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	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; Artigos</title>
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	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
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		<title>Quando o futebol se rendeu aos princípios do xadrez</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 23:52:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A copa do mundo de 2010 foi um momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios fundamentais do jogo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/xadrez-futebol.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-818" title="xadrez-futebol" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/xadrez-futebol-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>A copa do mundo de 2010 foi um  momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas  poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do  jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez  romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios  fundamentais do jogo, descobertos em parte por Steinitz, na copa da África do  Sul, o futebol se despediu do romantismo dos artistas do passado em detrimento  do planejamento  estratégico-tático. Os  craques continuaram a ter o seu papel fundamental com uma diferença: criando os  seus  movimentos dentro de uma estratégia  e  tática apurada, retirada basicamente  do xadrez e refletida longamente antes das partidas e sem nenhuma concessão à  improvisos fora do plano  estratégico.Assim  ocorreu com a seleção da Espanha, com mais intensidade com a Holanda e  principalmente com a seleção da Alemanha. Um exemplo que poderia ser retirado  não só das partidas de Steinitz,mas principalmente das partidas de Lasker,  ocorreu na partida Brasil versus Holanda. Nesta partida os dois craques  holandeses juntaram forças contra Michel Bastos, ao observarem que Robinho não  retornava para ajudar este lateral. O técnico brasileiro ou não percebeu ou  demorou bastante para notar esta fina adequação tática dentro do plano  estratégico holandês.<span id="more-816"></span></p>
<p>No passado os românticos não  entenderam os fundamentos elaborados por Steinitz, demonstrados em Nova Iorque,  janeiro de 1883, no match histórico, contra   Zukertort. Neste match Zukertort não foi capaz de resolver a forma como  Steinitz parecia advinhar-lhe as combinações. Tentou a solução para este  intrincante problema por quatro anos sem jamais chegar próximo de uma solução  e, mais grave, perdendo neste processo a sua grande maestria de excelente  jogador prático.Nem mesmo o mais brilhante jogador da escola romântica, o russo  Tschigorin pode obter sucesso contra os novos e revolucionários princípios. Assim  também Steinitz e muitos de seus seguidores, do que poderia se chamar de”escola  dogmática”, do qual Siegbert Tarrasch é um ícone, tal como Zukertort, não  conseguiram entender o refinamento do seus próprios sistemas  por Emannuel Lasker, conforme se pode ver na maravilhosa  sétima partida do match Stenitz versus Lasker, de1894. <a href="http://www.ccx.org.br/games/lasker_steinitz_7.htm">Stenitz versus Lasker.</a></p>
<p>Em 2010 Brasil e Argentina  perderam, respectivamente, para as seleções da Holanda e da Alemanha, sem  entenderem muito bem as razões da derrota, assim como Stenitz, apesar do seu  gênio não entendeu  que ocorrera na  sétima e inflexiva partida do seu match contra Lasker, uma revolução dos  princípios do xadrez. Eu diria que o Brasil perdeu principalmente por um plano  estratégico pobre recheado de dogmatismo, expresso pelo elogio do técnico à  marcação perfeita e ao posicionamento rígido. Este foi o plano estratégico do  Brasil. O Brasil perdeu porque não compreendeu que o futebol estava  evolucionando diante dos seus próprios olhos! Acrescente-se ainda um item:  ufanismo injustificável no qual como poderia muito bem dizer Emannuel Lasker,não  consegue resistir ao xeque-mate. Entendia-se, portanto, que os jogadores  excepcionais como Luís Fabiano, alcunhado de “o fabuloso”,Kaká e o quase  sucessor de Pelé, Robinho, resguardado pela “melhor defesa do mundo” e  defendido pelo “maior goleiro do planeta”,fariam o resto.</p>
<p>Quanto à Argentina, nem mesmo plano estratégico houve. Usou-se  uma entidade abstrata que pode ser entendida como”mística”,”camisa argentina”,  cheia de evocações a glórias do passado. Contra seleções inferiores estas  intrínsecas fragilidades passaram desapercebidas para receberem em cheio a luz  do sol contra as seleções da Holanda e Alemanha. O Brasil perdeu porque não  pode se readaptar  e responder em tempo  real as mudanças táticas, dentro do plano estratégico enxadrístico da seleção  holandesa.  Quem possivelmente viu o que  estava acontecendo e tentou um plano inteligente para contrapor a nova  realidade foi o técnico da seleção paraguaia, o argentino Geraldo Martins, que  planeou neutralizar a seleção espanhola com forte marcação na defesa adversária,  diminuindo os seus espaços. O plano falhou diante da qualidade insuficiente do  seu ataque necessário para manter durante todo o jogo este plano ativo e também  do preparo físico necessário  para  realizar este objetivo.</p>
<p>No xadrez, estratégia responde a  pergunta: O que fazer? E a tática responde a pergunta: como fazer? Em 1871,  Steinitz escreveu diante dos seus fracassos em torneios anteriores, fazendo uma  das mais notáveis autocríticas enxadrísticas: &#8220;En los  torneos de París (1867) y Baden-Baden (1870)  yo esperaba conquistar el primer puesto&#8221;, recordaría mas tarde el primer campeón  del  mundo. <em>&#8220;Al </em>no  conseguirlo, me vi obligado a pensar acerca de mis actuaciones, y llegué a la  conclusión de que el juego combinativo, aunque a veces produce excelentes  resultados, no puede garantizar el éxito. Tras un meticuloso estudio de este tipo  de juego (incluidas, sin duda, las partidasde su match con Anderssen: G. K.), descubrí buen número de  defectos. Muchos sacrificios tentadores que tuvieron éxito resultaron ser  incorrectos. Adquirí, por tanto, la convicción de que una defensa correcta  requiere un gasto de energia mucho menor que el ataque. En general, un ataque  solo  tiene posibilidades de éxito cuando la posición enemiga se encuentra  yadebilitada. Desde entonces, mi  pensamiento se ha orientado a buscar una forma sencilla y segura de debilitar  la posición contraria”. “Um passo revolucionário na compreensão do xadrez.</p>
<p>Os planos estratégicos das seleções  alemãs e holandesas, consistiram em linhas gerais num futebol mais pausado, de  menor voltagem(El Pais), baseado em jogadores de nível técnico alto,com bom  preparo físico, estaturas altas, e capazes de identificarem rapidamente os  erros estratégicos e táticos do adversário e tal como no jogo de xadrez,jogar  em cima das debilidades identificadas. O que se viu em linhas gerais foram  domínio de espaço, controle do centro, calma e excelência na defesa e jogo de  contra-ataque relâmpago baseado nas debilidades adversárias. Assim ocorreu com  a Holanda contra o Brasil e com a Alemanha contra a Argentina. Não foi por  acaso que os craques solitários, jogando no estilo romântico e capazes de  decidirem uma partida, baseado principalmente numa linhagem de jogadores  sul-americanos que remonta a Garrincha, Pelé, Tostão, Maradona e Romário, fracassaram  na copa de 2010 contra os inteligentes esquemas estratégicos das duas seleções(mais  a Espanha), enquanto os craques que obtiveram sucesso conseguiram  porque as   suas seleções optaram  por jogar  xadrez em campo de acordo com os princípios estratégicos combinados de Stenitz  e  Emannuel Lasker. O leitor poderá lembrar-se  das inserções televisivas na qual a esperança de alteração do resultado  desfavorável da partida se baseava, para o narrador, no desequilíbrio promovido  por craques como Kaká, “Luís Fabuloso”,Robinho, Cristiano Ronaldo e Messi. Isto  no entanto, não ocorreu porque o futebol das vitoriosas equipes citadas  promoveu uma ruptura de escolas,uma revolução! Cenários fascinantes poderão doravante  se abrirem para o futebol com as suas 22 peças. Entender o futebol passará  obrigatoriamente por compreender os princípios estratégicos-táticos do xadrez. Quando  se fizer as necessárias análises desta copa de 2010, um outro  futebol, bem mais rico e sofisticado,  emergirá!</p>
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		<title>Ser ou não ser?</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik.gif"><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik-300x155.gif" alt="Ser ou não ser" title="Hamlet" width="300" height="155" class="alignleft size-medium wp-image-660" /></a>
<p>    O filme  &quot;As Filhas de Marvin&quot; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um  problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a  vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida  para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a  medida que &quot;sacrifica-se&quot; pelo genitor. Como é filme e não vida real,  o espectador termina sendo ofuscado pelo brilho interior da personagem. </p>
<p><span id="more-650"></span></p>
<p>Num outro  extremo, o livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto" target="_blank">Fausto</a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe" target="_blank">Goethe</a>, também coloca um problema parecido de  natureza diferente: não seria jogar a vida fora, trocar a alma pelos prazeres  do mundo? O personagem do livro, mediante um   acordo com Mefistófeles, vende a sua alma em troca das benesses do  mundo. Diuturnamente, a televisão está nos mostrando esse tipo de personagem  &quot;bem sucedido&quot; e que não hesita em passar por cima de pessoas ou  instituições, no desejo  doentio de  aumentar sempre o seu  poder, riqueza e  &quot;glória&quot;.</p>
<p> A diferença  nos dois exemplos citados pode residir que, no primeiro, a personagem do  filme,embora possa parecer fracassada é, na realidade, vencedora. O segundo  exemplo mostra o contrário. </p>
<p>Diversas  opções de vida com as suas, muitas vezes, trágicas conseqüências podem ser  encontradas no mundo do xadrez. </p>
<p>Certamente,  o americano <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy" target="_blank">Paul Morphy</a>, tido como um dos maiores gênios do jogo não poderia  imaginar que a sua opção pelo xadrez seria a sua ruína. Após percorrer a Europa  durante os anos de 1858-60, vencendo todos os campeões europeus e cobrindo-se  de glória diante de seus compatriotas, foi repelido pela sua noiva, sob a  alegação que não poderia casar-se com um jogador profissional de xadrez; devido  a essa recusa, Morphy entrou em profunda depressão, morrendo poucos anos  depois, perturbado mentalmente. Um contemporâneo de Morphy escreveu sobre ele o  seguinte comentário: &quot;que coisa estranha é a natureza do ser humano, que  faz com que um jogador de xadrez, que deveria privilegiar a razão ao invés da  emoção, sucumba diante da recusa de uma mulher esnobe, afetada e insensível e  que refletia o seu conceito de vida, apenas, através dos ecos da sociedade  preconceituosa de Nova Orleans. Como é grande o poder da mulher sobre o  homem!&quot;. </p>
