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	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; Capablanca</title>
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	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
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		<title>Emanuel Lasker, Capablanca, Deysi Cori, Sun Tzu e o segredo do Barcelona</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 17:57:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<description><![CDATA[Observação: sugere-se  ler a biografia de Lasker e Capablanca, antes da leitura deste artigo,nos respectivos links abaixo: http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/ http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/ Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo;  se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Observação: sugere-se  ler a biografia de Lasker e Capablanca, antes da leitura deste artigo,nos respectivos links abaixo:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/">http://www.ccx.org.br/emanuel-lasker/</a></li>
<li><a href="http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/">http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/</a></li>
</ul>
<blockquote><p>Se conheces os demais e te conheces a ti mesmo, nem em cem batalhas correrás perigo;  se não conheces os demais, porém te conheces a ti mesmo, perderás uma batalha e ganharás outra; se não a os demais nem te conheces a ti mesmo, correrás perigo em cada batalha. Sun Tzu &#8211; A Arte da Guerra.</p></blockquote>
<p>Estou num táxi, em Salvador, lendo no Ipad, o artigo de Leontxo Garcia sobre Deysi Cori, o novo fenômeno peruano, no qual transcrevo abaixo.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/deyse-cori.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1065" title="deyse-cori" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/deyse-cori.jpg" alt="" width="308" height="386" /></a></p>
<h5>Deyse Cori</h5>
<p>
Embora o xadrez,  a música e as matemáticas sejam as atividades que produzem mais crianças  prodígio, Deysi Cori, atual campeã do mundo sub 20 aos 18 anos, é um dos  maiores fenômenos produzidos pelo esporte mental nos últimos decênios: aos 16  foi campeã do mundo desta idade e subcampeã   sub 20. E a sua maturidade como pessoa sempre chamou a atenção: aos 12  anos, em sua primeira visita a Espanha, se perdeu no metrô de Madrid e saiu bem  sem ajuda. O mais assombroso é que o seu irmão, Jorge, é o atual campeão do  mundo sub 16. E tampouco é fácil explicar por que o Peru produz tantos  enxadristas brilhantes como Julio Granda, residente agora em Salamanca. No caso  dos Cori, é clara a aposta do colégio limenho Saco Oliveros pelo xadrez como  ferramenta educativa. Também podemos recorrer ao imperador Atahualpa, que  demonstrou aos seus captores espanhóis que jogava xadrez melhor do que eles, o  qual – diz a lenda – influenciou na sua condenação à morte por 13 votos contra  11.<span id="more-1053"></span></p>
<p>Absorto na leitura sou interrompido pelo  motorista que sem que eu lhe pergunte diz: Neymar é muito superior a Messi! Eu lhe respondo com outra pergunta: o senhor assistiu ao jogo do Barcelona contra o Santos? Sim, assisti, mas não fiquei impressionado! Sei bem que futebol é também paixão, mas para mim futebol só tem sentido na perspectiva da arte, assim como ocorre no xadrez! A arte mesmo quando óbvia se oculta e escapa do senso comum, como pode ser visto na seguinte história: Em 1885, em Londres, um indivíduo por motivos inexplicáveis, escondido num estábulo, atirou no dorso de um cavalo e a bala ricocheteou nos ossos do animal e atingiu mortalmente um policial que passava por perto. A Scotland Yard, não poupou esforços na tentativa de descobrir o assassino e enviou para o local do crime os seus três melhores inspetores com a ordem expressa de só abandonar o local com indícios que permitissem desvendar o crime. Após uma semana os inspetores permaneciam no local sem conseguirem qualquer pista. O diretor geral da polícia inglesa pediu então ajuda a Sherlock Holmes. Ao chegar ao local do crime, a primeira pergunta que Holmes fez aos inspetores foi: qual a cor do cavalo? Perplexos, nenhum soube responder. Depois de um constrangedor silêncio, o primeiro inspetor irritado, retrucou: Holmes,  admiramos a sua genialidade, mas temos certeza que saber a cor do cavalo não ajuda em nada a elucidação do crime. Holmes deu um sorriso irônico e respondeu: se vocês deixaram passar algo tão óbvio como a cor do cavalo, o que mais vocês não observaram?</p>
<blockquote><p>Todos elogiam a vitória na batalha, porém o verdadeiramente desejável é poder ver o mundo sutil e dar-te conta do mundo do oculto até o ponto de ser capaz de alcançar a vitória onde não existe forma. Não requer muita força para levantar um cabelo, não é necessário ter uma vista aguda para ver o sol e a lua, nem se necessita ter muito ouvido para escutar o retumbar do trovão. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Bem&#8230; é certo que a arte, assim como a natureza, tem horror ao  vácuo.  Barcelona versus Santos terminou e eu me quedei estupefato. Os meus pensamentos iniciais foram: o que sucede? Como isto é possível? Qual o segredo do Barcelona? Esta última pergunta me empenharei em respondê-la!. Certamente, não se poderia comparar este time com o Santos de Pelé, pois o método é bastante diferente: o time do Barcelona se  baseia no coletivo de uma orquestra sinfônica e também na individualidade dos seus jogadores e também não se baseia em nada do que eu acabei de escrever! É isto mesmo&#8230; Um mundo quântico permite a convivência harmoniosa com as contradições e paradoxos. Faço uma ruptura epistemológica e tomo emprestada a coluna de xadrez que Leontxo Garcia escreveu no diário espanhol El Pais, do dia 24 de dezembro, 2011, a partir do inacreditável diagrama abaixo, de uma partida rápida entre Capablanca (jogando com as brancas) e Emanuel Lasker.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel1.jpg"><img class=" wp-image-1055 alignnone" title="emanuel1" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel1.jpg" alt="" width="278" height="280" /></a></p>
<h5>Capablanca X Emanuel Lasker – Café Kerkau, Berlim, 1914 (início da primeira guerra mundial e dois meses depois da magnífica vitória de Lasker no Torneio Internacional de São Petersburgo). <strong>Jogam as Brancas.<br />
</strong></h5>
<p>Escreveu o colunista: <em>Es una de las soluciones más impresionantes que el lector  haya visto, y está incluída en el número 490 del interessante semanário digital Nuestro Círculo, dirigido por el argentino Roberto Pagura ( la suscripción, gratuita, puede solicitarse en: <a href="mailto:ropagura@fibertel.com.ar">ropagura@fibertel.com.ar</a>). Cuenta Pagura que, en la clausura de São Petersburgo 1914, Lasker, vencedor del torneo gracias a un juego magnífico, fue convencido por su mujer para que se reconciliase con Capablanca, tras las desavenencias entre ambos durante la negociación de un duelo por el Campeonato del Mundo. El alemán se acercó al cubano y brindó por su salud! La posición del diagrama se dio en una de las 10 partidas rápidas que ambos disputaron dos meses después, en el Café Kerkau de Berlin. Las dos piezas blancas son muy inestables, y el peón de b5 está amenazado. Ciertamente, el rey negro sufre en el rincón, pero, por muchas vueltas que le dé el lector, <span style="text-decoration: underline;">es muy poco probable que encuentre la maravillosa idea que llevó a Capablanca a la victoria</span>. Ahora bien, merece la pena intentarlo porque entonces el placer de conocer la solución será mucho más intenso! </em></p>
<p>A solução não será dada pela coluna. No texto, entretanto, queda-se claro a forma do leitor obter a solução. Creio que a solução deste diagrama, já embutida às diferenças no tempo, trará subsídios para que eu consiga resolver outra questão: qual é realmente o segredo que permite ao Barcelona ganhar com relativa facilidade de qualquer time do mundo?</p>
<blockquote><p>Todo mundo conhece a forma que resultou em vencedor, porém ninguém conhece a forma que assegurou a vitória. Em consequência a vitória não é repetitiva, senão que adapta sua forma continuamente. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Há uma história antiga do Pato Donald, intitulada “O Demolidor”. Nesta história o Pato Donald chega a uma enorme construção para realizar o trabalho de demolição. Para isto ele lança mão, sob os olhares curiosos dos donos, de uma série de aparelhos a começar pelo estetoscópio! Depois de uma série de análises, ele saca um pedaço de giz de sua mochila e num determinado ponto de uma parede, marca um X. Logo a seguir ele pega um canudo, um grão de arroz e sopra o grão no local marcado com o X. A estrutura começa então a desabar, com os donos correndo para não serem soterrados! Na posição abaixo, já com a solução a vista, retirado do livro de Capablanca, “Chess Fundamentals”, apresenta-se um final no qual é facilmente possível se <em>equivocar</em> e se desviar do X da questão.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel2.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1056" title="emanuel2" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel2.jpg" alt="" width="587" height="440" /></a></p>
<p>Os equívocos do futebol brasileiro: é necessário um meio campista fixo&#8230; o craque sempre desequilibrará a partida através de seus lampejos geniais &#8230;o Barcelona joga como o flamengo de Zico. Bem&#8230; o flamengo de Zico perdia também muitas partidas, empatava e ganhava de 2&#215;1, 1&#215;0. Copa do rei (depois da vitória contra o Santos): Barcelona 9 x 0 Hospitalet! Um detalhe: os seus principais titulares não jogaram. Com outra ruptura seguimos para a partida <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=11133">Jan-Willem Te Kolste</a> vs <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=10626">Richard Reti</a> Baden-Baden 1925  ·  Alekhine Defense: Saemisch Attack <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessopening?eco=B02">(B02)</a>  que pode ser vista no link <a href="http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1007219">http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1007219</a>.</p>
<p>O interesse desta partida reside nos comentários  superlativos feitos por Réti (o vencedor) e a refutação dos comentários de Réti  por Emanuel Lasker.  Ao contestar as análises de Réti, no qual induz o leitor a pensar no surgimento de uma nova estratégia ganhadora, o pensador Lasker  reflete sobre  os princípios do xadrez e a validade dos dogmas enunciados por especialistas  e de forma marginal privilegia  a exuberância da arte no xadrez. Os comentários seguem abaixo:</p>
