perdeu porque não compreendeu que o futebol estava  evolucionando diante dos seus próprios olhos! Acrescente-se ainda um item:  ufanismo injustificável no qual como poderia muito bem dizer Emannuel Lasker,não  consegue resistir ao xeque-mate. Entendia-se, portanto, que os jogadores  excepcionais como Luís Fabiano, alcunhado de “o fabuloso”,Kaká e o quase  sucessor de Pelé, Robinho, resguardado pela “melhor defesa do mundo” e  defendido pelo “maior goleiro do planeta”,fariam o resto.</p>
<p>Quanto à Argentina, nem mesmo plano estratégico houve. Usou-se  uma entidade abstrata que pode ser entendida como”mística”,”camisa argentina”,  cheia de evocações a glórias do passado. Contra seleções inferiores estas  intrínsecas fragilidades passaram desapercebidas para receberem em cheio a luz  do sol contra as seleções da Holanda e Alemanha. O Brasil perdeu porque não  pode se readaptar  e responder em tempo  real as mudanças táticas, dentro do plano estratégico enxadrístico da seleção  holandesa.  Quem possivelmente viu o que  estava acontecendo e tentou um plano inteligente para contrapor a nova  realidade foi o técnico da seleção paraguaia, o argentino Geraldo Martins, que  planeou neutralizar a seleção espanhola com forte marcação na defesa adversária,  diminuindo os seus espaços. O plano falhou diante da qualidade insuficiente do  seu ataque necessário para manter durante todo o jogo este plano ativo e também  do preparo físico necessário  para  realizar este objetivo.</p>
<p>No xadrez, estratégia responde a  pergunta: O que fazer? E a tática responde a pergunta: como fazer? Em 1871,  Steinitz escreveu diante dos seus fracassos em torneios anteriores, fazendo uma  das mais notáveis autocríticas enxadrísticas: &#8220;En los  torneos de París (1867) y Baden-Baden (1870)  yo esperaba conquistar el primer puesto&#8221;, recordaría mas tarde el primer campeón  del  mundo. <em>&#8220;Al </em>no  conseguirlo, me vi obligado a pensar acerca de mis actuaciones, y llegué a la  conclusión de que el juego combinativo, aunque a veces produce excelentes  resultados, no puede garantizar el éxito. Tras un meticuloso estudio de este tipo  de juego (incluidas, sin duda, las partidasde su match con Anderssen: G. K.), descubrí buen número de  defectos. Muchos sacrificios tentadores que tuvieron éxito resultaron ser  incorrectos. Adquirí, por tanto, la convicción de que una defensa correcta  requiere un gasto de energia mucho menor que el ataque. En general, un ataque  solo  tiene posibilidades de éxito cuando la posición enemiga se encuentra  yadebilitada. Desde entonces, mi  pensamiento se ha orientado a buscar una forma sencilla y segura de debilitar  la posición contraria”. “Um passo revolucionário na compreensão do xadrez.</p>
<p>Os planos estratégicos das seleções  alemãs e holandesas, consistiram em linhas gerais num futebol mais pausado, de  menor voltagem(El Pais), baseado em jogadores de nível técnico alto,com bom  preparo físico, estaturas altas, e capazes de identificarem rapidamente os  erros estratégicos e táticos do adversário e tal como no jogo de xadrez,jogar  em cima das debilidades identificadas. O que se viu em linhas gerais foram  domínio de espaço, controle do centro, calma e excelência na defesa e jogo de  contra-ataque relâmpago baseado nas debilidades adversárias. Assim ocorreu com  a Holanda contra o Brasil e com a Alemanha contra a Argentina. Não foi por  acaso que os craques solitários, jogando no estilo romântico e capazes de  decidirem uma partida, baseado principalmente numa linhagem de jogadores  sul-americanos que remonta a Garrincha, Pelé, Tostão, Maradona e Romário, fracassaram  na copa de 2010 contra os inteligentes esquemas estratégicos das duas seleções(mais  a Espanha), enquanto os craques que obtiveram sucesso conseguiram  porque as   suas seleções optaram  por jogar  xadrez em campo de acordo com os princípios estratégicos combinados de Stenitz  e  Emannuel Lasker. O leitor poderá lembrar-se  das inserções televisivas na qual a esperança de alteração do resultado  desfavorável da partida se baseava, para o narrador, no desequilíbrio promovido  por craques como Kaká, “Luís Fabuloso”,Robinho, Cristiano Ronaldo e Messi. Isto  no entanto, não ocorreu porque o futebol das vitoriosas equipes citadas  promoveu uma ruptura de escolas,uma revolução! Cenários fascinantes poderão doravante  se abrirem para o futebol com as suas 22 peças. Entender o futebol passará  obrigatoriamente por compreender os princípios estratégicos-táticos do xadrez. Quando  se fizer as necessárias análises desta copa de 2010, um outro  futebol, bem mais rico e sofisticado,  emergirá!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ccx.org.br/quando-o-futebol-se-rendeu-aos-principios-do-xadrez/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ser ou não ser?</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/ser-ou-nao-ser/</link>
		<comments>http://www.ccx.org.br/ser-ou-nao-ser/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Alekhine]]></category>
		<category><![CDATA[Goethe]]></category>
		<category><![CDATA[Lasker]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Xadrez]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ccx.org.br/?p=650</guid>
		<description><![CDATA[O filme &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a medida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik.gif"><img class="alignleft size-medium wp-image-660" title="Hamlet" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik-300x155.gif" alt="Ser ou não ser" width="300" height="155" /></a></p>
