O peso da decisão
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Dentre as supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas e arcar com o ônus dessas. Supõe-se que nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de decidir, pois envolve, não raras vezes, conseqüências muitas das quais desastrosas. A história está repleta de exemplos, não só do que pode causar a decisão errada, como também o efeito do seu oposto: a indecisão.
A dinastia chinesa dos Sung findou-se porque o chefe supremo dos exércitos chineses, quando recebeu a notícia de que a capital estava cercada pelos mongóis, encontrava-se de bruços a olhar um combate de grilos e não foi capaz de afastar-se deles, sem antes saber qual seria o vencedor. Caiu a capital e assim terminou o império dos Sung.
A conhecida fábula do “Asno de Burundin”, conecta-se com a história chinesa, pois aquele, depois de atravessar um deserto e deparar-se com um monte de feno de um lado e água límpida em abundância, do outro, não foi capaz de decidir-se primeiro pela água ou pelo feno, vindo a morrer de fome e de sede.
Por outro lado, decisões dramáticas são muitas vezes impostas. No livro de William Styron, A Escolha de Sofia, a personagem Sofia tem de escolher, num campo de extermínio nazista, salvar o seu filho ou a sua filha da morte, condição imposta pelo carrasco do campo. A indecisão aí, acarretaria a morte de ambos os filhos.
No xadrez, vida e títulos obedeceram, não raras vezes, aos caprichos de uma decisão errônea ou indecisão.
Na décima e última partida pelo título mundial de xadrez de 1910, o desafiante Schelechter jogando com o campeão mundial, Emanuel Lasker, precisaria apenas de um simples empate para tomar o cetro do campeão; a partida lhe era favorável e, como ele confessou muito depois, a linha de empate fora visualizada por ele com toda a segurança. Ao invés, entretanto, de empatar e passar a história como campeão mundial, preferiu decidir-se por outra variante complicada e cheia de perigos ocultos que acabou lhe sendo fatal. Por que enveredara por essa escolha? A sua explicação foi singela: “uma mulher da platéia, muito bonita, olhava o jogo com interesse, parecendo entender bem a partida. Para não decepcioná-la com um empate, resolvi escolher a outra variante”. Alguém lembrou-lhe que aquele “simples empate”o tornaria campeão mundial. Ao conhecer a fome e a mendicidade muitos anos depois, Schelechter, talvez tivesse se lembrado de que a sua decisão irresponsável, e mais nada, fora a causa da sua derrocada.
Como tomar, porém, a melhor decisão, nas diversas circunstâncias de vida? Ao que se sabe hoje, o uso de elementos intuitivos é de vital importância, assim como uma grande consciência da responsabilidade decisória. Imagine o leitor, por um momento, que ele seja um dos missionários referidos abaixo. Suponhamos que o seguinte problema lhe seja apresentado agora: é preciso transportar, atravessando um rio, três missionários e três canibais, fazendo-se várias viagens num barco de capacidade para apenas duas pessoas. Todavia, o número de canibais, em terra, jamais deve ser maior do que o dos missionários(por motivos óbvios). Como decidir, corretamente, esse transporte?
Decisões e erros, porém, andam juntos e ao final das contas, talvez, não exista outra decisão mais conveniente do que a reflexão dos versos de Shakespeare que fala sobre a nossa condição humana de decidir:
Não te doa jamais em pensar em falha tua.
Na rosa espinhos há,
turva-se a fonte clara;
vela a nuvem e o eclipse a luz do do sol, da lua,
E o ascoso pulgão vive até na flor mais rara. Todo homem erra sempre”.
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Muito bom
!
Muito interessante msm !!
depois de mim acho que fischer foi o melhor.
marcelo capivara me empreste o livro robert fischer
sua vida e partidas de pablo moran. gosto do estilo
deste super campeao do jogo de xadrez.
nao gosto de humilhar ninguem, mas em homenagem
ao prof. arminio a partir de agora vou chamar voces
deste singelo e carinhoso apelido.
um abraço a todos.
seu amigo valdo cayres.
…e o comentário?