Quando o futebol se rendeu aos princípios do xadrez
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A copa do mundo de 2010 foi um momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios fundamentais do jogo, descobertos em parte por Steinitz, na copa da África do Sul, o futebol se despediu do romantismo dos artistas do passado em detrimento do planejamento estratégico-tático. Os craques continuaram a ter o seu papel fundamental com uma diferença: criando os seus movimentos dentro de uma estratégia e tática apurada, retirada basicamente do xadrez e refletida longamente antes das partidas e sem nenhuma concessão à improvisos fora do plano estratégico.Assim ocorreu com a seleção da Espanha, com mais intensidade com a Holanda e principalmente com a seleção da Alemanha. Um exemplo que poderia ser retirado não só das partidas de Steinitz,mas principalmente das partidas de Lasker, ocorreu na partida Brasil versus Holanda. Nesta partida os dois craques holandeses juntaram forças contra Michel Bastos, ao observarem que Robinho não retornava para ajudar este lateral. O técnico brasileiro ou não percebeu ou demorou bastante para notar esta fina adequação tática dentro do plano estratégico holandês.
No passado os românticos não entenderam os fundamentos elaborados por Steinitz, demonstrados em Nova Iorque, janeiro de 1883, no match histórico, contra Zukertort. Neste match Zukertort não foi capaz de resolver a forma como Steinitz parecia advinhar-lhe as combinações. Tentou a solução para este intrincante problema por quatro anos sem jamais chegar próximo de uma solução e, mais grave, perdendo neste processo a sua grande maestria de excelente jogador prático.Nem mesmo o mais brilhante jogador da escola romântica, o russo Tschigorin pode obter sucesso contra os novos e revolucionários princípios. Assim também Steinitz e muitos de seus seguidores, do que poderia se chamar de”escola dogmática”, do qual Siegbert Tarrasch é um ícone, tal como Zukertort, não conseguiram entender o refinamento do seus próprios sistemas por Emannuel Lasker, conforme se pode ver na maravilhosa sétima partida do match Stenitz versus Lasker, de1894. Stenitz versus Lasker.
Em 2010 Brasil e Argentina perderam, respectivamente, para as seleções da Holanda e da Alemanha, sem entenderem muito bem as razões da derrota, assim como Stenitz, apesar do seu gênio não entendeu que ocorrera na sétima e inflexiva partida do seu match contra Lasker, uma revolução dos princípios do xadrez. Eu diria que o Brasil perdeu principalmente por um plano estratégico pobre recheado de dogmatismo, expresso pelo elogio do técnico à marcação perfeita e ao posicionamento rígido. Este foi o plano estratégico do Brasil. O Brasil perdeu porque não compreendeu que o futebol estava evolucionando diante dos seus próprios olhos! Acrescente-se ainda um item: ufanismo injustificável no qual como poderia muito bem dizer Emannuel Lasker,não consegue resistir ao xeque-mate. Entendia-se, portanto, que os jogadores excepcionais como Luís Fabiano, alcunhado de “o fabuloso”,Kaká e o quase sucessor de Pelé, Robinho, resguardado pela “melhor defesa do mundo” e defendido pelo “maior goleiro do planeta”,fariam o resto.
Quanto à Argentina, nem mesmo plano estratégico houve. Usou-se uma entidade abstrata que pode ser entendida como”mística”,”camisa argentina”, cheia de evocações a glórias do passado. Contra seleções inferiores estas intrínsecas fragilidades passaram desapercebidas para receberem em cheio a luz do sol contra as seleções da Holanda e Alemanha. O Brasil perdeu porque não pode se readaptar e responder em tempo real as mudanças táticas, dentro do plano estratégico enxadrístico da seleção holandesa. Quem possivelmente viu o que estava acontecendo e tentou um plano inteligente para contrapor a nova realidade foi o técnico da seleção paraguaia, o argentino Geraldo Martins, que planeou neutralizar a seleção espanhola com forte marcação na defesa adversária, diminuindo os seus espaços. O plano falhou diante da qualidade insuficiente do seu ataque necessário para manter durante todo o jogo este plano ativo e também do preparo físico necessário para realizar este objetivo.
