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	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; livro</title>
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	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
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		<title>Ser ou não ser?</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O filme &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a medida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik.gif"><img class="alignleft size-medium wp-image-660" title="Hamlet" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik-300x155.gif" alt="Ser ou não ser" width="300" height="155" /></a></p>
<p>O filme  &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um  problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a  vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida  para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a  medida que &#8220;sacrifica-se&#8221; pelo genitor. Como é filme e não vida real,  o espectador termina sendo ofuscado pelo brilho interior da personagem.</p>
<p><span id="more-650"></span></p>
<p>Num outro  extremo, o livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto" target="_blank">Fausto</a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe" target="_blank">Goethe</a>, também coloca um problema parecido de  natureza diferente: não seria jogar a vida fora, trocar a alma pelos prazeres  do mundo? O personagem do livro, mediante um   acordo com Mefistófeles, vende a sua alma em troca das benesses do  mundo. Diuturnamente, a televisão está nos mostrando esse tipo de personagem  &#8220;bem sucedido&#8221; e que não hesita em passar por cima de pessoas ou  instituições, no desejo  doentio de  aumentar sempre o seu  poder, riqueza e  &#8220;glória&#8221;.</p>
<p>A diferença  nos dois exemplos citados pode residir que, no primeiro, a personagem do  filme,embora possa parecer fracassada é, na realidade, vencedora. O segundo  exemplo mostra o contrário.</p>
<p>Diversas  opções de vida com as suas, muitas vezes, trágicas conseqüências podem ser  encontradas no mundo do xadrez.</p>
<p>Certamente,  o americano <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy" target="_blank">Paul Morphy</a>, tido como um dos maiores gênios do jogo não poderia  imaginar que a sua opção pelo xadrez seria a sua ruína. Após percorrer a Europa  durante os anos de 1858-60, vencendo todos os campeões europeus e cobrindo-se  de glória diante de seus compatriotas, foi repelido pela sua noiva, sob a  alegação que não poderia casar-se com um jogador profissional de xadrez; devido  a essa recusa, Morphy entrou em profunda depressão, morrendo poucos anos  depois, perturbado mentalmente. Um contemporâneo de Morphy escreveu sobre ele o  seguinte comentário: &#8220;que coisa estranha é a natureza do ser humano, que  faz com que um jogador de xadrez, que deveria privilegiar a razão ao invés da  emoção, sucumba diante da recusa de uma mulher esnobe, afetada e insensível e  que refletia o seu conceito de vida, apenas, através dos ecos da sociedade  preconceituosa de Nova Orleans. Como é grande o poder da mulher sobre o  homem!&#8221;.</p>
<p>Para Wilhelm Steinitz, campeão mundial em 1883,   a opção pelo xadrez   como meio de vida, foi também a da morte pela fome, em 1900 na ilha de  Ward. Primeiro ele conheceu  a fama e  depois, vítima da efemeridade da glória, teve que lutar, precariamente, pela  sobrevivência, após perder o seu título para Emanuel Lasker, em 1894. Em 1898,  quando participava de um torneio, um   admirador admoestou-lhe, falando que ele já adquirira muita glória podendo  descansar e deixá-la para os jogadores mais jovens; &#8220;a glória eu posso  deixar, mas o dinheiro do prêmio não!&#8221;- foi a resposta.</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Carl Scheletcher</a>, o maior jogador alemão do  século XX, trocou a vida &#8220;monótona&#8221; de pequeno sitiante, no interior  da Alemanha, pela busca da fama em Berlim. Quase a obteve; depois de conseguir o  direito de desafiar o campeão mundial, Emanuel Lasker, numa série de dez  partidas. No último jogo, o empate lhe daria o título e ele claramente superior  recusou, por arrogância, a linha de empate e terminou perdendo a partida.  Como conseqüência dessa derrota, Scheletcher  não conseguiu reagir e, bem depois, viu-se em estado de mendicância sendo  forçado a alistar-se como soldado, na primeira guerra mundial, onde foi morto  no primeiro combate.</p>
