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	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; botvinnik</title>
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	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
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		<title>O Homem &#8220;Integral&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2007 11:39:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sabe-se, politicamente, que toda a tentativa de se idealizar um homem com supostas características perfeitas descamba no ódio ou no racismo. Todos os regimes totalitários tiveram o seu homem &#8220;integral&#8221;. Para a então URSS, o escolhido como modelo padrão de comportamento e moral, foi justamente um enxadrista, um dos maiores jogadores da história desse jogo; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/botvinnik.jpg" title="botvinnik.jpg"><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/botvinnik.thumbnail.jpg" alt="Mikhail Botvinnik" class="alignright" /></a>Sabe-se, politicamente, que toda a  tentativa  de se  idealizar um homem com supostas características perfeitas descamba no ódio ou  no racismo. Todos os regimes totalitários tiveram o seu homem  &#8220;integral&#8221;. Para a então URSS, o escolhido como modelo padrão de  comportamento e moral, foi justamente um enxadrista, um dos maiores jogadores  da história desse jogo; o seu nome: Mikhail Botvínik, &#8220;Misha&#8221;, herói do Estado soviético.<span id="more-107"></span></p>
<p>Para que Botvínik fosse alçado à condição de  modelo de homem soviético foi preciso um protetor e também ideólogo. Esse homem  foi Nikolái Vasiliévitch Krilenko, Comissário do Povo,  descrito como um &#8220;duro&#8221; do  establishement revolucionário, um marxista-leninista puro, a quem a história  tem responsabilizado por vários dos mais terríveis expurgos do estalinismo. Uma  versão o evoca comendo, delicadamente, biscoitos e bebendo chá em meio a  sessões de torturas nas quais tratava de &#8220;corrigir&#8221; revolucionários  descarrilados. Nos seus tempos de glória Krilenko pregou uma teoria dessas que  faz história. Partindo da base de que o destino da Revolução era gerar o <em>&#8220;Homem  Novo&#8221;</em>, mais solidário, mais culto, mais inteligente e mais livre do que  o produto do &#8220;capitalismo burguês&#8221;, chegou a conclusão de que o  xadrez era o terreno ideal para mostrar a superioridade do  &#8220;comunismo&#8221; sobre o capitalismo. O mais notável foi que Krilenko  conseguiu convencer as autoridades do novo Estado proletário de que era  necessário conferir ao desenvolvimento do jogo a máxima importância política, e  Mikhail Botvínik foi o primeiro e mais brilhante dos produtos dessa nova  concepção. Seu perfil ajustava-se perfeitamente às exigências dessa nova  teoria. Além do mais, sua origem judia afastava qualquer suspeita de racismo ou  nacionalismo extremo, e seus estudos de engenheiro eletrônico, culminados  paralelamente às suas grandes vitórias no tabuleiro, contribuíram a dar-lhe a  imagem de <em>Homem novo</em>.</p>
<p>Sua folha enxadristíca é expressiva:  primeiro lugar no torneio de Moscou, 1935; segundo lugar em Moscou, 1936, e  primeiro no torneio de Nottingham(torneio   do qual participaram três ex-campeões mundiais e o campeão). Em 1940,  sua carreira teve uma baixa momentânea, ocasionada pelo fuzilamento do seu  protetor- Krilenko- acusado de ter provocado o atraso do xadrez na União  Soviética. Em 1941, porém, se reabilita brilhantemente, ao ganhar com  facilidade  o torneio Lenigrado-Moscou.</p>
<p>Durante a segunda guerra, &#8220;Misha&#8221;  logrou escapar(com sua esposa) do serviço militar por uma oportuna miopia.  Embora fossem tempos dramáticos, Botvíník conseguiu de Molotov uma autorização  especial para se dedicar três dias da semana, ao estudo do xadrez, o que  demonstra, mais do que qualquer coisa, a importância que o regime dava ao  xadrez.</p>
