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	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; poema</title>
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	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
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		<title>Ser ou não ser?</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O filme &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a medida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik.gif"><img class="alignleft size-medium wp-image-660" title="Hamlet" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/hamlet-yorik-300x155.gif" alt="Ser ou não ser" width="300" height="155" /></a></p>
<p>O filme  &#8220;As Filhas de Marvin&#8221; com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um  problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a  vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida  para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a  medida que &#8220;sacrifica-se&#8221; pelo genitor. Como é filme e não vida real,  o espectador termina sendo ofuscado pelo brilho interior da personagem.</p>
<p><span id="more-650"></span></p>
<p>Num outro  extremo, o livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fausto" target="_blank">Fausto</a>, de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe" target="_blank">Goethe</a>, também coloca um problema parecido de  natureza diferente: não seria jogar a vida fora, trocar a alma pelos prazeres  do mundo? O personagem do livro, mediante um   acordo com Mefistófeles, vende a sua alma em troca das benesses do  mundo. Diuturnamente, a televisão está nos mostrando esse tipo de personagem  &#8220;bem sucedido&#8221; e que não hesita em passar por cima de pessoas ou  instituições, no desejo  doentio de  aumentar sempre o seu  poder, riqueza e  &#8220;glória&#8221;.</p>
<p>A diferença  nos dois exemplos citados pode residir que, no primeiro, a personagem do  filme,embora possa parecer fracassada é, na realidade, vencedora. O segundo  exemplo mostra o contrário.</p>
<p>Diversas  opções de vida com as suas, muitas vezes, trágicas conseqüências podem ser  encontradas no mundo do xadrez.</p>
<p>Certamente,  o americano <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy" target="_blank">Paul Morphy</a>, tido como um dos maiores gênios do jogo não poderia  imaginar que a sua opção pelo xadrez seria a sua ruína. Após percorrer a Europa  durante os anos de 1858-60, vencendo todos os campeões europeus e cobrindo-se  de glória diante de seus compatriotas, foi repelido pela sua noiva, sob a  alegação que não poderia casar-se com um jogador profissional de xadrez; devido  a essa recusa, Morphy entrou em profunda depressão, morrendo poucos anos  depois, perturbado mentalmente. Um contemporâneo de Morphy escreveu sobre ele o  seguinte comentário: &#8220;que coisa estranha é a natureza do ser humano, que  faz com que um jogador de xadrez, que deveria privilegiar a razão ao invés da  emoção, sucumba diante da recusa de uma mulher esnobe, afetada e insensível e  que refletia o seu conceito de vida, apenas, através dos ecos da sociedade  preconceituosa de Nova Orleans. Como é grande o poder da mulher sobre o  homem!&#8221;.</p>
<p>Para Wilhelm Steinitz, campeão mundial em 1883,   a opção pelo xadrez   como meio de vida, foi também a da morte pela fome, em 1900 na ilha de  Ward. Primeiro ele conheceu  a fama e  depois, vítima da efemeridade da glória, teve que lutar, precariamente, pela  sobrevivência, após perder o seu título para Emanuel Lasker, em 1894. Em 1898,  quando participava de um torneio, um   admirador admoestou-lhe, falando que ele já adquirira muita glória podendo  descansar e deixá-la para os jogadores mais jovens; &#8220;a glória eu posso  deixar, mas o dinheiro do prêmio não!&#8221;- foi a resposta.</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Carl Scheletcher</a>, o maior jogador alemão do  século XX, trocou a vida &#8220;monótona&#8221; de pequeno sitiante, no interior  da Alemanha, pela busca da fama em Berlim. Quase a obteve; depois de conseguir o  direito de desafiar o campeão mundial, Emanuel Lasker, numa série de dez  partidas. No último jogo, o empate lhe daria o título e ele claramente superior  recusou, por arrogância, a linha de empate e terminou perdendo a partida.  Como conseqüência dessa derrota, Scheletcher  não conseguiu reagir e, bem depois, viu-se em estado de mendicância sendo  forçado a alistar-se como soldado, na primeira guerra mundial, onde foi morto  no primeiro combate.</p>