<p>O filme  &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um  problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a  vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida  para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a  medida que &#8220;sacrifica-se&#8221; pelo genitor. Como é filme e não vida real,  o espectador termina sendo ofuscado pelo brilho interior da personagem.</p>
<p><span id="more-650"></span></p>
<p>Num outro  extremo, o livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto" target="_blank">Fausto</a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe" target="_blank">Goethe</a>, também coloca um problema parecido de  natureza diferente: não seria jogar a vida fora, trocar a alma pelos prazeres  do mundo? O personagem do livro, mediante um   acordo com Mefistófeles, vende a sua alma em troca das benesses do  mundo. Diuturnamente, a televisão está nos mostrando esse tipo de personagem  &#8220;bem sucedido&#8221; e que não hesita em passar por cima de pessoas ou  instituições, no desejo  doentio de  aumentar sempre o seu  poder, riqueza e  &#8220;glória&#8221;.</p>
<p>A diferença  nos dois exemplos citados pode residir que, no primeiro, a personagem do  filme,embora possa parecer fracassada é, na realidade, vencedora. O segundo  exemplo mostra o contrário.</p>
<p>Diversas  opções de vida com as suas, muitas vezes, trágicas conseqüências podem ser  encontradas no mundo do xadrez.</p>
<p>Certamente,  o americano <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy" target="_blank">Paul Morphy</a>, tido como um dos maiores gênios do jogo não poderia  imaginar que a sua opção pelo xadrez seria a sua ruína. Após percorrer a Europa  durante os anos de 1858-60, vencendo todos os campeões europeus e cobrindo-se  de glória diante de seus compatriotas, foi repelido pela sua noiva, sob a  alegação que não poderia casar-se com um jogador profissional de xadrez; devido  a essa recusa, Morphy entrou em profunda depressão, morrendo poucos anos  depois, perturbado mentalmente. Um contemporâneo de Morphy escreveu sobre ele o  seguinte comentário: &#8220;que coisa estranha é a natureza do ser humano, que  faz com que um jogador de xadrez, que deveria privilegiar a razão ao invés da  emoção, sucumba diante da recusa de uma mulher esnobe, afetada e insensível e  que refletia o seu conceito de vida, apenas, através dos ecos da sociedade  preconceituosa de Nova Orleans. Como é grande o poder da mulher sobre o  homem!&#8221;.</p>
<p>Para Wilhelm Steinitz, campeão mundial em 1883,   a opção pelo xadrez   como meio de vida, foi também a da morte pela fome, em 1900 na ilha de  Ward. Primeiro ele conheceu  a fama e  depois, vítima da efemeridade da glória, teve que lutar, precariamente, pela  sobrevivência, após perder o seu título para Emanuel Lasker, em 1894. Em 1898,  quando participava de um torneio, um   admirador admoestou-lhe, falando que ele já adquirira muita glória podendo  descansar e deixá-la para os jogadores mais jovens; &#8220;a glória eu posso  deixar, mas o dinheiro do prêmio não!&#8221;- foi a resposta.</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Carl Scheletcher</a>, o maior jogador alemão do  século XX, trocou a vida &#8220;monótona&#8221; de pequeno sitiante, no interior  da Alemanha, pela busca da fama em Berlim. Quase a obteve; depois de conseguir o  direito de desafiar o campeão mundial, Emanuel Lasker, numa série de dez  partidas. No último jogo, o empate lhe daria o título e ele claramente superior  recusou, por arrogância, a linha de empate e terminou perdendo a partida.  Como conseqüência dessa derrota, Scheletcher  não conseguiu reagir e, bem depois, viu-se em estado de mendicância sendo  forçado a alistar-se como soldado, na primeira guerra mundial, onde foi morto  no primeiro combate.</p>
<p>Para o russo  Alexander Alekhine, campeão mundial entre 1927 e 1946, a opção foi negociar  a alma com os nazistas. Abrigado em Berlim nos anos de 1939-44, escreveu vários  artigos antisemitas onde, repulsivamente, dizia que os judeus não eram talhados  para o xadrez; percebendo depois que caso continuasse a derrotar os oficiais  nazistas, em torneios, correria perigo de vida, abdicou de sua arte,  deixando-os prevalecer sobre o seu jogo. Em 1944, completamente humilhado pelos  seus anfitriões, foi-lhe, finalmente, permitida a sua saída da Alemanha,  apenas, com uma mala de roupas.</p>
<p>É possível  que a verdadeira opção de vida que faça, realmente, diferença seja a opção  ética; com as  restantes  talvez seja mais sensato calar-nos e como no  poema de Raimundo Correa, <strong>Mal Secreto</strong>, convir que:</p>
<blockquote><p><em>Se a cólera  que espuma, a dor que mora<br />
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,<br />
Tudo que punge, tudo que devora<br />
O coração, no rosto se estampasse;</em></p>
<p><em>Se se pudesse, o espírito que chora,<br />
Ver através da máscara da face;<br />
Quanta gente, talvez, que inveja agora<br />
Nos causa, então piedade nos causasse!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez, consigo<br />
Guarda um atroz, recôndito inimigo,<br />
Como invisível chaga cancerosa!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez existe,<br />
Cuja ventura única consiste<br />
Em parecer aos outros venturosa! </em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ccx.org.br/ser-ou-nao-ser/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O peso da decisão</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/o-peso-da-decisao/</link>
		<comments>http://www.ccx.org.br/o-peso-da-decisao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 05 May 2010 11:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Lasker]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Schlechter]]></category>