<p><em>1.e4-Cf6;2.e5-Cd5;3.Cc3-CxC3;4.dxc3. En la revista de Kagan, Neusten Schachnachrichtene, Reti califica esta jugada como “um error posicional”. Esto, cuando menos, es debatible. Pero lo que disse a continuación está fuera de toda proporción: “La partida sólo podrá mostrar como, por médio de la técnica ajedrecística, una pequena pero clara desvantaja posicional en que que se incurrió durante la Apertura puede convertirse facilmente en una victoria”. Neste ponto, Lasker evitando a ortodoxia corrente e sem maiores preocupações de criticar o especialista, pois Reti era tido nos meios enxadrísticos da época como um dos grandes finalistas do jogo, contesta da seguinte forma: ¿En una victoria? No es la proporción correcta. En iniciativa, en uma partida promissória, eso pudo concederse, pero no más, a menos que el oponente se equivoque de nuevo. El plan de Reti fue hacer uso del Peón doblado de las Blancas para obtener la superioridade de Peones en el flanco Rey. Pero,a pesar de todo, todavia estaba muy lejos de tener uma partida ganada. La combinación se refiere a la siguiente posición:</em></p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel3.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1057" title="emanuel3" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel3.jpg" alt="" width="303" height="302" /></a></p>
<p><em>Aquí, Te Kolste cometió el error de oferecer el cambio de Torres, que perde, porque el peón en a2 está retrasado y las Negras obtienen um Peón passado, mientras que las Brancas no logran ninguno. Reti señala que la jugada correcta 1.a3, también debió perder, pero su análisis contiene una omisión. 1&#8230;bxa3;2.b4-a2;3.Ta3-d5. Aquí Reti hace que las Blancas jueguen 4. cxd5,pero 4.Ta6+ &#8211; R mueve; 5-Txa2 – dxc; 6-T2c podrría assegurar a las Blancas y eliminar toda ventaja. Y esta combinación debía ser el punto culminante de uma estratégia que debía lograr uma inexorable victoria, baseada em la cuarta jugada de las Blancas! Admito que luego de 1.a3-Rc5! 2.a4 las Negras aún ejercen una ligera presión; decir algo más, sería uma exageración. Agora a lição do mestre: Los planes estratégicos concebidos con amplitude no tienen uma base tan frágil. No se puede construir el plan de toda uma partida bien disputada en un motivo como el indicado por Reti; es demasiado magro, demasiado estrecho, diminuto para tal fin. Las explicaciones de Reti cuando se relacionan con una análisis que cubre pocas jugadas son correctas y elogiables. Hasta ahora, nadie ha sido capaz de hacer mucho más que concebir planes como va procedendo la partida. Los señalamientos de Reti pueden llevar a que el lector piense que ha surgido una estrategia profunda y completamente nueva, con lo que tal vez se vea tentado a producir planes estratégicos muy profundos del mismo orden. El está en peligro de perder su saño juicio y ni el ni el Ajedrez son bien servidos con eso.</em></p>
<blockquote><p>A grande sabedoria não é algo óbvio, o mérito não se anuncia. Quando és capaz de ver o sutil, é fácil ganhar. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Barcelona versus Santos: Passes da dupla Xavi-Iniesta: 202. Passes incorretos: 1. Passes corretos: 201!!</p>
<p>Em 1875, Sherlock Holmes e o seu inseparável assistente, Dr. Watson,acamparam na área de <strong>Chatsworth House</strong>, grande palácio rural, localizado a aproximadamente 6 km a nordeste de <a title="Bakewell (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bakewell&amp;action=edit&amp;redlink=1">Bakewell</a>, no <a title="Derbyshire" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Derbyshire">Derbyshire</a>, <a title="Inglaterra" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Inglaterra">Inglaterra</a> e originalmente construído por <a title="Bess de Hardwick (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bess_de_Hardwick&amp;action=edit&amp;redlink=1">Bess de Hardwick</a>. Esta propriedade pertencia então ao 7o Duque de Devonshire, conhecido pela má gestão financeira da propriedade e dos negócios desastrosos em Barrow-in-Furness. O Duque, entretanto, devia favores a Holmes relativo ao rumoroso caso da mulher do diplomata americano. O Duque tido pela imprensa inglesa como mulherengo sofrera chantagem referente às supostas cartas de amor trocadas entre a mulher do diplomata americano, Charles C. Parker e o duque. Este caso estremecera as relações entre Inglaterra e Estados Unidos e Holmes, a pedido do Duque, identificara o próprio marido como o autor e chantagista. Para chegar a esta conclusão, Holmes, observando a predileção do diplomata para fazer adivinhações sobre os temas mais rotineiros, como por exemplo, se um cão iria enveredar por uma rua A ou B, descobrira que o embaixador americano era na verdade um jogador compulsivo de Baccarat, e que recentemente contraíra vultosas  dívidas neste jogo. O Duque, então, em agradecimento, convidara Sherlock Holmes para passar uma temporada de descanso no seu palácio. Convite, gentilmente recusado por Holmes, que, entretanto, aceitara acampar nos arredores da magnífica propriedade. Ver foto abaixo.</p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel4.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1058" title="emanuel4" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel4.jpg" alt="" width="583" height="389" /></a></p>
<h5><strong>Chatsworth House</strong> vista a partir do espelho de água, aonde Sherlock Holmes e o seu assistente Dr. Watson, acamparam no verão de 1875.</h5>
<p>Na primeira noite de acampamento, Holmes e o Dr. Watson, fumaram charutos e tomaram uma garrafa de conhaque enviado pelo Duque e em seguida se recolheram à barraca para dormirem. Exatamente às 3 horas da manhã, Sherlock Holmes acorda, bate no ombro de Watson que necessita de quase três minutos para despertar, e indica as estrelas no céu: “O que as estrelas lhe informa, Watson”?  Watson observa o céu maravilhosamente estrelado e responde: Bem&#8230; Holmes. Do ponto de vista astronômico posso ver a Constelação do Dragão&#8230; e mais adiante a Constelação da Cabeleira de Berenice, próximo da Ursa Maior. Do ponto de vista astrológico posso ver as Constelações de Câncer e Sagitário. Da perspectiva metereológica posso lhe garantir que teremos um dia ensolarado hoje, propício para caminhadas. Watson faz então uma pausa e interroga Holmes: E para você Holmes, o que é que as estrelas lhe informa?  Watson, seu estúpido, roubaram a nossa barraca!</p>
<blockquote><p>Cada assunto requer um conhecimento prévio. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>O filósofo português Manoel Sérgio explica o segredo do Barcelona da seguinte forma: &#8230; Porque se desconhece que só sabe de futebol quem sabe mais do que futebol&#8230; Não há área do conhecimento que não se desenvolva sem uma sistemática relação com as demais áreas do conhecimento. A complexidade do real exige a complexidade do pensamento e da ação. E o futebol é bem mais do que a técnica e a tática. Há uma revolução a fazer no futebol. O Barcelona é a melhor equipe de futebol do mundo. E por quê? Em primeiro do mais, porque, nela, o todo é mais do que a soma das partes. E aqui as partes não são só a técnica e a tática e o físico, mas também o intelectual e o moral.&#8221;</p>
<p>Parece-me que o filósofo recorre indiretamente à educação, expresso nos termos e palavra, “áreas do conhecimento”, “complexidade do pensamento”, “intelectual”, para tentar desvendar o segredo do Barcelona. Na tentativa de sofisticar esta linha de pensamento do filósofo, algo ainda obscura e impenetrável, recorro ao pensamento de Emanuel Lasker sobre educação enxadrística (aprendizado do xadrez).</p>
<p>Escreve Lasker: “Suponhamos que um mestre que segue um bom método, se esforce em educar um jovem que não sabe nada de xadrez até que ele chegue ao nível de alguém a quem não se pode conceder vantagem. Que tempo necessitaria para logra-lo? Creio que estou correto em fazer o seguinte cálculo:</p>
<p>Regras do jogo e exercícios: 5 horas; Finais elementares – 5 horas; Algumas aberturas – 10 horas;  Combinação – 20 horas; Jogo de posição – 40 horas; Jogo de análise – 120 horas.</p>
<p>Sem perder-me nos cálculos, creio que não me equivoco ao afirmar que nossos esforços no xadrez, não alcançam mais do que a centésima parte de um por cento de seu resultado correto. Em todos os domínios do esforço, nossa educação consume terrivelmente o tempo e os valores. Em Matemática e Física, os resultados alcançados são ainda piores que em xadrez. Existe uma tendência a manter na estupidez, a maioria das pessoas? Para os governos do tipo autocrata, a ignorância das multidões sempre há sido uma vantagem. Quiçá também o medíocre que há obtido autoridade segue a mesma política. Evidentemente este motivo não é predominante no xadrez. O mal estado da educação em xadrez se deve por completo à nossa torpeza. O xadrez requer uma educação no qual o pensamento e o juízo sejam independentes. O xadrez não deve ser memorizado, simplesmente porque não é importante. A memória é demasiado valiosa para armazenar futilidades. Eu tenho dedicado pelo menos 30 dos meus 57 anos a esquecer-se da maior parte do que foi aprendido ou lido e não me gostaria perder nunca a tranquilidade e o regozijo que me causa logra-lo com êxito. Se fora necessário poderia aumentar minha habilidade para jogar xadrez (!); se fora necessário, poderia fazer algo do qual não tenho idéia na atualidade. Eu tenho armazenado pouco em minha memória, porém, posso aplicá-lo, e me resulta muito útil em emergências. Eu mantenho em ordem, porém, resisto a qualquer intento de aumentar o seu peso. Vocês não devem conservar na mente nomes, nem números e nem feitos isolados, <span style="text-decoration: underline;">e sim somente métodos!</span> O método é plástico (!). É aplicável em qualquer situação. O resultado, o incidente isolado é rígido, porque está ligado a condições completamente individuais. O método produz resultados: uns poucos permaneceram em nossa memória, embora sejam poucos, resultaram úteis para ilustrar e manter vivas as regras que ordenam os meus resultados. Estes resultados úteis podem renovar-se a cada certo tempo, da mesma maneira em que se fornece alimento fresco a um organismo vivente para mantê-lo forte e saudável. Porém, desta maneira os resultados úteis têm uma viva relação com as regras e estas se descobrem outra vez aplicando um método vivo: toda esta organização deve ter vida.</p>
<p>Mais que isto: uma vida harmoniosa! Aquele que deseja adquirir uma educação em xadrez deve fugir do que está morto: as teorias artificiais, apoiadas por poucos exemplos e sustentadas por um excesso de engenho humano; o costume de evitar tarefas difíceis, a debilidade de aceitar sem criticar as variantes ou regras descobertas por outros; a vaidade, que é arrogante; a incapacidade de admitir erros; em resumo, tudo que tende ao estancamento e a anarquia”. Neste momento, Lasker responde a uma questão importante: por onde o aluno deve começar a sua educação enxadrística? A resposta: pelos caminhos da teoria de Steinitz! E destaca a sua importância: “Esta teoria tem uma história que o aluno deve tratar de compreender porque lhe desvela um pouco o véu do mistério do caráter humano (!). Esta teoria tem um significado que se tornou evidente depois de uma dura luta contra as teorias contrárias no qual competia e que ganhou autoridade com um célebre match pelo campeonato mundial; esta teoria tem relação com profundos problemas e pede ao aluno que pense por si mesmo, que construa sua própria tabela de valores e que a mantenha de maneira constante, vigilante, em ordem. Esta teoria necessita audácia e precaução (!), força e economia, e, portanto, se converte em um modelo para ações fora do xadrez!  O caminho para esta educação requer bons professores (“!): mestres de “Xadrez que por sua vez sejam gênios do ensino”. Qual a forma de ensino a ser utilizada? Emanuel Lasker, filósofo e doutor em matemática, aluno do famoso matemático David Hilbert, responde: “introduzindo os jovens ao jogo de forma correta, com conferências e bons livros, jogando com seus alunos, assistindo aos seus encontros, fazendo notações e comentários dos pontos bons e maus das partidas. Há muitas e variadas maneiras no qual um bom professor pode fazer um trabalho eficiente”. <em> </em></p>
