O Nosso Candidato ao Título Mundial
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A década era a de 70, a ditadura militar brandia o bordão “Brasil: ame-o ou deixe-o. A tortura corria solta e pregava-se a lenda de “crescer o bolo para depois dividir”. A imagem da fabulosa seleção de futebol, campeã mundial de 1970, com Pelé, Tostão, Jairzinho e outros, todos grandes mestres do futebol, ainda povoava o imaginário de todos. Nesse clima o então presidente Médici afirmou que o Brasil seria “não só bom dos pés, mas da cabeça”, referência feita ao futebol e ao xadrez, respectivamente. Quem seria o candidato capaz de repetir, no xadrez, o êxito da seleção de futebol dos sonhos? Henrique da Costa Mecking, o Mequinho.
Eu conheci o Mequinho, em Salvador, lá pelos anos de 1975, durante uma visita(paga) feita por este ao Clube Bahiano de Xadrez. Ele estava acompanhado de dirigentes, de triste memória, da Confederação Brasileira de Xadrez(CBX). Nas partidas que jogou com enxadristas baianos, mostrou visível desprezo e tédio. Jogava com um tempo de 1 minuto contra 5 dos adversários e seus movimentos, em tempo tão escasso, eram sempre os mais corretos e suas mãos deslizavam entre as peças, com grande rapidez, quase imperceptível e difícil de ser acompanhado por numerosa platéia que se apinhava em torno dele. Ninguém teve a menor chance. Seu jogo era magnífico e nenhum brasileiro chegou tão longe quanto ele na romana arena do xadrez. Mas ai, quando o título mundial estava próximo, Mequinho chocou-se contra a muralha russa e o seu sonho, estimulado pelo establishement militar, esboroou-se para sempre. A bem da verdade, o jogador brasileiro vendeu muito caro a sua derrota e, por algumas vezes, esteve próximo da vitória. O seu adversário, na semifinal do torneio de candidatos de 1974, foi o russo Polugayévski que ganhou a primeira partida e empatou as onze restantes. O esforço, infrutífero, de Mequinho para virar o match o esgotou, inclusive psicologicamente e depois disso ele nunca mais foi o mesmo.
Polugayévski caiu, facilmente, depois contra o apátrida russo Victor Korchnoi, devido a exaustão mental que o match contra Mequinho lhe causara.
O resto é conhecido. O comportamento excêntrico de Mequinho aumentou consideravelmente e ele se disse curado, pela fé, da doença Miastenia gravis, a mesma que matou o multibilionário grego Onassis. Esse diagnóstico, no entanto, não foi confirmado por nenhum médico. Os dirigentes da Confederação Brasileira de Xadrez que antes embalavam os seus sonhos exagerando as suas qualidades, abandonaram o navio e o ídolo encontrou-se só com o seu fracasso.
Como ocorre nas ocasiões em que não se consegue atingir objetivos de vida, Mequinho refugiou-se no porto seguro da religião. Abandonou o xadrez e ordenou-se padre.
Ninguém, no entanto, pode acusá-lo de covardia ou medo diante dos jogadores russos e reconhece-se hoje que ele poderia até ter atingido as suas metas, caso não se visse cercado de assessores tão mal intencionados, abrigados na CBX. Observação de resto confirmada pelo comentarista russo, o ex-campeão mundial Botwinik, que espantara-se ao saber que Mequinho, ao invés de ter analistas de alto nível para acompanhá-lo, tinha Mestres Nacionais(título conferido pela CBX) e designados por esta para assessorá-lo.
por Armínio Santos
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Belíssimo artigo! De fato, Mequinho pode ser considerado um dos maiores fenômenos da história do xadrez, haja vista ter desenvolvido, apenas parcialmente, seu imenso potencial em um ambiente enxadrístico absolutamente inóspito.
Cito o exemplo do GM Rafel Leitão: a meu ver, este é um dos maiores jogadores de maior potencial da atualidade e, embora não tenha um rating tão elevado, sempre figurou, quando mais jovem, entre os melhores do mundo em categorias inferiores, fazendo frente inclusive ao super GM Leko. É fato que ele se aperfeiçoou até onde o nível enxadrístico do país permitiu!
Imaginem então Mequinho, que não tinha quase nada a seu dispor na década de 70? Fatalmente seria campeão mundial se fosse europeu ou norte americano, pois teria a seu redor GM’s para treiná-lo, além de fortíssimas competições a disputar.
Mequinho, O Grande!!!
Conseguiu a façanha de ficar em 3º no rating da FIDE, atrás apenas de Karpov e Korchnoi… hoje com a armadura de jogadores como Leko, Kramnik, Topalov e Anand e muitos outros, dificilmente um jogador brasileiro conseguirá tamanha posição…
A mequinho, nos resta a admiração e o exemplo de superação.
Realmente, Mequinho, o maior jogador brasileiro de xadrez,até a presente data!.Faltou-lhe uma assessoria competente.Sendo a Rússia a maior dententora desses experts do tabuleiro mundial.