		<category><![CDATA[Shakespeare]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ccx.org.br/?p=662</guid>
		<description><![CDATA[Dentre as supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas e  arcar com o ônus dessas. Supõe-se que nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de decidir, pois envolve, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-663" title="Dúvida" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2-287x300.jpg" alt="" width="222" height="232" /></a></p>
<p>Dentre as  supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o  estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas  e  arcar com o ônus dessas. Supõe-se que  nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de  decidir, pois envolve, não raras vezes, conseqüências muitas das quais  desastrosas. A história está repleta de exemplos, não só do que pode causar a  decisão errada, como também o efeito do seu oposto: a indecisão.</p>
<p><span id="more-662"></span></p>
<p>A dinastia  chinesa dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_Sung" target="_blank">Sung</a> findou-se porque o  chefe supremo dos exércitos chineses, quando recebeu a notícia de que a capital  estava cercada pelos mongóis, encontrava-se de bruços a olhar um combate de  grilos e não foi capaz de afastar-se deles, sem antes saber qual seria o  vencedor. Caiu a capital e assim terminou o império dos Sung.</p>
<p>A conhecida  fábula do &#8220;Asno de Burundin&#8221;, conecta-se com a história chinesa, pois  aquele, depois de atravessar um deserto e deparar-se com um monte de feno de um  lado e água límpida em abundância, do outro, não foi capaz de decidir-se  primeiro pela água ou pelo feno, vindo a morrer de fome e de sede.<br />
Por outro  lado, decisões dramáticas são muitas vezes impostas. No livro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Styron" target="_blank">William  Styron</a>, A Escolha de Sofia, a personagem Sofia tem de escolher, num campo de  extermínio nazista, salvar o seu filho ou a sua filha da morte, condição  imposta pelo carrasco do campo. A indecisão aí, acarretaria a morte de ambos os  filhos.</p>
<p>No xadrez,  vida e títulos obedeceram, não raras vezes, aos caprichos de uma decisão  errônea ou indecisão.</p>
<p>Na décima e última partida pelo título  mundial de xadrez de 1910, o desafiante <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Schelechter</a> jogando com o campeão  mundial, Emanuel Lasker, precisaria apenas de um simples empate para tomar o  cetro do campeão; a partida lhe era favorável e, como ele confessou muito  depois, a linha de empate fora visualizada por ele com toda a segurança. Ao invés,  entretanto, de empatar e passar a história como campeão mundial, preferiu  decidir-se por outra variante complicada e cheia de perigos ocultos que acabou lhe sendo fatal. Por que  enveredara por essa escolha? A sua explicação foi singela: &#8220;uma mulher da  platéia, muito bonita, olhava o jogo com interesse, parecendo entender bem a  partida. Para não decepcioná-la com um empate, resolvi escolher a outra  variante&#8221;. Alguém lembrou-lhe que aquele &#8220;simples empate&#8221;o  tornaria campeão mundial. Ao conhecer a fome e a mendicidade muitos anos  depois, Schelechter, talvez tivesse se lembrado de que a sua decisão  irresponsável, e mais nada,  fora a causa  da sua derrocada.</p>
<p>Como tomar,  porém, a melhor decisão, nas diversas circunstâncias de vida? Ao que se  sabe  hoje, o uso de elementos intuitivos  é de vital importância, assim como uma grande consciência da responsabilidade  decisória. Imagine o leitor, por um momento, que ele seja um dos  missionários referidos abaixo. Suponhamos que  o seguinte problema lhe seja apresentado agora: é preciso transportar,  atravessando um rio, três missionários e três canibais, fazendo-se várias  viagens num barco de capacidade para apenas duas pessoas. Todavia, o número de  canibais, em terra, jamais deve ser maior do que o dos missionários(por motivos  óbvios). Como decidir, corretamente, esse transporte?</p>
<p>Decisões e  erros, porém, andam juntos e ao final das contas, talvez, não exista outra  decisão mais conveniente do que a reflexão dos versos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare" target="_blank">Shakespeare</a> que fala  sobre a nossa condição humana de decidir:</p>
<blockquote><p><em>Não te doa jamais em pensar em falha tua.</em><br />
<em>Na rosa espinhos há,</em><br />
<em>turva-se a fonte clara;</em><br />
<em>vela a nuvem e o eclipse a luz do do sol, da lua,</em><br />
<em>E o ascoso pulgão vive até na flor mais rara. Todo homem erra sempre”.</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ccx.org.br/o-peso-da-decisao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Boris Spassky</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/boris-spassky/</link>
		<comments>http://www.ccx.org.br/boris-spassky/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 17:29:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Campeão Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Fischer]]></category>
		<category><![CDATA[GM]]></category>
		<category><![CDATA[Spassky]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.ccx.org.br/?p=292</guid>
		<description><![CDATA[por Armínio Santos Quando pensamos em Spassky, inevitavelmente o associamos às suas derrotas para Fischer. No entanto, tendemos a esquecer o enxadrista singular, o direcionamento luminoso em posições complexas e o fato de que não se podia determinar exatamente um único estilo de seu jogo. Acrescente-se a isto uma calma impertubável e irritante para os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>por Armínio Santos</em></p>