<blockquote><p>Podes ganhar quando ninguém pode entender em nenhum momento quais são as suas intenções. Sun Tzu.</p></blockquote>
<p>Creio que finalmente tenho reunido informações e dados para desvendar definitivamente o segredo do Barcelona! Pero, um ratito solamente&#8230; Era costume na França, do século XIX, regimentos militares serem saudados, quando passava por uma cidade, por uma salva de 21 tiros de canhão. Certo general ao passar por uma pequena cidade deu voz de parada e perfilou os seus cavaleiros e soldados para ouvirem com respeito a saudação expressa nos tiros de canhão. Apurou os ouvidos e silêncio total. Quando perscrutou em volta para saber o que houvera viu o encarregado da guarnição local se aproximar esbaforido. General, general! Mil desculpas, mas não foi possível dar a salva de 21 tiros de canhão que a magnificência do seu cargo faz por merecer. E não foi possível por 19 motivos diferentes. Primeiro faltou pólvora&#8230;Neste ponto o general atalhou: não é necessário falar os outros 18 motivos. Faltar pólvora é, por si só, motivo suficiente! Na posição seguinte, se oferece ao leitor, o aprendizado da importância do princípio da oposição (a pólvora) em finais de partida, através de um exemplo do livro de Capablanca, <em>Chess Fundamentals.</em></p>
<p><em><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel5.jpg"><img class="alignnone  wp-image-1059" title="emanuel5" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/emanuel5.jpg" alt="" width="565" height="443" /></a></em></p>
<p><em>Bem&#8230;Descobri uma solução maravilhosa que desvenda completamente o segredo do Barcelona, mas por razões de tamanho  não será possível escrevê-la neste espaço.</em></p>
<p><strong>Para escrever este artigo, eu usei as informações do Manual de xadrez de Emanuel Lasker, do livro de Capablanca, Chess Fundamentals, da Arte da Guerra, de Sun Tzu e do excelente apps (aplicativo) para Ipad, denominado:e+Chess Books, que permite, lado a lado, mover as peças em sincronia com a leitura do livro .</strong></p>
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		<title>Emanuel Lasker</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jul 2007 18:14:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;N&#227;o estou jogando com pe&#245;es brancos ou negros, sem vida. Jogo com seres humanos de carne e sangue&#8221;! Emanuel Lasker. Pode-se dizer, parafraseando o Conselheiro Ac&#225;cio, que existe no mundo do xadrez jogadores com os mais diferentes perfis psicol&#243;gicos. H&#225; aqueles que primam pela extrema racionalidade como Botvinnik; numa categoria especial, no Olimpo, est&#227;o os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p><em>&ldquo;N&atilde;o estou jogando  com pe&otilde;es brancos ou negros, sem vida. Jogo com seres humanos de carne e  sangue&rdquo;! Emanuel Lasker. </em></p>
</blockquote>
<p><a href='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/lasker.jpg' title='Emanuel Lasker'><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/lasker.thumbnail.jpg' alt='Emanuel Lasker' class='alignright'/></a>
<p> Pode-se dizer, parafraseando o  Conselheiro Ac&aacute;cio, que existe no mundo do xadrez jogadores com os mais  diferentes perfis psicol&oacute;gicos. H&aacute; aqueles que primam pela extrema  racionalidade como <a href="http://www.ccx.org.br/o-homem-integral/">Botvinnik</a>; numa categoria especial, no Olimpo, est&atilde;o os  g&ecirc;nios como <a href="http://www.ccx.org.br/jose-raul-capablanca/">Capablanca</a> e <a href="http://www.ccx.org.br/mikhail-tal/">Mikhail Tal</a>. T&ecirc;m ainda jogadores como Kasparov que  dominaram com profunda complexidade e heterodoxia as diversas fases do jogo.  Num outro extremo est&aacute; aqueles que usam da sua prodigiosa mem&oacute;ria para se  familiarizar com milhares de posi&ccedil;&otilde;es, como Fischer. Deve-se lembrar que Karpov  quando se preparou para o match, n&atilde;o realizado, contra Fischer, tinha em mente conduzi-lo  para posi&ccedil;&otilde;es no qual aquele n&atilde;o estava acostumado e for&ccedil;&aacute;-lo a jogar no m&aacute;ximo  desconforto poss&iacute;vel, determinadas posi&ccedil;&otilde;es. O plano de Karpov estava em  perfeita conson&acirc;ncia com a escola psicol&oacute;gica de um dos mais originais  enxadristas que j&aacute; existiu, o Dr. Emanuel Lasker.&nbsp; O seu estilo de jogo, surpreendentemente, n&atilde;o  preconizava a melhor jogada e sim a que mais desagradava ao seu  advers&aacute;rio.&nbsp; O seu slogan da partida de  xadrez poderia muito bem ser resumida na frase no qual refutou o conceito de  estrat&eacute;gia de Steinitz: &ldquo;O Xadrez &eacute; uma luta entre duas mentes&rdquo;! &nbsp;A luta psicol&oacute;gica, marca digital de Lasker, foi  levada ao completo radicalismo. Nunca tantos excelentes jogadores erraram tanto,  como quando o enfrentavam. </p>
<p><span id="more-182"></span></p>
<p> Numa outra observa&ccedil;&atilde;o de agudeza &iacute;mpar e  no qual definira o seu conceito psicol&oacute;gico do jogo de xadrez, observara:  &ldquo;quando um forte mestre pensa uma hora em m&eacute;dia, uma jogada, creio que n&atilde;o me  conv&eacute;m fazer o que ele deseja&rdquo;!! </p>
<blockquote>
<p><em>&quot;Diante do tabuleiro, a mentira e a hipocrisia n&atilde;o  sobrevivem por muito tempo. A combina&ccedil;&atilde;o criadora desmascara a presun&ccedil;&atilde;o da  mentira, os impiedosos fatos, que culminam no mate, contradizem o  hip&oacute;crita.&quot; &#8211; Emanuel Lasker, depois de refletir sobre os sete pecados  capitais dos enxadristas, enunciados por Tartakover(</em><em>Superficialidade,  Voracidade, Pusilanimidade, Inconsequ&ecirc;ncia, Dilapidac&atilde;o do tempo, Excessivo  amor a&nbsp; paz(</em><em>!</em><em>), Bloqueio).</em></p>
</blockquote>
<p>Lasker, judeu,  nasceu em 24 de dezembro de 1868, na Alemanha. Aprendeu xadrez aos onze anos de  idade. Foi menino prod&iacute;gio n&atilde;o no xadrez, mas na matem&aacute;tica. Ainda na juventude,  na escola em Breslau, mostrou extrema profici&ecirc;ncia em filosofia, impressionando  os seus professores. Ao visitar o &ldquo;Caf&eacute; Kaiser Hoff&rdquo;, com 14 anos, venceu a todos  os jogadores. Em 1889, com 21 anos, em Breslau, supera todos os seus rivais e  devido a este sucesso foi convidado a Londres e ganha, invicto, do campe&atilde;o  ingl&ecirc;s J.H. Blackburne, ganhando 6 em 10 partidas e empatando 4. Em 1890 em Berlim, derrota Curt von Bardeleben e Jacques  Mieses. Em 1893, visita os Estados Unidos e vence o Torneio Internacional de  Nova Iorque. No mesmo ano desafia o campe&atilde;o americano, Jackson Showalter,  vencendo-o com 6 vit&oacute;rias, 1 empate e 2 derrotas. Em 1894, com 25 anos de idade,  desafia Wilhelm Steinitz pelo t&iacute;tulo mundial, realizado em Nova Iorque.O match  realizou-se entre 15 de mar&ccedil;o e 26 de maio de 1894, em Nova Iorque,  Filad&eacute;ldia e Montreal com um tempo de 2 horas para os primeiros 30 lances&nbsp; e 1 hora para cada 15 lances seguintes. O  pr&ecirc;mio para o vencedor era de 2250 d&oacute;lares e 750 para o perdedor. Kasparov em  &ldquo;Mis Geniales Predecessores&rdquo;, comenta: &quot;O come&ccedil;o do duelo foi muito intrigante e  dram&aacute;tico. Na primeira partida, Lasker superou a seu oponente, por&eacute;m Steinitz  logrou uma espetacular revanche na segunda. Na continua&ccedil;&atilde;o, ambos lutadores,  trocaram duros golpes e seguiram-se dois empates de muita luta (em ambos os  casos com um pe&atilde;o de vantagem para Steinitz). Depois de seis partidas o  marcador estava igualado em 3&#215;3 e o momento de inflex&atilde;o chegou com a s&eacute;tima  partida&quot;.Steinitz, jogando com as negras, na abertura Rui L&oacute;pez, respondeu com  a sua pr&oacute;pria defesa (Defesa  Steinitz:1-e4-e5;2-Cf3-Cc6;3-Bb5-d6;4-d4-Bd7;5Cc3-Ce7).</p>
<p> <a href="http://www.ccx.org.br/games/lasker_steinitz_7.htm" target="_blank">Nesta not&aacute;vel partida</a>,  apesar de intrincada, Steinitz, de acordo com Kasparov, cometeu um erro  decisivo no trig&eacute;simo sexto lance: Rd6.&rdquo;Balan&ccedil;ando-se na beira do abismo, o  jovem Lasker exibe aquelas qualidades que lhe permitiram conservar a coroa  mundial durante tanto tempo. Numa posi&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil, arriscou-se a plantar a seu  oponente problemas complicados, t&iacute;picos do xadrez da segunda metade do s&eacute;culo  XX (caracter&iacute;sticos de jogadores como Mikhail Tal). &Eacute; dif&iacute;cil criticar Steinitz  por seus erros: ele lutou com todos os seus recursos, diante de um selvagem  ataque. Esta supertensa partida estava adiante do seu tempo e n&atilde;o foi compreendida  pelos seus contempor&acirc;neos. Creio que a s&eacute;tima partida resultou decisiva no  match porque quebrou a resist&ecirc;ncia de Steinitz. Ele experimentou um transe  quase m&iacute;stico. Era isto poss&iacute;vel? Tais coisas n&atilde;o podem passar&rdquo;. Kasparov. Para  B.Vainstein, a s&eacute;tima partida deste hist&oacute;rico match, foi decisiva por um motivo  psicol&oacute;gico fundamental: &ldquo;Esta derrota psicol&oacute;gica afetou seriamente  Steinitz. Todas as conex&otilde;es sistem&aacute;ticas dos seus m&eacute;todos defensivos saltaram. Depois  disto Steinitz perdeu quatro partidas consecutivas&rdquo;.</p>
<p>    <img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/lasker_steinitz.jpg" alt="Lasker x Steinitz" width="400" height="224" class='centered'/><br />
  Match  Lasker versus Steinitz, 1894.</p>
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<p>    <em>&ldquo;No tabuleiro de xadrez lutam pessoas e  n&atilde;o figuras&rdquo;. Emanuel Lasker.</em></p>
</blockquote>
