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	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; Artigos</title>
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	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
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		<title>Emanuel Lasker, Capablanca, Deysi Cori, Sun Tzu e o segredo do Barcelona</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker-capablanca-sun-tzu-e-o-segredo-do-barcelona/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 17:57:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Barcelona]]></category>
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		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
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		<description><![CDATA[Observação: sugere-se  ler a biografia de Lasker e Capablanca, antes da leitura deste artigo,nos respectivos links abaixo: http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/ http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/ Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo;  se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Observação: sugere-se  ler a biografia de Lasker e Capablanca, antes da leitura deste artigo,nos respectivos links abaixo:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/">http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/</a></li>
<li><a href="http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/">http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/</a></li>
</ul>
<blockquote><p>Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo;  se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não a os demais nem te conheces a ti mesmo, correrás perigo em cada batalha. Sun Tzu &#8211; A Arte da Guerra.</p></blockquote>
<p>Estou num táxi, em Salvador, lendo no Ipad, o artigo de Leontxo Garcia sobre Deysi Cori, o novo fenômeno peruano, no qual transcrevo abaixo.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/deyse-cori.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1065" title="deyse-cori" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/deyse-cori.jpg" alt="" width="308" height="386" /></a></p>
<h5>Deyse Cori</h5>
<p>
Embora o xadrez,  a música e as matemáticas sejam as atividades que produzem mais crianças  prodígio, Deysi Cori, atual campeã do mundo sub 20 aos 18 anos, é um dos  maiores fenômenos produzidos pelo esporte mental nos últimos decênios: aos 16  foi campeã do mundo desta idade e subcampeã   sub 20. E a sua maturidade como pessoa sempre chamou a atenção: aos 12  anos, em sua primeira visita a Espanha, se perdeu no metrô de Madrid e saiu bem  sem ajuda. O mais assombroso é que o seu irmão, Jorge, é o atual campeão do  mundo sub 16. E tampouco é fácil explicar por que o Peru produz tantos  enxadristas brilhantes como Julio Granda, residente agora em Salamanca. No caso  dos Cori, é clara a aposta do colégio limenho Saco Oliveros pelo xadrez como  ferramenta educativa. Também podemos recorrer ao imperador Atahualpa, que  demonstrou aos seus captores espanhóis que jogava xadrez melhor do que eles, o  qual – diz a lenda – influenciou na sua condenação à morte por 13 votos contra  11.<span id="more-1053"></span></p>
<p>Absorto na leitura sou interrompido pelo  motorista que sem que eu lhe pergunte diz: Neymar é muito superior a Messi! Eu lhe respondo com outra pergunta: o senhor assistiu ao jogo do Barcelona contra o Santos? Sim, assisti, mas não fiquei impressionado! Sei bem que futebol é também paixão, mas para mim futebol só tem sentido na perspectiva da arte, assim como ocorre no xadrez! A arte mesmo quando óbvia se oculta e escapa do senso comum, como pode ser visto na seguinte história: Em 1885, em Londres, um indivíduo por motivos inexplicáveis, escondido num estábulo, atirou no dorso de um cavalo e a bala ricocheteou nos ossos do animal e atingiu mortalmente um policial que passava por perto. A Scotland Yard, não poupou esforços na tentativa de descobrir o assassino e enviou para o local do crime os seus três melhores inspetores com a ordem expressa de só abandonar o local com indícios que permitissem desvendar o crime. Após uma semana os inspetores permaneciam no local sem conseguirem qualquer pista. O diretor geral da polícia inglesa pediu então ajuda a Sherlock Holmes. Ao chegar ao local do crime, a primeira pergunta que Holmes fez aos inspetores foi: qual a cor do cavalo? Perplexos, nenhum soube responder. Depois de um constrangedor silêncio, o primeiro inspetor irritado, retrucou: Holmes,  admiramos a sua genialidade, mas temos certeza que saber a cor do cavalo não ajuda em nada a elucidação do crime. Holmes deu um sorriso irônico e respondeu: se vocês deixaram passar algo tão óbvio como a cor do cavalo, o que mais vocês não observaram?</p>
<blockquote><p>Todos elogiam a vitória na batalha, porém o verdadeiramente desejável é poder ver o mundo sutil e dar-te conta do mundo do oculto até o ponto de ser capaz de alcançar a vitória onde não existe forma. Não requer muita força para levantar um cabelo, não é necessário ter uma vista aguda para ver o sol e a lua, nem se necessita ter muito ouvido para escutar o retumbar do trovão. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Bem&#8230; é certo que a arte, assim como a natureza, tem horror ao  vácuo.  Barcelona versus Santos terminou e eu me quedei estupefato. Os meus pensamentos iniciais foram: o que sucede? Como isto é possível? Qual o segredo do Barcelona? Esta última pergunta me empenharei em respondê-la!. Certamente, não se poderia comparar este time com o Santos de Pelé, pois o método é bastante diferente: o time do Barcelona se  baseia no coletivo de uma orquestra sinfônica e também na individualidade dos seus jogadores e também não se baseia em nada do que eu acabei de escrever! É isto mesmo&#8230; Um mundo quântico permite a convivência harmoniosa com as contradições e paradoxos. Faço uma ruptura epistemológica e tomo emprestada a coluna de xadrez que Leontxo Garcia escreveu no diário espanhol El Pais, do dia 24 de dezembro, 2011, a partir do inacreditável diagrama abaixo, de uma partida rápida entre Capablanca (jogando com as brancas) e Emanuel Lasker.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel1.jpg"><img class=" wp-image-1055 alignnone" title="emanuel1" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel1.jpg" alt="" width="278" height="280" /></a></p>
<h5>Capablanca X Emanuel Lasker – Café Kerkau, Berlim, 1914 (início da primeira guerra mundial e dois meses depois da magnífica vitória de Lasker no Torneio Internacional de São Petersburgo). <strong>Jogam as Brancas.<br />
</strong></h5>
<p>Escreveu o colunista: <em>Es una de las soluciones más impresionantes que el lector  haya visto, y está incluída en el número 490 del interessante semanário digital Nuestro Círculo, dirigido por el argentino Roberto Pagura ( la suscripción, gratuita, puede solicitarse en: <a href="mailto:ropagura@fibertel.com.ar">ropagura@fibertel.com.ar</a>). Cuenta Pagura que, en la clausura de São Petersburgo 1914, Lasker, vencedor del torneo gracias a un juego magnífico, fue convencido por su mujer para que se reconciliase con Capablanca, tras las desavenencias entre ambos durante la negociación de un duelo por el Campeonato del Mundo. El alemán se acercó al cubano y brindó por su salud! La posición del diagrama se dio en una de las 10 partidas rápidas que ambos disputaron dos meses después, en el Café Kerkau de Berlin. Las dos piezas blancas son muy inestables, y el peón de b5 está amenazado. Ciertamente, el rey negro sufre en el rincón, pero, por muchas vueltas que le dé el lector, <span style="text-decoration: underline;">es muy poco probable que encuentre la maravillosa idea que llevó a Capablanca a la victoria</span>. Ahora bien, merece la pena intentarlo porque entonces el placer de conocer la solución será mucho más intenso! </em></p>
<p>A solução não será dada pela coluna. No texto, entretanto, queda-se claro a forma do leitor obter a solução. Creio que a solução deste diagrama, já embutida às diferenças no tempo, trará subsídios para que eu consiga resolver outra questão: qual é realmente o segredo que permite ao Barcelona ganhar com relativa facilidade de qualquer time do mundo?</p>
<blockquote><p>Todo mundo conhece a forma que resultou em vencedor, porém ninguém conhece a forma que assegurou a vitória. Em consequência a vitória não é repetitiva, senão que adapta sua forma continuamente. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Há uma história antiga do Pato Donald, intitulada “O Demolidor”. Nesta história o Pato Donald chega a uma enorme construção para realizar o trabalho de demolição. Para isto ele lança mão, sob os olhares curiosos dos donos, de uma série de aparelhos a começar pelo estetoscópio! Depois de uma série de análises, ele saca um pedaço de giz de sua mochila e num determinado ponto de uma parede, marca um X. Logo a seguir ele pega um canudo, um grão de arroz e sopra o grão no local marcado com o X. A estrutura começa então a desabar, com os donos correndo para não serem soterrados! Na posição abaixo, já com a solução a vista, retirado do livro de Capablanca, “Chess Fundamentals”, apresenta-se um final no qual é facilmente possível se <em>equivocar</em> e se desviar do X da questão.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel2.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1056" title="emanuel2" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel2.jpg" alt="" width="587" height="440" /></a></p>
<p>Os equívocos do futebol brasileiro: é necessário um meio campista fixo&#8230; o craque sempre desequilibrará a partida através de seus lampejos geniais &#8230;o Barcelona joga como o flamengo de Zico. Bem&#8230; o flamengo de Zico perdia também muitas partidas, empatava e ganhava de 2&#215;1, 1&#215;0. Copa do rei (depois da vitória contra o Santos): Barcelona 9 x 0 Hospitalet! Um detalhe: os seus principais titulares não jogaram. Com outra ruptura seguimos para a partida <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=11133">Jan-Willem Te Kolste</a> vs <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=10626">Richard Reti</a> Baden-Baden 1925  ·  Alekhine Defense: Saemisch Attack <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=B02">(B02)</a>  que pode ser vista no link <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1007219">http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1007219</a>.</p>
<p>O interesse desta partida reside nos comentários  superlativos feitos por Réti (o vencedor) e a refutação dos comentários de Réti  por Emanuel Lasker.  Ao contestar as análises de Réti, no qual induz o leitor a pensar no surgimento de uma nova estratégia ganhadora, o pensador Lasker  reflete sobre  os princípios do xadrez e a validade dos dogmas enunciados por especialistas  e de forma marginal privilegia  a exuberância da arte no xadrez. Os comentários seguem abaixo:</p>