<p><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_inicial.jpg" alt="" width="240" height="229" /></p>
<p>Quando pensamos em Spassky, inevitavelmente o associamos  às suas derrotas para Fischer. No entanto, tendemos a esquecer o enxadrista  singular, o  direcionamento luminoso em  posições complexas e o fato de que não se podia determinar exatamente um único  estilo de seu jogo. Acrescente-se a isto uma calma impertubável e irritante para  os seus adversários. Spassky, de acordo com Kasparov, poderia ter o seu xadrez  classificado como universal, entendendo-se isto como a capacidade de jogar bem  os variados tipos de posições. O seu resultado contra Kasparov é sugestivo. Ver  partidas:<span id="more-292"></span></p>
<ul style=" list-style-type:decimal">
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069970">Kasparov vs Spassky</a> 0-1,  1981 Tilburg (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=A56">A56</a> Benoni  Defense)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069987">Spassky vs Kasparov</a> ½-½,  1982 Bugojno (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=B23">B23</a> Sicilian,  Closed)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070070">Kasparov vs Spassky</a> 0-1,  1983 Niksic (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=E80">E80</a> King&#8217;s  Indian, Samisch Variation)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070196">Kasparov vs Spassky</a> ½-½,1986 Dubai (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=E21">E21</a> Nimzo-Indian, Three Knights)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070308">Spassky vs Kasparov</a> ½-½, 1988 Belfort (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=A49">A49</a> King&#8217;s  Indian, Fianchetto without c4)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070369">Spassky vs Kasparov</a> ½-½, 1988 Reykjavik (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=B23">B23</a> Sicilian,  Closed)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070419">Kasparov vs Spassky</a> 1-0,  1989 Barcelona (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=D35">D35</a> Queen&#8217;s  Gambit Declined)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070506">Kasparov vs Spassky</a> 1-0,  1990 Linares (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=E34">E34</a> Nimzo-Indian, Classical, Noa Variation).</li>
</ul>
<p>Kasparov conseguiu ganhar apenas em 1989  em Barcelona e 1990 em Linares quando Spassky já estava francamente em declínio. Em 2006,  ele pode ainda <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1414791" target="_blank">bater Karpov</a> . Kasparov  faz o seguinte comentário sobre o seu primeiro encontro com Spassky: “O meu  primeiro encontro com Spassky foi em 1981 na cidade holandesa de Tilburg. Era o  meu primeiro supertorneio: uma prova de fogo! Todos os mestres destacados  estavam ali, a exceção de Karpov e Korchnoi e também Tal e Polugayévski que  ajudavam Karpov no match de Merano. Eu julgava que Boris Vasielevitch estava  tremendamente assustado. No entanto tudo terminou mal. A minha <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069970" target="_blank">derrota contra Spassky</a> foi penosa(!)”.</p>
<p>A partida seguiu na Defesa Índia do Rey, variante  Averbach, e após 1-d4 –Cf6; 2-c4-c5; 3-d5-g6; 4-Cc3-d6; 5-e4-Bg7; 6-Be2-0-0; 7 Bg5  chegou-se a posição do diagrama abaixo:</p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky1.gif" border="0" alt="" width="313" height="304" /></p>
<p>Nesta  posição seguem-se os comentários de Kasparov: “Spassky pensou e logo decidiu  sacrificar um peão, no espírito do gambito Benko, esperando apoderar-se da  iniciativa e obrigar as brancas a defender-se com precisão e obrigar-me a um  jogo que poderia resultar-me desagradável”.</p>
<p>7-&#8230;b5;  8-cxb5- a6; 9- a4!- Da5?! Teria sido melhor jogar 9-&#8230;h6! 10-Bd2-CbD7?;  As negras simplesmente quedam-se numa versão inferior do gambito Benko. 11-Ta3!  Agora a atividade das negras se estanca.  11-&#8230;Bb7;12-Cf3-axb5; 13-BxB5-Dc7; 14-0-0. A posição das brancas está tecnicamente  ganha, pois tem um peão de vantagem, sem nenhum contra-jogo de seu  oponente.Assim a aventura de Spassiky há fracassado. No entanto, ele seguiu  jogando como se nada houvera passado, com uma aparência imperturbável o que me  fazia roer por dentro!</p>
<p>14-&#8230;Cg4; 15-Bg5</p>
<blockquote><p><em>&quot;El  Ajedrez, con toda su profundidad filosófica, es ante todo un juego en el que se  ponen de manifiesto la imaginación, el carácter y la voluntad&quot;.</em> Boris Spassky</p></blockquote>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky2.gif" border="0" alt="" width="310" height="312" /></p>
<p>15-&#8230;Cgf6;  uma decisão pragmática por parte de meu  experiente oponente!</p>
<p>As  negras devem controlar o seu terreno , ser pacientes e esperar.</p>