No xadrez, estratégia responde a pergunta: O que fazer? E a tática responde a pergunta: como fazer? Em 1871, Steinitz escreveu diante dos seus fracassos em torneios anteriores, fazendo uma das mais notáveis autocríticas enxadrísticas: “En los torneos de París (1867) y Baden-Baden (1870) yo esperaba conquistar el primer puesto”, recordaría mas tarde el primer campeón del mundo. “Al no conseguirlo, me vi obligado a pensar acerca de mis actuaciones, y llegué a la conclusión de que el juego combinativo, aunque a veces produce excelentes resultados, no puede garantizar el éxito. Tras un meticuloso estudio de este tipo de juego (incluidas, sin duda, las partidasde su match con Anderssen: G. K.), descubrí buen número de defectos. Muchos sacrificios tentadores que tuvieron éxito resultaron ser incorrectos. Adquirí, por tanto, la convicción de que una defensa correcta requiere un gasto de energia mucho menor que el ataque. En general, un ataque solo tiene posibilidades de éxito cuando la posición enemiga se encuentra yadebilitada. Desde entonces, mi pensamiento se ha orientado a buscar una forma sencilla y segura de debilitar la posición contraria”. “Um passo revolucionário na compreensão do xadrez.
Os planos estratégicos das seleções alemãs e holandesas, consistiram em linhas gerais num futebol mais pausado, de menor voltagem(El Pais), baseado em jogadores de nível técnico alto,com bom preparo físico, estaturas altas, e capazes de identificarem rapidamente os erros estratégicos e táticos do adversário e tal como no jogo de xadrez,jogar em cima das debilidades identificadas. O que se viu em linhas gerais foram domínio de espaço, controle do centro, calma e excelência na defesa e jogo de contra-ataque relâmpago baseado nas debilidades adversárias. Assim ocorreu com a Holanda contra o Brasil e com a Alemanha contra a Argentina. Não foi por acaso que os craques solitários, jogando no estilo romântico e capazes de decidirem uma partida, baseado principalmente numa linhagem de jogadores sul-americanos que remonta a Garrincha, Pelé, Tostão, Maradona e Romário, fracassaram na copa de 2010 contra os inteligentes esquemas estratégicos das duas seleções(mais a Espanha), enquanto os craques que obtiveram sucesso conseguiram porque as suas seleções optaram por jogar xadrez em campo de acordo com os princípios estratégicos combinados de Stenitz e Emannuel Lasker. O leitor poderá lembrar-se das inserções televisivas na qual a esperança de alteração do resultado desfavorável da partida se baseava, para o narrador, no desequilíbrio promovido por craques como Kaká, “Luís Fabuloso”,Robinho, Cristiano Ronaldo e Messi. Isto no entanto, não ocorreu porque o futebol das vitoriosas equipes citadas promoveu uma ruptura de escolas,uma revolução! Cenários fascinantes poderão doravante se abrirem para o futebol com as suas 22 peças. Entender o futebol passará obrigatoriamente por compreender os princípios estratégicos-táticos do xadrez. Quando se fizer as necessárias análises desta copa de 2010, um outro futebol, bem mais rico e sofisticado, emergirá!
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Com relação a seleção da Holanda,desde décadas passadas,notadamente na década de 70 – Com o extraordinário técnico Rinus Mittchel,e o “maestro” em campo J. Cruif e toda a equipe – Formando,o intítulado “carrossel holandês”.Em que o jogo tático e estratégico fora explorado de forma magnifica – Dentro do campo.Como se fosse, um tabuleiro de xadrez , para o esquema primoroso daquele técnico.
O futebol é um esporte muito mais parecido com o xadrez do que outro; significa dizer que o xadrez é um esporte que se aproxima mais de uma prática cuja essência é o intelecto do que físico como poderá ser visto também no futebol, mas que o capacidade atlética física é muito importante em ambos.