<p>Para Wilhelm Steinitz, campeão mundial em 1883,   a opção pelo xadrez   como meio de vida, foi também a da morte pela fome, em 1900 na ilha de  Ward. Primeiro ele conheceu  a fama e  depois, vítima da efemeridade da glória, teve que lutar, precariamente, pela  sobrevivência, após perder o seu título para Emanuel Lasker, em 1894. Em 1898,  quando participava de um torneio, um   admirador admoestou-lhe, falando que ele já adquirira muita glória podendo  descansar e deixá-la para os jogadores mais jovens; &quot;a glória eu posso  deixar, mas o dinheiro do prêmio não!&quot;- foi a resposta. </p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Carl Scheletcher</a>, o maior jogador alemão do  século XX, trocou a vida &quot;monótona&quot; de pequeno sitiante, no interior  da Alemanha, pela busca da fama em Berlim. Quase a obteve; depois de conseguir o  direito de desafiar o campeão mundial, Emanuel Lasker, numa série de dez  partidas. No último jogo, o empate lhe daria o título e ele claramente superior  recusou, por arrogância, a linha de empate e terminou perdendo a partida.  Como conseqüência dessa derrota, Scheletcher  não conseguiu reagir e, bem depois, viu-se em estado de mendicância sendo  forçado a alistar-se como soldado, na primeira guerra mundial, onde foi morto  no primeiro combate. </p>
<p>Para o russo  Alexander Alekhine, campeão mundial entre 1927 e 1946, a opção foi negociar  a alma com os nazistas. Abrigado em Berlim nos anos de 1939-44, escreveu vários  artigos antisemitas onde, repulsivamente, dizia que os judeus não eram talhados  para o xadrez; percebendo depois que caso continuasse a derrotar os oficiais  nazistas, em torneios, correria perigo de vida, abdicou de sua arte,  deixando-os prevalecer sobre o seu jogo. Em 1944, completamente humilhado pelos  seus anfitriões, foi-lhe, finalmente, permitida a sua saída da Alemanha,  apenas, com uma mala de roupas. </p>
<p>É possível  que a verdadeira opção de vida que faça, realmente, diferença seja a opção  ética; com as  restantes  talvez seja mais sensato calar-nos e como no  poema de Raimundo Correa, <strong>Mal Secreto</strong>, convir que:</p>
<blockquote>
<p><em>Se a cólera  que espuma, a dor que mora<br /> N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,<br /> Tudo que punge, tudo que devora<br />  O coração, no rosto se estampasse;</em></p>
<p><em>Se se pudesse, o espírito que chora, <br />
    Ver através da máscara da face; <br />
    Quanta gente, talvez, que inveja agora<br /> Nos causa, então piedade nos causasse!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez, consigo<br />
    Guarda um atroz, recôndito inimigo,<br />
  Como invisível chaga cancerosa!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez existe, <br />
    Cuja ventura única consiste <br />
    Em parecer aos outros venturosa! </em></p>
</blockquote>
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		<title>O peso da decisão</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 11:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-663" title="Dúvida" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2-287x300.jpg" alt="" width="222" height="232" /></a></p>
<p>Dentre as  supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o  estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas  e  arcar com o ônus dessas. Supõe-se que  nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de  decidir, pois envolve, não raras vezes, conseqüências muitas das quais  desastrosas. A história está repleta de exemplos, não só do que pode causar a  decisão errada, como também o efeito do seu oposto: a indecisão.</p>
<p><span id="more-662"></span></p>
<p>A dinastia  chinesa dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_Sung" target="_blank">Sung</a> findou-se porque o  chefe supremo dos exércitos chineses, quando recebeu a notícia de que a capital  estava cercada pelos mongóis, encontrava-se de bruços a olhar um combate de  grilos e não foi capaz de afastar-se deles, sem antes saber qual seria o  vencedor. Caiu a capital e assim terminou o império dos Sung.</p>
<p>A conhecida  fábula do &#8220;Asno de Burundin&#8221;, conecta-se com a história chinesa, pois  aquele, depois de atravessar um deserto e deparar-se com um monte de feno de um  lado e água límpida em abundância, do outro, não foi capaz de decidir-se  primeiro pela água ou pelo feno, vindo a morrer de fome e de sede.<br />
Por outro  lado, decisões dramáticas são muitas vezes impostas. No livro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Styron" target="_blank">William  Styron</a>, A Escolha de Sofia, a personagem Sofia tem de escolher, num campo de  extermínio nazista, salvar o seu filho ou a sua filha da morte, condição  imposta pelo carrasco do campo. A indecisão aí, acarretaria a morte de ambos os  filhos.</p>
<p>No xadrez,  vida e títulos obedeceram, não raras vezes, aos caprichos de uma decisão  errônea ou indecisão.</p>
<p>Na décima e última partida pelo título  mundial de xadrez de 1910, o desafiante <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Schelechter</a> jogando com o campeão  mundial, Emanuel Lasker, precisaria apenas de um simples empate para tomar o  cetro do campeão; a partida lhe era favorável e, como ele confessou muito  depois, a linha de empate fora visualizada por ele com toda a segurança. Ao invés,  entretanto, de empatar e passar a história como campeão mundial, preferiu  decidir-se por outra variante complicada e cheia de perigos ocultos que acabou lhe sendo fatal. Por que  enveredara por essa escolha? A sua explicação foi singela: &#8220;uma mulher da  platéia, muito bonita, olhava o jogo com interesse, parecendo entender bem a  partida. Para não decepcioná-la com um empate, resolvi escolher a outra  variante&#8221;. Alguém lembrou-lhe que aquele &#8220;simples empate&#8221;o  tornaria campeão mundial. Ao conhecer a fome e a mendicidade muitos anos  depois, Schelechter, talvez tivesse se lembrado de que a sua decisão  irresponsável, e mais nada,  fora a causa  da sua derrocada.</p>
<p>Como tomar,  porém, a melhor decisão, nas diversas circunstâncias de vida? Ao que se  sabe  hoje, o uso de elementos intuitivos  é de vital importância, assim como uma grande consciência da responsabilidade  decisória. Imagine o leitor, por um momento, que ele seja um dos  missionários referidos abaixo. Suponhamos que  o seguinte problema lhe seja apresentado agora: é preciso transportar,  atravessando um rio, três missionários e três canibais, fazendo-se várias  viagens num barco de capacidade para apenas duas pessoas. Todavia, o número de  canibais, em terra, jamais deve ser maior do que o dos missionários(por motivos  óbvios). Como decidir, corretamente, esse transporte?</p>
<p>Decisões e  erros, porém, andam juntos e ao final das contas, talvez, não exista outra  decisão mais conveniente do que a reflexão dos versos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare" target="_blank">Shakespeare</a> que fala  sobre a nossa condição humana de decidir:</p>
<blockquote><p><em>Não te doa jamais em pensar em falha tua.</em><br />
<em>Na rosa espinhos há,</em><br />
<em>turva-se a fonte clara;</em><br />
<em>vela a nuvem e o eclipse a luz do do sol, da lua,</em><br />
<em>E o ascoso pulgão vive até na flor mais rara. Todo homem erra sempre”.</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Teatro em um ato &#8211; Xadrez</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 19:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como funciona a mente de um jugador de xadrez? Como trabalham juntas memória, experiência, análise e inspiração para gerar jogadas de xadrez? Estas perguntas têm sido um desafio para a ciência. Agora, um jovem e muito criativo investigador resolveu e nos dá uma vívida explicação, apresentada de maneira pouco comum: Alex Shternshain, com a ajuda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/71559603.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-528" title="71559603" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/71559603-300x180.jpg" alt="" width="210" height="126" /></a>Como funciona a  mente de um jugador de xadrez? Como trabalham juntas memória,  experiência, análise e inspiração para gerar jogadas de xadrez?  Estas perguntas têm sido um  desafio para a ciência. Agora, um jovem e  muito criativo investigador resolveu e nos dá uma  vívida  explicação, apresentada de maneira pouco comum: Alex Shternshain, com a ajuda de Atenas (deusa do conhecimento), Dionísio (deus do teatro) e  Caissa (deusa do xadrez) escreveu um obra de teatro em um ato, que  oferecemos traduzida para o português. No original em inglês, as personagens são todas masculinas, enquanto que na versão em português a maior parte é feminina. Coisas do idioma! <span id="more-506"></span></p>
<h2 style="text-align: center;">O Jogo</h2>
<h4 style="text-align: center;">Uma peça em um ato <strong>© </strong>por Alex Shternshain</h4>
<p><em>CORTINAS SE ABREM</em></p>
<blockquote><p><em>Estamos em um cenário que se parece, estranhamente, como o interior de um cerébro humano. Sentados ao redor de um jogo de xadrez estão quatro pessoas. São elas: MEMÓRIA, EXPERIÊNCIA, ANÁLISE E INSPIRAÇÃO.</em></p>
<p><em>MEMÓRIA está vestida com um elegante traje de empresa. EXPERIÊNCIA se cobre  com um velho e surrado manto. ANÁSLISE está com roupas de contadora e óculos, e carrega um Abaco. INSPIRAÇÃO está vestida em um jaleco de pintor, coberto com respingos de tintas multicoloridas. </em></p>
<p><em>Atrás delas, tem um janela na forma de um olho humano, visto por dentro. MEMÓRIA acabou de montar as peças  na posição inicial no tabuleiro de xadrez.</em></p></blockquote>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Tudo bem  MEMÓRIA, o que temos para hoje? Estou louca para começar!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Algum jogador de 1920 de rating. Nosso chefe está de pretas.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Qual o nome dele?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Desculpe? O nome do nosso chefe é  Jeremy Whitman, e essa é a última vez que te relembro.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Eu acho que ela quis dizer o nome do rapaz de 1920 de rating.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não me lembro.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Você não  lembra? Como você não se lembra,você é    MEMÓRIA, que grite aos quatro ventos!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não tive a chance! O chefe passou a vista pela tabela de emparceiramento rapidamente! Eu lembro do rating, tabela, nossa cor, mas ele leu a parte de emparceiramento muito rápido, antes que eu pudesse conectar ao nervo óptico.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Mas MEMÓRIA você é&#8230;</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, crianças, não brigues. Não chateie MEMÓRIA por causa desse detalhe trivial, vamos precisar de seus serviços em breve. Olhe, o jogo já começou. ANÁLISE, nos dê uma leitura.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Por que eu? Não me diga. Eu sei, sem ANÁLISE na abertura.     Bem, serei seu menino de recados por agora. <em>(Olha pela janela).</em> Ok, peças estão montadas; o chefe está ajustando os cavalos &#8211; faces para frente, do jeito que ele gosta; aperto de mãos; e, Peão quatro do Rei.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Eu odeio quando utilizam a notação descritiva.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Como alguém tivesse perguntado. EXPERIÊNCIA você tem a última palavra, de acordo?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Nesta fase da partida, deixarei que  MEMÓRIA conduza.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Algébrica, por favor.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ok. <strong>1.e4</strong>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Nota: De agora em diante, <strong>negrito</strong> indica movimentos feitos no jogo. Uma das persosangens farão o mesmo movimento no tabuleiro da mente, assim que for anunciado, de forma que a posição do tabuleiro sempre refletirá a posição real do jogo.</em></p>