<p><em>1.e4-Cf6;2.e5-Cd5;3.Cc3-CxC3;4.dxc3. En la revista de Kagan, Neusten Schachnachrichtene, Reti califica esta jugada como “um error posicional”. Esto, cuando menos, es debatible. Pero lo que disse a continuación está fuera de toda proporción: “La partida sólo podrá mostrar como, por médio de la técnica ajedrecística, una pequena pero clara desvantaja posicional en que que se incurrió durante la Apertura puede convertirse facilmente en una victoria”. Neste ponto, Lasker evitando a ortodoxia corrente e sem maiores preocupações de criticar o especialista, pois Reti era tido nos meios enxadrísticos da época como um dos grandes finalistas do jogo, contesta da seguinte forma: ¿En una victoria? No es la proporción correcta. En iniciativa, en uma partida promissória, eso pudo concederse, pero no más, a menos que el oponente se equivoque de nuevo. El plan de Reti fue hacer uso del Peón doblado de las Blancas para obtener la superioridade de Peones en el flanco Rey. Pero,a pesar de todo, todavia estaba muy lejos de tener uma partida ganada. La combinación se refiere a la siguiente posición:</em></p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel3.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1057" title="emanuel3" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel3.jpg" alt="" width="303" height="302" /></a></p>
<p><em>Aquí, Te Kolste cometió el error de oferecer el cambio de Torres, que perde, porque el peón en a2 está retrasado y las Negras obtienen um Peón passado, mientras que las Brancas no logran ninguno. Reti señala que la jugada correcta 1.a3, también debió perder, pero su análisis contiene una omisión. 1&#8230;bxa3;2.b4-a2;3.Ta3-d5. Aquí Reti hace que las Blancas jueguen 4. cxd5,pero 4.Ta6+ &#8211; R mueve; 5-Txa2 – dxc; 6-T2c podrría assegurar a las Blancas y eliminar toda ventaja. Y esta combinación debía ser el punto culminante de uma estratégia que debía lograr uma inexorable victoria, baseada em la cuarta jugada de las Blancas! Admito que luego de 1.a3-Rc5! 2.a4 las Negras aún ejercen una ligera presión; decir algo más, sería uma exageración. Agora a lição do mestre: Los planes estratégicos concebidos con amplitude no tienen uma base tan frágil. No se puede construir el plan de toda uma partida bien disputada en un motivo como el indicado por Reti; es demasiado magro, demasiado estrecho, diminuto para tal fin. Las explicaciones de Reti cuando se relacionan con una análisis que cubre pocas jugadas son correctas y elogiables. Hasta ahora, nadie ha sido capaz de hacer mucho más que concebir planes como va procedendo la partida. Los señalamientos de Reti pueden llevar a que el lector piense que ha surgido una estrategia profunda y completamente nueva, con lo que tal vez se vea tentado a producir planes estratégicos muy profundos del mismo orden. El está en peligro de perder su saño juicio y ni el ni el Ajedrez son bien servidos con eso.</em></p>
<blockquote><p>A grande sabedoria não é algo óbvio, o mérito não se anuncia. Quando és capaz de ver o sutil, é fácil ganhar. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Barcelona versus Santos: Passes da dupla Xavi-Iniesta: 202. Passes incorretos: 1. Passes corretos: 201!!</p>
<p>Em 1875, Sherlock Holmes e o seu inseparável assistente, Dr. Watson,acamparam na área de <strong>Chatsworth House</strong>, grande palácio rural, localizado a aproximadamente 6 km a nordeste de <a title="Bakewell (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bakewell&amp;action=edit&amp;redlink=1">Bakewell</a>, no <a title="Derbyshire" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Derbyshire">Derbyshire</a>, <a title="Inglaterra" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inglaterra">Inglaterra</a> e originalmente construído por <a title="Bess de Hardwick (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bess_de_Hardwick&amp;action=edit&amp;redlink=1">Bess de Hardwick</a>. Esta propriedade pertencia então ao 7o Duque de Devonshire, conhecido pela má gestão financeira da propriedade e dos negócios desastrosos em Barrow-in-Furness. O Duque, entretanto, devia favores a Holmes relativo ao rumoroso caso da mulher do diplomata americano. O Duque tido pela imprensa inglesa como mulherengo sofrera chantagem referente às supostas cartas de amor trocadas entre a mulher do diplomata americano, Charles C. Parker e o duque. Este caso estremecera as relações entre Inglaterra e Estados Unidos e Holmes, a pedido do Duque, identificara o próprio marido como o autor e chantagista. Para chegar a esta conclusão, Holmes, observando a predileção do diplomata para fazer adivinhações sobre os temas mais rotineiros, como por exemplo, se um cão iria enveredar por uma rua A ou B, descobrira que o embaixador americano era na verdade um jogador compulsivo de Baccarat, e que recentemente contraíra vultosas  dívidas neste jogo. O Duque, então, em agradecimento, convidara Sherlock Holmes para passar uma temporada de descanso no seu palácio. Convite, gentilmente recusado por Holmes, que, entretanto, aceitara acampar nos arredores da magnífica propriedade. Ver foto abaixo.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel4.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1058" title="emanuel4" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel4.jpg" alt="" width="583" height="389" /></a></p>
<h5><strong>Chatsworth House</strong> vista a partir do espelho de água, aonde Sherlock Holmes e o seu assistente Dr. Watson, acamparam no verão de 1875.</h5>
<p>Na primeira noite de acampamento, Holmes e o Dr. Watson, fumaram charutos e tomaram uma garrafa de conhaque enviado pelo Duque e em seguida se recolheram à barraca para dormirem. Exatamente às 3 horas da manhã, Sherlock Holmes acorda, bate no ombro de Watson que necessita de quase três minutos para despertar, e indica as estrelas no céu: “O que as estrelas lhe informa, Watson”?  Watson observa o céu maravilhosamente estrelado e responde: Bem&#8230; Holmes. Do ponto de vista astronômico posso ver a Constelação do Dragão&#8230; e mais adiante a Constelação da Cabeleira de Berenice, próximo da Ursa Maior. Do ponto de vista astrológico posso ver as Constelações de Câncer e Sagitário. Da perspectiva metereológica posso lhe garantir que teremos um dia ensolarado hoje, propício para caminhadas. Watson faz então uma pausa e interroga Holmes: E para você Holmes, o que é que as estrelas lhe informa?  Watson, seu estúpido, roubaram a nossa barraca!</p>
<blockquote><p>Cada assunto requer um conhecimento prévio. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>O filósofo português Manoel Sérgio explica o segredo do Barcelona da seguinte forma: &#8230; Porque se desconhece que só sabe de futebol quem sabe mais do que futebol&#8230; Não há área do conhecimento que não se desenvolva sem uma sistemática relação com as demais áreas do conhecimento. A complexidade do real exige a complexidade do pensamento e da ação. E o futebol é bem mais do que a técnica e a tática. Há uma revolução a fazer no futebol. O Barcelona é a melhor equipe de futebol do mundo. E por quê? Em primeiro do mais, porque, nela, o todo é mais do que a soma das partes. E aqui as partes não são só a técnica e a tática e o físico, mas também o intelectual e o moral.&#8221;</p>
<p>Parece-me que o filósofo recorre indiretamente à educação, expresso nos termos e palavra, “áreas do conhecimento”, “complexidade do pensamento”, “intelectual”, para tentar desvendar o segredo do Barcelona. Na tentativa de sofisticar esta linha de pensamento do filósofo, algo ainda obscura e impenetrável, recorro ao pensamento de Emanuel Lasker sobre educação enxadrística (aprendizado do xadrez).</p>
<p>Escreve Lasker: “Suponhamos que um mestre que segue um bom método, se esforce em educar um jovem que não sabe nada de xadrez até que ele chegue ao nível de alguém a quem não se pode conceder vantagem. Que tempo necessitaria para logra-lo? Creio que estou correto em fazer o seguinte cálculo:</p>
<p>Regras do jogo e exercícios: 5 horas; Finais elementares – 5 horas; Algumas aberturas – 10 horas;  Combinação – 20 horas; Jogo de posição – 40 horas; Jogo de análise – 120 horas.</p>
<p>Sem perder-me nos cálculos, creio que não me equivoco ao afirmar que nossos esforços no xadrez, não alcançam mais do que a centésima parte de um por cento de seu resultado correto. Em todos os domínios do esforço, nossa educação consume terrivelmente o tempo e os valores. Em Matemática e Física, os resultados alcançados são ainda piores que em xadrez. Existe uma tendência a manter na estupidez, a maioria das pessoas? Para os governos do tipo autocrata, a ignorância das multidões sempre há sido uma vantagem. Quiçá também o medíocre que há obtido autoridade segue a mesma política. Evidentemente este motivo não é predominante no xadrez. O mal estado da educação em xadrez se deve por completo à nossa torpeza. O xadrez requer uma educação no qual o pensamento e o juízo sejam independentes. O xadrez não deve ser memorizado, simplesmente porque não é importante. A memória é demasiado valiosa para armazenar futilidades. Eu tenho dedicado pelo menos 30 dos meus 57 anos a esquecer-se da maior parte do que foi aprendido ou lido e não me gostaria perder nunca a tranquilidade e o regozijo que me causa logra-lo com êxito. Se fora necessário poderia aumentar minha habilidade para jogar xadrez (!); se fora necessário, poderia fazer algo do qual não tenho idéia na atualidade. Eu tenho armazenado pouco em minha memória, porém, posso aplicá-lo, e me resulta muito útil em emergências. Eu mantenho em ordem, porém, resisto a qualquer intento de aumentar o seu peso. Vocês não devem conservar na mente nomes, nem números e nem feitos isolados, <span style="text-decoration: underline;">e sim somente métodos!</span> O método é plástico (!). É aplicável em qualquer situação. O resultado, o incidente isolado é rígido, porque está ligado a condições completamente individuais. O método produz resultados: uns poucos permaneceram em nossa memória, embora sejam poucos, resultaram úteis para ilustrar e manter vivas as regras que ordenam os meus resultados. Estes resultados úteis podem renovar-se a cada certo tempo, da mesma maneira em que se fornece alimento fresco a um organismo vivente para mantê-lo forte e saudável. Porém, desta maneira os resultados úteis têm uma viva relação com as regras e estas se descobrem outra vez aplicando um método vivo: toda esta organização deve ter vida.</p>
<p>Mais que isto: uma vida harmoniosa! Aquele que deseja adquirir uma educação em xadrez deve fugir do que está morto: as teorias artificiais, apoiadas por poucos exemplos e sustentadas por um excesso de engenho humano; o costume de evitar tarefas difíceis, a debilidade de aceitar sem criticar as variantes ou regras descobertas por outros; a vaidade, que é arrogante; a incapacidade de admitir erros; em resumo, tudo que tende ao estancamento e a anarquia”. Neste momento, Lasker responde a uma questão importante: por onde o aluno deve começar a sua educação enxadrística? A resposta: pelos caminhos da teoria de Steinitz! E destaca a sua importância: “Esta teoria tem uma história que o aluno deve tratar de compreender porque lhe desvela um pouco o véu do mistério do caráter humano (!). Esta teoria tem um significado que se tornou evidente depois de uma dura luta contra as teorias contrárias no qual competia e que ganhou autoridade com um célebre match pelo campeonato mundial; esta teoria tem relação com profundos problemas e pede ao aluno que pense por si mesmo, que construa sua própria tabela de valores e que a mantenha de maneira constante, vigilante, em ordem. Esta teoria necessita audácia e precaução (!), força e economia, e, portanto, se converte em um modelo para ações fora do xadrez!  O caminho para esta educação requer bons professores (“!): mestres de “Xadrez que por sua vez sejam gênios do ensino”. Qual a forma de ensino a ser utilizada? Emanuel Lasker, filósofo e doutor em matemática, aluno do famoso matemático David Hilbert, responde: “introduzindo os jovens ao jogo de forma correta, com conferências e bons livros, jogando com seus alunos, assistindo aos seus encontros, fazendo notações e comentários dos pontos bons e maus das partidas. Há muitas e variadas maneiras no qual um bom professor pode fazer um trabalho eficiente”. <em> </em></p>