<p>16-Cd2-e6;17-Cc4-exd5;18-exd5-Tad8;  19-a5; um plano evidente para materializar a posição, embora hoje em dia não  consigo explicar como pude perder esta posição! 19-&#8230;h6; 20-Bh4; é possível  que <strong>Bf4!?</strong> fosse  melhor.20-&#8230;Ce5; 21-a6-Ba8; 22-Te1-g5; 23-Bg3-Cfd7! Abrindo passo para o peão f.  24-a7!-f5; 25-Bxe5-Cxe5; 26-Cxe5 –dxe5! A única forma. Depois de <strong>26-&#8230;Bxe5;  27-Dh5-Rg7; 28-Ta6-Bxc3; 29-Bxc3-Bxd5; 30-c4-Bf7; 31-Df3-Ta8; 32-Tea1</strong> . As  brancas teriam ganho sem o menor problema. Agora o peão de a7 deveria decidir a  luta, porém ao menos está bloqueado e as negras tem a esperança de explorar a  força do seu bispo de casas negras. 27-Ta6-e4; 28-Bc4(o computador sugere <strong>28-d6!?)</strong> &#8211; Df7; 29-Cb5-Rh7; 30-Te6. A  situação está cristalizada e eu comecei a jogar com muita determinação: o  cavalo protege o peão de a7 e a torre penetrou no campo contrário. Chegou,  portanto, a fase concludente e Spassky se encontrava em sérios apuros de  tempo&#8230; 30-&#8230;Db7;</p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky3.gif" border="0" alt="" width="309" height="315" /></p>
<p>31-Dh5?!  A primeira jogada que merece uma severa crítica. Eu deveria simplesmente atacar  o peão com <strong>31-f3!</strong> E a partida teria  sido concluída rapidamente. 31-&#8230;Tf6;32-Txf6-Bxf6;33-g4?f4! Uma réplica instantânea!  As negras conseguem pela primeira vez possibilidades de contra-jogo. 34-  h4!?Rg7? Spassky faz o lance com o ponteiro a ponto de cair!35-Cc3? Este lance  deixa escapar uma nova vitória com <strong>35-d6!-  e3; 36-f3!</strong></p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky4.gif" border="0" alt="" width="307" height="303" /></p>
<p>35-&#8230;e3;36-Bd3-exf2+;37-Rxf2-Dxb2+;38-Te2?Um  grave erro, agora com o apuro de meu tempo.38-&#8230;Dxc3; 39-Dg6+ -Df8; 40-Dxh6+ &#8211;  Bg7; 41-Dxg5!-Df6?; <strong>41&#8230; Dd4+!</strong> Spassky ganharia de imediato! Neste ponto a partida foi adiada e reiniciou no  mesmo dia com um drástico câmbio de cenário: em lugar de ganhar eu estava  lutando agora por um empate e isto exerceu em mim um efeito desmoralizador.</p>
<p>42-Dxf6+  Bxf6; 43-Bc4-Bxh4+; 44-Rf3-Td7; 45-Ta2? Outro erro e desta vez irreparável.  45-&#8230;Bg5; agora as brancas não podem jogar g4-g5 e a sua posição está perdida.  46-Re4-Tf7; 47-Ta5-Rg7! 48-Txc5 –Rf6?! 49-Tc8—Txa7; 50-Tf8+Rg7; 51-Tc8-Rf6? Novo  apuro de tempo. 52-Tf8 + Rg7; 53-Tc8-Bb7+! 54-Tc7+ Rf6; 55-Rd4-Bh4! 56-d6-Bf2+ 57-Rc3-Be4! 58-Te7-Txe7; 59-g5+Rg6; 60-dxe7-Bc6; 61-Rb4-Bb6; 62-Bb3-Bd7;  Evitando a última armadilha: <strong>62-&#8230;f3?</strong> 63-Bd5-Be8; 64-Bc4-f3; 65-Bd3+Rxg5; 66-Bb5-f2. As brancas se rendem.</p>
<p>A  forma empreendedora e tranqüila que Spassky lutou numa posição desesperada me  produziu uma profunda impressão. Apesar de alguns erros no apuro do tempo, explorou  de forma esplêndida as possibilidades táticas da posição, captando sutilmente  os matizes psicológicos da luta. Me superou por completo no plano psicológico! Numa  posição tão desfavorável outro jogador simplesmente haveria se desmoralizado,  porém Spassky lutou duramente dizendo a si mesmo:”és jovem e temperamental.  Isso tem que aparecer em algum momento”! E foi justamente isto que ocorreu.</p>
<p>Spassky, nasceu em Leningrado, em 30 de janeiro de  1937 numa época sombria, pré-segunda guerra mundial. Fora conhecido como garoto  prodígio no início de sua adolescência e a Federação Soviética de Xadrez, numa  notável exceção, selecionou-o para um torneio internacional no exterior antes  de ter jogado a final do Campeonato Nacional. A sua estréia internacional  ocorreu em grande estilo, <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1125697" target="_blank">derrotando Smyslov</a> em histórica partida, em  Bucareste, 1953, no qual  obteve o título  de mestre internacional.</p>
<p><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_infancia.gif" border="0" alt="" width="240" height="351" /></p>
<p>Desde a infância teve uma inclinação pelo jogo agudo e  de ataque e possuía um magnífico instinto pelo desenvolvimento da iniciativa. Estes  hábitos, de acordo com Kasparov, foram cultivados pelo seu primeiro treinador, Zak  e desenvolvidos e consolidados depois pelo lendário Tolusch. A debilidade pelos  ataques brilhantes podem ser detectados em toda a carreira de Spassky. Ele  gostava de um centro forte e móvel e um desenvolvimento livre de peças. Por  outro lado, aprendeu num nível genético a manobrar de forma sutil e a jogar bem  em posições inferiores. Por último alcançou maestria na fase final do jogo. Com  o tempo jogava todas as fases do jogo igualmente e segundo Kasparov com  exagerada indiferença: se é um ataque é um ataque, se é um final é um final! Porém,  na menor oportunidade ele era capaz de mostrar a sua inata habilidade para  abrir caminho em posições complexas, ricas em táticas e carentes de diretrizes.  De forma que as raízes enxadrísticas de Spassky estão próximas a Tschigorin,  Alekhine e Tal do que a Botivinik e Petrossian. É possível que isto explique  porque nos seus melhores anos nem Tal e nem Korchnoi conseguiam jogar contra  ele. Seguramente porque os seus jogos, sobretudo o de Tal podia ser lido por  Spassky como um livro aberto. Kasparov.</p>
<blockquote><p><em>Estou seguro que o  xadrez tem um esplêndido futuro porque é uma  luta eterna. Há chegado a era da informática que a tudo influi: análises,  informações, preparação. Agora se requer um talento distinto: a capacidade para  sintetizar idéias. No momento o homem segue a frente das máquinas”. Spassky.</em></p></blockquote>