<p style="text-align: center;">[<a onclick="window.open('http://www.ccx.org.br/chesstempo/ojogo.html','','width=600,height=400')" href="#">clique aqui para ver a partida num visor separadamente</a>]</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Algébrica estendida.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 1.e2-e4.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Obrigado. <em>(Sussura para EXPERIÊNCIA)</em> Eu não preciso da notação algébrica longa, quero somente irritá-la. <em>(Volta para voz normal</em><em>)</em> Agora, em e4, nós temos &#8230;</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO <em>(Interrupção):</em> </strong>Woo hoo! Adoro e4! Vamos contra-atacar!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> INSPIRAÇÃO, por favor, fique quieta por um momento. Você terá sua vez, mas certamente não no 1º lance. MEMÓRIA, o que temos contra e4?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Como eu ia dizendo antes que madame interferisse, nós podemos jogar e5, o qual é sólido, ou c5 que é mais combativa. O chefe está ok para ambas.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Prefiro c5.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Eu digo e5, somente para irritá-la.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Hmm. Adiarei minha decisão até ouvir o que ANÁLISE tem para dizer.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vejamos, o outro rapaz tem 1920, certo? Nosso chefe tem 1997. O chefe está de pretas&#8230; <em>(Usa o Ábaco)</em> então isso significa que um empate, ainda que nos custe alguns pontos ELO, é um resultado razoável. Não é necessário ir para o &#8216;tudo ou nada&#8217;. Eu voto por e5.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Todo mundo é Grande Mestre. Vamos pessoal, coragem!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Que seja<strong> 1…e5</strong>. Não se preocupe, INSPIRAÇÃO, chegará sua vez.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Pela janela vemos mover-se sombras com formas de peças de xadrez. </em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> <strong>2.Nf3 Nc6 3.Bb5</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Ruy Lopez. Contra a Ruy, nós sempre jogamos a velha e boa C78.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Pelo amor de Lasker, você pode falar português? Que demônios é C78?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Para aqueles que se guiam por associações, isso seria a variante Archangelsk.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Eu amo Archangelsk! Caça o bispo dele, coloca o nosso em b7, o outro Bispo em  c5, que contra-ataque poderoso!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Eu desconfio dessa abertura. Ele pode cravar nosso cavalo com Bg5, muito desagradável.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não é por nada, mas essa é minha praia ainda. Além do mais, se Bg5 podemos jogar h6 e g5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Mas a posição da ala do rei fica enfraquecida, não?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Terminou tudo bem para as pretas no jogo Dolmatov-Beliavsky, 1990.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tudo bem, aceitaremos sua palavra. Nos conduza por enquanto.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <strong>3&#8230;a6</strong> agora. Ele pode recuar ou trocar. Me dê mais leituras.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ele jogou <strong>4.Ba4</strong>.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> b7-b5 agora!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não, <strong>4&#8230;Cf6</strong> agora, b7-b5 próximo lance, desde que ele roque.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Porque próximo lance e não agora?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Porque isso é o que todo mundo joga.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Deixe de ser &#8216;maria vai com as outras&#8217;!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> INSPIRAÇÃO, Te aviso&#8230;</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Brancas roquaram. <strong>5.0-0</strong></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> b5, então Bb7.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> <strong>5…b5 6.Bb3 Bb7 7.Te1</strong> jogado.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain01.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Eu gosto de Te1!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Todas três viraram a cabeça em direção a ela. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você acabou de dizer que gostou de Te1? Pensei que fosse incapaz de emoções.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Vivendo e aprendendo baby. Depois de Te1 eu tenho variantes memorizadas com pelo menos 3 lances à frente do que qualquer outro movimento. Yeah!</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Droga. Ela está com o controle total do jogo. Imagino se terei alguma chance de entrar no jogo.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> 7&#8230;Bc5 é o lance.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Eu não gosto da armadilha do garfo 7&#8230;Bc5 8.Cxe5 Cxe5 9.d4</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Essa armadilha nunca foi jogada antes na minha base de dados. Não deve funcionar.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Essa é uma explicação meio esfarrada, não?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> 8.Cxe5 não deve funcionar, senão alguém já teria jogado.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ainda digo para ANÁLISE deve fazer alguns cálculos.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Tudo bem. Mas digo que é uma perda de tempo.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vejamos: 7&#8230;Bc5 8.Cxe5 &#8230; recapturo&#8230; 9.d4 &#8230; ataca duas peças, e agora o que tenho &#8230; preciso de algum contra-ataque…</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 9&#8230;Cfg4!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Isso mesmo! E se ele toma o bispo 10&#8230;Dh4 acaba com ele.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Concordo. O garfo não funciona para as brancas.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Viu? Estava certa o tempo todo. Vamos, <strong>7&#8230;Bc5</strong>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Sombras de luz e escuridão se movimenta através da janela. MEMÓRIA dá uma olhada. </em></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <strong>8.c3 d6 9.d4 Bb6</strong> – por enquanto está tudo ok.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Brancas estão pensando muito. Ele está fora da teoria.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Primeiro round, vitória para nós! Desculpe, eu disse ‘nós’, quero dizer ‘eu’.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Exibida.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>LUZES APAGAM por uns poucos segundos significando a passagem do tempo. LUZES SE ACEDEM novamente. </em></p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Já tem 10 minutos que ele está pensando. O que está acontecendo?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Alguém esqueceu de estudar abertura C78.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Acho que devemos nos preparar para possíveis respostas. ANÁLISE,     o que as brancas podem jogar?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Ok, estou preparada para qualquer coisa. Não tem como ele me tirar da teoria, com lance decente claro, pelo menos uns cinco lances à frente.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> <strong>10.a4</strong> foi jogado!</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain02.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <em>(recita)</em> Uma variante inócua, usualmente jogada com a intenção de evitar uma luta mais aguda na variante 10.Bg5 h6 11.Bg3 g5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você não está aqui para fazer avaliações posicionais. Dê-me um lance, se puder.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Podemos então rocar. Diga ao chefe para jogar <strong>10…0-0</strong></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, vamos rocar.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não, espere!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Esperar pelo quê? O chefe já pegou no Rei.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Na verdade é 10&#8230;h6 11.h3 para depois rocar. Eu me atrapalhei na ordem dos lances.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> O cara está parada com o rei na mão, porque VOCÊ disse para ele rocar! Você tem alguma idéia do quão sério é isso?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Se ele já pegou no Rei, ele deve roquar. Esse é o melhor movimento de Rei disponível.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tudo bem, temos que fazê-lo. <em>(para MEMÓRIA)</em> Como você pôde!     Isso vai estar no meu relatório!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Que merda fizemos confiando nela. Agora brancas podem cravar o cavalo, e a manobra h6 e g5 não funciona porque as brancas podem sacrificar o cavalo em g5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Bem, encontre alguma coisa. Nos tire deste buraco, ANÁLISE!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Espere, eu lembrei de algo.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Calada. Você está fora.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Fora?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você me ouviu. Estou tirando você deste jogo.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Você não pode me tirar.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Veja se não. ANÁLISE, o que temos?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Deixar o cavalo cravado me parece ruim. Descravando com g5 me parece pior ainda – Nxg5 hxg5 Bxg5 seguido por Qf3. Abrindo o centro com exd4 não me parece promissor também.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não, tudo ok, Eu me lembro&#8230;</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Qual parte de “ você está fora!&#8221;,  você não entendeu?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Tudo bem. Se virem.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>ANÁLISE anda por volta da mesa, murmurando várias variantes, de tempos em tempos conversando com INSPIRAÇÃO. Seu rosto parece infeliz. Finalmente ela vira-se para EXPERIÊNCIA.</em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não encontramos nada de bom.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Eu encontrei.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> (Respira fundo, desistindo) Ok, MEMÓRIA, o que você tem?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <em>(Triufante)</em> Van der Wiel – Tkachiev, 1999. 11.Bg5 h6 12.Bh4 exd4 13.exd4 g5 é bom para as pretas – brancas não sacrificam o cavalo em g5.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Oh, Boa – a combinação de duas idéias ruins – g5 and exd4 –     na verdade produz algo de bom.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Yeah, ele não pode sacrificar em g5 agora, porque depois de 14.Nxg5 hxg5 15.Bxg5     Nxd4 impede da Dama branca ir a casa f3 e pretas vencem.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Belo trabalho de grupo garotas, mas tudo em vão <em>(aponta para a janela)</em> <strong>11.d5</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Uhm, lembram-se, garotas, quando eu disse que ele não pode me tirar da teoria com nenhum lance &#8216;mais ou menos&#8217;? Esse lance não é nem 10% decente. Pronto, terminei. Agora é com vocês.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não vá; talvez precisemos de você ainda.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Precisar? de mim? Eu entendi algo errado do “você está fora”?