<blockquote><p>Podes ganhar quando ninguém pode entender em nenhum momento quais são as suas intenções. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Creio que finalmente tenho reunido informações e dados para desvendar definitivamente o segredo do Barcelona! Pero, um ratito solamente&#8230; Era costume na França, do século XIX, regimentos militares serem saudados, quando passava por uma cidade, por uma salva de 21 tiros de canhão. Certo general ao passar por uma pequena cidade deu voz de parada e perfilou os seus cavaleiros e soldados para ouvirem com respeito a saudação expressa nos tiros de canhão. Apurou os ouvidos e silêncio total. Quando perscrutou em volta para saber o que houvera viu o encarregado da guarnição local se aproximar esbaforido. General, general! Mil desculpas, mas não foi possível dar a salva de 21 tiros de canhão que a magnificência do seu cargo faz por merecer. E não foi possível por 19 motivos diferentes. Primeiro faltou pólvora&#8230;Neste ponto o general atalhou: não é necessário falar os outros 18 motivos. Faltar pólvora é, por si só, motivo suficiente! Na posição seguinte, se oferece ao leitor, o aprendizado da importância do princípio da oposição (a pólvora) em finais de partida, através de um exemplo do livro de Capablanca, <em>Chess Fundamentals.</em></p>
<p><em><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel5.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1059" title="emanuel5" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel5.jpg" alt="" width="565" height="443" /></a></em></p>
<p><em>Bem&#8230;Descobri uma solução maravilhosa que desvenda completamente o segredo do Barcelona, mas por razões de tamanho  não será possível escrevê-la neste espaço.</em></p>
<p><strong>Para escrever este artigo, eu usei as informações do Manual de xadrez de Emanuel Lasker, do livro de Capablanca, Chess Fundamentals, da Arte da Guerra, de Sun Tzu e do excelente apps (aplicativo) para Ipad, denominado:e+Chess Books, que permite, lado a lado, mover as peças em sincronia com a leitura do livro .</strong></p>
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		<title>Quando o futebol se rendeu aos princípios do xadrez</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 23:52:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A copa do mundo de 2010 foi um momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios fundamentais do jogo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/xadrez-futebol.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-818" title="xadrez-futebol" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/xadrez-futebol-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>A copa do mundo de 2010 foi um  momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas  poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do  jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez  romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios  fundamentais do jogo, descobertos em parte por Steinitz, na copa da África do  Sul, o futebol se despediu do romantismo dos artistas do passado em detrimento  do planejamento  estratégico-tático. Os  craques continuaram a ter o seu papel fundamental com uma diferença: criando os  seus  movimentos dentro de uma estratégia  e  tática apurada, retirada basicamente  do xadrez e refletida longamente antes das partidas e sem nenhuma concessão à  improvisos fora do plano  estratégico.Assim  ocorreu com a seleção da Espanha, com mais intensidade com a Holanda e  principalmente com a seleção da Alemanha. Um exemplo que poderia ser retirado  não só das partidas de Steinitz,mas principalmente das partidas de Lasker,  ocorreu na partida Brasil versus Holanda. Nesta partida os dois craques  holandeses juntaram forças contra Michel Bastos, ao observarem que Robinho não  retornava para ajudar este lateral. O técnico brasileiro ou não percebeu ou  demorou bastante para notar esta fina adequação tática dentro do plano  estratégico holandês.<span id="more-816"></span></p>
<p>No passado os românticos não  entenderam os fundamentos elaborados por Steinitz, demonstrados em Nova Iorque,  janeiro de 1883, no match histórico, contra   Zukertort. Neste match Zukertort não foi capaz de resolver a forma como  Steinitz parecia advinhar-lhe as combinações. Tentou a solução para este  intrincante problema por quatro anos sem jamais chegar próximo de uma solução  e, mais grave, perdendo neste processo a sua grande maestria de excelente  jogador prático.Nem mesmo o mais brilhante jogador da escola romântica, o russo  Tschigorin pode obter sucesso contra os novos e revolucionários princípios. Assim  também Steinitz e muitos de seus seguidores, do que poderia se chamar de”escola  dogmática”, do qual Siegbert Tarrasch é um ícone, tal como Zukertort, não  conseguiram entender o refinamento do seus próprios sistemas  por Emannuel Lasker, conforme se pode ver na maravilhosa  sétima partida do match Stenitz versus Lasker, de1894. <a href="http://www.ccx.org.br/games/lasker_steinitz_7.htm">Stenitz versus Lasker.</a></p>
<p>Em 2010 Brasil e Argentina  perderam, respectivamente, para as seleções da Holanda e da Alemanha, sem  entenderem muito bem as razões da derrota, assim como Stenitz, apesar do seu  gênio não entendeu  que ocorrera na  sétima e inflexiva partida do seu match contra Lasker, uma revolução dos  princípios do xadrez. Eu diria que o Brasil perdeu principalmente por um plano  estratégico pobre recheado de dogmatismo, expresso pelo elogio do técnico à  marcação perfeita e ao posicionamento rígido. Este foi o plano estratégico do  Brasil. O Brasil perdeu porque não compreendeu que o futebol estava  evolucionando diante dos seus próprios olhos! Acrescente-se ainda um item:  ufanismo injustificável no qual como poderia muito bem dizer Emannuel Lasker,não  consegue resistir ao xeque-mate. Entendia-se, portanto, que os jogadores  excepcionais como Luís Fabiano, alcunhado de “o fabuloso”,Kaká e o quase  sucessor de Pelé, Robinho, resguardado pela “melhor defesa do mundo” e  defendido pelo “maior goleiro do planeta”,fariam o resto.</p>
<p>Quanto à Argentina, nem mesmo plano estratégico houve. Usou-se  uma entidade abstrata que pode ser entendida como”mística”,”camisa argentina”,  cheia de evocações a glórias do passado. Contra seleções inferiores estas  intrínsecas fragilidades passaram desapercebidas para receberem em cheio a luz  do sol contra as seleções da Holanda e Alemanha. O Brasil perdeu porque não  pode se readaptar  e responder em tempo  real as mudanças táticas, dentro do plano estratégico enxadrístico da seleção  holandesa.  Quem possivelmente viu o que  estava acontecendo e tentou um plano inteligente para contrapor a nova  realidade foi o técnico da seleção paraguaia, o argentino Geraldo Martins, que  planeou neutralizar a seleção espanhola com forte marcação na defesa adversária,  diminuindo os seus espaços. O plano falhou diante da qualidade insuficiente do  seu ataque necessário para manter durante todo o jogo este plano ativo e também  do preparo físico necessário  para  realizar este objetivo.</p>
<p>No xadrez, estratégia responde a  pergunta: O que fazer? E a tática responde a pergunta: como fazer? Em 1871,  Steinitz escreveu diante dos seus fracassos em torneios anteriores, fazendo uma  das mais notáveis autocríticas enxadrísticas: &#8220;En los  torneos de París (1867) y Baden-Baden (1870)  yo esperaba conquistar el primer puesto&#8221;, recordaría mas tarde el primer campeón  del  mundo. <em>&#8220;Al </em>no  conseguirlo, me vi obligado a pensar acerca de mis actuaciones, y llegué a la  conclusión de que el juego combinativo, aunque a veces produce excelentes  resultados, no puede garantizar el éxito. Tras un meticuloso estudio de este tipo  de juego (incluidas, sin duda, las partidasde su match con Anderssen: G. K.), descubrí buen número de  defectos. Muchos sacrificios tentadores que tuvieron éxito resultaron ser  incorrectos. Adquirí, por tanto, la convicción de que una defensa correcta  requiere un gasto de energia mucho menor que el ataque. En general, un ataque  solo  tiene posibilidades de éxito cuando la posición enemiga se encuentra  yadebilitada. Desde entonces, mi  pensamiento se ha orientado a buscar una forma sencilla y segura de debilitar  la posición contraria”. “Um passo revolucionário na compreensão do xadrez.</p>
<p>Os planos estratégicos das seleções  alemãs e holandesas, consistiram em linhas gerais num futebol mais pausado, de  menor voltagem(El Pais), baseado em jogadores de nível técnico alto,com bom  preparo físico, estaturas altas, e capazes de identificarem rapidamente os  erros estratégicos e táticos do adversário e tal como no jogo de xadrez,jogar  em cima das debilidades identificadas. O que se viu em linhas gerais foram  domínio de espaço, controle do centro, calma e excelência na defesa e jogo de  contra-ataque relâmpago baseado nas debilidades adversárias. Assim ocorreu com  a Holanda contra o Brasil e com a Alemanha contra a Argentina. Não foi por  acaso que os craques solitários, jogando no estilo romântico e capazes de  decidirem uma partida, baseado principalmente numa linhagem de jogadores  sul-americanos que remonta a Garrincha, Pelé, Tostão, Maradona e Romário, fracassaram  na copa de 2010 contra os inteligentes esquemas estratégicos das duas seleções(mais  a Espanha), enquanto os craques que obtiveram sucesso conseguiram  porque as   suas seleções optaram  por jogar  xadrez em campo de acordo com os princípios estratégicos combinados de Stenitz  e  Emannuel Lasker. O leitor poderá lembrar-se  das inserções televisivas na qual a esperança de alteração do resultado  desfavorável da partida se baseava, para o narrador, no desequilíbrio promovido  por craques como Kaká, “Luís Fabuloso”,Robinho, Cristiano Ronaldo e Messi. Isto  no entanto, não ocorreu porque o futebol das vitoriosas equipes citadas  promoveu uma ruptura de escolas,uma revolução! Cenários fascinantes poderão doravante  se abrirem para o futebol com as suas 22 peças. Entender o futebol passará  obrigatoriamente por compreender os princípios estratégicos-táticos do xadrez. Quando  se fizer as necessárias análises desta copa de 2010, um outro  futebol, bem mais rico e sofisticado,  emergirá!</p>
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		<title>Ser ou não ser?</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O filme &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a medida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik.gif"><img class="alignleft size-medium wp-image-660" title="Hamlet" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik-300x155.gif" alt="Ser ou não ser" width="300" height="155" /></a></p>
<p>O filme  &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um  problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a  vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida  para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a  medida que &#8220;sacrifica-se&#8221; pelo genitor. Como é filme e não vida real,  o espectador termina sendo ofuscado pelo brilho interior da personagem.</p>