“Tal como no futebol o gol é apenas um consequência da eficácia atingida; um objetivo final e não um objetivo principal de uma equipe coletiva, também no xadrez o xeque-mate é apenas uma consequência da eficácia e não o objetivo principal mas o gol é forma principal de demostrar que o time está em ordem no caminho certo se tornando essencial numa partida de futebol fazer gols”. O lance do xeque-mate vem no seguimento de um lance que encurrala o rei adversário e de outros lances infindos que possibilitaram tal desfecho. O objetivo, ao longo da partida, é jogar o melhor possível de maneira a que, no final, se possa fazer xeque-mate. Em determinada altura, o objetivo pode passar, por exemplo, por sacrificar uma torre de modo a “obrigar” o adversário a jogar de determinada maneira que nos convém como por exemplo restringido sem poder movientar as peças restantes. Nesse lance, portanto, o objetivo não é fazer xeque-mate e o próprio lance, que tem por consequência a debilitação do conjunto de peças com os quais se ataca o adversário e, por conseguinte, uma redução das probabilidades de êxito do inimigo, afasta-se até, aparentemente, dessa possibilidade. Se o objetivo do xadrez, a todo o instante, fosse fazer xeque-mate, um sacrifício seria sempre uma má jogada, pois num ataque bem sucedido devemos usar todas as peças possívies. Se no futebol o gol fosse mais importante do que se defender bem não deveria existir uma boa defesa seria uma luta de quem faz mais gols e o futebol profissional não é bem assim. E sim de quem consegue atacar e se defender melhor. Assim como no xadrez.
Olá: Interessantes os seus comentários. Eu observo que existe uma grande quantidade de estratégias e táticas a serem utilizadas tanto no xadrez como no futebol. Relembre os temas táticos,por exemplo:cravadura, ataque ao rei, sobrecarrego, sacrifício, etc.Eu lembro que em uma das partidas do match Steinitz versus Lasker, Lasker ganhou manobrando apenas na terceira fila. Em todos os casos, tanto no xadrez como no futebol, ocorre a exploração das fraquezas para se ganhar a partida.Um abraço.
Olá Armínio, atualmente criei um projeto relacionando o xadrez com o futebol e apresentei ao ECPP ( Esporte Clube Primeiro Passo) Vitória da Conquista para as divisões de base. A proposta foi bem aceita mas teriamos que ter uma estrutura mais organizada, do que atualmente é, para podermos dar inicio.
A citada proposta consiste em relacionar enfaticamente varios fatores estratégicos e táticos observados tanto xadrez como no futebol. Assim nos treinamento dos jogadores da base esses fundamentos seriam aperfeiçoados teoricamente e posteriormente na prática.
Como por exemplo: Cada peça no xadrez tem sua maneira de se movimentar no tabuleiro, assim cada jogador de futebol teria sua maneira de se movimentar pelo campo. Ou até mesmo alguns jogadores tem mais facilidade para condução da bola ou fazer gols no xadrez algumas peças tem mais movimentos que outras mas todas elas são importantes no jogo.
Em relação as temas táticos e estratégicos do xadrez e o futebol ficou restingido a capacidade da equipe de futebol apresentada e a compreensão dos proprios garotos ao que se é tratado. No entanto poderiam ser trabalhadas nas jogadas ensaidas, aproveitamento das fraquesas na estrutura dos zaqueiros ( como os lançamento nas costas do zagueiro) como também podemos ver nas partidas chamadas restringidas onde a cadeias de peões são fundamentais na estrategia do jogo ( quando uma torre , por exemplo, se aproveita da fraca estrutura de peões no final de torres). No jogo aberto o poder dos Bispos relacionado com as jogadas em diagonal no futebol e assim vice-versa.
Desta forma acho que a pontuação de que existe uma grande quantidade de estratégias e táticas a serem utilizadas tanto no xadrez como no futebol, foi oportuna e sabia.
Quem sabe essa seria a grande arma para se divulgar e difundir o xadrez na terra do futebol!
Quando não se pode com o inimigo se alie a ele!! (risadas)
Att
Clayton Marques Rodrigues
Para tornar possível amanhã o que é impossível hoje, é preciso fazer o que é possível hoje.
(Paulo Freire)
Ola amigos…muito interessante seus comentarios.
Eu notei que na partida Uruguai x gana…
Uma seleção usou uma tatica do xadrez.
O atacante evitando o gol com a mão, para defender sua patria.
ja sabendo que futebol é jogado com os pés.
Realmente essa copa foi da estrategia.
faço minhas as palavras de romulo…rsrsrs
braulio e suas ironias..
hehhehehehehhe