Imagens do Tempo
Categoria : Artigos
Sempre foi uma obsessão para jornalistas de todos os tempos, a obtenção de uma imagem histórica que corresse o mundo. Quem não se lembra da foto da menina correndo na estrada, tirada no Vietnam? Se as fotos históricas fossem tiradas no momento certo, ideologia e tiranos não sobreviveriam. Uma foto do campo de Auschwitz, durante a guerra teria desmontado a teia de mentiras dos nazistas.
Abandonando o mundo real, com toda a sua monstruosidade e adentrando o mundo do xadrez, teríamos todos nós, enxadristas, as nossas fotos preferidas. Match, Lasker versus Schlecheter, pelo campeonato mundial, última partida. Schlecheter precisava do empate para tomar o título do lendário Lasker. Ele com brilhantismo chegara a uma posição no qual a linha de empate era clara e cristalina. Toda a platéia presente suspendera a respiração. Schlecheter, no entanto, desviara a sua concentração do tabuleiro e fitara os belos olhos de uma admiradora situada na primeira fila, que observava a partida com interesse inusitado, e decidiu homenageá-la. Esta seria uma das minhas fotos! Anos mais tarde, um pouco antes de morrer, na mais absoluta miséria, será que ele se lembrara daqueles olhos que lhe custara o título mundial? Robert Fischer, em 1967, enfrentando Lajos Portischi, numa linha inferior da defesa siciliana, estabelecida há muito tempo por Capablanca. Décimo-sexto lance e a exclamação dos mestres russos, presente no torneio, com os respectivos polegares abaixados para Fischer. Três lances depois, nova surpresa dos mestres: Portischi estava perdido! Esta foto seria escolhida. Torneio internacional na Argentina: Kasparov versus Judith Polgar. Kasparov toca no cavalo e nota que não tem casa adequada para jogá-lo. Retoma a peça para a casa original e pensa durante 1 hora. Ao término da reflexão, pega outra peça e ensaia fazer o lance quando depara, com a peça ainda no ar, com o meneio irônico de cabeça da sua bela adversária. Furioso abandona a partida, xingando Judith. Também escolho esta foto.
Como diria o mestre imaginário Champamplé(!), criação dos enxadristas conquistenses, Lehar Ladeia e Vasconcelos: Nunca desista dos seus sonhos. Se não encontrar na padaria da esquina, vá à outra! Eu, enxadrista memorial, retorno à 1973, num domingo à tarde, de um mês de junho. Frio! Muito frio! Estamos reunidos na casa de Mário Seixas: eu, o anfitrião, Dário Ciacci, Lehar Ladeia, Cid Ladeia(!), Vasconcelos e Gilvan Quadros. Uma dupla joga e todos observam os lances, com comentários, ora aprovadores ou desaprovadores. Mário joga mais uma das suas partidas perdidas com esperança segura no erro do adversário. Todos perguntam se ele não vai abandonar a partida? Ele toma um gole do seu inseparável uísque e ri. Eu me afasto para fotografar a cena. Faço a fotografia, no instante que Lehar, adversário de Mário cai numa cilada e amarga o seu erro em alta voz. A noite cai e o Deus de Borges, recolhe às peças à sua caixa eterna. Deixa apenas duas de fora.
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Gostei do artigo capi!
Muito admirável! Gostei e ops!!!
Garridosan
Tens talento e bagagem – Suficientes para produzir livros!.Técnico,tático – outros;crônicas,aventuras,romances etc,.