<p>Ao término da guerra, Botvínik, com a  aquiesciência do governo soviético, propôs ao então proscrito, campeão mundial,  Alekhine (colaborador dos nazistas), a disputa pelo título, que não chegou a  realizar-se, devido à morte abrupta deste último. Em 1948, a FIDE(Federação  Internacional de Xadrez)  promoveu um torneio entre os melhores jogadores do  mundo e Botvíník sagrou-se vencedor, obtendo o título de campeão mundial. Nos  dez anos seguintes, seu predomínio no xadrez mundial foi indiscutível; perdeu e  recuperou o título no ano conseguinte (por direito de revanche) para Smislov em  1957, e para Mikhail Tal, em 1960.</p>
<p>Seu poder na URSS era então considerável;  seus veredictos sobre vários enxadristas encerraram praticamente dezenas  de  carreiras. Um deles tornou-se famoso:  &#8220;que ninguém ouse macular a profundidade do jogo de xadrez com apreciações  superficiais; procurem outra coisa para fazer que não o xadrez&#8221;. Certa vez  o GM americano Patrick Wolf intrometeu-se numa análise em que Misha e o ex-campeão  Smyslov faziam de uma partida: &#8220;eu acho que De2 é melhor&#8230;&#8221;; não  pôde nem terminar a frase; Botvíník espetou-lhe: &#8220;estamos falando de  xadrez sério e não de xadrez superficial&#8221;. O mestre americano,  acabrunhado, retirou-se da sala.</p>
<p>Uma das características de  &#8220;Misha&#8221;, era a de adaptar-se às mudanças do Estado soviético: foi  estalinista com Stálin; antiestalinista depois do XX Congresso; reformista com  Kruschev, restaurador com Brejnév e perestróico com Gorbachov. Em 1958, por  exemplo, Botvíník foi incluído numa comissão de &#8220;notáveis&#8221; que  deveria julgar a conduta do poeta e novelista Borís Pasternak, laureado com o  prêmio nobel pela sua novela <em>Dr Jivago.</em> Apesar de íntimo amigo de  Pasternak, Misha qualificou o escritor com os mais duros termos e contribuiu  para a sua defenestração.</p>
<p>Em 1972, o establishement soviético do  xadrez foi abalado pela vitória do norte-americano Bobby Fischer que fulminou,  sucessivamente,  os três maiores  jogadores  da URSS: Taimanov, campeão  russo(6 x 0); Petrossian,ex-campeão mundial(6 x 2,5), e finalmente Spássiki.  Todos os derrotados receberam represálias do regime: Taimanov perdeu o  apartamento estatal que morava junto com a sua família; Petrossian foi demitido  do cargo de redator de uma importante revista e Spássiki foi acusado,  publicamente, por Botvíník de ter-se vendido pelos dólares do americano.</p>
<p>Depois de encerrar a sua vida enxadrística,  Botvínik abriu uma escola de gênios do xadrez, em Moscou, da qual o maior  produto foi o ex-campeão mundial, Garry Kasparov, o maior orgulho do mestre.  Quando o duelo Karpov x Kasparov, em 1985, estava com o placar de 5 x 0 a favor de Karpov, Botvínik  correu em socorro do seu aluno predileto: encerrou-se com Kasparov num final de  semana e deu a receita que permitiu mudar o estilo de jogo de Kasparov; este  revelou-se, naquele match, invencível, com três vitórias consecutivas e uma  sucessão interminável de empates, o que levou a anulação do match em 1986.</p>
<p>O aluno retribuiu com o agradecimento da vaca  empanturrada: rompeu com ele e se dedicou a criticá-lo e a vilipendiá-lo.Em  1994, durante as Olimpíadas de Xadrez, em Moscou, se opôs a que Botvínik fosse  convidado: &#8220;se quer ver as partidas, pague como outro qualquer&#8221;,  dissera. Ao que parece, a traição do seu aluno preferido, juntou-se com outros  fatores para causar-lhe a morte na primavera de 1995, aos 84 anos. Alguém  comentou no seu funeral: &#8220;Ao saber-se exilado do reino dos grandes, donde  sempre ocupou um lugar de destaque, é possível que Botvínik tenha recordado do  seu amigo de outrora, Borís Pasternak e também do ditado, &#8220;com quem ferro  mata, a ferro morre&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/games/botvinnik_alekhine.htm" target="_blank">Como mostra do seu talento e força enxadrística veja a partida dele contra outro campeão mundial, Alexander Alekhine, no fortíssimo torneio de AVRO em 1938, com comentários de seu pupilo, Garry Kasparov.</a></p>
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