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <em>(Melosa)</em> Talvez precisemos de você no final.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Hehe, você precisa de mim, heim. Mr. Scribble and Mr. Pencilpusher here     are both utterly useless for anything as simple as R+P vs. R, aren&#8217;t they?     Ok, Estarei por perto. Me parece divertido. E se você vier com uma boa resposta contra d5 talvez eu adicione à minha base de dados.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Sua autoconfiança é muito exagerada.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Vamos ao trabalho garotas. O cavalo precisa recuar. ANÁLISE,  você está feliz com Ce7 ou Ca5?</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não podemos considerar outros lances? Como 11…Ca7</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Com o cavalo no canto o futuro é cinza.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Ou 11…Cg4, Atacando f2.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Hmm, vejamos, 11…Cg4 12.dxc6 Cxf2 e então…</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Pare. Mesmo que você gaste vinte minutos aqui e me prove que a combinação funciona, Brancas ainda podem simplismente responder 12.Tf1 e defende tudo. Vamos jogar lances simples enquanto podemos.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>ANÁLISE e INSPIRAÇÃO estão em conferência no canto da sala novamente. EXPERIÊNCIA bate seus dedos nervosamente na mesa e checa o tempo no seu relógio. Finalmente, se decide. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <strong>11…Ce7</strong> é o lance.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Gosto dessas decisões baseadas em princípios gerais.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <strong>12.Bc2</strong> foi jogado. Não me parece que brancas sabem o que estão fazendo. Algum plano?</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain03.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 12…Dd7 conecta as torres, ou 12…Cg6, melhora a posição do cavalo. Mas o melhor plano é atacar com 12…Cg4!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> ANÁLISE?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Estou olhando a variante 12…c6 13.dxc6 Bxc6 – abre o centro, muitas idéias interessantes são possíveis. Na verdade, uma floresta de variantes!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tarrasch disse para atacar a cadeia de peões pela base, não pela ponta. Então isso significa f5, e não c6.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Quem disse isso foi Nimzowitsch.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tanto faz. ANÁLISE, me dê a linha com f7-f5.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 12…Cg4 13.Tf1 f5 14.Bg5 fxe4 15.Bxe4.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Hmm, ele tem um belo posto em e4. Não gostei.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Talvez possamos combinar as idéias. Você sabe, c6 e f5.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 12…c6 13.dxc6 Bxc6 e então ameaçando Cg4 e f5 – ele não tem mais o posto em e4 porque nosso bispo controla a casa. Pode funcionar.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Mas ele poderia fazer algo nesse intervalo para impedir f5.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> então nós sacrificamos um peão com 14…d5 e ataque na ala do rei!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não me agrada.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Bem,  pense em algo então. Eu gosto de c7-c6, vamos jogá-lo.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Eu acho que terei que confiar em você. <strong>12…c6</strong> é o lance.</p>
<p><em>MEMÓRIA olha através da janela. Alguns lances foram feitos rapidamente. </em></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <strong>13.dxc6 Bxc6 14.axb5 axb5 15.Txa8</strong> foram jogados.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Todos forçados. Agora 15…Bxa8</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não, espere; vejamos 15…Qxa8.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ele toma em d6, duh.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Deixe-o tomar. Então nós vamos com 16…Cg4, o que acham?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não é bom. No mínimo, ele tem 17.Be3, parando nosso ataque e permanecendo com um peão a mais. Peões dobrados, admito, mas ainda, as Brancas estão melhores. Olhe isso, jogamos <strong>15…Bxa8</strong>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Uma pequena pausa. ANÁLISE perambula pela sala e murmura nervosamente. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Eu realemten não gosto de 16.h3 agora. Não temos nenhum lance tático, e nossa estrutura de peões é miserável.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Isso é o que acontece quando damos ouvido à INSPIRAÇÃO.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Bem, ao menos eu não mudo minha opinião a cada 5 secundos – “oh não, deveria ter sido h6 antes de rocar, agora estamos tão lascadas, oh espere, não estamos lascadas, Encontrei algo de quem copiar”.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Você nunca veria essa ordem de lances por você mesma. Nem em um ano.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Vejam, elas já estão se engalfinhando!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>FOCO no lado esquerdo do palco, onde três pessoas acabaram de entrar. São elas MEDO, DÚVIDA and RETROPECTIVA.</em> <em>MEDO está vestido como o clássico demônio de Fausto, usando até o tridente. Ele lidera o trio. DÚVIDA veste um longo e folgado robe coberto com sinais de interrogação. Ela parece uma bobalhona.     RETROPECTIVA parece auto-confiante e veste uma camiseta com um emblema “20/20” estilizado. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ooh, vejamos se não é o gato medroso e suas companheiras     “Não sei” and “Não me importo”. O que estão fazendo aqui? O festival de filmes de terror é mais embaixo, no subconsciente.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Sua sagacidade não me espanta anciã. Minhas amigas são DÚVIDA e RETROPECTIVA. Comigo, pode se referir como Mr. MEDO, embora eu prefira ‘Cauteloso’. E viemos aqui porque ouvimos uns ruídos nas sinapses nervosas, e pensamos que talvez tenha alguma coisa para nós.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vão embora. Não temos nada para vocês. O que poderíamos ter seria de interessante para vocês três?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Oh, Não sei. Que tal … essa posição! Não parece que se encaixa perfeitamente para aplicação de nossas habilidades? Você não acha, DÚVIDA?</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Bem, eu não tenho certeza…</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Cala a boca. Claro, vocês se jogaram em um buraco, e agora estão esperando para ver se o cara acha o lance h3 ou não. Estão à mercê de seu oponente, isso é a coisa mais assustadora que eu posso pensar … e não envolve aranhas.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Oh não, vocês estragaram tudo. Seria bem melhor se tivessem jogado 12…Cg4 seguido de 13…f5 – uma pequena vantagem para as pretas, no mínimo.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Vocês já ouviram a frase ‘no lugar certo e na hora errada’? Encaixa perfeito para vocês.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Eu sei. Eu sinto isso o tempo todo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Eu insisto que vocês três saiam de uma vez. Vocês estão estragando o clima.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Pois bem, serei generoso com vocês. Deixarei que DÚVIDA decida. O que me diz, DÚVIDA, devemos sair?</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Uhm, não sei. Acho que não.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Caso encerrado. Ficaremos para assisti-las demolirem a posição ainda mais!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Uma breve e tensa pausa se segue, enquanto os três penetras se aconchegam em volta do tabuleiro. As quatros parceiras fazem o melhor para ignorá-los.</em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Brancas já gastaram quinze minutos nesse lance. Não sei em que ele está pensando tanto. 16.h3 é natural.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em> Uma sombra move-se através dos olhos. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <strong>16.Ca3</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Hey, estamos de volta no jogo!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não tenha tanta certeza. Cada movimento tem um propósito, lembre-se.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Cala a boca.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não, espere. DÚVIDA na verdade tem razão. Temos que examinar os objetivos de nosso oponente. Qual o plano das brancas?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Esmagar seu ego até se transformar em uma polpa e retirar alguns preciosos pontos de rating de seus frios e mortos dedos.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sim, mas em poucas palavras, ele está atacando b5.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Oh, atacando um peão fraco. Que medo.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Eu não gosto de ter peões fracos.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Teria sido sábio se tivessem trocado ele antes.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Silêncio, todos vocês. Sobre o que estávamo falando mesmo?</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> INSPIRAÇÃO disse alguma coisa sobre Cg4 and f5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Certo. ANÁLISE, dê-me uma variante.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain04.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> 16…Cg4 17.Tf1 (or Te2) f5 – ameaça tomar duas vezes em f2 e então ganhar uma peça com fxe4. Acho que brancas não tem outra escolha a não ser tomar: 18.exf5 Nxf5 – e então, não sei&#8230; as possibilidades crescem exponencialmente.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Eu gosto dessa posição. O peão &#8216;b&#8217; ainda é fraco, mas nós temos o que, dois cavalos, dois bispos e uma torre olhando diretamente para seu rei. E a rainha pode se juntar também. Eu digo que podemos seguir essa linha.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não deveriam checar novamente?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Isso, pense em todos os pontos de rating que pode perder!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>EXPERIÊNCIA balança a cabeça. Ela deve tomar a decisão, mas parece que não consegue se decidir. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> ANÁLISE, você pode analisar as variantes mais uma vez.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> O que você quiser.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Novamente ela perambula e murmura para si, e de vez em quando tirando dúvidas com INSPIRAÇÃO. </em></p>