<p>A s&eacute;tima  partida deste match guarda, no tempo, uma interessante simetria com a s&eacute;tima  partida do match Tal versus Botvinnik. O m&eacute;todo psicol&oacute;gico usado por Tal  contra Botvinnik foi extremamente semelhante ao usado por Lasker contra  Steinitz. Naquele match, Botvinnik jogando com as pretas, plantou a s&oacute;lida defesa Caro-Kan e  de acordo, com Clarke, &ldquo;n&atilde;o sem um esfor&ccedil;o super-humano&rdquo;, conseguiu obter  vantagem. Semelhante a Lasker, Tal desencadeou um ataque violento,  jogando de forma imprecisa (assim como Lasker!), mas complexificando a posi&ccedil;&atilde;o  a cada lance. Ficou claro que Botvinnik tinha perdido o seu caminho nas  complica&ccedil;&otilde;es colocadas pelo seu advers&aacute;rio. No momento crucial, da partida,  assim como Lasker sacrificara uma pe&ccedil;a para manter vivo o seu ataque, Tal  tamb&eacute;m sacrificara uma torre. Em ambas as partidas, tanto Steinitz como  Botvinnik defenderam-se brilhantemente, para sucumbirem ao erro pela magnitude  dos problemas plantados no tabuleiro. No vig&eacute;simo nono lance da s&eacute;tima partida  do match Lasker-Steinitz, Kasparov observa: &ldquo;nesta partida interv&eacute;m o <strong><em>fator  Tal</em></strong>: o ataque branco &eacute; bastante inconcreto, n&atilde;o resolutivo, por&eacute;m n&atilde;o  parece ter fim&rdquo;! No lance 38, o mesmo Kasparov assinala: &ldquo;o que pode fazer as  negras? At&eacute; um potente computador requereria uma quantidade de tempo  consider&aacute;vel para entender esta intrincada posi&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Ap&oacute;s a &uacute;ltima partida, Steinitz levanta-se com dificuldade  e se posta diante de Lasker e grita 3 &ldquo;hurras&rdquo; para o novo campe&atilde;o. O match &eacute;  ganho pelo escore de 10 vit&oacute;rias, 4 empates e 5 derrotas e Lasker torna-se o  segundo Campe&atilde;o Mundial de Xadrez.</p>
<blockquote>
<p><em>&ldquo;A diferen&ccedil;a entre um mestre e um bom aficionado  n&atilde;o reside precisamente no mais fundamental. O bom aficionado tem, geralmente, um  grande conceito do xadrez, possui o sentido cabal da estrat&eacute;gia e em linhas  gerais tem a mesma vis&atilde;o de um mestre. Sabe onde est&aacute; um ponto d&eacute;bil e como  deve planejar a manobra ganhadora. Por&eacute;m se equivoca na concatena&ccedil;&atilde;o das  jogadas. As transp&otilde;e e malogra oportunidades valios&iacute;ssimas&rdquo;! Emanuel Lasker.</em></p>
</blockquote>
<p>&nbsp;Um ano ap&oacute;s a  conquista do t&iacute;tulo contraiu febre tif&oacute;ide, correndo s&eacute;rio risco de morte.  Enquanto se recuperava, tirou em terceiro lugar no Torneio Internacional de  Hastings, o maior torneio de xadrez realizado no s&eacute;culo XIX. A imprensa da  &eacute;poca, alcunhara Lasker, Steinitz, Tarrasch e Tschigorin como o &ldquo;quarteto  estelar&rdquo;. Para a surpresa geral, este quarteto logo seria transformado num  quinteto. O americano Harry Nelson Pilsburry, ap&oacute;s perder na primeira rodada  para Tschigorin pontua nas rodadas seguintes, 9,5 em 10! Vencendo Tarrasch de  forma fulminante no gambito da dama. Faltando 3 rodadas para o final, Lasker  estava a frente com 14,5, Tschigorin, 14, Pilsburry, 13,5(!) e Tarrasch,11. Nas  tr&ecirc;s rodadas restantes, Pilsburry ganhou todas as partidas, ficando ante a  surpresa geral, na primeira posi&ccedil;&atilde;o! Diante desta inesperada coloca&ccedil;&atilde;o do  mestre americano, os 4 primeiros colocados se encontram em 1896, em S&atilde;o Petersburgo,  sem a presen&ccedil;a de Tarrasch que resolvera se dedicar a sua profiss&atilde;o de  m&eacute;dico. Este supertorneio realizou-se em forma de match. Os quatro jogadores  mais fortes (Lasker, Pilsburry, Tschigorin e Steinitz)&nbsp; se enfrentariam entre si, seis vezes! Na  primeira rodada Lasker perde na abertura para Pilsburry, na defesa Petrov, em  apenas 21 lances! Na segunda partida, nova derrota de Lasker! Superado num final  de cavalo contra bispo. Na terceira partida, Pilsburry empata. Depois de 3  rodadas, Pilsburry tinha 6,5(de 9), Lasker,5,5; Steinitz, 4,5 e  Tschigorin(cansado por ter organizado o torneio), 1,5. Neste decisivo momento,  houve um descanso de 5 dias para os participantes e talvez este descanso tenha  sido fatal para Pilsburry. Em 4 de janeiro de 1896, deu-se o quarto encontro  <a href="http://www.ccx.org.br/games/lasker_pillsbury.htm" target="_blank">Pilsburry versus Lasker</a> e uma vit&oacute;ria do americano tornaria este o desafiante  n&uacute;mero 1 ao t&iacute;tulo mundial. Jogando com as negras, no Gambito da Dama, Lasker  deixa passar um arremate no lance 21, retribu&iacute;do por Pilsburry no lance 24,  ap&oacute;s passar uma chance de empatar. Lasker na sequ&ecirc;ncia deixa passar o ganho,  ainda no lance 24. Logo depois Lasker fica apurado pelo tempo e consegue  afetar, desta forma, o crit&eacute;rio de julgamento de Pilsburry, que perde a calma e  deixa passar a sequ&ecirc;ncia ganhadora que poderia mudar os destinos do xadrez.As  brancas se rendem. Lasker considerava esta a sua melhor partida. Esta derrota  afetou Pilsburry gravemente e por conseq&uuml;&ecirc;ncia perdeu as cinco partidas  seguintes, perdendo o segundo posto para Steinitz. Segundo um historiador,  citado por Kasparov, Pilsburry, devido a esta derrota, investiu toda a sua  energia, durante o resto da sua curta vida (morreu aos 34 anos de idade), para  recuperar o seu brilho de 1895 em Hastings, sem lograr &ecirc;xito. N&atilde;o obstante,  seis meses depois de S&atilde;o Petersburgo, em Nuremberg, Pilsburry ficou em segundo  lugar, recebendo um pr&ecirc;mio especial de beleza, do bar&atilde;o de Rothischild, por sua  espetacular vit&oacute;ria sobre Lasker. Kasparov considera que o match n&atilde;o ocorrido  Lasker versus Pilsburry poderia ter representado uma grande surpresa para o  campe&atilde;o Lasker. </p>
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<p><em>&nbsp;&ldquo;O seu jogo estava  d&eacute;cadas &agrave; frente de seu tempo. Nem Tschigorin ou Tarrasch poderiam entender as  suas partidas&rdquo;. Kasparov, comentando a partida 7 do primeiro match  Lasker-Steinitz. </em></p>
</blockquote>
<p>&nbsp;No match revanche de  1896, contra Steinitz, Lasker vence sem dificuldades pelo escore de 12,5 contra  4,5.</p>
<p>Ainda neste excitante ano de 1896, lan&ccedil;ou o livro &ldquo;Senso  Comum no Xadrez&rdquo;, baseado numa s&eacute;rie hist&oacute;rica de palestras que ele tinha dado  anteriormente, em Londres.   A partir do ano de 1896 ele p&aacute;ra as suas atividades  enxadr&iacute;sticas para se concentrar na sua educa&ccedil;&atilde;o. Em 1902 obt&eacute;m doutoramento em  matem&aacute;tica na universidade Erlangen-N&uuml;rnberg, Alemanha, orientado pelo grande matem&aacute;tico <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Hilbert" target="_blank">David  Hilbert</a>, que ficara famoso 2 anos antes ao apresentar no Congresso  Internacional de Matem&aacute;tica, em Paris, uma lista de 23 problemas de pesquisa na  &aacute;rea. Hilbert permaneceu como um dos mais eminentes matem&aacute;ticos de todos os  tempos. A tese de Lasker foi sobre &quot;calculo geom&eacute;trico e n&uacute;mero ideais  usados na &aacute;lgebra&quot;.&nbsp; Na sua defesa  de tese, ele exp&otilde;e seu c&eacute;lebre teorema sobre a &quot;Teoria de Espa&ccedil;os  Vetoriais&quot;, que mais tarde atrairia a aten&ccedil;&atilde;o de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein" target="_blank">Albert Einstein</a>. Na d&eacute;cada  de 20 ele compartilhara o mesmo apartamento com Einstein que dissera sobre o  amigo: &ldquo;Emanuel Lasker foi indubitavelmente  uma das pessoas mais interessantes que conheci em toda a minha vida&rdquo;. Nas  longas caminhadas que fazia com Einstein, os temas predominantes eram a  matem&aacute;tica e a filosofia.</p>
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<p><em>&ldquo;Me comparam  com Lasker, mas esta &eacute; uma honra excessiva! Para mim ele foi o maior dos  campe&otilde;es porque no tabuleiro conseguia realizar o imposs&iacute;vel!Era um assombroso  t&aacute;tico que ganhava partidas aparentemente desesperadas&rdquo;. Tal.</em></p>
</blockquote>
<p>At&eacute; aqui se falou do enxadrista e do intelectual. Mas ele  tamb&eacute;m se destacava como ser humano No que pese ter inventado um tanque de  guerra, durante a primeira guerra mundial, Lasker era conhecido tamb&eacute;m por sua  magnanimidade. Em 1920, por exemplo, ele propusera passar o t&iacute;tulo de campe&atilde;o  mundial para Capablanca, que n&atilde;o aceitou a oferta. A sua sensibilidade tinha  sido afetada quando verificara, algum tempo depois da conclus&atilde;o do seu  doutorado, que as universidades alem&atilde;s n&atilde;o aceitavam judeus nos seus quadros.  Em 1911, casara-se com Martha Kohn. Martha era mais velha do que Lasker, e  vi&uacute;va e av&oacute;. Logo depois da cerim&ocirc;nia, afirmara para os amigos: &ldquo;Acabo de me  transformar, de repente em marido, pai e av&ocirc;!&quot;. Atribui-se a Lasker, o  m&eacute;rito de ter elevado a import&acirc;ncia do xadrez. Ele lembrava-se sempre do  destino miser&aacute;vel de Steinitz para exigir recompensas financeiras na  participa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; dele, mas tamb&eacute;m de outros enxadristas, em torneios. Chegou  a tentar cobrar direitos autorais por suas partidas, sem conseguir &ecirc;xito. </p>
<p>Defendeu  o seu t&iacute;tulo oito vezes contra Frank Marshall, Tarrasch, Janovsky (duas vezes),  Schlechter e por fim, Capablanca, em 1921. Sobre Tarrasch, dissera com fina  verve: &ldquo;carece da paix&atilde;o que faz ferver o sangue&rdquo;! Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Alekhine,  disse: &ldquo;quando o rei dos seus rivais n&atilde;o se encontra em perigo, Alekhine joga  sem entusiasmo. Sua fantasia, por&eacute;m, se acende quando periga o rei advers&aacute;rio&rdquo;.  Sobre Capablanca, refletira: &ldquo;Se espera muito dele, no entanto &eacute; muito simples  venc&ecirc;-lo&rdquo;!</p>
<blockquote>
<p><em>&ldquo;A id&eacute;ia do xadrez concebido como arte  &eacute; impens&aacute;vel sem Lasker&rdquo;. Alekhine.<u></u></em></p>
</blockquote>
<p>Em 1910, o seu t&iacute;tulo corre  grande perigo contra Karl Schlechter, (o maior conhecedor na &eacute;poca, da abertura  Rui L&oacute;pez), e na verdade, ele s&oacute; se salvara devido a uma cl&aacute;usula que contava  na disputa do t&iacute;tulo, indicando a obriga&ccedil;&atilde;o de Schlechter ganhar pela diferen&ccedil;a  de dois pontos! <a href="http://www.ccx.org.br/games/lasker_schelechter.htm" target="_blank">Na &uacute;ltima partida</a>, Schlechter, com um ponto adiante no  marcador, poderia empatar facilmente, mas se viu v&iacute;tima da pr&oacute;pria marca  psicol&oacute;gica do seu oponente: ele, alcunhado por Tarrasch como o mestre do  empate, devido ao seu car&aacute;ter am&aacute;vel que o impelia a conceder empate a quase  todos os jogadores que lhe pediam (ele concedia empate a jogadores inferiores,  mesmo tendo posi&ccedil;&atilde;o superior!), via-se na obriga&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;ar o ganho na &uacute;ltima  partida.</p>
<p><a href='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/lasker_capablanca.jpg' title='Lasker x Capablanca'><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/lasker_capablanca.thumbnail.jpg' alt='Lasker x Capablanca' /></a>
<p>A  explica&ccedil;&atilde;o dada por Botvinnik para a dificuldade encontrada por Lasker contra Schlechter  &eacute; no m&iacute;nimo curiosa: &ldquo;At&eacute; certo ponto o jogo de Schlechter n&atilde;o tem rosto, de  forma que Lasker n&atilde;o tinha nada a se agarrar&rdquo;, refer&ecirc;ncia a dificuldade do uso  da arma psicol&oacute;gica, por parte de Lasker.