<p>Spassky era o único jogador de primeira linha da sua  geração a jogar gambitos sem medo (uma arma empregada por Bronstein com  sucesso). Kasparov acredita que Spassky era ainda mais eficiente nos gambitos  do que Bronstein. Esta inclinação pelos gambitos acompanhou toda a sua carreira  e seus resultados são verdadeiramente assombrosos. Durante 30 anos não perdeu  uma única partida no Gambito do Rei jogando contra jogadores como Fischer,  Bronstein, Averbach e Seirawan. Ele jogava os gambitos, no entanto, diferente  de todos os românticos do passado. O seu objetivo era conseguir um centro móvel  com boa mobilidade de peças. Muitas das suas vitórias posicionais nos gambitos  ocorreram sem nenhum ataque ao rei e sim devido às debilidades causadas na  posição inimiga. Nunca jogou 1-Cf3 na abertura. Ele foi o primeiro dos grandes  jogadores que empregou 1-d4 e 1-e4 com igual êxito. Pode-se dizer que muitas  das suas posições de aberturas davam ensejo a que os seus adversários  plantassem difíceis problemas como ocorreu na famosa <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1080046" target="_blank">partida contra Fischer</a> , no  Gambito do Rei(!), em   Mar Del Plata, 1960. No  27˚ Campeonato da URSS, em Lenigrado, 1960, ele afrontou, como fizera com  Fischer em Mar Del Plata,  ninguém menos do que David Bronstein: 1-e4  –e5; 2-f4!! Ao comentar depois esta partida no seu livro clássico: 200 Partidas  Abertas, Bronstein se lamentava: “Que diablos me habria empujado a mi a  responder 1-&#8230;e5?  Havia esquecido que a  Spassky, como Spielmann, no passado lhe gostava muito jogar o Gambito do Rey”.  Ainda em suas reflexões, Bronstein anotara preocupado, depois de 2-f4: “Y si a  mi oponente se le ocurriese crear hoy uma obra maestra”? Foi isto precisamente  o que se sucedeu! <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1034110">Esta partida</a> foi considerada a mais brilhante do torneio.  Não seria exagero dizer que Spassky jogava o Gambito do Rey melhor do que toda  a soma de jogadores do passado, incluindo Anderseen, Kisserkitz, Blackburne e o  próprio Steinitz.</p>
<p>O gosto de Spassky por posições agudas e de ataque,  veio sem dúvida do seu primeiro treinador, entre 1952 e 1960, Alexander  Kazimirovitch Tolusch, nas palavras de Kasparov, um homem engenhoso e de  caráter muito alegre. “Depois que ganhava uma partida informava aos seus  amigos: “Drácula foi caçado”! Quando seu oponente opunha desesperada  resistência, falava: “a carne de canhão resiste”! Quando este por fim se  rendia, dizia: ”Mordi o polvo”! Ao analizar uma partida blitz se autoelogiava  com o seu conhecido grito de guerra: ”Adelante Kazimirich”! Esta expressão se  converteu em lema para toda uma geração de jogadores. “Kazimirich, disse  Spassky, me revelou o mundo mágico das combinações. Tolusch entendia  perfeitamente todos as sutilezas psicológicas da luta no xadrez. E não só no  xadrez, como também no pôquer. No entanto, as maneiras de Tolusch não agradavam  a todos igualmente. A Botivinik, por exemplo, “no le gustaba”. O motivo  ocorrera durante a <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1032086" target="_blank">partida Tolusch versus Botivinik</a> , no 13˚ Campeonato  Soviético, em 1944. Tolusch havia dado mate na casa f7 com estas palavras: “Es  mate, Mikhail Moisevitch”! Desde então a palavra Tolusch soava aos ouvidos de  Botivinik como um juramento.  Recordo que quando <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1067209">esmaguei Karpov</a> , na fantástica 16º partida de nosso match de 1986,  Botivinik me mirou seriamente e pronunciou o seu veredicto: “Jugaste esta  partida al estilo de Tolush”! Naqueles anos eu não estava ainda familiarizado  com todas as sutilezas, porém compreendi pela sua entonação que aquelas  palavras não tinham nada de positivo. Na realidade a partida havia sido  excelente, mas Botivinik ao ver alguns sacrifícios “selvagens”, do tipo  especulativo, imediatamente se recordava de “Kazimirich”. Mais tarde na  introdução ao meu livro publicado na Rússia, sobre os matchs , tramou uma  explicação original para os meus reveses nas partidas 17˚ e 19˚, explicando em  parte por causa da minha vitória na 16˚: Kasparov  jogou sem alento, ao estilo Tolush, embora  tenha logrado uma vistosa vitória, achou que poderia  prosseguir com este estilo de jogo”! Com  estas palavras Botivinik expressava sua grande reprovação ao “estilo bufão”. O  mestre não admitia que pudesse ocorrer nada de acidental na partida e havia de  construir o edifício da partida de xadrez com um trabalho metódico, literalmente  ladrilho a ladrilho. Spassky pelo contrário  se associava ao estilo Tolush! Isto se tornou evidente no torneio de Tilburg,  em 1981 numa <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069973" target="_blank">partida minha contra Larsen</a> , numa posição muito complicada, de  roques opostos, no qual preferi seguir por uma continuação posicional e  consegui um final favorável, embora tenha deixado escapar a vitória.  Na análise, Spassky sugeriu com insistência o avanço do peão “g” na jogada 13,  repetindo: “Aqui Tolush teria jogado g4”! Ao ouvir isto Larsen olhou Spassky  com cumplicidade e de forma ameaçadora gritou: “Kazimirich”.Todos estalamos em  gargalhadas.</p>
<p>Para ilustrar o “estilo Tolush” de Spassky, eu  quero lembrar o Campeonato da URSS de 1973 e o match de candidatos contra  Robert Byrne, em 1974. Quanto ao primeiro Korchnoi me havia dito que este  torneio fora o “canto do cisne” de Spassky, provavelmente o melhor torneio da  sua carreira. Este torneio tinha atraído os jogadores mais fortes do momento.  Estavam os duros combatentes, Keres, Smyslov, Geller, Taimanov, Petrossian, Tal  e Polugayévski, além das novas estrelas Karpov, Beliavsky e demais. Korchnoi e  Karpov haviam ganho brilhantemente o   Torneio Interzonal de Lenigrado e um ano depois haveriam de defrontar no  match de candidatos, porém Spassky jogou melhor do que todos eles, de forma  simplesmente insuperável! Parecia que estava restabelecido da sua derrota ante  Fischer. O seu jogo fácil e elegante queda refletido em duas partidas com  Tukmakov e Rashkovsky, que optaram  mal  pela Variante Najdorf, da Defesa Siciliana. <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128942" target="_blank">Spassky x Tukmakov</a> ; <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128944" target="_blank">Spassky x Rashkovsky</a> “. Kasparov.</p>