<p><span id="more-650"></span></p>
<p>Num outro  extremo, o livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto" target="_blank">Fausto</a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe" target="_blank">Goethe</a>, também coloca um problema parecido de  natureza diferente: não seria jogar a vida fora, trocar a alma pelos prazeres  do mundo? O personagem do livro, mediante um   acordo com Mefistófeles, vende a sua alma em troca das benesses do  mundo. Diuturnamente, a televisão está nos mostrando esse tipo de personagem  &#8220;bem sucedido&#8221; e que não hesita em passar por cima de pessoas ou  instituições, no desejo  doentio de  aumentar sempre o seu  poder, riqueza e  &#8220;glória&#8221;.</p>
<p>A diferença  nos dois exemplos citados pode residir que, no primeiro, a personagem do  filme,embora possa parecer fracassada é, na realidade, vencedora. O segundo  exemplo mostra o contrário.</p>
<p>Diversas  opções de vida com as suas, muitas vezes, trágicas conseqüências podem ser  encontradas no mundo do xadrez.</p>
<p>Certamente,  o americano <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy" target="_blank">Paul Morphy</a>, tido como um dos maiores gênios do jogo não poderia  imaginar que a sua opção pelo xadrez seria a sua ruína. Após percorrer a Europa  durante os anos de 1858-60, vencendo todos os campeões europeus e cobrindo-se  de glória diante de seus compatriotas, foi repelido pela sua noiva, sob a  alegação que não poderia casar-se com um jogador profissional de xadrez; devido  a essa recusa, Morphy entrou em profunda depressão, morrendo poucos anos  depois, perturbado mentalmente. Um contemporâneo de Morphy escreveu sobre ele o  seguinte comentário: &#8220;que coisa estranha é a natureza do ser humano, que  faz com que um jogador de xadrez, que deveria privilegiar a razão ao invés da  emoção, sucumba diante da recusa de uma mulher esnobe, afetada e insensível e  que refletia o seu conceito de vida, apenas, através dos ecos da sociedade  preconceituosa de Nova Orleans. Como é grande o poder da mulher sobre o  homem!&#8221;.</p>
<p>Para Wilhelm Steinitz, campeão mundial em 1883,   a opção pelo xadrez   como meio de vida, foi também a da morte pela fome, em 1900 na ilha de  Ward. Primeiro ele conheceu  a fama e  depois, vítima da efemeridade da glória, teve que lutar, precariamente, pela  sobrevivência, após perder o seu título para Emanuel Lasker, em 1894. Em 1898,  quando participava de um torneio, um   admirador admoestou-lhe, falando que ele já adquirira muita glória podendo  descansar e deixá-la para os jogadores mais jovens; &#8220;a glória eu posso  deixar, mas o dinheiro do prêmio não!&#8221;- foi a resposta.</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Carl Scheletcher</a>, o maior jogador alemão do  século XX, trocou a vida &#8220;monótona&#8221; de pequeno sitiante, no interior  da Alemanha, pela busca da fama em Berlim. Quase a obteve; depois de conseguir o  direito de desafiar o campeão mundial, Emanuel Lasker, numa série de dez  partidas. No último jogo, o empate lhe daria o título e ele claramente superior  recusou, por arrogância, a linha de empate e terminou perdendo a partida.  Como conseqüência dessa derrota, Scheletcher  não conseguiu reagir e, bem depois, viu-se em estado de mendicância sendo  forçado a alistar-se como soldado, na primeira guerra mundial, onde foi morto  no primeiro combate.</p>
<p>Para o russo  Alexander Alekhine, campeão mundial entre 1927 e 1946, a opção foi negociar  a alma com os nazistas. Abrigado em Berlim nos anos de 1939-44, escreveu vários  artigos antisemitas onde, repulsivamente, dizia que os judeus não eram talhados  para o xadrez; percebendo depois que caso continuasse a derrotar os oficiais  nazistas, em torneios, correria perigo de vida, abdicou de sua arte,  deixando-os prevalecer sobre o seu jogo. Em 1944, completamente humilhado pelos  seus anfitriões, foi-lhe, finalmente, permitida a sua saída da Alemanha,  apenas, com uma mala de roupas.</p>
<p>É possível  que a verdadeira opção de vida que faça, realmente, diferença seja a opção  ética; com as  restantes  talvez seja mais sensato calar-nos e como no  poema de Raimundo Correa, <strong>Mal Secreto</strong>, convir que:</p>
<blockquote><p><em>Se a cólera  que espuma, a dor que mora<br />
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,<br />
Tudo que punge, tudo que devora<br />
O coração, no rosto se estampasse;</em></p>
<p><em>Se se pudesse, o espírito que chora,<br />
Ver através da máscara da face;<br />
Quanta gente, talvez, que inveja agora<br />
Nos causa, então piedade nos causasse!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez, consigo<br />
Guarda um atroz, recôndito inimigo,<br />
Como invisível chaga cancerosa!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez existe,<br />
Cuja ventura única consiste<br />
Em parecer aos outros venturosa! </em></p></blockquote>
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		<title>O peso da decisão</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 11:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dentre as supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas e  arcar com o ônus dessas. Supõe-se que nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de decidir, pois envolve, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-663" title="Dúvida" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2-287x300.jpg" alt="" width="222" height="232" /></a></p>
<p>Dentre as  supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o  estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas  e  arcar com o ônus dessas. Supõe-se que  nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de  decidir, pois envolve, não raras vezes, conseqüências muitas das quais  desastrosas. A história está repleta de exemplos, não só do que pode causar a  decisão errada, como também o efeito do seu oposto: a indecisão.</p>
<p><span id="more-662"></span></p>
<p>A dinastia  chinesa dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_Sung" target="_blank">Sung</a> findou-se porque o  chefe supremo dos exércitos chineses, quando recebeu a notícia de que a capital  estava cercada pelos mongóis, encontrava-se de bruços a olhar um combate de  grilos e não foi capaz de afastar-se deles, sem antes saber qual seria o  vencedor. Caiu a capital e assim terminou o império dos Sung.</p>
<p>A conhecida  fábula do &#8220;Asno de Burundin&#8221;, conecta-se com a história chinesa, pois  aquele, depois de atravessar um deserto e deparar-se com um monte de feno de um  lado e água límpida em abundância, do outro, não foi capaz de decidir-se  primeiro pela água ou pelo feno, vindo a morrer de fome e de sede.<br />
Por outro  lado, decisões dramáticas são muitas vezes impostas. No livro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Styron" target="_blank">William  Styron</a>, A Escolha de Sofia, a personagem Sofia tem de escolher, num campo de  extermínio nazista, salvar o seu filho ou a sua filha da morte, condição  imposta pelo carrasco do campo. A indecisão aí, acarretaria a morte de ambos os  filhos.</p>
<p>No xadrez,  vida e títulos obedeceram, não raras vezes, aos caprichos de uma decisão  errônea ou indecisão.</p>
<p>Na décima e última partida pelo título  mundial de xadrez de 1910, o desafiante <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Schelechter</a> jogando com o campeão  mundial, Emanuel Lasker, precisaria apenas de um simples empate para tomar o  cetro do campeão; a partida lhe era favorável e, como ele confessou muito  depois, a linha de empate fora visualizada por ele com toda a segurança. Ao invés,  entretanto, de empatar e passar a história como campeão mundial, preferiu  decidir-se por outra variante complicada e cheia de perigos ocultos que acabou lhe sendo fatal. Por que  enveredara por essa escolha? A sua explicação foi singela: &#8220;uma mulher da  platéia, muito bonita, olhava o jogo com interesse, parecendo entender bem a  partida. Para não decepcioná-la com um empate, resolvi escolher a outra  variante&#8221;. Alguém lembrou-lhe que aquele &#8220;simples empate&#8221;o  tornaria campeão mundial. Ao conhecer a fome e a mendicidade muitos anos  depois, Schelechter, talvez tivesse se lembrado de que a sua decisão  irresponsável, e mais nada,  fora a causa  da sua derrocada.</p>
<p>Como tomar,  porém, a melhor decisão, nas diversas circunstâncias de vida? Ao que se  sabe  hoje, o uso de elementos intuitivos  é de vital importância, assim como uma grande consciência da responsabilidade  decisória. Imagine o leitor, por um momento, que ele seja um dos  missionários referidos abaixo. Suponhamos que  o seguinte problema lhe seja apresentado agora: é preciso transportar,  atravessando um rio, três missionários e três canibais, fazendo-se várias  viagens num barco de capacidade para apenas duas pessoas. Todavia, o número de  canibais, em terra, jamais deve ser maior do que o dos missionários(por motivos  óbvios). Como decidir, corretamente, esse transporte?</p>
<p>Decisões e  erros, porém, andam juntos e ao final das contas, talvez, não exista outra  decisão mais conveniente do que a reflexão dos versos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare" target="_blank">Shakespeare</a> que fala  sobre a nossa condição humana de decidir:</p>
<blockquote><p><em>Não te doa jamais em pensar em falha tua.</em><br />
<em>Na rosa espinhos há,</em><br />
<em>turva-se a fonte clara;</em><br />
<em>vela a nuvem e o eclipse a luz do do sol, da lua,</em><br />
<em>E o ascoso pulgão vive até na flor mais rara. Todo homem erra sempre”.</em></p></blockquote>
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		<title>Teatro em um ato &#8211; Xadrez</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 19:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ferreira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Geral]]></category>
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		<description><![CDATA[Como funciona a mente de um jugador de xadrez? Como trabalham juntas memória, experiência, análise e inspiração para gerar jogadas de xadrez? Estas perguntas têm sido um desafio para a ciência. Agora, um jovem e muito criativo investigador resolveu e nos dá uma vívida explicação, apresentada de maneira pouco comum: Alex Shternshain, com a ajuda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/71559603.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-528" title="71559603" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/71559603-300x180.jpg" alt="" width="210" height="126" /></a>Como funciona a  mente de um jugador de xadrez? Como trabalham juntas memória,  experiência, análise e inspiração para gerar jogadas de xadrez?  Estas perguntas têm sido um  desafio para a ciência. Agora, um jovem e  muito criativo investigador resolveu e nos dá uma  vívida  explicação, apresentada de maneira pouco comum: Alex Shternshain, com a ajuda de Atenas (deusa do conhecimento), Dionísio (deus do teatro) e  Caissa (deusa do xadrez) escreveu um obra de teatro em um ato, que  oferecemos traduzida para o português. No original em inglês, as personagens são todas masculinas, enquanto que na versão em português a maior parte é feminina. Coisas do idioma! <span id="more-506"></span></p>