</p>
<p>Contra  Frank Marshall, venceu invicto, por 8,5 a 3,5. Contra Janovsky, em 1910, venceu  novamente sem nenhuma derrota, pelo placar de 9,5 a 1,5. Em 1921, em  Havana, perde o t&iacute;tulo mundial para Capablanca, sem ganhar uma s&oacute; partida.  Acredita-se que o clima tropical, no qual nunca estivera acostumado, exercera  nele o mesmo equivalente psicol&oacute;gico que ele costumava aplicar aos seus advers&aacute;rios,  no tabuleiro. Por causa desta derrota, tentara mais tarde, debalde, reunir  dinheiro para tentar enfrentar Capablanca, novamente. Este, por&eacute;m, antecipando  o mesmo comportamento futuro de Alekhine, jamais deu qualquer chance de  revanche a Lasker. Em 1923, ganha o torneio de M&auml;hrisch-Ostrau e em 24, vence de forma categ&oacute;rica, o magistral Torneio  Internacional de Nova Iorque, com Capablanca em segundo e Alekhine em terceiro. Em Moscou,  1925, tira em segundo lugar &agrave; frente de Capablanca. A partir deste ano se  retira da arena do xadrez para estudar e ensinar filosofia, al&eacute;m de se dedicar  a cria&ccedil;&atilde;o de pombos. Em 1927, participa da olimp&iacute;ada como o l&iacute;der da equipe  ol&iacute;mpica de bridge, da Alemanha.<br />
    <img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/charge_lasker.jpg' alt='Charge Lasker' class='centered'/></p>
<h5>Charge  mostrando o seu desconforto durante o match &ldquo;clim&aacute;tico&rdquo;, em 1921, em Havana,  Cuba.</h5>
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<p><em>&ldquo;O xadrez se joga com a mente e n&atilde;o com  as m&atilde;os&rdquo;! Emanuel Lasker, rindo de uma frase de Tartakover que dissera que no  xadrez jogam muitas vezes, mais de quatro cavalos!</em></p>
</blockquote>
<p> Com  a chegada de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hitler" target="_blank">Hitler</a> ao governo alem&atilde;o, ele teve todas as suas propriedades  confiscadas e deparou-se novamente com o fantasma que combatera durante todos  os anos precedentes e que tinha atormentado Steinitz. Nesta ocasi&atilde;o, al&eacute;m de  deplorar a perda dos seus bens, ele lamenta amargamente ter que se desfazer do  hobby preferido: a cria&ccedil;&atilde;o de pombos. Sem nenhuma ilus&atilde;o quanto &agrave; natureza  demon&iacute;aca de Hitler, ele parte da Alemanha, em 1933, ano da ascens&atilde;o de Hitler  ao poder, para jamais retornar. A sua ru&iacute;na financeira o for&ccedil;ou a voltar aos tabuleiros, em  1934, no torneio de Zurique, com a idade de sessenta e seis anos. Na  primeira rodada, jogando contra Max Euwe, realiza um maravilhoso  sacrif&iacute;cio de dama que &eacute; referido por Vainstein com o adjetivo de  &quot;colossal&quot;! A sombra de Steinitz, no entanto, no qual recha&ccedil;ara sem tr&eacute;guas, ironicamente, o perseguiria at&eacute; a sua morte.</p>
<p>Obt&eacute;m o 5&ordm; lugar em Zurique em 1934, 3&ordm; em Moscou em 1935,  e 6&ordm; tamb&eacute;m em Moscou em 1936, 7&ordm; em Nottingham, em 1936. Em 1937, muda-se para  New York e acredita ver o fantasma de Steinitz. Justificando, plenamente, uma  famosa observa&ccedil;&atilde;o de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Plutarco" target="_blank">Plutarco</a>, que dissera &ldquo;que ningu&eacute;m no mundo pode se  declarar feliz, antes do &uacute;ltimo suspiro&rdquo;, Lasker, ex-campe&atilde;o mundial, fil&oacute;sofo  e doutor em matem&aacute;tica, principia a jogar partidas por U$ 0,50. Em 9 de novembro  de 1938, tem a &quot;honra&quot; de ver os seus livros queimados pelo obscurantismo  nazista, na chamada Kristallnach (A noite dos cristais), juntamente com os  livros de Freud, Einstein e outros renomados nomes judeus que revolucionaram a  ci&ecirc;ncia, a cultura e as artes do s&eacute;culo XX.Sua irm&atilde; seria morta mais tarde numa  c&acirc;mara de g&aacute;s, nazista. Em 11 de janeiro, de 1941, Emanuel Lasker morre em  completa pobreza, em   Nova Iorque.No dia da sua morte recebera a visita do mestre e  grande finalista, Reuben Fine e esposa. J&aacute; n&atilde;o podia falar. Um momento antes de  morrer a sua esposa o ouviu sussurrar: &quot;Rei do xadrez&quot;. </p>
<p>Emanuel Lasker foi o jogador que deteve por mais tempo o  t&iacute;tulo mundial.Seus conceitos no xadrez influenciaram o estilo de jogadores  como Tal e Fischer. Nas suas partidas &eacute; poss&iacute;vel encontrar muitos erros, no  entanto, uma an&aacute;lise mais profunda, mostraria que estes erros encerravam, no  seu n&uacute;cleo mais profundo, uma amea&ccedil;a psicol&oacute;gica sutil destinada a cada jogador  que lhe enfrentou. O seu sofisticado m&eacute;todo psicol&oacute;gico foi usado com extrema  filigrana no famoso Torneio de S&atilde;o Petersburgo, 1914, contra Capablanca. Neste  torneio ele venceu o g&ecirc;nio cubano usando na abertura uma linha que normalmente  conduzia ao empate, mas que teve o espetacular m&eacute;rito de fazer baixar a guarda  de Capablanca. &Eacute; dele a m&aacute;xima &ldquo;cada lance deve levar em si uma amea&ccedil;a, por  m&iacute;nima que seja&rdquo;. No final de jogo era quase imbat&iacute;vel e bastava ter uma  vantagem microsc&oacute;pica que esta seria seguramente convertida em vit&oacute;ria. Sua vida, em  linhas gerais, seguiu a sua trajet&oacute;ria no tabuleiro. Assim como disse &ldquo;o xadrez  &eacute; luta&rdquo;, ele observou tamb&eacute;m, comparando ao xadrez, &ldquo;a vida &eacute; luta&rdquo;. Seguiu a  trajet&oacute;ria prescrita rigorosamente pela deusa Caissa para os seus eleitos:  riqueza e magia no tabuleiro, destino tr&aacute;gico no final da vida. A longa  tradi&ccedil;&atilde;o imemorial no qual n&atilde;o poupou Morphy, Tschigor&iacute;n, Steinitz, dentre muitos outros, continuou com  Lasker. </p>
<blockquote>
<p> &ldquo;Se  o xadrez &eacute; luta, o melhor &eacute; Lasker&rdquo;. Tartakover. </p>
</blockquote>
<p><strong>Obs: </strong>Eu usei neste artigo informa&ccedil;&otilde;es da &ldquo;Enciclopedia Britannica&rdquo; e da &ldquo;Enciclopedia Libre  Universal en Espa&ntilde;ol&rdquo; e do livro de Kasparov &ldquo;Mis geniales predecessores&rdquo;.Presto  homenagem, com este artigo, ao meu falecido amigo Lehar Ladeia David que era  fervoroso admirador de Emanuel Lasker. </p>
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		<title>José Raul Capablanca</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jul 2007 17:16:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dentre as muitas defini&#231;&#245;es de intelig&#234;ncia, uma delas &#233; a &#8220;capacidade de se adquirir conhecimentos ou compreend&#234;-los e usar em situa&#231;&#245;es novas&#34;.Os psic&#243;logos, contudo, diferem entre si sobre a pr&#243;pria defini&#231;&#227;o e a fun&#231;&#227;o da intelig&#234;ncia. Voltando os olhos para a hist&#243;ria, nos deparamos com personagens de intelig&#234;ncias inexplic&#225;veis, e quase somos tentados a convir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/capablanca1.jpg' alt='José Raul Capablanca' class='alignright'/>
<p>Dentre as muitas defini&ccedil;&otilde;es de  intelig&ecirc;ncia, uma delas &eacute; a &ldquo;capacidade de se adquirir conhecimentos ou  compreend&ecirc;-los e usar em situa&ccedil;&otilde;es novas&quot;.Os psic&oacute;logos, contudo, diferem  entre si sobre a pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o e a fun&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia.</p>
<p> Voltando os olhos para a hist&oacute;ria, nos  deparamos com personagens de intelig&ecirc;ncias inexplic&aacute;veis, e quase somos  tentados a convir com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Platao" target="_blank">Plat&atilde;o</a> que &quot;conhecer&quot; &eacute; apenas reaver&nbsp; conhecimentos que j&aacute; nos pertenciam.</p>
<p><span id="more-167"></span></p>
<p> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquimedes" target="_blank">Arquimedes</a> (287-212 a.C), praticamente  encerrado em Siracusa, sozinho, sem nenhum interlocutor, foi capaz de inventar  a bomba hidr&aacute;ulica, descobrir as leis da hidr&oacute;st&aacute;tica e antecipar o c&aacute;lculo  integral. Os seus estudos de &oacute;tica permitiram adiar a invas&atilde;o romana atrav&eacute;s de  engenhosas lentes com as quais capturavam os raios do sol e os faziam incidir  sobre os navios da frota romana, incendiando-os. E <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Leornado_da_vinci" target="_blank">Leonardo da Vinci</a> (1452-1519)?  Como compreender a sua majestosa intelig&ecirc;ncia? Leonardo antecipou muitas  descobertas dos tempos modernos: Em anatomia ele estudou a circula&ccedil;&atilde;o do sangue  e dos olhos, invadindo, clandestino, cemit&eacute;rios &agrave; noite para dissecar  cad&aacute;veres; determinou a fun&ccedil;&atilde;o da lua nas mar&eacute;s, elaborou teorias sobre a  forma&ccedil;&atilde;o dos continentes; desenhou metralhadoras, helic&oacute;pteros, escafandros;  estudou ainda, m&uacute;sica(&quot;a m&uacute;sica &eacute; a modelagem do invis&iacute;vel!&quot;),  bot&acirc;nica, entomologia (existe uma observa&ccedil;&atilde;o dele sobre as efem&eacute;rides, insetos  que t&ecirc;m um cico de vida de 24 horas: &quot;volta e vai aprender a tua li&ccedil;&atilde;o na  natureza&quot;!), pintura, escultura, engenharia, fisiologia, f&iacute;sica,  astronomia.&nbsp; Em muitas &aacute;reas do  conhecimento, essas &quot;mentes luminescentes&quot;, surgiram inesperadamente:  <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gauss" target="_blank">Gauss</a>, na matem&aacute;tica, resolvendo um complicado c&aacute;lculo com quatro anos de  idade; <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mozart">Mozart</a>, na m&uacute;sica, compondo um minueto antes dos quatro anos! </p>
<blockquote><p>
  &ldquo;O bom jogador sempre tem sorte&rdquo;! Capablanca.</p></blockquote>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/capablanca_pai.jpg' alt='capablanca_pai.jpg' />
<p>No Xadrez, um  dos dois maiores g&ecirc;nios (o outro foi <a href="http://www.ccx.org.br/mikhail-tal/" target="_blank">Mikhail Ta</a>l) foi um cubano, nascido em  1888, na cidade de Havana, com o nome de Jos&eacute; Raoul Capablanca. Seus principais  dados biogr&aacute;ficos falam por si mesmo: Aos 4  anos, vendo o pai jogar com um coronel espanhol, ap&oacute;s tr&ecirc;s dias de observa&ccedil;&atilde;o  chamou o pai e disse-lhe no ouvido que estava movendo o cavalo duma casa branca  para outra de mesma cor e seu advers&aacute;rio n&atilde;o tinha observado. O pai,  constrangido, pediu, ent&atilde;o, ao coronel que jogasse com o filho, sendo aquele derrotado  categoricamente pelo garoto. Sem conter o entusiasmo o coronel levou o menino  para o Clube de Xadrez de Havana e o melhor jogador do clube, Iglesias, concordou em jogar com o garoto com a condi&ccedil;&atilde;o de dar-lhe a vantagem da dama. A  partida segue abaixo:</p>
<p><strong>Iglesias  x Capablanca</strong> <br />
  (As  brancas jogam sem a dama)<br />
  1.e4 e5  2.Cf3 Cf6 3.Cxe5 Cxe4 4.d4 d6 5.Cf3 Be7 6.Bd3 Cf6 7.c4 O-O 8.Cc3 Cc6 9.a3 a6  10.Bd2 b6 11.O-O-O Bd7 12.Rb1 Ca5 13.Tc1 Cb3 14.Tc2 c5 15.d5 Te8 16.h4 b5 17.g4  Cd4 18.Cxd4 cxd4 19.Ce4 bxc4 20.Cxf6+ Bxf6 21.Bxc4 Bxg4 22.Bd3 Bf3 23.Th3 Bxd5  24.h5 Be6 25.Tg3 g6 26.f4 Bh4 27.Tg1 Rh8 28.f5 Bxf5 29.Bxf5 gxf5 30.Bh6 Tg8  31.Tcg2 Txg2 32.Txg2 Df6 33.Bg7+ Dxg7 34.Txg7 Rxg7 35.Rc2 Rf6 36.Rd3 Re5 37.h6  f4 38.Re2 Re4 as brancas se rendem.  </p>
<blockquote><p>
  &ldquo;O xadrez serve, como poucas coisas neste mundo, para distrair e esquecer  momentaneamente, as preocupa&ccedil;&otilde;es da vida&rdquo;. Capablanca.