<p>A catástrofe de Riga – Spassky teve a sua chance de ser  campeão mundial em 1958, no 25˚ Campeonato da URSS que também tinha um caráter  zonal. Segundo Kasparov, Spassky neste momento não queria apenas ser campeão  mundial, mas “demonstrar quem era quem”. Seis rodadas antes do final marchava  com excelente pontuação: 9 pontos de doze; um ponto a frente de Petrossian e  dois pontos a frente de Tal. Havia vencido de forma fulminante, <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1034008">Bronstein</a> , <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128408">Furman</a> e <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128407">Krogius</a> e a sua  <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1111454" target="_blank">partida contra Polugayévski</a> seria considerada a mais brilhante do torneio.<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1111454"></a> O  lance intuitivo 17-  Bxe6! E o inesperado  salto do cavalo em 20-Ca4!? Garantiram a premiação de melhor partida. Ao  finalizar esta partida, de acordo com as palavras de Kasparov, parecia que  Spassky tinha assegurado não só a medalha de ouro, mas também uma das vagas  classificatórias do Interzonal. Riga deveria ser o ponto de partida de uma  carreira dirigida até o título mundial. No entanto, como se diz que no momento  de glória, o infortúnio faz a sua aparição: Spassky nas cinco partidas  seguintes empatou três e perdeu as outras duas. Na última ronda a situação era  a seguinte: Tal e Petrossian lideravam a classificação com Bronstein a meio  ponto e Spassky e Averbach a um ponto. 5 candidadtos para 4 vagas! 3 deles  tinham empatado e Spassky joga a última ronda com a jovem estrela em  ascensão:Mikhail Tal! Para Kasparov, o êxito de Tal irritava Spassky e por  conseqüência, ele não avaliou adequadamente a situação. Com um empate, Spassky  teria um match de desempate com Averbach, no qual provavelmente  sairia vencedor. Esta partida segue uma  tradição imemorial desde que o xadrez foi inventado e dentre as numerosas  partidas jogadas em todos tempos, têm aquelas com tal cunho trágico que a  própria Caissa comparece para assistir. Todos os grandes jogadores do passado,  alguma vez jogou parte da sua existência (e do seu futuro!), numa única partida  dramática! Steinitz, Pillsbury, Capablanca, Scheletcher!</p>
<p>Boris Spassky x Mikhail Tal – Riga 1958. Empate  claro no lance 25, recusado por Spassky. Para Kasparov, a ira passou a  aconselhar Spassky. “Ele jogava ressentido com o mundo. Era impossível suportar  que Tal fosse homenegeado na sua cidade natal, Riga, local do torneio”.Do ponto  de vista estrito da posição, Spassky não tinha nenhum motivo para ter recusado  o empate. Segue a partida. Uma interrogação de Tal no lance 26-&#8230;Rf8? Seguido  de uma exclamação imediata de Spassky com 27-Tc2! Um lance duvidoso com o  31-&#8230;Ta6?! Seguido de pronta exclamação:  32-a5! E a resposta de Tal: 32-&#8230;b5! No lance 45 a partida é adiada com  iniciativa de Spassky.</p>
<h5><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_tal1.gif" border="0" alt="" width="312" height="310" /></p>
<p>45&#8230;De6. Adiamento.</h5>
<p>“Os  segundos dos respectivos jogadores analisaram a partida durante toda a noite e  “esta noite antes da batalha” tem sido descrita por muitos autores, em  particular por Victor Vasiliev, no seu relato: <em>O Enigma Tal </em> e por Averbach no seu artigo: <em>A Hora do triunfo de Mikhail Tal”. </em> Kasparov. Segundo os relatos, as  análises do grupo de Spassky não conseguira achar um caminho até a vitória: o  rei de Tal, como uma enguia, sempre conseguia se infiltrar entre os próprios  peões. Às cinco horas da manhã, Spassky, finalmente se decidiu: “amanhã lhe  darei mate! Agora é o momento de ir dormir”. De acordo com Kasparov, na hora de  se dirigir para o local do jogo, Spassky, exausto, encontrou com Petrossian e  lhe falou com um sorriso: “Hoy serás campeón”! 46- Df4+! A jogada secreta. “Es  la más fuerte”. Kasparov. Chega-se ao lance 52, jogando-se de acordo com as  analises dos seus segundos tabuleiros. No lance 57-Tc8?! Com 57-Db8! Brancas  ganhariam(EschBach).57-&#8230;Td6? Ao invés de 57&#8230;Tc6! A jogada perdedora, más&#8230;</p>
<p><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/pagina.jpg" border="0" alt="" width="400" height="422" /></p>
<h5>Página  de análise após a interrogação de Mikhail Tal, 57-&#8230;Td6? Ao invés de 57&#8230;Tc6!  Observe a posição após a jogada 58-Rf8+ e veja que Spassky poderia ter ganho  com 59-g4!</h5>
<p>A  partida prossegue e chega-se a uma posição aonde a deusa Caissa, observa ainda indecisa.</p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_tal2.gif" border="0" alt="" width="313" height="310" /></p>
<p>Posição  depois de 64-Tc8. Tal concede um sinal de interrogação para este lance,  considerando que era essencial 64-Rg3. Kasparov acrescenta que também era  possível 64-Df8 – Rf6 com empate.Spassky porém seguia a ganhar, nas palavras de  Kasparov, por pura inércia, quando de repente percebe  a desagradável réplica de seu oponente e,  então, de acordo com uma testemunha presencial, com a “voz estranha e  alterada”, propôs tablas. 64&#8230;Da6 acompanhada das palavras de Tal: “joguemos  um pouco mais”! 65-Rg3? Caissa finalmente se decide. Tablas era conseguido por  65-Rd8! <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128406">Ver  Partida Completa</a> .</p>