<h2 style="text-align: center;">O Jogo</h2>
<h4 style="text-align: center;">Uma peça em um ato <strong>© </strong>por Alex Shternshain</h4>
<p><em>CORTINAS SE ABREM</em></p>
<blockquote><p><em>Estamos em um cenário que se parece, estranhamente, como o interior de um cerébro humano. Sentados ao redor de um jogo de xadrez estão quatro pessoas. São elas: MEMÓRIA, EXPERIÊNCIA, ANÁLISE E INSPIRAÇÃO.</em></p>
<p><em>MEMÓRIA está vestida com um elegante traje de empresa. EXPERIÊNCIA se cobre  com um velho e surrado manto. ANÁSLISE está com roupas de contadora e óculos, e carrega um Abaco. INSPIRAÇÃO está vestida em um jaleco de pintor, coberto com respingos de tintas multicoloridas. </em></p>
<p><em>Atrás delas, tem um janela na forma de um olho humano, visto por dentro. MEMÓRIA acabou de montar as peças  na posição inicial no tabuleiro de xadrez.</em></p></blockquote>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Tudo bem  MEMÓRIA, o que temos para hoje? Estou louca para começar!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Algum jogador de 1920 de rating. Nosso chefe está de pretas.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Qual o nome dele?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Desculpe? O nome do nosso chefe é  Jeremy Whitman, e essa é a última vez que te relembro.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Eu acho que ela quis dizer o nome do rapaz de 1920 de rating.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não me lembro.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Você não  lembra? Como você não se lembra,você é    MEMÓRIA, que grite aos quatro ventos!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não tive a chance! O chefe passou a vista pela tabela de emparceiramento rapidamente! Eu lembro do rating, tabela, nossa cor, mas ele leu a parte de emparceiramento muito rápido, antes que eu pudesse conectar ao nervo óptico.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Mas MEMÓRIA você é&#8230;</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, crianças, não brigues. Não chateie MEMÓRIA por causa desse detalhe trivial, vamos precisar de seus serviços em breve. Olhe, o jogo já começou. ANÁLISE, nos dê uma leitura.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Por que eu? Não me diga. Eu sei, sem ANÁLISE na abertura.     Bem, serei seu menino de recados por agora. <em>(Olha pela janela).</em> Ok, peças estão montadas; o chefe está ajustando os cavalos &#8211; faces para frente, do jeito que ele gosta; aperto de mãos; e, Peão quatro do Rei.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Eu odeio quando utilizam a notação descritiva.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Como alguém tivesse perguntado. EXPERIÊNCIA você tem a última palavra, de acordo?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Nesta fase da partida, deixarei que  MEMÓRIA conduza.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Algébrica, por favor.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ok. <strong>1.e4</strong>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Nota: De agora em diante, <strong>negrito</strong> indica movimentos feitos no jogo. Uma das persosangens farão o mesmo movimento no tabuleiro da mente, assim que for anunciado, de forma que a posição do tabuleiro sempre refletirá a posição real do jogo.</em></p>
<p style="text-align: center;">[<a onclick="window.open('http://www.ccx.org.br/chesstempo/ojogo.html','','width=600,height=400')" href="#">clique aqui para ver a partida num visor separadamente</a>]</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Algébrica estendida.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 1.e2-e4.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Obrigado. <em>(Sussura para EXPERIÊNCIA)</em> Eu não preciso da notação algébrica longa, quero somente irritá-la. <em>(Volta para voz normal</em><em>)</em> Agora, em e4, nós temos &#8230;</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO <em>(Interrupção):</em> </strong>Woo hoo! Adoro e4! Vamos contra-atacar!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> INSPIRAÇÃO, por favor, fique quieta por um momento. Você terá sua vez, mas certamente não no 1º lance. MEMÓRIA, o que temos contra e4?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Como eu ia dizendo antes que madame interferisse, nós podemos jogar e5, o qual é sólido, ou c5 que é mais combativa. O chefe está ok para ambas.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Prefiro c5.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Eu digo e5, somente para irritá-la.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Hmm. Adiarei minha decisão até ouvir o que ANÁLISE tem para dizer.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vejamos, o outro rapaz tem 1920, certo? Nosso chefe tem 1997. O chefe está de pretas&#8230; <em>(Usa o Ábaco)</em> então isso significa que um empate, ainda que nos custe alguns pontos ELO, é um resultado razoável. Não é necessário ir para o &#8216;tudo ou nada&#8217;. Eu voto por e5.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Todo mundo é Grande Mestre. Vamos pessoal, coragem!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Que seja<strong> 1…e5</strong>. Não se preocupe, INSPIRAÇÃO, chegará sua vez.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Pela janela vemos mover-se sombras com formas de peças de xadrez. </em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> <strong>2.Nf3 Nc6 3.Bb5</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Ruy Lopez. Contra a Ruy, nós sempre jogamos a velha e boa C78.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Pelo amor de Lasker, você pode falar português? Que demônios é C78?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Para aqueles que se guiam por associações, isso seria a variante Archangelsk.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Eu amo Archangelsk! Caça o bispo dele, coloca o nosso em b7, o outro Bispo em  c5, que contra-ataque poderoso!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Eu desconfio dessa abertura. Ele pode cravar nosso cavalo com Bg5, muito desagradável.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não é por nada, mas essa é minha praia ainda. Além do mais, se Bg5 podemos jogar h6 e g5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Mas a posição da ala do rei fica enfraquecida, não?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Terminou tudo bem para as pretas no jogo Dolmatov-Beliavsky, 1990.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tudo bem, aceitaremos sua palavra. Nos conduza por enquanto.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <strong>3&#8230;a6</strong> agora. Ele pode recuar ou trocar. Me dê mais leituras.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ele jogou <strong>4.Ba4</strong>.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> b7-b5 agora!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não, <strong>4&#8230;Cf6</strong> agora, b7-b5 próximo lance, desde que ele roque.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Porque próximo lance e não agora?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Porque isso é o que todo mundo joga.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Deixe de ser &#8216;maria vai com as outras&#8217;!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> INSPIRAÇÃO, Te aviso&#8230;</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Brancas roquaram. <strong>5.0-0</strong></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> b5, então Bb7.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> <strong>5…b5 6.Bb3 Bb7 7.Te1</strong> jogado.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain01.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Eu gosto de Te1!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Todas três viraram a cabeça em direção a ela. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você acabou de dizer que gostou de Te1? Pensei que fosse incapaz de emoções.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Vivendo e aprendendo baby. Depois de Te1 eu tenho variantes memorizadas com pelo menos 3 lances à frente do que qualquer outro movimento. Yeah!</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Droga. Ela está com o controle total do jogo. Imagino se terei alguma chance de entrar no jogo.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> 7&#8230;Bc5 é o lance.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Eu não gosto da armadilha do garfo 7&#8230;Bc5 8.Cxe5 Cxe5 9.d4</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Essa armadilha nunca foi jogada antes na minha base de dados. Não deve funcionar.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Essa é uma explicação meio esfarrada, não?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> 8.Cxe5 não deve funcionar, senão alguém já teria jogado.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ainda digo para ANÁLISE deve fazer alguns cálculos.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Tudo bem. Mas digo que é uma perda de tempo.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vejamos: 7&#8230;Bc5 8.Cxe5 &#8230; recapturo&#8230; 9.d4 &#8230; ataca duas peças, e agora o que tenho &#8230; preciso de algum contra-ataque…</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 9&#8230;Cfg4!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Isso mesmo! E se ele toma o bispo 10&#8230;Dh4 acaba com ele.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Concordo. O garfo não funciona para as brancas.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Viu? Estava certa o tempo todo. Vamos, <strong>7&#8230;Bc5</strong>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Sombras de luz e escuridão se movimenta através da janela. MEMÓRIA dá uma olhada. </em></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <strong>8.c3 d6 9.d4 Bb6</strong> – por enquanto está tudo ok.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Brancas estão pensando muito. Ele está fora da teoria.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Primeiro round, vitória para nós! Desculpe, eu disse ‘nós’, quero dizer ‘eu’.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Exibida.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>LUZES APAGAM por uns poucos segundos significando a passagem do tempo. LUZES SE ACEDEM novamente. </em></p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Já tem 10 minutos que ele está pensando. O que está acontecendo?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Alguém esqueceu de estudar abertura C78.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Acho que devemos nos preparar para possíveis respostas. ANÁLISE,     o que as brancas podem jogar?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Ok, estou preparada para qualquer coisa. Não tem como ele me tirar da teoria, com lance decente claro, pelo menos uns cinco lances à frente.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> <strong>10.a4</strong> foi jogado!</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain02.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <em>(recita)</em> Uma variante inócua, usualmente jogada com a intenção de evitar uma luta mais aguda na variante 10.Bg5 h6 11.Bg3 g5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você não está aqui para fazer avaliações posicionais. Dê-me um lance, se puder.