</p></blockquote>
<p>Com seis anos de idade deu um mate num  dos mais fortes enxadristas cubano. Conservou-se o final da partida e a mesma  est&aacute; publicada, na revista moscovita &quot;El Notici&aacute;rio de Xadrez&quot;, do  ano de 1913, ano&nbsp;em que Capablanca  visitou Moscou.&nbsp;</p>
<p>   <img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/capablanca_6anos.gif' alt='capablanca_6anos.gif' />
<p>
  <strong>Capablanca(com  seis anos!) joga com as negras</strong> <br />
  1&#8230;. Ce3+ 2.Rh3 Td5 3.Txf4 Th5+ 4.Rg3 De1+  (se 4.Th4 Df1+ 5.Rg3 Cf5+) 5.Rf3 Th3+ 6.Tg3 Txh2 7.Dxe3 Dh1+ 8.Rg4 Th4+ 9.Rf5  Dd5+ 10.Rg6 Dg8+ 11.Rf5 Th5+ 12.Re4 Dd5+ mate.</p>
<p style='clear:both'>Com doze anos venceu, num confronto o  mestre Juan Corzo pelo placar de 7- 5. Em 1905, ele vai estudar engenharia na  Universidade de Col&uacute;mbia, tornando-se objeto de suspeita entre os professores  por nunca errar uma quest&atilde;o de c&aacute;lculo e precisar de apenas um quarto do tempo  requerido para responder as avalia&ccedil;&otilde;es. No mesmo ano, ele visita o Manhattan  Chess Club, em Nova Iorque  e participa de uma sess&atilde;o de exibi&ccedil;&atilde;o dada pelo Campe&atilde;o Mundial, Dr. Emanuel  Lasker, sendo o &uacute;nico jogador a venc&ecirc;-lo, sendo cumprimentado por Lasker com as  seguintes palavras hist&oacute;ricas: &ldquo;&Eacute; not&aacute;vel, jovem! Voc&ecirc; n&atilde;o cometeu nenhum  erro&rdquo;! No seu primeiro match internacional, enfrentou o mestre norte-americano  Eugene Delmar ganhando todas as partidas. Entre fim de 1908 e in&iacute;cio de 1909  participou de uma tourn&eacute;e pelos  Estados Unidos. De um total de 734 partidas, ganhou 703, empatou 19 e sofreu  somente doze derrotas.
</p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/capablanca_13anos.jpg' alt='capablanca_13anos.jpg' class='alignright' />
<p> &nbsp;Em 1908 decide abandonar a engenharia para se  dedicar ao xadrez; nesse ano ele enfrenta o&nbsp;  campe&atilde;o norte -americano, Frank Marshall e para surpresa geral, vence por 8&#215;1!  Devido a essa magn&iacute;fica vit&oacute;ria &eacute; convidado para participar do Torneio  Internacional de Mestres, em   San Sebastian, 1911, sob o protesto de alguns jogadores pelo  fato de ele n&atilde;o ter a qualifica&ccedil;&atilde;o de mestre. No final do torneio perdeu apenas  uma&nbsp; partida, sagrando-se campe&atilde;o. Em  1913, o governo cubano deu-lhe um posto na diplomacia, pedindo-lhe que  divulgasse o pa&iacute;s, jogando xadrez! Nessa &eacute;poca ele j&aacute; falava 5 idiomas. </p>
<blockquote><p>
&ldquo;  Poucas partidas tenho aprendido tanto como a da maioria das minhas derrotas&rdquo;.  Capablanca.
</p></blockquote>
<p> Desafiou Lasker, em 1911, pelo t&iacute;tulo mundial. Lasker aceitou, no  entanto, imp&ocirc;s dezessete condi&ccedil;&otilde;es e o match n&atilde;o foi realizado. </p>
<p>Em 1914&nbsp;  tira em segundo lugar no torneio de St. Petersburgo, assistido pelo  Czar. Ainda em 1914, em Moscou, venceu a Bernstein numa partida famosa pela  magnific&ecirc;ncia de uma jogada: Db2!! E tamb&eacute;m por ter fundado uma nova estrat&eacute;gia  de pe&otilde;es colgantes. Tamb&eacute;m bateu Nimzowitsch num elegante final de bispo de  cores opostas. </p>
<p> Em  1921 desafia o campe&atilde;o mundial, Lasker e lhe toma o t&iacute;tulo, num match que se  celebrou em Havana. A  partir de 1917 ele estabelece um recorde jamais igualado: 8 anos sem perder uma  s&oacute; partida! E a sua arrog&acirc;ncia intelectual atinge as alturas: No intervalo de  um torneio, em Londres, passeando casualmente pela sala de jogos, viu os  mestres ingleses e americanos, analisarem uma partida sua, tentando demonstrar  que ele poderia ter perdido; irritado exclamou: <em>Usted hace tentativas; Yo  no, yo se! </em>&nbsp;&nbsp;</p>
<p> Sugere  tamb&eacute;m que se acrescente mais duas colunas ao tabuleiro de xadrez e mais duas  pe&ccedil;as a fim de tornar o jogo mais complicado (ver imagem abaixo). Sua carreira  de triunfos parece n&atilde;o ter fim.&nbsp;</p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/novo_xadrez.jpg' alt=Xadrez de Capablanca' class='centered' /></p>
<blockquote><p>
&ldquo;O  xadrez, como todas as coisas, pode-se aprender at&eacute; um ponto e n&atilde;o mais. O resto  depende da natureza da pessoa&rdquo;. Capablanca.
</p></blockquote>
<p>Em 1925 &eacute;  recebido como her&oacute;i em Moscou e joga no Kremlin na presen&ccedil;a de Stalin. Nesse  mesmo ano vira ator de um filme russo, <em><a href="http://video.google.com/videoplay?docid=3727820471573567512&amp;q=chess+fever&amp;total=15&amp;start=0&amp;num=10&amp;so=0&amp;type=search&amp;plindex=0" target="_blank">Chess Fever</a></em>, uma hist&oacute;ria  a&ccedil;ucarada em que um jovem soldado e a sua amada resolvem se casar inspirados  pelo campe&atilde;o, durante a sua estadia em Moscou.  </p>
<p> Os seus dias de  gl&oacute;ria, entretanto, estavam se findando e a sua perdi&ccedil;&atilde;o, (justificando  plenamente uma m&aacute;xima do fil&oacute;sofo pr&eacute;-socr&aacute;tico, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hes%C3%ADodo" target="_blank">Hes&iacute;odo</a>, que dissera: &ldquo;Aonde  estiver a origem do que &eacute;, a&iacute; estar&aacute; o seu fim. As coisas pagam umas as outras,  castigo e pena, conforme a senten&ccedil;a do tempo&rdquo;) foi, paradoxalmente, a sua  intelig&ecirc;ncia! Em 1927, vindo de uma exibi&ccedil;&atilde;o no Brasil, ele chega a Buenos  Aires, Argentina, para colocar o seu t&iacute;tulo de campe&atilde;o mundial em jogo contra o  ap&aacute;trida russo, <a href="http://www.ccx.org.br/alekhine-parte-1/" target="_blank">Alexandre Alekhine</a>. Este nunca tinha lhe ganho uma s&oacute; partida,  em todos os confrontos anteriores. Ele impedira, ainda, os organizadores de  colocar uma cl&aacute;usula, obrigando Alekhine a um novo confronto, em caso de uma  derrota sua, por considerar tal hip&oacute;tese, improv&aacute;vel! O match terminou com uma  inesperada derrota! 6-3 a  favor de Alekhine e 33 empates. O novo campe&atilde;o jamais concedeu-lhe uma  oportunidade de revanche. Capablanca, ent&atilde;o, deu-se conta que o mundo do xadrez  n&atilde;o era formado, propriamente, por nobres. Uma das pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es que o novo  campe&atilde;o exigia para participar de torneios era que Capablanca n&atilde;o fosse  convidado. Alekhine, tinha dito sobre  Capablanca em 1914: &ldquo;nunca, nem antes e nem depois encontrei algu&eacute;m que  pensasse a uma velocidade t&atilde;o fant&aacute;stica como ele naquela &eacute;poca. Nem sequer  podia imaginar algo parecido. &Eacute; suficiente dizer que ganhou todas as partidas  r&aacute;pidas que jogou contra os mestres de S&atilde;o Petersburgo, com uma rela&ccedil;&atilde;o de  tempo de 1:5&rdquo;. Depois de ter um lance criticado por Capablanca, na modalidade  de xadrez r&aacute;pido, Nimzowitsch se ofendeu: &ldquo;os jogadores sem trajet&oacute;ria deveriam manter a boca fechada na  presen&ccedil;a de seus superiores!&rdquo; Capablanca , em resposta, desafiou-o a  enfrent&aacute;-lo numa s&eacute;rie de jogos r&aacute;pidos, ganhando facilmente todas as partidas.  Os mestres presentes conclu&iacute;ram que Capablanca n&atilde;o podia ser superado no xadrez  rel&acirc;mpago. Esta distin&ccedil;&atilde;o se manteve at&eacute; o final de sua vida.</p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/capablanca_euwe.jpg' alt='capablanca_euwe.jpg' />
<p>Em 1931, num match contra Euwe para  uma suposta revanche contra Alekhine, Capablanca foi criticado por desconhecer  a famosa <a href="http://www.ccx.org.br/games/cilada_monticelli.htm" target="_blank">cilada de Monticelli</a> e ter ca&iacute;do nela. Nesta cilada se perde uma  qualidade. Capablanca, por&eacute;m demonstrou que a posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era irrefut&aacute;vel! Quando  arg&uuml;ido por Euwe, declarou que encontrara a solu&ccedil;&atilde;o na pr&oacute;pria partida.</p>
<blockquote><p> &ldquo;Quando voc&ecirc;s v&ecirc;em uma posi&ccedil;&atilde;o se perguntam o que  sucede e o que suceder&aacute;. Eu n&atilde;o pergunto. Eu sei&rdquo;! Capablanca. </p></blockquote>
<p>Os  convites para torneios come&ccedil;aram a rarear. E ele afastou-se, para a  consterna&ccedil;&atilde;o geral dos aficionados. Em 1934 come&ccedil;ou de novo a jogar  seriamente. Olga Chagoda (ver foto), com quem &nbsp;se casou em 1938, lhe inspirou o retorno.</p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/capablanca_esposa.jpg' alt='Capablanca e sua esposa' class='alignright'/>
<p> O seu retorno triunfal, o canto do cisne,  deu-se em 1936 no torneio de Moscou, onde tirou o primeiro lugar, sendo  ovacionado longamente pelos circunstantes. Neste torneio ele vencera Alekhine.  Partindo de uma posi&ccedil;&atilde;o inferior, conseguiu plantar uma cilada sutilmente  elaborada que n&atilde;o foi percebida por nenhum dos mestres presentes, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de  Lasker. No mesmo ano, tira segundo lugar no torneio de Nottingham, ganhando um  pr&ecirc;mio de beleza pela sua partida contra o arquiinimigo Alekhine. Primeiro  lugar em Paris 1938; segundo em Margate, 1939 e primeiro em Buenos Aires, 1939.  Capablanca conquistou o primeiro ou o segundo lugar em trinta dos 35 torneios  de que participou e perdeu apenas 35 partidas em matches e torneios de um total  de 567 em toda a sua vida. </p>
<p> Botvinnik considerou &ldquo;Os Fundamentos do  Xadrez&rdquo;, de Capablanca, o melhor livro de xadrez que j&aacute; fora escrito. Neste  livro est&atilde;o alguns dos princ&iacute;pios essenciais deste jogo milenar: &ldquo;o bispo &eacute;  geralmente mais forte do que o cavalo&rdquo;; &ldquo;a jun&ccedil;&atilde;o da dama com o cavalo &eacute;  superior a combina&ccedil;&atilde;o da dama e bispo&rdquo;. A explica&ccedil;&atilde;o: o movimento diagonal do  bispo sobrep&otilde;e ao da dama, ao passo que o movimento do cavalo o complementa, alcan&ccedil;ando  imediatamente posi&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o vedadas &agrave; dama, isoladamente. Botvinnik  credita a Capablanca como o primeiro a fazer esta observa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/capablanca_domino.jpg' alt='capablanca_domino.jpg' />