<p>Tal  finalizou o torneio em primeiro lugar com meio ponto a frente de Petrossian  e  enquanto era  sacado literalmente do torneio por multidão  de admiradores que o carregaram pelos ombros, Spassky enxugava furtivamente as  lágrimas e se retirava para os bastidores.O desfecho desta tragédia teve um  capítulo extra três anos depois, no 28˚ Campeonato da URSS, onde Spassky sofreu  uma derrota similar. Neste ponto o xadrez reflete uma profunda simetria com a  vida. Para Kasparov, estas duas tragédias foram fundamentais para Spassky:”Como  é bem sabido, os componentes do êxito no xadrez, não são só força e compreensão  do jogo e sim também estabilidade psicológica e capacidade para manter-se  inteiro nos momentos críticos.Mais tarde nos seus melhores anos,Spassky pode  extrair lições muito positivas destas catástrofes e jogar muito bem as partidas  decisivas.No entanto, naqueles anos o seu sistema nervoso não estava preparado  para provas tão severas”.</p>
<p>Em 1968 ganhou o <em>Oscar</em> de melhor enxadrista da Associação Internacional de Imprensa Enxadrística.  Conseguiu o primeiro lugar da lista das dez melhores partidas, publicadas pelo  Informador, em três números sucessivos! A <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1106072" target="_blank">derrota infringida a Penrose</a> , em  Palma de Mallorca, 1969 é um destes três prêmios de beleza.</p>
<p>Em 1969 se torna, finalmente, campeão mundial ao  derrotar Petrossian pelo escore de 12,5  – 10,5. Neste match Spassky mostrou toda a sua versatilidade ao adotar o estilo  Petrossian contra o próprio Petrossian! Em 1970 <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1044698" target="_blank">vence Fischer</a> de forma  fulminante, na Olimpíada de Siegen, em plena guerra fria. Depois desta vitória Spassky , na observação  de Kasparov, “dormiu em glórias”. Havia ganho o Oscar pela terceira vez. Em  1972 Spassky chegou para o match contra Fischer sem estar na sua melhor forma:  jogara poucos torneios e, mais grave, brigara com Bondarevsky.</p>
<blockquote><p><em>“</em> Fui<em> o mais forte jogador entre 1964 e 1970. Em  1971, Fischer era mais forte”.</em> Spassky.</p></blockquote>
<p>Em San   Juan, em 1974,  <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128968" target="_blank">jogando contra Robert Byrne</a> , realizou à moda de Lasker, um sacrifício  posicional de dama&#8230;por duas peças menores!</p>
<p>Na primavera de 1974, enfrentou Karpov, no  match de candidatos e através deste match alguns experts especularam como teria  sido Fischer jogando contra Karpov. Spassky ganhou a primeira partida. <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1067809" target="_blank">Spassky x Karpov</a> e por esta partida o match parcecia confirmar os prognósticos dos críticos, mas no  entanto, terminou desfavorável com um escore de 1-4. Em várias partidas  Spassky obteve superioridade, mas  então já não tinha a precisão que sobrava em Fischer. Em 1983, em  Niksic, Kasparov tinha adiado a partida contra Petrossian e ao chegar ao restaurante  para almoçar, encontrou Spassky que lhe perguntou sobre a sua partida: “parece  que eu deixei escapar a minha vantagem”. E você, o que opinas? Spassky  respondeu: Não, não é tão simples. Os bispos são de cores opostas e isto é  favorável às brancas porque podem criar um ataque. Tens que mirá-lo. Petrossian  não veio almoçar! Isto significa que não gosta da sua posição”!  Esta observação permitiu Kasparov olhar a  partida de forma diferente. No reinício, Petrossian foi batido em nove jogadas.  Spassky conhecia bem os hábitos do seu histórico oponente.</p>
<blockquote><p>“Spassky perdeu o encontro para Fischer por pura estupidez. Sobreestimou  a si mesmo”. Botivinik.</p></blockquote>
<h5><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_bulgaria.jpg" border="0" alt="" width="350" height="233" /></p>
<p>Convidado de honra no  MTel Masters, 2008, em Sofia, na Bulgária.</h5>
<p>Para  escrever este artigo eu usei abusivamente do livro de Kasparov, Mis Geniales  Predecessores, Vol III. Com Spassky, eu corrijo um erro de juventude: em 1972,  durante o “match do século”, eu tive Fischer como o herói e Spassky como o  odiado vilão comunista; uma apreciação em preto e branco, dicotômica e por  definição incapaz de captar as nuances existentes.</p>
<p>Spassky  é uma lenda que segue vivo. Ele é a conexão histórica com aqueles enxadristas  magistrais que desapareceram e que eles próprios são a magia do xadrez. Em  Tilburg, 1981, Kasparov informou a Spassky, antes da partida no qual saiu  derrotado, que iria lhe ganhar de forma arrasadora. A resposta: “Te ruego que  procedas”! Com Spassky uma era se fecha. Como no ato quarto, cena primeira, da  peça “A Tempestade”, de Shakespeare, na fala de Próspero, poderíamos dizer  sobre estes fabulosos enxadristas: ”Tranquiliza-te, senhor. Nossos  divertimentos já acabaram. Esses nossos atores, como já prevenira, eram todos  espíritos e desapareceram no ar, no seio do ar impalpável; e semelhante ao  edifício sem base desta visão, as altas torres, cujos cimos tocam as nuvens, os  suntuosos palácios, os solenes templos, até o imenso globo, sim, e tudo quanto  nele descansa, dissolver-se-á e, como este cortejo insubstancial acaba de  sumir, sem deixar atrás de si o menor sinal. Somos feitos do mesmo material que  os sonhos e a nossa curta vida acaba com um sono!”</p>
<blockquote><p><em>“Spassky é um dos dez melhores enxadristas  de todos os tempos”.</em> Fischer.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.ccx.org.br/boris-spassky/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