<p>Para o russo  Alexander Alekhine, campeão mundial entre 1927 e 1946, a opção foi negociar  a alma com os nazistas. Abrigado em Berlim nos anos de 1939-44, escreveu vários  artigos antisemitas onde, repulsivamente, dizia que os judeus não eram talhados  para o xadrez; percebendo depois que caso continuasse a derrotar os oficiais  nazistas, em torneios, correria perigo de vida, abdicou de sua arte,  deixando-os prevalecer sobre o seu jogo. Em 1944, completamente humilhado pelos  seus anfitriões, foi-lhe, finalmente, permitida a sua saída da Alemanha,  apenas, com uma mala de roupas.</p>
<p>É possível  que a verdadeira opção de vida que faça, realmente, diferença seja a opção  ética; com as  restantes  talvez seja mais sensato calar-nos e como no  poema de Raimundo Correa, <strong>Mal Secreto</strong>, convir que:</p>
<blockquote><p><em>Se a cólera  que espuma, a dor que mora<br />
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,<br />
Tudo que punge, tudo que devora<br />
O coração, no rosto se estampasse;</em></p>
<p><em>Se se pudesse, o espírito que chora,<br />
Ver através da máscara da face;<br />
Quanta gente, talvez, que inveja agora<br />
Nos causa, então piedade nos causasse!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez, consigo<br />
Guarda um atroz, recôndito inimigo,<br />
Como invisível chaga cancerosa!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez existe,<br />
Cuja ventura única consiste<br />
Em parecer aos outros venturosa! </em></p></blockquote>
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		<title>Dois livros de tirar o fôlego</title>
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		<pubDate>Fri, 25 May 2007 12:03:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>
		<category><![CDATA[Xadrez]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao que parece, a inven&#231;&#227;o do xadrez est&#225; ligada a um epis&#243;dio sangrento. Com efeito, conta uma lenda que quando o jogo foi apresentado pela primeira vez &#224; corte, o sult&#227;o quis premiar o obscuro inventor realizando qualquer desejo seu. Ele pediu uma recompensa aparentemente modesta, a de receber todo o cereal que pudesse resultar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/variante_luneburg.jpg' title='A Variante Luneburg'><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/variante_luneburg.thumbnail.jpg' alt='Capa do livro a Variante Luneburg' /></a>
<p>Ao que parece, a inven&ccedil;&atilde;o  do xadrez est&aacute; ligada a um epis&oacute;dio sangrento.</p>
<p>  Com efeito, conta uma lenda que quando o  jogo foi apresentado pela primeira vez &agrave; corte, o sult&atilde;o quis premiar o obscuro  inventor realizando qualquer desejo seu. Ele pediu uma recompensa aparentemente  modesta, a de receber todo o cereal que pudesse resultar de uma soma simples:  um gr&atilde;o na primeira das sessenta e quatro casas, dois gr&atilde;os na segunda, quatro  na terceira, e assim por diante&#8230;</p>
<p><span id="more-145"></span></p>
<p> Mas  quando o sult&atilde;o, que de in&iacute;cio havia aceitado de bom grado, deu-se conta que  n&atilde;o existiria cereal suficiente em seu reino, e talvez no mundo inteiro, para  satisfazer a um tal pedido, considerou oportuno, para se livrar do embara&ccedil;o,  cortar-lhe a cabe&ccedil;a.</p>