<p> Ele era, possivelmente, o melhor jogador  de domin&oacute; do mundo! Um parente seu, em Havana, C&eacute;sar Revuelta Capablanca,  conta: &ldquo;o jogo de domin&oacute; em Cuba, tem 55 pedras e a maior pontua&ccedil;&atilde;o por pedra &eacute; nove  e a menor zero. Cada jogador pega dez pedras e ganha o jogador que colocar  todas as suas. No caso de bloqueio, ganha aquele que tem menos pontos.  Neste&nbsp; momento hist&oacute;rico, jogavam meu tio  Enrique  Capablanca, a minha tia Lupe Capablanca, meu padrinho C&eacute;sar Graupera Capablanca  e o mestre Jos&eacute; Ra&uacute;l Capablanca e Graupera.  De cada 20 partidas, Capablanca ganhava de 18 a 19. Numa determinada partida, o meu tio  Enrique fez um de seus coment&aacute;rios que ofendeu a Capablanca: &ldquo;que l&aacute;stima, me equivoqu&eacute; en mi pen&uacute;ltima  jugada, pues si hubiese jugado esta ficha, en lugar de la que jugu&eacute;, hubiese  ganado&rdquo;. Capablanca, o contestou: &ldquo;voc&ecirc; n&atilde;o sabe o que est&aacute; dizendo&rdquo;. Os  demais jogadores j&aacute; estavam distribuindo as pedras para a pr&oacute;xima rodada.  &ldquo;Vamos reproduzir o jogo anterior&rdquo;! Todos se quedaram mudos e inclusive os que  jogavam xadrez pr&oacute;ximos, interromperam as suas partidas e se levantaram para  assistir o incidente, algo&nbsp; assim como um  ato de magia. Com assombro, os presentes viram Capablanca distribuir as pedras  viradas para cada um, num total de 4 x 10= 40 pedras. Para si,  separou as quinze pedras restantes, tudo isso numa velocidade supers&ocirc;nica!  Ent&atilde;o diante dos olhos de todos come&ccedil;ou a reproduzir a partida e disse assim: &ldquo;  eu abri com duplo sete, fulano &nbsp;jogou tal  coisa, este passou e aquele n&atilde;o jogava, etc&rdquo;., at&eacute; reproduzir o jogo completo  ante a vista e a aprova&ccedil;&atilde;o de todos. Ent&atilde;o ao chegar ao momento do coment&aacute;rio  do tio Enrique, disse a este: &ldquo;ao seu ver, qual &eacute; a variante ganhadora&rdquo;?  Meu tio ficou mudo. O maestro disse, ent&atilde;o: &ldquo;Bom, eu&nbsp; te ajudo. H&aacute; tr&ecirc;s variantes poss&iacute;veis: a  primeira &eacute; esta, e ao que parece foi a que voc&ecirc; comentou e como pode ver, o  jogo continua assim e ganho eu! Com a segunda variante o jogo se bloqueia aqui  e novamente ganho eu, por ter a menor quantidade de pontos! A terceira variante  foi a que voc&ecirc; comentou e na qual eu ganhei a partida! A partir da&iacute; todos se  recusaram a jogar com ele, com receio de terem as suas limita&ccedil;&otilde;es avaliadas. </p>
<blockquote><p> <em>&quot;En ajedrez cuando juegas con un fuerte jugador las dos armas  disponibles para vencerlo deben ser l&oacute;gica y imaginaci&oacute;n&quot;</em> . Capablanca.</p></blockquote>
<p> Capablanca era bastante sens&iacute;vel &agrave;s  cr&iacute;ticas e tamb&eacute;m muito vaidoso. Ningu&eacute;m procurou a simplicidade no xadrez mais  do que ele. A cr&iacute;tica mais comum que ele recebia era a de que se n&atilde;o&nbsp; pudesse, no tabuleiro, conseguir objetivos  por meios simples, nem sequer tentava outros caminhos. Num torneio jogado no  auge do seu extraordin&aacute;rio per&iacute;odo de invencibilidade de oito anos, ele chegou  numa posi&ccedil;&atilde;o no qual o ganho poderia ser obtido por um vistoso sacrif&iacute;cio de  dama. Para a frustra&ccedil;&atilde;o dos presentes ele optou por uma variante diferente. No  final da partida, perguntaram-lhe se ele n&atilde;o tinha visto o sacrif&iacute;cio. A  resposta: &ldquo;foi a primeira coisa que eu vi! Por&eacute;m, n&atilde;o era o mais simples&rdquo;! &ldquo;O  jogo de Capablanca produzia e segue produzindo um irresist&iacute;vel efeito  art&iacute;stico. Em suas partidas predominava uma tend&ecirc;ncia a simplicidade e nesta  simplicidade existia uma beleza &uacute;nica e genuinamente profunda&rdquo;! (Botvinnik).  &ldquo;Por que eu sempre gostei de Capablanca? Porque jogava de um modo muito simples  e muito claro. Sempre se h&aacute; dito que a simplicidade &eacute; a irm&atilde; do talento. Quando  um homem com talento escreve versos, faz fotos art&iacute;sticas ou alguma outra  coisa, todos dizem: &rdquo;eu tamb&eacute;m posso fazer o mesmo&rdquo;. Por&eacute;m, n&atilde;o podem. S&oacute; algu&eacute;m  com um verdadeiro talento &eacute; capaz de faz&ecirc;-lo. Da mesma maneira, quando a gente  v&ecirc; hoje em dia as partidas de Capablanca, diz: &ldquo;eu podia jogar assim&rdquo;. Por&eacute;m,  por que s&oacute; Capablanca foi capaz de jogar deste modo? A sua grandeza reside  precisamente nesta simplicidade e nesta claridade do seu estilo&rdquo;.(Petrossian). Em  8 de mar&ccedil;o de 1942, o seu maior advers&aacute;rio&nbsp;  o &quot;desafia&quot; para uma partida de xadrez, num hospital de Nova  Iorque, no qual todos os seus geniais recursos foram em v&atilde;o. &quot;O seu jogo  magn&iacute;fico deveria ter memorial perp&eacute;tuo&quot;- Marshall. &quot;O maior jogador  de todos os tempos&quot; &#8211; Kasparov. &quot;Chess Machine&quot; &#8211; R&eacute;ti.</p>
<p align="center"><strong>Poema a Capablanca</strong> <br />
  As&iacute; pues, Capablanca <br />
  no est&aacute; en su trono, sino que anda, <br />
  camina, ejerce su gobierno <br />
  en las calles del mundo. <br />
  Bien est&aacute; que nos lleve <br />
  de Noruega a Zanz&iacute;bar, <br />
  de C&aacute;ncer a la Nieve.<br />
  Va en un caballo blanco, <br />
  caracoleando <br />
  sobre puentes y r&iacute;os <br />
  junto a torres y alfiles,<br />
  el sombrero en la mano <br />
  (para las damas) <br />
  la sonrisa en el aire <br />
  (para los caballeros)<br />
  y su caballo blanco <br />
  sacando chispas puras <br />
  del empedrado&#8230;</p>
<p>  <strong>por el poeta Nicol&aacute;s Guill&eacute;n</strong></p>
<blockquote><p> &ldquo;Posso  adivinhar num momento o que se oculta detr&aacute;s de uma posi&ccedil;&atilde;o, assim como o que  pode ocorrer e o que vai ocorrer. N&atilde;o preciso de an&aacute;lise. Bastam uns  instantes&rdquo;! Capablanca. </p></blockquote>
<p><strong>Observa&ccedil;&atilde;o: </strong>Eu usei  neste artigo de forma extensiva, informa&ccedil;&otilde;es da reportagem do canal h, cubano.</p>
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		<title>Alekhine (parte 2)</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jun 2007 12:31:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O livro &#34;O Pr&#237;ncipe&#34;, de Maquiavel &#233; um valioso manual de manuten&#231;&#227;o de poder, &#250;til para ditadores em v&#225;rias &#233;pocas. Era o livro de cabeceira de St&#225;lin. Exemplo disso &#233; a an&#225;lise, baseado em Maquivael, que St&#225;lin faz do per&#237;odo de Ivan, o Terr&#237;vel: &#34;faltou a ele discernimento para eliminar cinco fam&#237;lias importantes, que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro &quot;O Pr&iacute;ncipe&quot;, de Maquiavel &eacute;  um valioso manual de manuten&ccedil;&atilde;o de poder, &uacute;til para ditadores em v&aacute;rias &eacute;pocas.  Era o livro de cabeceira de St&aacute;lin. Exemplo disso &eacute; a an&aacute;lise, baseado em  Maquivael, que St&aacute;lin faz do per&iacute;odo de Ivan, o Terr&iacute;vel: &quot;faltou a ele  discernimento para eliminar cinco fam&iacute;lias importantes, que o amea&ccedil;avam, e  consolidar o seu poder&quot;, dissera ele.</p>
<p><span id="more-155"></span><br />
<img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/alekhine4.jpg' alt='Alekhine vs Euwe' />
<p>Deve-se dizer  que Alekhine, leitor de Maquiavel, procurou com afinco, ap&oacute;s vencer Capablanca  em 1927, cercar-se de todas as garantias para conservar o seu t&iacute;tulo mundial  pelo maior per&iacute;odo poss&iacute;vel. Para isso, ele cuidou de afastar qualquer&nbsp; possibilidade de enfrentar, novamente,  Capablanca e colocou o seu t&iacute;tulo em jogo, apenas, contra jogadores em que a  sua superioridade t&eacute;cnica era evidente. Assim venceu duas vezes(1931 e 32) ao  russo Bogoljubow, mas o alcoolismo o interceptou. Quando colocou o seu t&iacute;tulo  em jogo, em 1935, contra o campe&atilde;o holand&ecirc;s, Max Euwe, nenhum enxadrista de bom  senso apostaria no holand&ecirc;s. Alekhine perdeu a segunda partida do match, mas  ganhou a primeira, a segunda, terceira e s&eacute;tima, com o resultado de 4 x1, em  seu favor. Os jornais deram o encontro como terminado quando o improv&aacute;vel&nbsp; aconteceu e ele come&ccedil;ou a perder partidas  como principiante. Como seria poss&iacute;vel tal mudan&ccedil;a? Era a pergunta corrente.  Depois de muitas suposi&ccedil;&otilde;es chegou-se a conclus&atilde;o de que Alekhine estava  jogando o match em completo estado de embriaguez. Numa delas, o seu advers&aacute;rio,  falou com polidez, sugerindo o adiamento de uma partida: &quot;Si le parece  bien, lo dejamos para otro d&iacute;a&quot;. &quot;De ninguna manera!&quot; &#8211;  respondeu Alekhine, embolando a l&iacute;ngua. Mesmo assim, a diferen&ccedil;a reduzira-se a  uma partida em favor de Euwe e para tentar recuperar essa diferen&ccedil;a Alekhine  parou a bebida, mas o holand&ecirc;s n&atilde;o deixou que isso acontecesse, tornando-se  ent&atilde;o o novo campe&atilde;o mundial de xadrez. O acerto pelo match, entretanto, previa  uma revanche e dois anos depois, contra todas as&nbsp; previs&otilde;es, Alekhine recupera-se prontamente e  vence o encontro. As novidades introduzidas por ele nesse match desquite  passaram a integrar todas as antologias enxadr&iacute;sticas. Euwe era, ent&atilde;o, o maior  conhecedor de aberturas do mundo, mas uma inova&ccedil;&atilde;o feita por seu advers&aacute;rio na  defesa eslava, o desconcertou e nas complicadas variantes que se seguiram ele  se encontrou sem sa&iacute;da. A variante introduzida por ele levou mais de um ano  para ser refutada. Ao t&eacute;rmino do match, a Sociedade Holandesa Contra o Alcoolismo  mandou para o campe&atilde;o uma simb&oacute;lica cesta com biscoitos e queijos do pa&iacute;s.</p>