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Podemos então rocar. Diga ao chefe para jogar <strong>10…0-0</strong></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, vamos rocar.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não, espere!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Esperar pelo quê? O chefe já pegou no Rei.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Na verdade é 10&#8230;h6 11.h3 para depois rocar. Eu me atrapalhei na ordem dos lances.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> O cara está parada com o rei na mão, porque VOCÊ disse para ele rocar! Você tem alguma idéia do quão sério é isso?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Se ele já pegou no Rei, ele deve roquar. Esse é o melhor movimento de Rei disponível.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tudo bem, temos que fazê-lo. <em>(para MEMÓRIA)</em> Como você pôde!     Isso vai estar no meu relatório!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Que merda fizemos confiando nela. Agora brancas podem cravar o cavalo, e a manobra h6 e g5 não funciona porque as brancas podem sacrificar o cavalo em g5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Bem, encontre alguma coisa. Nos tire deste buraco, ANÁLISE!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Espere, eu lembrei de algo.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Calada. Você está fora.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Fora?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você me ouviu. Estou tirando você deste jogo.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Você não pode me tirar.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Veja se não. ANÁLISE, o que temos?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Deixar o cavalo cravado me parece ruim. Descravando com g5 me parece pior ainda – Nxg5 hxg5 Bxg5 seguido por Qf3. Abrindo o centro com exd4 não me parece promissor também.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não, tudo ok, Eu me lembro&#8230;</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Qual parte de “ você está fora!&#8221;,  você não entendeu?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Tudo bem. Se virem.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>ANÁLISE anda por volta da mesa, murmurando várias variantes, de tempos em tempos conversando com INSPIRAÇÃO. Seu rosto parece infeliz. Finalmente ela vira-se para EXPERIÊNCIA.</em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não encontramos nada de bom.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Eu encontrei.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> (Respira fundo, desistindo) Ok, MEMÓRIA, o que você tem?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <em>(Triufante)</em> Van der Wiel – Tkachiev, 1999. 11.Bg5 h6 12.Bh4 exd4 13.exd4 g5 é bom para as pretas – brancas não sacrificam o cavalo em g5.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Oh, Boa – a combinação de duas idéias ruins – g5 and exd4 –     na verdade produz algo de bom.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Yeah, ele não pode sacrificar em g5 agora, porque depois de 14.Nxg5 hxg5 15.Bxg5     Nxd4 impede da Dama branca ir a casa f3 e pretas vencem.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Belo trabalho de grupo garotas, mas tudo em vão <em>(aponta para a janela)</em> <strong>11.d5</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Uhm, lembram-se, garotas, quando eu disse que ele não pode me tirar da teoria com nenhum lance &#8216;mais ou menos&#8217;? Esse lance não é nem 10% decente. Pronto, terminei. Agora é com vocês.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não vá; talvez precisemos de você ainda.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Precisar? de mim? Eu entendi algo errado do “você está fora”?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <em>(Melosa)</em> Talvez precisemos de você no final.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Hehe, você precisa de mim, heim. Mr. Scribble and Mr. Pencilpusher here     are both utterly useless for anything as simple as R+P vs. R, aren&#8217;t they?     Ok, Estarei por perto. Me parece divertido. E se você vier com uma boa resposta contra d5 talvez eu adicione à minha base de dados.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Sua autoconfiança é muito exagerada.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Vamos ao trabalho garotas. O cavalo precisa recuar. ANÁLISE,  você está feliz com Ce7 ou Ca5?</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não podemos considerar outros lances? Como 11…Ca7</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Com o cavalo no canto o futuro é cinza.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Ou 11…Cg4, Atacando f2.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Hmm, vejamos, 11…Cg4 12.dxc6 Cxf2 e então…</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Pare. Mesmo que você gaste vinte minutos aqui e me prove que a combinação funciona, Brancas ainda podem simplismente responder 12.Tf1 e defende tudo. Vamos jogar lances simples enquanto podemos.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>ANÁLISE e INSPIRAÇÃO estão em conferência no canto da sala novamente. EXPERIÊNCIA bate seus dedos nervosamente na mesa e checa o tempo no seu relógio. Finalmente, se decide. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <strong>11…Ce7</strong> é o lance.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Gosto dessas decisões baseadas em princípios gerais.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <strong>12.Bc2</strong> foi jogado. Não me parece que brancas sabem o que estão fazendo. Algum plano?</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain03.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 12…Dd7 conecta as torres, ou 12…Cg6, melhora a posição do cavalo. Mas o melhor plano é atacar com 12…Cg4!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> ANÁLISE?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Estou olhando a variante 12…c6 13.dxc6 Bxc6 – abre o centro, muitas idéias interessantes são possíveis. Na verdade, uma floresta de variantes!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tarrasch disse para atacar a cadeia de peões pela base, não pela ponta. Então isso significa f5, e não c6.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Quem disse isso foi Nimzowitsch.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tanto faz. ANÁLISE, me dê a linha com f7-f5.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 12…Cg4 13.Tf1 f5 14.Bg5 fxe4 15.Bxe4.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Hmm, ele tem um belo posto em e4. Não gostei.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Talvez possamos combinar as idéias. Você sabe, c6 e f5.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 12…c6 13.dxc6 Bxc6 e então ameaçando Cg4 e f5 – ele não tem mais o posto em e4 porque nosso bispo controla a casa. Pode funcionar.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Mas ele poderia fazer algo nesse intervalo para impedir f5.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> então nós sacrificamos um peão com 14…d5 e ataque na ala do rei!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não me agrada.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Bem,  pense em algo então. Eu gosto de c7-c6, vamos jogá-lo.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Eu acho que terei que confiar em você. <strong>12…c6</strong> é o lance.</p>
<p><em>MEMÓRIA olha através da janela. Alguns lances foram feitos rapidamente. </em></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <strong>13.dxc6 Bxc6 14.axb5 axb5 15.Txa8</strong> foram jogados.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Todos forçados. Agora 15…Bxa8</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não, espere; vejamos 15…Qxa8.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ele toma em d6, duh.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Deixe-o tomar. Então nós vamos com 16…Cg4, o que acham?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não é bom. No mínimo, ele tem 17.Be3, parando nosso ataque e permanecendo com um peão a mais. Peões dobrados, admito, mas ainda, as Brancas estão melhores. Olhe isso, jogamos <strong>15…Bxa8</strong>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Uma pequena pausa. ANÁLISE perambula pela sala e murmura nervosamente. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Eu realemten não gosto de 16.h3 agora. Não temos nenhum lance tático, e nossa estrutura de peões é miserável.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Isso é o que acontece quando damos ouvido à INSPIRAÇÃO.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Bem, ao menos eu não mudo minha opinião a cada 5 secundos – “oh não, deveria ter sido h6 antes de rocar, agora estamos tão lascadas, oh espere, não estamos lascadas, Encontrei algo de quem copiar”.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Você nunca veria essa ordem de lances por você mesma. Nem em um ano.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Vejam, elas já estão se engalfinhando!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>FOCO no lado esquerdo do palco, onde três pessoas acabaram de entrar. São elas MEDO, DÚVIDA and RETROPECTIVA.</em> <em>MEDO está vestido como o clássico demônio de Fausto, usando até o tridente. Ele lidera o trio. DÚVIDA veste um longo e folgado robe coberto com sinais de interrogação. Ela parece uma bobalhona.     RETROPECTIVA parece auto-confiante e veste uma camiseta com um emblema “20/20” estilizado. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ooh, vejamos se não é o gato medroso e suas companheiras     “Não sei” and “Não me importo”. O que estão fazendo aqui? O festival de filmes de terror é mais embaixo, no subconsciente.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Sua sagacidade não me espanta anciã. Minhas amigas são DÚVIDA e RETROPECTIVA. Comigo, pode se referir como Mr. MEDO, embora eu prefira ‘Cauteloso’. E viemos aqui porque ouvimos uns ruídos nas sinapses nervosas, e pensamos que talvez tenha alguma coisa para nós.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vão embora. Não temos nada para vocês. O que poderíamos ter seria de interessante para vocês três?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Oh, Não sei. Que tal … essa posição! Não parece que se encaixa perfeitamente para aplicação de nossas habilidades? Você não acha, DÚVIDA?</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Bem, eu não tenho certeza…</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Cala a boca. Claro, vocês se jogaram em um buraco, e agora estão esperando para ver se o cara acha o lance h3 ou não. Estão à mercê de seu oponente, isso é a coisa mais assustadora que eu posso pensar … e não envolve aranhas.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Oh não, vocês estragaram tudo. Seria bem melhor se tivessem jogado 12…Cg4 seguido de 13…f5 – uma pequena vantagem para as pretas, no mínimo.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vocês já ouviram a frase ‘no lugar certo e na hora errada’? Encaixa perfeito para vocês.