<p><strong>MEDO:</strong> E o tempo está passando&#8230;</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não vejo nenhum problema com Cg4 and f5. Realmente não vejo.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Talvez devamos considerar outras alternativas. Como 16…Bc6 or 16…Dd7, protegendo o peão.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> São lances passivos. Devemos atacar agora!</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> &#8220;O lado que tem a vantagem, não somente podem, como devem atacar&#8221;. Steinitz, se não me engano.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Aha, mas nós estamos em vantagem?</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Eu digo para não atacarmos.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Talvez sim. Eu terei certeza mais tarde.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não tenho medo de você. <strong>16…Cg4</strong> é o lance.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> (dá uma olhada) Brancas jogou <strong>17.Tf1</strong> muito rápido.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Obviamente, você tem um oponente muito astuto. Difícil sobrepujá-lo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Vamos lá, f5!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tenho que concordar.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não seria melhor verificarmos tudo novamente?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tudo bem. Analise tudo novamente.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Tudo? Ai, minha cabeça.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Kotov disse para verificar cada ramo da árvore de variantes apenas uma vez. Está em seu livro “Pense como um grande mestre”.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Kotov está morto<em>(breve pausa)</em> Estou com medo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não acredito que estou dizendo isso, mas acho que devemos continuar com o plano. f7-f5 é o unico lance que faz sentido.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, continue com<strong>17…f5</strong>. Ei, olha, ele já tomou. <strong>18.exf5</strong>, e agora nós jogamos <strong>18…Cxf5</strong>.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain05.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Não me parece bom esse plano com f5. Você tem um bocado de fraquezas. Ele pode trocar em f5 e então capturar b5. Um xeque em b3 pode ser desagradável também.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Porque você não disse alguma coisa antes? Desculpe, não precisa responder, esqueci com quem estou falando.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> b5 é fraco, mas f2 também é.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ok. Se 19.Bxf5 Txf5 20.Cxb5, podemos tomar duas vezes em f2 e então cravar o cavalo com e5-e4.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Assumindo, claro, se brancas não tenham uma jogada alternativa. Embora eu não sei. Porque deveria ter uma?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Realmente você foi de muita ajuda.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> <em>(Dá uma olhada)</em> <strong>19.Bb3+</strong> foi jogado.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Oh, um xeque, o que faremos agora?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Apenas coloque o rei no canto do tabuleiro. Sem problemas. <strong>19…Rh8</strong>.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Já fez o lance?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sim. Por que pergunta?</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Gostaria apenas de dizer que 19…d5 provavelmente era melhor.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei. Não gosto destas cravadas voluntárias. Talvez Rh8 fosse melhor. Mesmo assim, tenho que dizer que fazer o lance sem consultar ANÁLISE foi estúpido.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> <em>(Ri nervosamente)</em> Sim, foi, não foi? Oh meu Deus, juro nunca fazer isso novamente.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Brancas jogaram <strong>20.Cg5</strong>.</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain06.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>MEDO:</strong> Veja, ele está atacando. Múltiplas ameaças surgiram.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Cf7+, Ce6, Dxg4, apenas nomeando as mais sérias.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Esse ataque não deve funcionar. As pretas estão melhores, e podemos achar uma variante para provar.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Bem, Estou verificando&#8230; apreciaria alguns comentários.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Me lembro de INSPIRAÇÃO falando alguma coisa sobre a fraqueza em f2. Apenas uma dica.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Bem, 20…Cxf2 21.Txf2 Bxf2+ 22.Rxf2 e temos vários xeques descobertos, mas não vejo nenhum que seja realmente bom.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Come on, o rei dele está exposto; temos que ter algo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> e3!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sobre o que você está falando, INSPIRAÇÃO?</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 22…Ce3+ é o descorberto que necessitamos.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Estupidez. Ele pode tomar.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não, espere, eu vejo. com o rei em e3, o Cg5 está indefeso. 23.Rxe3 Dxg5+ e agora o rei está em um perigo real. Talvez eu possa calcular um mate forçado aqui, se me derem tempo bastante.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Temos vinte minutos até o controle de tempo para o lance 30. Você tem cinco minutos para analisar esse lance.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei, cinco minutos parece muito pouco para uma decisão tão crítica.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, que seja sete então, é o máximo que posso te dar.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Uma tensa pausa é quebrada por MEDO.</em></p>
<p><strong>MEDO:</strong> Me relembre, quantos pontos de rating perderemos em caso de derrota?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> dezoito. Droga, MEDO, você me fez calcular o que não devia. Agora, vejamos, onde eu estava …</p>
<p><em>MEDO ri um pouco, e algum tempo se passa. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Tempo acabou.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não consigo ver mate forçado, mas o rei estará no centro do tabuleiro, atacado por três peças, e nós nem sequer temos défict de material.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Provavelmente um computador poderia encontrar um mate forçado. If there is one,     that is.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Desculpe por eu ser uma forma de vida baseada em carbono. Ele poderia recusar o  sacrifício, mas ae teria deficit de material sem compensação.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Isso é o bastante para mim. Continuemos. <strong>20…Cxf2</strong>.     Humm, nosso oponente está com problema de tempo também. Legal.     Ok, ele fez o único lance plausúvel, <strong>21.Txf2</strong>, e continuamos com <strong>21…Bxf2+</strong>. Ele está pensando novamente.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Você tem certeza que a idéia com Ce3 funciona? Talvez seria bom verficar b6?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ele recuar para e2, e ainda ameaça Cf7+ e Dh5. Não gosto.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Nós temos um lance. Nós temos um lance, senhoras, e é <strong>22.Rh1</strong>.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Ele recuou? Está louco?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Aparentemente não sou a única que acha que 22.Rxf2 Ce3+ é o pior para as brancas. Agora nós estamos simplesmente com uma qualidade e um peão a mais.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Esse jogo já não me interessa. Estou saindo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Fazendo o melhor para não transparecer seu desapontamento e começa a caminhar para a saída do palco … para uns poucos passos depois. Ele se vira para suas companheiras.</em></p>
<p><strong>MEDO:</strong> Vocês não vem comigo?</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Quero ver como isso vai terminar.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei. Acho que não.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Bem. Façam a sua maneira.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Irritado, ele sai. O resto do pessoal, mais entusiasmado do que antes, acotovelam-se ao redor do tabuleiro de xadrez. </em></p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain07.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Nós não estamos totalmente fora de perigo. Esse cavalo em g5 ainda é uma ameaça.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Cf7+, Ce6, Dh5, e a ameaça menor Cxb5.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Dez minutos ainda até o lance 30. INSPIRAÇÃO, dê-me algo.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> 22…Be3!</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Excelente! Pretas vencem em todas as linhas. 23.Cf7+ Txf7 24.Bxf7 Qg5, ataque duplo em g2 and c1 ganha uma peça. 23.Ce6 Dh4 ameaça Cg3#. 23.Dh5 Dxg5 e vai para um final fácil de vencer. E finalmente, há 23.Bxe3 Nxe3.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Melhor ainda, 23.Bxe3 Bxg2+ 24.Rxg2 Cxe3+</p>
<p><em>ANÁLISE e INSPIRAÇÃO batem as mãos no alto. Até mesmo EXPERIÊNCIA &#8216;velha de guerra&#8217; permite-se um sorriso. </em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Pelo que vejo estão indo muito bem.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>FOCO no lado esquerdo do palco, onde INDULGÊNCIA acaba de entrar. Aparece gorda e pesarosa, vestida com o que já foi um lindo robe de seda, agora cheio de manchas. Está comendo uma coxa de frango. Ignorando os olhares desdenhosos, ela se aproxima da mesa e da uma olhada no tabuleiro. </em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Não apenas indo bem, como já praticamente estão ganhas. Muito bem. Bebidas por minha conta.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Opa, obrigado.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Espere! Parem essa loucura; não ganhamos o jogo ainda.</p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Julgando pela posição no tabuleiro, já sim.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> INDULGÊNCIA tem razão. Vitória fácil.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>ANÁLISE e INSPIRAÇÃO ignoram os protestos de EXPERIÊNCIA  e vão com INDULGÊNCIA a um canto do palco, onde ela tira uma grande jarra de cerveja de seu robe e oferece às outras. As três sentam em círculo e vão tomando a cerveja. EXPERIÊNCIA, MEMÓRIA, DÚVIDA e RETROPECTIVA são deixadas sozinhas diante do tabuleiro.</em></p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Acho que deveríamos ter trancado a porta assim que MEDO saiu.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Não preciso delas mesmo. Posso continuar sozinha. Ok, eu jogo <strong>22&#8230;Be3</strong>. Posso continuar sozinha. Yeah. Ainda tenho … seis minutos para fazer 8 lances. Bastante tempo. Mais do que o suficiente.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Acho que brancas jogaram <strong>23.Cf3</strong>.</p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Ha! Isso é pedir para abandonar. Outra rodada de cerveja?</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Não me importaria.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Ok, o que dizemos? Quando temos vantagem material …</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Troque peças, não peões.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> OK. Eu jogo <strong>23…Bxc1</strong> – o qual brancas obviamente respondem <strong>24.Dxc1</strong> – e agora não sei o que fazer. Merda, preciso das outras duas aqui.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Troque mais peças com Bxf3.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Estou relutante de dispor de um bispo tão forte. Meu Deus, eu realmente não sei o que fazer. Preciso daquelas palhaças.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Posso trazê-las para cá.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Você pode?</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Talvez eu possa. Sem garantias.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>DÚVIDA vai em direção à INDULGÊNCIA e suas amigas de copo. </em></p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Posso provar?</p>