<p> A lenda silencia o fato de que o soberano teve  de pagar, a seguir, um pre&ccedil;o bem mais alto: apaixonou-se pelo novo jogo at&eacute;  perder a raz&atilde;o.A avidez do m&iacute;tico inventor, de fato, s&oacute; encontra igual na do  pr&oacute;prio jogo.</p>
<p> Esta  apresenta&ccedil;&atilde;o &eacute; o ponto de partida de um romance policial,  &quot;<a href="http://www.amazon.com/variante-L%C3%BCneburg-Paolo-Maurensig/dp/2020215195/ref=sr_1_1/002-5399912-4875203?ie=UTF8&#038;s=books&#038;qid=1180024027&#038;sr=8-1">A Variante  L&uuml;neburg</a>&quot;, de Paolo Maurensig, editado pela Companhia das Letras, sucesso  editorial na It&aacute;lia, 140 mil exemplares vendidos nas primeiras semanas, que  gira em torno do jogo de xadrez.</p>
<p> O  assasinato misterioso de um alto empres&aacute;rio alem&atilde;o e ex-oficial nazista, diante  de um r&uacute;stico tabuleiro de xadrez, expresso num artigo de uma gazeta:  &quot;ningu&eacute;m jamais poder&aacute; explicar por que naquela noite o dr. Frisch  escolheu, entre os tabuleiros de xadrez de sua preciosa e renomada cole&ccedil;&atilde;o, um  trapo como aquele. Talvez apenas para jogar sua &uacute;ltima partida: aquela com a  morte&quot;.A partir deste ponto a busca da verdade conduz a outros territ&oacute;rios  e outros g&ecirc;neros: o conto filos&oacute;fico,o romance de inicia&ccedil;&atilde;o, tendo como campo o  xadrez e a psicologia obsessiva daqueles que dedicaram a vida a esse jogo.</p>
<p> O  leitor n&atilde;o precisar&aacute; conhecer o jogo para acompanhar a hist&oacute;ria. A Variante  L&uuml;neburg &eacute; uma variante de ataque: um movimento aparentemente il&oacute;gico, que  introduz o caos na ordem racional do jogo. Este fio condutor confrontar&aacute; dois  antagonistas, numa hist&oacute;ria de vingan&ccedil;a que atravessar&aacute; os campos de  exterm&iacute;nios nazistas, na segunda guerra, at&eacute; o&nbsp;  presente. A exemplo do belo filme de Ridley Scoott, &quot;Os  Duelistas&quot;, no qual a obsess&atilde;o doentia de dois  oficiais do ex&eacute;rcito napole&ocirc;nico atravessam os anos, levando-os a  confrontos sucessivos, at&eacute; o cl&iacute;max,no &uacute;ltimo duelo, quando n&atilde;o s&atilde;o mais  jovens,&nbsp; na Variante L&uuml;neburg a obsess&atilde;o  &eacute; o xadrez. O tabuleiro e a vida real tornam-se, ent&atilde;o, dois mundos paralelos:  cada movimento num deles se reflete no outro, com conseq&uuml;&ecirc;ncias fatais.</p>
<p> O  estilo claro e objetivo do autor, se mant&eacute;m colado ao enredo, n&atilde;o concedendo  digress&otilde;es. Os personagens s&atilde;o moldados em tipos narrativos cl&aacute;ssicos, de  natureza complexa e perturbados. Maurensing se movimenta segundo esquemas e  variantes, como se estivesse, ele tamb&eacute;m, jogando uma partida.</p>
<p> Em s&iacute;ntese, um livro de tirar o f&ocirc;lego, do  in&iacute;cio ao fim e que n&atilde;o despreza, em momento algum, a intelig&ecirc;ncia do leitor.</p>
<p><a href='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/impasse.jpg' title='Impasse'><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/impasse.thumbnail.jpg' alt='Capa do livro Impasse' class="alignright" /></a>
<p>Um outro livro com a  mesma tem&aacute;tica &eacute; <em>Impasse</em>, de Icchokas Meras, com um enredo um tanto semelhante ao  livro de Maurensing. O personagem central, o judeu Isaac Lipman, enxadrista  criativo, enfrenta um desafio proposto pelo oficial nazista, Adolf Schoger,  tamb&eacute;m enxadrista e antigo rival de Lipman. Caso seja vencedor, Lipman evitar&aacute;  que todas as crian&ccedil;as judias do gueto de Vilnius seja enviada para os campos de  exterm&iacute;nio, mas neste caso ele mesmo ser&aacute; morto.O personagem opta pela procura  do empate, na tentativa, talvez imposs&iacute;vel,&nbsp;  de reter &ldquo;dois p&aacute;ssaros voando&rdquo;. Uma estrat&eacute;gia, sem d&uacute;vida, cheia de  riscos e com um desfecho inesperado. </p>
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