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Eu sei. Eu sinto isso o tempo todo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Eu insisto que vocês três saiam de uma vez. Vocês estão estragando o clima.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Pois bem, serei generoso com vocês. Deixarei que DÚVIDA decida. O que me diz, DÚVIDA, devemos sair?</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Uhm, não sei. Acho que não.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Caso encerrado. Ficaremos para assisti-las demolirem a posição ainda mais!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Uma breve e tensa pausa se segue, enquanto os três penetras se aconchegam em volta do tabuleiro. As quatros parceiras fazem o melhor para ignorá-los.</em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Brancas já gastaram quinze minutos nesse lance. Não sei em que ele está pensando tanto. 16.h3 é natural.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em> Uma sombra move-se através dos olhos. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <strong>16.Ca3</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Hey, estamos de volta no jogo!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não tenha tanta certeza. Cada movimento tem um propósito, lembre-se.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Cala a boca.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não, espere. DÚVIDA na verdade tem razão. Temos que examinar os objetivos de nosso oponente. Qual o plano das brancas?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Esmagar seu ego até se transformar em uma polpa e retirar alguns preciosos pontos de rating de seus frios e mortos dedos.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sim, mas em poucas palavras, ele está atacando b5.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Oh, atacando um peão fraco. Que medo.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Eu não gosto de ter peões fracos.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Teria sido sábio se tivessem trocado ele antes.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Silêncio, todos vocês. Sobre o que estávamo falando mesmo?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> INSPIRAÇÃO disse alguma coisa sobre Cg4 and f5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Certo. ANÁLISE, dê-me uma variante.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain04.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 16…Cg4 17.Tf1 (or Te2) f5 – ameaça tomar duas vezes em f2 e então ganhar uma peça com fxe4. Acho que brancas não tem outra escolha a não ser tomar: 18.exf5 Nxf5 – e então, não sei&#8230; as possibilidades crescem exponencialmente.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Eu gosto dessa posição. O peão &#8216;b&#8217; ainda é fraco, mas nós temos o que, dois cavalos, dois bispos e uma torre olhando diretamente para seu rei. E a rainha pode se juntar também. Eu digo que podemos seguir essa linha.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não deveriam checar novamente?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Isso, pense em todos os pontos de rating que pode perder!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>EXPERIÊNCIA balança a cabeça. Ela deve tomar a decisão, mas parece que não consegue se decidir. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> ANÁLISE, você pode analisar as variantes mais uma vez.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> O que você quiser.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Novamente ela perambula e murmura para si, e de vez em quando tirando dúvidas com INSPIRAÇÃO. </em></p>
<p><strong>MEDO:</strong> E o tempo está passando&#8230;</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não vejo nenhum problema com Cg4 and f5. Realmente não vejo.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Talvez devamos considerar outras alternativas. Como 16…Bc6 or 16…Dd7, protegendo o peão.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> São lances passivos. Devemos atacar agora!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> &#8220;O lado que tem a vantagem, não somente podem, como devem atacar&#8221;. Steinitz, se não me engano.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Aha, mas nós estamos em vantagem?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Eu digo para não atacarmos.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Talvez sim. Eu terei certeza mais tarde.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não tenho medo de você. <strong>16…Cg4</strong> é o lance.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> (dá uma olhada) Brancas jogou <strong>17.Tf1</strong> muito rápido.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Obviamente, você tem um oponente muito astuto. Difícil sobrepujá-lo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Vamos lá, f5!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tenho que concordar.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não seria melhor verificarmos tudo novamente?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tudo bem. Analise tudo novamente.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Tudo? Ai, minha cabeça.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Kotov disse para verificar cada ramo da árvore de variantes apenas uma vez. Está em seu livro “Pense como um grande mestre”.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Kotov está morto<em>(breve pausa)</em> Estou com medo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não acredito que estou dizendo isso, mas acho que devemos continuar com o plano. f7-f5 é o unico lance que faz sentido.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, continue com<strong>17…f5</strong>. Ei, olha, ele já tomou. <strong>18.exf5</strong>, e agora nós jogamos <strong>18…Cxf5</strong>.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain05.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Não me parece bom esse plano com f5. Você tem um bocado de fraquezas. Ele pode trocar em f5 e então capturar b5. Um xeque em b3 pode ser desagradável também.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Porque você não disse alguma coisa antes? Desculpe, não precisa responder, esqueci com quem estou falando.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> b5 é fraco, mas f2 também é.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ok. Se 19.Bxf5 Txf5 20.Cxb5, podemos tomar duas vezes em f2 e então cravar o cavalo com e5-e4.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Assumindo, claro, se brancas não tenham uma jogada alternativa. Embora eu não sei. Porque deveria ter uma?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Realmente você foi de muita ajuda.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <em>(Dá uma olhada)</em> <strong>19.Bb3+</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Oh, um xeque, o que faremos agora?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Apenas coloque o rei no canto do tabuleiro. Sem problemas. <strong>19…Rh8</strong>.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Já fez o lance?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sim. Por que pergunta?</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Gostaria apenas de dizer que 19…d5 provavelmente era melhor.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei. Não gosto destas cravadas voluntárias. Talvez Rh8 fosse melhor. Mesmo assim, tenho que dizer que fazer o lance sem consultar ANÁLISE foi estúpido.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <em>(Ri nervosamente)</em> Sim, foi, não foi? Oh meu Deus, juro nunca fazer isso novamente.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Brancas jogaram <strong>20.Cg5</strong>.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain06.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>MEDO:</strong> Veja, ele está atacando. Múltiplas ameaças surgiram.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Cf7+, Ce6, Dxg4, apenas nomeando as mais sérias.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Esse ataque não deve funcionar. As pretas estão melhores, e podemos achar uma variante para provar.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Bem, Estou verificando&#8230; apreciaria alguns comentários.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Me lembro de INSPIRAÇÃO falando alguma coisa sobre a fraqueza em f2. Apenas uma dica.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Bem, 20…Cxf2 21.Txf2 Bxf2+ 22.Rxf2 e temos vários xeques descobertos, mas não vejo nenhum que seja realmente bom.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Come on, o rei dele está exposto; temos que ter algo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> e3!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sobre o que você está falando, INSPIRAÇÃO?</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 22…Ce3+ é o descorberto que necessitamos.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Estupidez. Ele pode tomar.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não, espere, eu vejo. com o rei em e3, o Cg5 está indefeso. 23.Rxe3 Dxg5+ e agora o rei está em um perigo real. Talvez eu possa calcular um mate forçado aqui, se me derem tempo bastante.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Temos vinte minutos até o controle de tempo para o lance 30. Você tem cinco minutos para analisar esse lance.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei, cinco minutos parece muito pouco para uma decisão tão crítica.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, que seja sete então, é o máximo que posso te dar.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Uma tensa pausa é quebrada por MEDO.</em></p>
<p><strong>MEDO:</strong> Me relembre, quantos pontos de rating perderemos em caso de derrota?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> dezoito. Droga, MEDO, você me fez calcular o que não devia. Agora, vejamos, onde eu estava …</p>
<p><em>MEDO ri um pouco, e algum tempo se passa. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tempo acabou.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não consigo ver mate forçado, mas o rei estará no centro do tabuleiro, atacado por três peças, e nós nem sequer temos défict de material.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Provavelmente um computador poderia encontrar um mate forçado. If there is one,     that is.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Desculpe por eu ser uma forma de vida baseada em carbono. Ele poderia recusar o  sacrifício, mas ae teria deficit de material sem compensação.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Isso é o bastante para mim. Continuemos. <strong>20…Cxf2</strong>.     Humm, nosso oponente está com problema de tempo também. Legal.     Ok, ele fez o único lance plausúvel, <strong>21.Txf2</strong>, e continuamos com <strong>21…Bxf2+</strong>. Ele está pensando novamente.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Você tem certeza que a idéia com Ce3 funciona? Talvez seria bom verficar b6?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ele recuar para e2, e ainda ameaça Cf7+ e Dh5. Não gosto.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Nós temos um lance. Nós temos um lance, senhoras, e é <strong>22.Rh1</strong>.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Ele recuou? Está louco?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Aparentemente não sou a única que acha que 22.Rxf2 Ce3+ é o pior para as brancas. Agora nós estamos simplesmente com uma qualidade e um peão a mais.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Esse jogo já não me interessa. Estou saindo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Fazendo o melhor para não transparecer seu desapontamento e começa a caminhar para a saída do palco … para uns poucos passos depois. Ele se vira para suas companheiras.</em></p>