<p><em>INDULGÊNCIA passa a jarra para ela, e DÚVIDA derrama a cerveja no chão, de propósito claro. </em></p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Oh, veja como seu desastrada. Bem, acho que isso significa não temos mais cerveja. Se incomodam de fazer algum trabalho, INSPIRAÇÃO e ANÁLISE? Estamos revisando&#8230; bem, realmente não sabemos o que fazer. Para mim seria um estado natural, mas minha amiga EXPERIÊNCIA está um pouco perplexa pelo incidente.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>INSPIRAÇÃO e ANÁLISE se levantam cambaleantes, meio bêbadas. DÚVIDA     pouco a pouco as empurra até o tabuleiro. </em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Bem, meu trabalho está feito.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ela sai. </em></p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> ANÁLISE, você vê algum problema com 24…Bxf3?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não. Deixa as pretas numa posição claramente superior.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Podemos começar uma rede de mate com Ch4! Vamos!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não sei; será que deveríamos confiar numa INSPIRAÇÃO bêbada?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Não confie nela, confie em mim! Não estou <em>(hic)</em> bêbada!</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Bem, precisamos decidir entre Ch4 e Bxf3.</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Ambos lances me parecem bons. <em>(Desmaia) </em></p>
<blockquote><p><em><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain08.gif" alt="" width="250" height="250" /></em></p></blockquote>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Quatro minutos para o lance 30. Ok, vamos com <strong>24…Ch4</strong>. Brancas capturram o cavalo – essa foi rápido, ele está quase sem tempo também – então recapturamos. <strong>25.Cxh4 Dxh4</strong>. Agora ele está pensando novamente.</p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> Gosto da posição. Estamos <em>(hic)</em> vencendo. <em>(Desmaia)</em></p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Estamos?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Com certeza sim. Temos uma qualidade e um peão a mais.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> É como estivéssemos com uma peça a mais.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Qualidade, tudo bem, mas não seria tão incisivo quanto ao peão. Ele pode tomar em b5 se ele quiser, não pode?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Acho que sim. Só falta um minuto para as brancas. Oh, olhe, ele capturou o peão mesmo – <strong>26.Cxb5</strong>. Beleza, agora só temos uma qualidade a mais. Alguém tem alguma proativa idéia?</p>
<blockquote><p><img class="alignnone" src="http://www.chessbase.com/news/2005/shternshain09.gif" alt="" width="250" height="250" /></p></blockquote>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Não olhe para mim; eu nem mesmo tenho certeza se sei o que significa próativo.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Não me recorda nada de útil.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Teria sido melhor se tivéssemos jogado Bxf3 no lance 24.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Oh meu Deus, não posso desperdiçar essa partida agora! (Grita) Alguém, ajuda!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ouvindo o choro, ANÁLISE levanta sua cabeça e dar uma breve olhada na posição. </em></p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Bispo toma o peão e mate em três. De nada. (Desmaia novamente)</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Deus te abençoe, ela sempre volta à notação descritiva quando está animada. Ok, então jogamos <strong>26…Bxg2+</strong>.</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Acho que vi o mate.</p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> Eu tenho certeza que o verei em breve.</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Uma coisa é certa; nosso oponente pode ver o mate.</p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> Por que diz isso?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Porque ele acabou de abandonar! <em>(Canta trecho da música ‘Here     we go’)</em> Ele abandonou, Ele abandonou, Ele abandonou! Ele abandonou, Ele abandonou, Ele abandonou! Ele abandonou!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Ele abandonou mesmo?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Sim!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ela da voltas no palco, dançando e tando beijos na testa de todos.     ANÁLISE and INSPIRAÇÃO acordam. </em></p>
<p><strong>INSPIRAÇÃO:</strong> O que aconteceu?</p>
<p><strong>ANÁLISE:</strong> Perdemos alguma coisa?</p>
<p><strong>EXPERIÊNCIA:</strong> Vocês não perderam nada, minhas amigas. Belo jogo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>INDULGÊNCIA entra, carregando uma nova jarra de cerveja, seguida por MEDO, com um aspecto apagado.</em></p>
<p><strong>INDULGÊNCIA:</strong> Cerveja para todo mundo!</p>
<p><strong>DÚVIDA:</strong> Eu devo tomar um pouco? Sim. Definitivamente eu devo tomar um gole de cerveja.</p>
<p><strong>MEDO:</strong> Então vocês granharam. Grande coisa. Vocês provavelmente pegarão um oponente com um rating maior na próxima rodada … Aos diabos! deixa eu tomar um gole dessa cerveja também.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Todo mundo pode beber, exceto MEMÓRIA, que está coçando a cabeça e parece estar preocupada em lembrar de algo. Finalmente, ela lembra…</em></p>
<p><strong>MEMÓRIA:</strong> O chefe prometeu para a mulher que chegaria em casa cedo, então vamos tentar apressar o post-mortem.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O trabalho dela está feito, ele pode se dar ao luxo de um drink também. </em></p>
<p><strong>RETROPECTIVA:</strong> (Se dirigindo à audiência) Apesar de tudo, penso que se tornou um jogo muito bom, vocês não acham?</p>
<p style="text-align: center;"><strong>FIM</strong></p>
<h3 style="text-align: right;"><strong><em>Tradução livre: Pedro Ferreira</em></strong></h3>
<h3 style="text-align: right;"><strong><em><br />
</em></strong></h3>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Boris Spassky</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/boris-spassky/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 17:29:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Campeão Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Fischer]]></category>
		<category><![CDATA[GM]]></category>
		<category><![CDATA[Spassky]]></category>

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		<description><![CDATA[por Armínio Santos Quando pensamos em Spassky, inevitavelmente o associamos às suas derrotas para Fischer. No entanto, tendemos a esquecer o enxadrista singular, o direcionamento luminoso em posições complexas e o fato de que não se podia determinar exatamente um único estilo de seu jogo. Acrescente-se a isto uma calma impertubável e irritante para os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>por Armínio Santos</em></p>
<p><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_inicial.jpg" alt="" width="240" height="229" /></p>
<p>Quando pensamos em Spassky, inevitavelmente o associamos  às suas derrotas para Fischer. No entanto, tendemos a esquecer o enxadrista  singular, o  direcionamento luminoso em  posições complexas e o fato de que não se podia determinar exatamente um único  estilo de seu jogo. Acrescente-se a isto uma calma impertubável e irritante para  os seus adversários. Spassky, de acordo com Kasparov, poderia ter o seu xadrez  classificado como universal, entendendo-se isto como a capacidade de jogar bem  os variados tipos de posições. O seu resultado contra Kasparov é sugestivo. Ver  partidas:<span id="more-292"></span></p>
<ul style=" list-style-type:decimal">
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069970">Kasparov vs Spassky</a> 0-1,  1981 Tilburg (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=A56">A56</a> Benoni  Defense)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069987">Spassky vs Kasparov</a> ½-½,  1982 Bugojno (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=B23">B23</a> Sicilian,  Closed)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070070">Kasparov vs Spassky</a> 0-1,  1983 Niksic (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=E80">E80</a> King&#8217;s  Indian, Samisch Variation)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070196">Kasparov vs Spassky</a> ½-½,1986 Dubai (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=E21">E21</a> Nimzo-Indian, Three Knights)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070308">Spassky vs Kasparov</a> ½-½, 1988 Belfort (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=A49">A49</a> King&#8217;s  Indian, Fianchetto without c4)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070369">Spassky vs Kasparov</a> ½-½, 1988 Reykjavik (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=B23">B23</a> Sicilian,  Closed)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070419">Kasparov vs Spassky</a> 1-0,  1989 Barcelona (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=D35">D35</a> Queen&#8217;s  Gambit Declined)</li>
<li><a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1070506">Kasparov vs Spassky</a> 1-0,  1990 Linares (<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=E34">E34</a> Nimzo-Indian, Classical, Noa Variation).</li>
</ul>
<p>Kasparov conseguiu ganhar apenas em 1989  em Barcelona e 1990 em Linares quando Spassky já estava francamente em declínio. Em 2006,  ele pode ainda <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1414791" target="_blank">bater Karpov</a> . Kasparov  faz o seguinte comentário sobre o seu primeiro encontro com Spassky: “O meu  primeiro encontro com Spassky foi em 1981 na cidade holandesa de Tilburg. Era o  meu primeiro supertorneio: uma prova de fogo! Todos os mestres destacados  estavam ali, a exceção de Karpov e Korchnoi e também Tal e Polugayévski que  ajudavam Karpov no match de Merano. Eu julgava que Boris Vasielevitch estava  tremendamente assustado. No entanto tudo terminou mal. A minha <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069970" target="_blank">derrota contra Spassky</a> foi penosa(!)”.</p>
<p>A partida seguiu na Defesa Índia do Rey, variante  Averbach, e após 1-d4 –Cf6; 2-c4-c5; 3-d5-g6; 4-Cc3-d6; 5-e4-Bg7; 6-Be2-0-0; 7 Bg5  chegou-se a posição do diagrama abaixo:</p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky1.gif" border="0" alt="" width="313" height="304" /></p>
<p>Nesta  posição seguem-se os comentários de Kasparov: “Spassky pensou e logo decidiu  sacrificar um peão, no espírito do gambito Benko, esperando apoderar-se da  iniciativa e obrigar as brancas a defender-se com precisão e obrigar-me a um  jogo que poderia resultar-me desagradável”.</p>
<p>7-&#8230;b5;  8-cxb5- a6; 9- a4!- Da5?! Teria sido melhor jogar 9-&#8230;h6! 10-Bd2-CbD7?;  As negras simplesmente quedam-se numa versão inferior do gambito Benko. 11-Ta3!  Agora a atividade das negras se estanca.  11-&#8230;Bb7;12-Cf3-axb5; 13-BxB5-Dc7; 14-0-0. A posição das brancas está tecnicamente  ganha, pois tem um peão de vantagem, sem nenhum contra-jogo de seu  oponente.Assim a aventura de Spassiky há fracassado. No entanto, ele seguiu  jogando como se nada houvera passado, com uma aparência imperturbável o que me  fazia roer por dentro!</p>