<p> Nesse ponto  de sua carreira, Alekhine principiou a subir o G&oacute;lgota.</p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/alekhine31.jpg' alt='Foto da morte de alekhine' class='alignright' />
<p> Sua atua&ccedil;&atilde;o  nos torneios p&oacute;s-1937 foram p&aacute;lidas e repletas de derrotas. A segunda guerra  mundial encontrou-o em   Buenos Aires e, ao contr&aacute;rio dos mestres presentes que  sensatamente preferiram ficar na Argentina, ele optou, junto com a sua terceira  mulher, retornar a Paris onde serviu o ex&eacute;rcito franc&ecirc;s at&eacute; a queda da Fran&ccedil;a  em 1940. Ap&oacute;s esse evento, ele abrigou-se&nbsp;  na Alemanha nazista e escreveu artigos infamantes sobre os judeus  enxadristas. As suas vit&oacute;rias sobre os enxadristas alem&atilde;es e sobre dezenas de  oficiais do ex&eacute;rcito, em simult&acirc;neas, irritaram os funcion&aacute;rios  nacional-socialistas, e em 1943 ele se transfere, completamente na mis&eacute;ria e  abandonado pela esposa, para Portugal onde passa a ser sustentado por  admiradores. Com o t&eacute;rmino da guerra Alekhine foi banido dos torneios  internacionais por suas liga&ccedil;&otilde;es com os nazistas e em 1946,&nbsp; em profunda depress&atilde;o, recebe um telegrama do  campe&atilde;o russo Mikhail Botwinik, pedindo-o que&nbsp;  marcasse um desafio pelo t&iacute;tulo mundial. Com essa not&iacute;cia ele p&aacute;ra de  beber e principia a estudar para o encontro. A morte, entretanto o antecipa e  Alekhine morre engasgado com um osso de galinha, diante do tabuleiro de xadrez,  no seu quarto de hotel, em Estoril &#8211; Portugal.</p>
<p>Sua  contribui&ccedil;&atilde;o a teoria enxadr&iacute;stica foi muito importante. Ele fundou a chamada  &quot;escola hipermoderna&quot;: um conjunto de teorias que rompiam com os  dogmas at&eacute; ent&atilde;o existentes.</p>
<p> O seu antigo  advers&aacute;rio, Max Euwe, dissera sobre ele: &quot;Alekhine &eacute; um rei no tabuleiro  de xadrez e um pe&atilde;o na vida real&quot;.&nbsp;  Seguindo uma trilha de mis&eacute;ria, na qual a deusa caissa  &quot;brinda&quot;aqueles que procuraram viver do jogo, Alekhine morreu&nbsp; s&oacute; e na mis&eacute;ria. No passado o e-x campe&atilde;o  Stenitz morrera de fome e o grande Scheletcher virara mendigo. Ele, apenas,  continuou a tradi&ccedil;&atilde;o. </p>
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		<title>Alekhine (parte 1)</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jun 2007 12:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vezes têm-se a impressão de que a vida, de algumas pessoas, converge para uma determinada e suprema tarefa; seria difícil imaginarmos Gandhi sem a a doutrina da não-violência; Chaplin sem Carlitos; Madre Teresa sem a beneficiência. Descendo, consideravelmente, as escalas, pode-se dizer que no mundo do xadrez essa função de vida coube ao campeão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Foto de Alekhine" href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/alekhine1.jpg"><img class="alignright" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/alekhine1.jpg" alt="Foto de Alekhine" width="159" height="216" /></a></p>
<p>Às  vezes têm-se a impressão de que a vida, de algumas pessoas, converge para uma  determinada e suprema tarefa; seria difícil imaginarmos Gandhi sem a a doutrina  da não-violência; Chaplin sem Carlitos; Madre Teresa sem a beneficiência.  Descendo, consideravelmente, as escalas, pode-se dizer que no mundo do xadrez  essa função de vida coube ao campeão russo, Alexandre Alekhine. Desde tenra  idade ele fez de seu objetivo de vida tomar o cetro do campeão mundial, o  prodígio cubano, Capablanca. Mesmo quando certa vez  lhe lembraram que Capablanca ainda não era o  campeão, ele respondeu com altivez: &#8220;Mas será e ele é o meu real  adversário de sempre!&#8221;.</p>
<p><span id="more-152"></span></p>
<p>Alekhine  nasceu em Moscou em 1892, oriundo de família nobre, masdesajustada. O pai e a  mãe eram alcoólatras. Aprendeu xadrez com sete anos e &#8220;cavou&#8221; o seu  caminho com árduo estudo da teoria do xadrez. Ele uma vez, não sem uma ponta de  ressentimento, confessara lamentar não ter a genialidade de Capablanca que  aprendera xadrez, sozinho, com a idade de quatro anos. Seu  primeiro grande êxito foi no torneio internacional de Moscou, em 1914, onde  inesperadamente situou-se em quarto lugar adquirindo o título de Grande  Mestre. A primeira guerra mundial e a revolução russa vieram interromper a sua  trajetória. Em 1920 ele retorna e ganha o primeiro lugar no I Campeonato  Soviético.</p>
<p>Em 1921,  cumprira a sua previsão e Capablanca tornou-se campeão mundial vencendo Emanuel  Lasker.</p>
<p>Muitas  enxadristas quando referem-se a Alekhine, completam com o refrão:&#8221;era um  grande jogador, mas do ponto de vista moral&#8230;&#8221;, aludindo a um suposto  mau-caráter seu. Diz-se que ele usou de um casamento com uma alemã para sair da  Rússia e que abandonou a mulher, juntamente com a filha, assim que saiu do  território russo. Verdade ou mentira a História costuma ser complacente com a  vida particular dos seus escolhidos. Qual a importância de se saber, por  exemplo, que Einstein tratava a sua primeira mulher literalmente como escrava  proibindo-a, inclusive, de dirigir-lhe a palavra sem a sua permissão? Para a  História, a teoria da relatividade e o seu trabalho como humanista são o que  contam. Da mesma forma o fato de Alekhine ter procurado refúgio na Alemanha  nazista, em plena segunda guerra mundial, não obscurece, para os seus  admiradores, o seu extraordinário fulgor como enxadrista, fruto de um um  gigantesco trabalho pessoal e persistência em alto grau.</p>
<p>Num de seus  artigos ele diz: &#8220;durante uma competição,   o indivíduo deve ser uma mescla de ave de rapina e asceta. Ave quando se  trata de atacar o seu adversário e asceta quando se trata da conduta própria,  do absoluto domínio interior. Não se há de temer a derrota, seja ela na vida ou  no xadrez, mas o desânimo que ela pode ocasionar&#8221;. Com efeito essa era a  sua característica principal. Muitas das partidas premiadas por sua beleza, ele jogou no  dia seguinte após sofrer uma derrota. &#8220;As pessoas hão de acostumarem-se a  resolver os seus problemas psicológicos!&#8221;. Alekhine estimou importante  saber descobrir acertos e desacertos no jogo próprio e de seus adversários; com  uma autocrítica pouco freqüente ele valorou suas qualidades positivas e  negativas e, lembrando o sábio grego Aristóteles, manejou esses recursos  limitados, tal qual um general,  com toda  a estratégia de guerra!</p>
<p>Esta batalha  filosófica ele teve a oportunidade de travar quando em 1927 conseguiu, a custa  de muito esforço, o direito de enfrentar o gênio Capablanca em Buenos Aires,  Argentina. Escreveu ele: &#8220;O primeiro obstáculo enfrentado no meu desafio,  foram os periódicos e revistas, escritas por autoridades enxadrísticas, com  títulos tão ressonantes como: &#8220;Se pode vencer a Capablanca&#8221;? &#8220;De  que modo ganhar-se de um autômato do xadrez&#8221;? E assim por diante&#8221;.</p>
<p><a title="Famosa foto de uma partida entre Alekhine e Capablanca" href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/alekhine2.jpg"><img class="alignleft" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/alekhine2.jpg" alt="Famosa foto de uma partida entre Alekhine e Capablanca" width="281" height="198" /></a></p>
<p>Necessitava-se  tenacidade e audácia para provar opinião própria e combater com ela o parecer  dominante dos legisladores enxadristas. Depois de analisar exaustivamente o  jogo do seu adversário Capablanca, Alekhine escreveu: &#8220;É absurdo  qualificar  de &#8220;máquina  enxadrística&#8221; e de &#8220;campeão de todos os tempos&#8221; a um jogador em  cuja genialidade se descobrem dois ou três descuidos, por não dizer erros  evidentes, que comprometem a posição se o adversário responde adequadamente. É  preciso separar o jogador do mito&#8221;.</p>
<p>Quando o duelo  finalmente começou só dois jogadores de renome previram a vitória de Alekhine:  o ex-campeão Lasker e Réti. Dessa forma a primeira vitória de Alekhine no match  ressoou como uma bomba. O russo havia jogado com precisão e desbaratado as  tentativas de seu adversário de conseguir o empate. Capablanca pede um dia de  descanso e volta empatando a segunda partida e ganhando a terceira. Ganha a  sétima partida e quase ganha a nona. Nesse ponto os jornais vaticinam o término  próximo do match.</p>
<p>Na décima  primeira e segunda partida, recebe de pronto dois terríveis contragolpes.  Provando a sua marca psicológica, após uma derrota, Alekhine joga duas partidas  magistrais, para alguns comentaristas, esplêndidas! O trono do rei se pôs  nervoso e ele propõe a Alekhine   suspender o encontro e reiniciar no ano seguinte, porém este não  concorda com tal proposta. Uma nova vitória de Alekhine na <a href="http://www.ccx.org.br/games/alekhine1.htm" target="_blank">vigésima primeira partida</a> e o  match chega a 4 x2. Apenas duas vitórias lhe separam do título. Na vigésima  sétima partida, Capablanca comete um erro primário e empata uma partida ganha.  Vitória na vigésima nona e o match chega a 4 x3. Vitória de Alekhine na  trigésima segunda e trigésima quarta partida, terminando o match.</p>
<p>O novo campeão  tratou, então, de jamais conceder uma revanche a Capablanca e de todos os  confrontos, em torneios, posteriores a esse match, terminaram com a vitória de  Capablanca e eles não se falaram mais.</p>
<p>No início da  década de 30, o campeão deixou, temporariamente o xadrez, para validar o seu  doutorado em direito, em Paris, obtido na universidade de St Petersburgo.  Falava fluentemente seis idiomas e nesse instante de glória, de fama  enxadrística e intelectual, o destino tramou-lhe novas variantes que desaguaram  em sofrimento e dor, em miséria e morte.</p>
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