<p><strong>MEDO:</strong> Vocês não vem comigo?</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Quero ver como isso vai terminar.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei. Acho que não.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Bem. Façam a sua maneira.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Irritado, ele sai. O resto do pessoal, mais entusiasmado do que antes, acotovelam-se ao redor do tabuleiro de xadrez. </em></p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain07.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Nós não estamos totalmente fora de perigo. Esse cavalo em g5 ainda é uma ameaça.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Cf7+, Ce6, Dh5, e a ameaça menor Cxb5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Dez minutos ainda até o lance 30. INSPIRAÇÃO, dê-me algo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 22…Be3!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Excelente! Pretas vencem em todas as linhas. 23.Cf7+ Txf7 24.Bxf7 Qg5, ataque duplo em g2 and c1 ganha uma peça. 23.Ce6 Dh4 ameaça Cg3#. 23.Dh5 Dxg5 e vai para um final fácil de vencer. E finalmente, há 23.Bxe3 Nxe3.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Melhor ainda, 23.Bxe3 Bxg2+ 24.Rxg2 Cxe3+</p>
<p><em>ANÁLISE e INSPIRAÇÃO batem as mãos no alto. Até mesmo EXPERIÊNCIA &#8216;velha de guerra&#8217; permite-se um sorriso. </em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Pelo que vejo estão indo muito bem.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>FOCO no lado esquerdo do palco, onde INDULGÊNCIA acaba de entrar. Aparece gorda e pesarosa, vestida com o que já foi um lindo robe de seda, agora cheio de manchas. Está comendo uma coxa de frango. Ignorando os olhares desdenhosos, ela se aproxima da mesa e da uma olhada no tabuleiro. </em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Não apenas indo bem, como já praticamente estão ganhas. Muito bem. Bebidas por minha conta.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Opa, obrigado.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Espere! Parem essa loucura; não ganhamos o jogo ainda.</p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Julgando pela posição no tabuleiro, já sim.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> INDULGÊNCIA tem razão. Vitória fácil.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>ANÁLISE e INSPIRAÇÃO ignoram os protestos de EXPERIÊNCIA  e vão com INDULGÊNCIA a um canto do palco, onde ela tira uma grande jarra de cerveja de seu robe e oferece às outras. As três sentam em círculo e vão tomando a cerveja. EXPERIÊNCIA, MEMÓRIA, DÚVIDA e RETROPECTIVA são deixadas sozinhas diante do tabuleiro.</em></p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Acho que deveríamos ter trancado a porta assim que MEDO saiu.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não preciso delas mesmo. Posso continuar sozinha. Ok, eu jogo <strong>22&#8230;Be3</strong>. Posso continuar sozinha. Yeah. Ainda tenho … seis minutos para fazer 8 lances. Bastante tempo. Mais do que o suficiente.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Acho que brancas jogaram <strong>23.Cf3</strong>.</p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Ha! Isso é pedir para abandonar. Outra rodada de cerveja?</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não me importaria.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, o que dizemos? Quando temos vantagem material …</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Troque peças, não peões.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> OK. Eu jogo <strong>23…Bxc1</strong> – o qual brancas obviamente respondem <strong>24.Dxc1</strong> – e agora não sei o que fazer. Merda, preciso das outras duas aqui.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Troque mais peças com Bxf3.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Estou relutante de dispor de um bispo tão forte. Meu Deus, eu realmente não sei o que fazer. Preciso daquelas palhaças.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Posso trazê-las para cá.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você pode?</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Talvez eu possa. Sem garantias.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>DÚVIDA vai em direção à INDULGÊNCIA e suas amigas de copo. </em></p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Posso provar?</p>
<p><em>INDULGÊNCIA passa a jarra para ela, e DÚVIDA derrama a cerveja no chão, de propósito claro. </em></p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Oh, veja como seu desastrada. Bem, acho que isso significa não temos mais cerveja. Se incomodam de fazer algum trabalho, INSPIRAÇÃO e ANÁLISE? Estamos revisando&#8230; bem, realmente não sabemos o que fazer. Para mim seria um estado natural, mas minha amiga EXPERIÊNCIA está um pouco perplexa pelo incidente.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>INSPIRAÇÃO e ANÁLISE se levantam cambaleantes, meio bêbadas. DÚVIDA     pouco a pouco as empurra até o tabuleiro. </em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Bem, meu trabalho está feito.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ela sai. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> ANÁLISE, você vê algum problema com 24…Bxf3?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não. Deixa as pretas numa posição claramente superior.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Podemos começar uma rede de mate com Ch4! Vamos!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei; será que deveríamos confiar numa INSPIRAÇÃO bêbada?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não confie nela, confie em mim! Não estou <em>(hic)</em> bêbada!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Bem, precisamos decidir entre Ch4 e Bxf3.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ambos lances me parecem bons. <em>(Desmaia) </em></p>
<blockquote><p><em><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain08.gif" alt="" width="250" height="250" /></em></p></blockquote>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Quatro minutos para o lance 30. Ok, vamos com <strong>24…Ch4</strong>. Brancas capturram o cavalo – essa foi rápido, ele está quase sem tempo também – então recapturamos. <strong>25.Cxh4 Dxh4</strong>. Agora ele está pensando novamente.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Gosto da posição. Estamos <em>(hic)</em> vencendo. <em>(Desmaia)</em></p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Estamos?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Com certeza sim. Temos uma qualidade e um peão a mais.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> É como estivéssemos com uma peça a mais.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Qualidade, tudo bem, mas não seria tão incisivo quanto ao peão. Ele pode tomar em b5 se ele quiser, não pode?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Acho que sim. Só falta um minuto para as brancas. Oh, olhe, ele capturou o peão mesmo – <strong>26.Cxb5</strong>. Beleza, agora só temos uma qualidade a mais. Alguém tem alguma proativa idéia?</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain09.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não olhe para mim; eu nem mesmo tenho certeza se sei o que significa próativo.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não me recorda nada de útil.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Teria sido melhor se tivéssemos jogado Bxf3 no lance 24.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Oh meu Deus, não posso desperdiçar essa partida agora! (Grita) Alguém, ajuda!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ouvindo o choro, ANÁLISE levanta sua cabeça e dar uma breve olhada na posição. </em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Bispo toma o peão e mate em três. De nada. (Desmaia novamente)</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Deus te abençoe, ela sempre volta à notação descritiva quando está animada. Ok, então jogamos <strong>26…Bxg2+</strong>.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Acho que vi o mate.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Eu tenho certeza que o verei em breve.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Uma coisa é certa; nosso oponente pode ver o mate.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Por que diz isso?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Porque ele acabou de abandonar! <em>(Canta trecho da música ‘Here     we go’)</em> Ele abandonou, Ele abandonou, Ele abandonou! Ele abandonou, Ele abandonou, Ele abandonou! Ele abandonou!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Ele abandonou mesmo?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sim!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ela da voltas no palco, dançando e tando beijos na testa de todos.     ANÁLISE and INSPIRAÇÃO acordam. </em></p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> O que aconteceu?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Perdemos alguma coisa?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Vocês não perderam nada, minhas amigas. Belo jogo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>INDULGÊNCIA entra, carregando uma nova jarra de cerveja, seguida por MEDO, com um aspecto apagado.</em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Cerveja para todo mundo!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Eu devo tomar um pouco? Sim. Definitivamente eu devo tomar um gole de cerveja.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Então vocês granharam. Grande coisa. Vocês provavelmente pegarão um oponente com um rating maior na próxima rodada … Aos diabos! deixa eu tomar um gole dessa cerveja também.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Todo mundo pode beber, exceto MEMÓRIA, que está coçando a cabeça e parece estar preocupada em lembrar de algo. Finalmente, ela lembra…</em></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> O chefe prometeu para a mulher que chegaria em casa cedo, então vamos tentar apressar o post-mortem.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O trabalho dela está feito, ele pode se dar ao luxo de um drink também. </em></p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> (Se dirigindo à audiência) Apesar de tudo, penso que se tornou um jogo muito bom, vocês não acham?</p>
<p style="text-align: center;"><strong>FIM</strong></p>
<h3 style="text-align: right;"><strong><em>Tradução livre: Pedro Ferreira</em></strong></h3>
<h3 style="text-align: right;"><strong><em><br />
</em></strong></h3>
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