<p>14-&#8230;Cg4; 15-Bg5</p>
<blockquote><p><em>&quot;El  Ajedrez, con toda su profundidad filosófica, es ante todo un juego en el que se  ponen de manifiesto la imaginación, el carácter y la voluntad&quot;.</em> Boris Spassky</p></blockquote>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky2.gif" border="0" alt="" width="310" height="312" /></p>
<p>15-&#8230;Cgf6;  uma decisão pragmática por parte de meu  experiente oponente!</p>
<p>As  negras devem controlar o seu terreno , ser pacientes e esperar.</p>
<p>16-Cd2-e6;17-Cc4-exd5;18-exd5-Tad8;  19-a5; um plano evidente para materializar a posição, embora hoje em dia não  consigo explicar como pude perder esta posição! 19-&#8230;h6; 20-Bh4; é possível  que <strong>Bf4!?</strong> fosse  melhor.20-&#8230;Ce5; 21-a6-Ba8; 22-Te1-g5; 23-Bg3-Cfd7! Abrindo passo para o peão f.  24-a7!-f5; 25-Bxe5-Cxe5; 26-Cxe5 –dxe5! A única forma. Depois de <strong>26-&#8230;Bxe5;  27-Dh5-Rg7; 28-Ta6-Bxc3; 29-Bxc3-Bxd5; 30-c4-Bf7; 31-Df3-Ta8; 32-Tea1</strong> . As  brancas teriam ganho sem o menor problema. Agora o peão de a7 deveria decidir a  luta, porém ao menos está bloqueado e as negras tem a esperança de explorar a  força do seu bispo de casas negras. 27-Ta6-e4; 28-Bc4(o computador sugere <strong>28-d6!?)</strong> &#8211; Df7; 29-Cb5-Rh7; 30-Te6. A  situação está cristalizada e eu comecei a jogar com muita determinação: o  cavalo protege o peão de a7 e a torre penetrou no campo contrário. Chegou,  portanto, a fase concludente e Spassky se encontrava em sérios apuros de  tempo&#8230; 30-&#8230;Db7;</p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky3.gif" border="0" alt="" width="309" height="315" /></p>
<p>31-Dh5?!  A primeira jogada que merece uma severa crítica. Eu deveria simplesmente atacar  o peão com <strong>31-f3!</strong> E a partida teria  sido concluída rapidamente. 31-&#8230;Tf6;32-Txf6-Bxf6;33-g4?f4! Uma réplica instantânea!  As negras conseguem pela primeira vez possibilidades de contra-jogo. 34-  h4!?Rg7? Spassky faz o lance com o ponteiro a ponto de cair!35-Cc3? Este lance  deixa escapar uma nova vitória com <strong>35-d6!-  e3; 36-f3!</strong></p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/kasparov_spassky4.gif" border="0" alt="" width="307" height="303" /></p>
<p>35-&#8230;e3;36-Bd3-exf2+;37-Rxf2-Dxb2+;38-Te2?Um  grave erro, agora com o apuro de meu tempo.38-&#8230;Dxc3; 39-Dg6+ -Df8; 40-Dxh6+ &#8211;  Bg7; 41-Dxg5!-Df6?; <strong>41&#8230; Dd4+!</strong> Spassky ganharia de imediato! Neste ponto a partida foi adiada e reiniciou no  mesmo dia com um drástico câmbio de cenário: em lugar de ganhar eu estava  lutando agora por um empate e isto exerceu em mim um efeito desmoralizador.</p>
<p>42-Dxf6+  Bxf6; 43-Bc4-Bxh4+; 44-Rf3-Td7; 45-Ta2? Outro erro e desta vez irreparável.  45-&#8230;Bg5; agora as brancas não podem jogar g4-g5 e a sua posição está perdida.  46-Re4-Tf7; 47-Ta5-Rg7! 48-Txc5 –Rf6?! 49-Tc8—Txa7; 50-Tf8+Rg7; 51-Tc8-Rf6? Novo  apuro de tempo. 52-Tf8 + Rg7; 53-Tc8-Bb7+! 54-Tc7+ Rf6; 55-Rd4-Bh4! 56-d6-Bf2+ 57-Rc3-Be4! 58-Te7-Txe7; 59-g5+Rg6; 60-dxe7-Bc6; 61-Rb4-Bb6; 62-Bb3-Bd7;  Evitando a última armadilha: <strong>62-&#8230;f3?</strong> 63-Bd5-Be8; 64-Bc4-f3; 65-Bd3+Rxg5; 66-Bb5-f2. As brancas se rendem.</p>
<p>A  forma empreendedora e tranqüila que Spassky lutou numa posição desesperada me  produziu uma profunda impressão. Apesar de alguns erros no apuro do tempo, explorou  de forma esplêndida as possibilidades táticas da posição, captando sutilmente  os matizes psicológicos da luta. Me superou por completo no plano psicológico! Numa  posição tão desfavorável outro jogador simplesmente haveria se desmoralizado,  porém Spassky lutou duramente dizendo a si mesmo:”és jovem e temperamental.  Isso tem que aparecer em algum momento”! E foi justamente isto que ocorreu.</p>
<p>Spassky, nasceu em Leningrado, em 30 de janeiro de  1937 numa época sombria, pré-segunda guerra mundial. Fora conhecido como garoto  prodígio no início de sua adolescência e a Federação Soviética de Xadrez, numa  notável exceção, selecionou-o para um torneio internacional no exterior antes  de ter jogado a final do Campeonato Nacional. A sua estréia internacional  ocorreu em grande estilo, <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1125697" target="_blank">derrotando Smyslov</a> em histórica partida, em  Bucareste, 1953, no qual  obteve o título  de mestre internacional.</p>
<p><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_infancia.gif" border="0" alt="" width="240" height="351" /></p>
<p>Desde a infância teve uma inclinação pelo jogo agudo e  de ataque e possuía um magnífico instinto pelo desenvolvimento da iniciativa. Estes  hábitos, de acordo com Kasparov, foram cultivados pelo seu primeiro treinador, Zak  e desenvolvidos e consolidados depois pelo lendário Tolusch. A debilidade pelos  ataques brilhantes podem ser detectados em toda a carreira de Spassky. Ele  gostava de um centro forte e móvel e um desenvolvimento livre de peças. Por  outro lado, aprendeu num nível genético a manobrar de forma sutil e a jogar bem  em posições inferiores. Por último alcançou maestria na fase final do jogo. Com  o tempo jogava todas as fases do jogo igualmente e segundo Kasparov com  exagerada indiferença: se é um ataque é um ataque, se é um final é um final! Porém,  na menor oportunidade ele era capaz de mostrar a sua inata habilidade para  abrir caminho em posições complexas, ricas em táticas e carentes de diretrizes.  De forma que as raízes enxadrísticas de Spassky estão próximas a Tschigorin,  Alekhine e Tal do que a Botivinik e Petrossian. É possível que isto explique  porque nos seus melhores anos nem Tal e nem Korchnoi conseguiam jogar contra  ele. Seguramente porque os seus jogos, sobretudo o de Tal podia ser lido por  Spassky como um livro aberto. Kasparov.</p>
<blockquote><p><em>Estou seguro que o  xadrez tem um esplêndido futuro porque é uma  luta eterna. Há chegado a era da informática que a tudo influi: análises,  informações, preparação. Agora se requer um talento distinto: a capacidade para  sintetizar idéias. No momento o homem segue a frente das máquinas”. Spassky.</em></p></blockquote>
<p>Spassky era o único jogador de primeira linha da sua  geração a jogar gambitos sem medo (uma arma empregada por Bronstein com  sucesso). Kasparov acredita que Spassky era ainda mais eficiente nos gambitos  do que Bronstein. Esta inclinação pelos gambitos acompanhou toda a sua carreira  e seus resultados são verdadeiramente assombrosos. Durante 30 anos não perdeu  uma única partida no Gambito do Rei jogando contra jogadores como Fischer,  Bronstein, Averbach e Seirawan. Ele jogava os gambitos, no entanto, diferente  de todos os românticos do passado. O seu objetivo era conseguir um centro móvel  com boa mobilidade de peças. Muitas das suas vitórias posicionais nos gambitos  ocorreram sem nenhum ataque ao rei e sim devido às debilidades causadas na  posição inimiga. Nunca jogou 1-Cf3 na abertura. Ele foi o primeiro dos grandes  jogadores que empregou 1-d4 e 1-e4 com igual êxito. Pode-se dizer que muitas  das suas posições de aberturas davam ensejo a que os seus adversários  plantassem difíceis problemas como ocorreu na famosa <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1080046" target="_blank">partida contra Fischer</a> , no  Gambito do Rei(!), em   Mar Del Plata, 1960. No  27˚ Campeonato da URSS, em Lenigrado, 1960, ele afrontou, como fizera com  Fischer em Mar Del Plata,  ninguém menos do que David Bronstein: 1-e4  –e5; 2-f4!! Ao comentar depois esta partida no seu livro clássico: 200 Partidas  Abertas, Bronstein se lamentava: “Que diablos me habria empujado a mi a  responder 1-&#8230;e5?  Havia esquecido que a  Spassky, como Spielmann, no passado lhe gostava muito jogar o Gambito do Rey”.  Ainda em suas reflexões, Bronstein anotara preocupado, depois de 2-f4: “Y si a  mi oponente se le ocurriese crear hoy uma obra maestra”? Foi isto precisamente  o que se sucedeu! <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1034110">Esta partida</a> foi considerada a mais brilhante do torneio.  Não seria exagero dizer que Spassky jogava o Gambito do Rey melhor do que toda  a soma de jogadores do passado, incluindo Anderseen, Kisserkitz, Blackburne e o  próprio Steinitz.</p>
<p>O gosto de Spassky por posições agudas e de ataque,  veio sem dúvida do seu primeiro treinador, entre 1952 e 1960, Alexander  Kazimirovitch Tolusch, nas palavras de Kasparov, um homem engenhoso e de  caráter muito alegre. “Depois que ganhava uma partida informava aos seus  amigos: “Drácula foi caçado”! Quando seu oponente opunha desesperada  resistência, falava: “a carne de canhão resiste”! Quando este por fim se  rendia, dizia: ”Mordi o polvo”! Ao analizar uma partida blitz se autoelogiava  com o seu conhecido grito de guerra: ”Adelante Kazimirich”! Esta expressão se  converteu em lema para toda uma geração de jogadores. “Kazimirich, disse  Spassky, me revelou o mundo mágico das combinações. Tolusch entendia  perfeitamente todos as sutilezas psicológicas da luta no xadrez. E não só no  xadrez, como também no pôquer. No entanto, as maneiras de Tolusch não agradavam  a todos igualmente. A Botivinik, por exemplo, “no le gustaba”. O motivo  ocorrera durante a <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1032086" target="_blank">partida Tolusch versus Botivinik</a> , no 13˚ Campeonato  Soviético, em 1944. Tolusch havia dado mate na casa f7 com estas palavras: “Es  mate, Mikhail Moisevitch”! Desde então a palavra Tolusch soava aos ouvidos de  Botivinik como um juramento.  Recordo que quando <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1067209">esmaguei Karpov</a> , na fantástica 16º partida de nosso match de 1986,  Botivinik me mirou seriamente e pronunciou o seu veredicto: “Jugaste esta  partida al estilo de Tolush”! Naqueles anos eu não estava ainda familiarizado  com todas as sutilezas, porém compreendi pela sua entonação que aquelas  palavras não tinham nada de positivo. Na realidade a partida havia sido  excelente, mas Botivinik ao ver alguns sacrifícios “selvagens”, do tipo  especulativo, imediatamente se recordava de “Kazimirich”. Mais tarde na  introdução ao meu livro publicado na Rússia, sobre os matchs , tramou uma  explicação original para os meus reveses nas partidas 17˚ e 19˚, explicando em  parte por causa da minha vitória na 16˚: Kasparov  jogou sem alento, ao estilo Tolush, embora  tenha logrado uma vistosa vitória, achou que poderia  prosseguir com este estilo de jogo”! Com  estas palavras Botivinik expressava sua grande reprovação ao “estilo bufão”. O  mestre não admitia que pudesse ocorrer nada de acidental na partida e havia de  construir o edifício da partida de xadrez com um trabalho metódico, literalmente  ladrilho a ladrilho. Spassky pelo contrário  se associava ao estilo Tolush! Isto se tornou evidente no torneio de Tilburg,  em 1981 numa <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1069973" target="_blank">partida minha contra Larsen</a> , numa posição muito complicada, de  roques opostos, no qual preferi seguir por uma continuação posicional e  consegui um final favorável, embora tenha deixado escapar a vitória.  Na análise, Spassky sugeriu com insistência o avanço do peão “g” na jogada 13,  repetindo: “Aqui Tolush teria jogado g4”! Ao ouvir isto Larsen olhou Spassky  com cumplicidade e de forma ameaçadora gritou: “Kazimirich”.Todos estalamos em  gargalhadas.</p>
<p>Para ilustrar o “estilo Tolush” de Spassky, eu  quero lembrar o Campeonato da URSS de 1973 e o match de candidatos contra  Robert Byrne, em 1974. Quanto ao primeiro Korchnoi me havia dito que este  torneio fora o “canto do cisne” de Spassky, provavelmente o melhor torneio da  sua carreira. Este torneio tinha atraído os jogadores mais fortes do momento.  Estavam os duros combatentes, Keres, Smyslov, Geller, Taimanov, Petrossian, Tal  e Polugayévski, além das novas estrelas Karpov, Beliavsky e demais. Korchnoi e  Karpov haviam ganho brilhantemente o   Torneio Interzonal de Lenigrado e um ano depois haveriam de defrontar no  match de candidatos, porém Spassky jogou melhor do que todos eles, de forma  simplesmente insuperável! Parecia que estava restabelecido da sua derrota ante  Fischer. O seu jogo fácil e elegante queda refletido em duas partidas com  Tukmakov e Rashkovsky, que optaram  mal  pela Variante Najdorf, da Defesa Siciliana. <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128942" target="_blank">Spassky x Tukmakov</a> ; <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128944" target="_blank">Spassky x Rashkovsky</a> “. Kasparov.</p>
<p>A catástrofe de Riga – Spassky teve a sua chance de ser  campeão mundial em 1958, no 25˚ Campeonato da URSS que também tinha um caráter  zonal. Segundo Kasparov, Spassky neste momento não queria apenas ser campeão  mundial, mas “demonstrar quem era quem”. Seis rodadas antes do final marchava  com excelente pontuação: 9 pontos de doze; um ponto a frente de Petrossian e  dois pontos a frente de Tal. Havia vencido de forma fulminante, <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1034008">Bronstein</a> , <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128408">Furman</a> e <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128407">Krogius</a> e a sua  <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1111454" target="_blank">partida contra Polugayévski</a> seria considerada a mais brilhante do torneio.<a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1111454"></a> O  lance intuitivo 17-  Bxe6! E o inesperado  salto do cavalo em 20-Ca4!? Garantiram a premiação de melhor partida. Ao  finalizar esta partida, de acordo com as palavras de Kasparov, parecia que  Spassky tinha assegurado não só a medalha de ouro, mas também uma das vagas  classificatórias do Interzonal. Riga deveria ser o ponto de partida de uma  carreira dirigida até o título mundial. No entanto, como se diz que no momento  de glória, o infortúnio faz a sua aparição: Spassky nas cinco partidas  seguintes empatou três e perdeu as outras duas. Na última ronda a situação era  a seguinte: Tal e Petrossian lideravam a classificação com Bronstein a meio  ponto e Spassky e Averbach a um ponto. 5 candidadtos para 4 vagas! 3 deles  tinham empatado e Spassky joga a última ronda com a jovem estrela em  ascensão:Mikhail Tal! Para Kasparov, o êxito de Tal irritava Spassky e por  conseqüência, ele não avaliou adequadamente a situação. Com um empate, Spassky  teria um match de desempate com Averbach, no qual provavelmente  sairia vencedor. Esta partida segue uma  tradição imemorial desde que o xadrez foi inventado e dentre as numerosas  partidas jogadas em todos tempos, têm aquelas com tal cunho trágico que a  própria Caissa comparece para assistir. Todos os grandes jogadores do passado,  alguma vez jogou parte da sua existência (e do seu futuro!), numa única partida  dramática! Steinitz, Pillsbury, Capablanca, Scheletcher!</p>
<p>Boris Spassky x Mikhail Tal – Riga 1958. Empate  claro no lance 25, recusado por Spassky. Para Kasparov, a ira passou a  aconselhar Spassky. “Ele jogava ressentido com o mundo. Era impossível suportar  que Tal fosse homenegeado na sua cidade natal, Riga, local do torneio”.Do ponto  de vista estrito da posição, Spassky não tinha nenhum motivo para ter recusado  o empate. Segue a partida. Uma interrogação de Tal no lance 26-&#8230;Rf8? Seguido  de uma exclamação imediata de Spassky com 27-Tc2! Um lance duvidoso com o  31-&#8230;Ta6?! Seguido de pronta exclamação:  32-a5! E a resposta de Tal: 32-&#8230;b5! No lance 45 a partida é adiada com  iniciativa de Spassky.</p>
<h5><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_tal1.gif" border="0" alt="" width="312" height="310" /></p>
<p>45&#8230;De6. Adiamento.</h5>
<p>“Os  segundos dos respectivos jogadores analisaram a partida durante toda a noite e  “esta noite antes da batalha” tem sido descrita por muitos autores, em  particular por Victor Vasiliev, no seu relato: <em>O Enigma Tal </em> e por Averbach no seu artigo: <em>A Hora do triunfo de Mikhail Tal”. </em> Kasparov. Segundo os relatos, as  análises do grupo de Spassky não conseguira achar um caminho até a vitória: o  rei de Tal, como uma enguia, sempre conseguia se infiltrar entre os próprios  peões. Às cinco horas da manhã, Spassky, finalmente se decidiu: “amanhã lhe  darei mate! Agora é o momento de ir dormir”. De acordo com Kasparov, na hora de  se dirigir para o local do jogo, Spassky, exausto, encontrou com Petrossian e  lhe falou com um sorriso: “Hoy serás campeón”! 46- Df4+! A jogada secreta. “Es  la más fuerte”. Kasparov. Chega-se ao lance 52, jogando-se de acordo com as  analises dos seus segundos tabuleiros. No lance 57-Tc8?! Com 57-Db8! Brancas  ganhariam(EschBach).57-&#8230;Td6? Ao invés de 57&#8230;Tc6! A jogada perdedora, más&#8230;</p>
<p><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/pagina.jpg" border="0" alt="" width="400" height="422" /></p>
<h5>Página  de análise após a interrogação de Mikhail Tal, 57-&#8230;Td6? Ao invés de 57&#8230;Tc6!  Observe a posição após a jogada 58-Rf8+ e veja que Spassky poderia ter ganho  com 59-g4!</h5>
<p>A  partida prossegue e chega-se a uma posição aonde a deusa Caissa, observa ainda indecisa.</p>
<p><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_tal2.gif" border="0" alt="" width="313" height="310" /></p>
<p>Posição  depois de 64-Tc8. Tal concede um sinal de interrogação para este lance,  considerando que era essencial 64-Rg3. Kasparov acrescenta que também era  possível 64-Df8 – Rf6 com empate.Spassky porém seguia a ganhar, nas palavras de  Kasparov, por pura inércia, quando de repente percebe  a desagradável réplica de seu oponente e,  então, de acordo com uma testemunha presencial, com a “voz estranha e  alterada”, propôs tablas. 64&#8230;Da6 acompanhada das palavras de Tal: “joguemos  um pouco mais”! 65-Rg3? Caissa finalmente se decide. Tablas era conseguido por  65-Rd8! <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128406">Ver  Partida Completa</a> .</p>
<p>Tal  finalizou o torneio em primeiro lugar com meio ponto a frente de Petrossian  e  enquanto era  sacado literalmente do torneio por multidão  de admiradores que o carregaram pelos ombros, Spassky enxugava furtivamente as  lágrimas e se retirava para os bastidores.O desfecho desta tragédia teve um  capítulo extra três anos depois, no 28˚ Campeonato da URSS, onde Spassky sofreu  uma derrota similar. Neste ponto o xadrez reflete uma profunda simetria com a  vida. Para Kasparov, estas duas tragédias foram fundamentais para Spassky:”Como  é bem sabido, os componentes do êxito no xadrez, não são só força e compreensão  do jogo e sim também estabilidade psicológica e capacidade para manter-se  inteiro nos momentos críticos.Mais tarde nos seus melhores anos,Spassky pode  extrair lições muito positivas destas catástrofes e jogar muito bem as partidas  decisivas.No entanto, naqueles anos o seu sistema nervoso não estava preparado  para provas tão severas”.</p>
<p>Em 1968 ganhou o <em>Oscar</em> de melhor enxadrista da Associação Internacional de Imprensa Enxadrística.  Conseguiu o primeiro lugar da lista das dez melhores partidas, publicadas pelo  Informador, em três números sucessivos! A <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1106072" target="_blank">derrota infringida a Penrose</a> , em  Palma de Mallorca, 1969 é um destes três prêmios de beleza.</p>
<p>Em 1969 se torna, finalmente, campeão mundial ao  derrotar Petrossian pelo escore de 12,5  – 10,5. Neste match Spassky mostrou toda a sua versatilidade ao adotar o estilo  Petrossian contra o próprio Petrossian! Em 1970 <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1044698" target="_blank">vence Fischer</a> de forma  fulminante, na Olimpíada de Siegen, em plena guerra fria. Depois desta vitória Spassky , na observação  de Kasparov, “dormiu em glórias”. Havia ganho o Oscar pela terceira vez. Em  1972 Spassky chegou para o match contra Fischer sem estar na sua melhor forma:  jogara poucos torneios e, mais grave, brigara com Bondarevsky.</p>
<blockquote><p><em>“</em> Fui<em> o mais forte jogador entre 1964 e 1970. Em  1971, Fischer era mais forte”.</em> Spassky.</p></blockquote>
<p>Em San   Juan, em 1974,  <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1128968" target="_blank">jogando contra Robert Byrne</a> , realizou à moda de Lasker, um sacrifício  posicional de dama&#8230;por duas peças menores!</p>
<p>Na primavera de 1974, enfrentou Karpov, no  match de candidatos e através deste match alguns experts especularam como teria  sido Fischer jogando contra Karpov. Spassky ganhou a primeira partida. <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1067809" target="_blank">Spassky x Karpov</a> e por esta partida o match parcecia confirmar os prognósticos dos críticos, mas no  entanto, terminou desfavorável com um escore de 1-4. Em várias partidas  Spassky obteve superioridade, mas  então já não tinha a precisão que sobrava em Fischer. Em 1983, em  Niksic, Kasparov tinha adiado a partida contra Petrossian e ao chegar ao restaurante  para almoçar, encontrou Spassky que lhe perguntou sobre a sua partida: “parece  que eu deixei escapar a minha vantagem”. E você, o que opinas? Spassky  respondeu: Não, não é tão simples. Os bispos são de cores opostas e isto é  favorável às brancas porque podem criar um ataque. Tens que mirá-lo. Petrossian  não veio almoçar! Isto significa que não gosta da sua posição”!  Esta observação permitiu Kasparov olhar a  partida de forma diferente. No reinício, Petrossian foi batido em nove jogadas.  Spassky conhecia bem os hábitos do seu histórico oponente.</p>
<blockquote><p>“Spassky perdeu o encontro para Fischer por pura estupidez. Sobreestimou  a si mesmo”. Botivinik.</p></blockquote>
<h5><img style="float:none" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/spassky_bulgaria.jpg" border="0" alt="" width="350" height="233" /></p>
<p>Convidado de honra no  MTel Masters, 2008, em Sofia, na Bulgária.</h5>
<p>Para  escrever este artigo eu usei abusivamente do livro de Kasparov, Mis Geniales  Predecessores, Vol III. Com Spassky, eu corrijo um erro de juventude: em 1972,  durante o “match do século”, eu tive Fischer como o herói e Spassky como o  odiado vilão comunista; uma apreciação em preto e branco, dicotômica e por  definição incapaz de captar as nuances existentes.</p>
<p>Spassky  é uma lenda que segue vivo. Ele é a conexão histórica com aqueles enxadristas  magistrais que desapareceram e que eles próprios são a magia do xadrez. Em  Tilburg, 1981, Kasparov informou a Spassky, antes da partida no qual saiu  derrotado, que iria lhe ganhar de forma arrasadora. A resposta: “Te ruego que  procedas”! Com Spassky uma era se fecha. Como no ato quarto, cena primeira, da  peça “A Tempestade”, de Shakespeare, na fala de Próspero, poderíamos dizer  sobre estes fabulosos enxadristas: ”Tranquiliza-te, senhor. Nossos  divertimentos já acabaram. Esses nossos atores, como já prevenira, eram todos  espíritos e desapareceram no ar, no seio do ar impalpável; e semelhante ao  edifício sem base desta visão, as altas torres, cujos cimos tocam as nuvens, os  suntuosos palácios, os solenes templos, até o imenso globo, sim, e tudo quanto  nele descansa, dissolver-se-á e, como este cortejo insubstancial acaba de  sumir, sem deixar atrás de si o menor sinal. Somos feitos do mesmo material que  os sonhos e a nossa curta vida acaba com um sono!”</p>
<blockquote><p><em>“Spassky é um dos dez melhores enxadristas  de todos os tempos”.</em> Fischer.</p></blockquote>
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