<p>Para o russo  Alexander Alekhine, campeão mundial entre 1927 e 1946, a opção foi negociar  a alma com os nazistas. Abrigado em Berlim nos anos de 1939-44, escreveu vários  artigos antisemitas onde, repulsivamente, dizia que os judeus não eram talhados  para o xadrez; percebendo depois que caso continuasse a derrotar os oficiais  nazistas, em torneios, correria perigo de vida, abdicou de sua arte,  deixando-os prevalecer sobre o seu jogo. Em 1944, completamente humilhado pelos  seus anfitriões, foi-lhe, finalmente, permitida a sua saída da Alemanha,  apenas, com uma mala de roupas.</p>
<p>É possível  que a verdadeira opção de vida que faça, realmente, diferença seja a opção  ética; com as  restantes  talvez seja mais sensato calar-nos e como no  poema de Raimundo Correa, <strong>Mal Secreto</strong>, convir que:</p>
<blockquote><p><em>Se a cólera  que espuma, a dor que mora<br />
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,<br />
Tudo que punge, tudo que devora<br />
O coração, no rosto se estampasse;</em></p>
<p><em>Se se pudesse, o espírito que chora,<br />
Ver através da máscara da face;<br />
Quanta gente, talvez, que inveja agora<br />
Nos causa, então piedade nos causasse!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez, consigo<br />
Guarda um atroz, recôndito inimigo,<br />
Como invisível chaga cancerosa!</em></p>
<p><em>Quanta gente que ri, talvez existe,<br />
Cuja ventura única consiste<br />
Em parecer aos outros venturosa! </em></p></blockquote>
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		<title>Poema &#8211; Odes</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 19:04:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Xadrez]]></category>

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		<description><![CDATA[por Ricardo Reis Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia Tinha não sei qual guerra, Quando a invasão ardia na Cidade E as mulheres gritavam, Dois jogadores de xadrez jogavam O seu jogo contínuo. À sombra de ampla árvore fitavam O tabuleiro antigo, E, ao lado de cada um, esperando os seus Momentos mais folgados, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Reis" target="_blank">por Ricardo Reis</a></em></p>
<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/poesia.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-667" title="poesia" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/poesia-231x300.jpg" alt="" width="161" height="210" /></a></p>
<blockquote><p><em>Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia<br />
Tinha não sei qual guerra,<br />
Quando a invasão ardia na Cidade<br />
E as mulheres gritavam,<br />
Dois jogadores de xadrez jogavam<br />
O seu jogo contínuo.</em></p>
<p><em> À sombra de ampla árvore fitavam<br />
O tabuleiro antigo,<br />
E, ao lado de cada um, esperando os seus<br />
Momentos mais folgados,<br />
Quando havia movido a pedra, e agora<br />
Esperava o adversário.<br />
Um púcaro com vinho refrescava<br />
Sobriamente a sua sede.</em></p>
<p><span id="more-625"></span></p>
<p><em> Ardiam casas, saqueadas eram<br />
As arcas e as paredes,<br />
Violadas, as mulheres eram postas<br />
Contra os muros caídos,<br />
Traspassadas de lanças, as crianças<br />
Eram sangue nas ruas&#8230;<br />
Mas onde estavam, perto da cidade,<br />
E longe do seu ruído,<br />
Os jogadores de xadrez jogavam<br />
O jogo de xadrez.</em></p>
<p><em> Inda que nas mensagens do ermo vento<br />
Lhes viessem os gritos,<br />
E, ao refletir, soubessem desde a alma<br />
Que por certo as mulheres<br />
E as tenras filhas violadas eram<br />
Nessa distância próxima,<br />
Inda que, no momento que o pensavam,<br />
Uma sombra ligeira<br />
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,<br />
Breve seus olhos calmos<br />
Volviam sua atenta confiança<br />
Ao tabuleiro velho.</em></p>
<p><em> Quando o rei de marfim está em perigo,<br />
Que importa a carne e o osso<br />
Das irmãs e das mães e das crianças?<br />
Quando a torre não cobre<br />
A retirada da rainha branca,<br />
O saque pouco importa.<br />
E quando a mão confiada leva o xeque<br />
Ao rei do adversário,<br />
Pouco pesa na alma que lá longe<br />
Estejam morrendo filhos.</em></p>
<p><em> Mesmo que, de repente, sobre o muro<br />
Surja a sanhuda face<br />
Dum guerreiro invasor, e breve deva<br />
Em sangue ali cair<br />
O jogador solene de xadrez,<br />
O momento antes desse<br />
(É ainda dado ao cálculo dum lance<br />
Pra a efeito horas depois)<br />
É ainda entregue ao jogo predileto<br />
Dos grandes indif&#8217;rentes.</em></p>
<p><em> Caiam cidades, sofram povos, cesse<br />
A liberdade e a vida.<br />
Os haveres tranqüilos e avitos<br />
Ardem e que se arranquem,<br />
Mas quando a guerra os jogos interrompa,<br />
Esteja o rei sem xeque,<br />
E o de marfim peão mais avançado<br />
Pronto a comprar a torre.</em></p>
<p><em> Meus irmãos em amarmos Epicuro<br />
E o entendermos mais<br />
De acordo com nós-próprios que com ele,<br />
Aprendamos na história<br />
Dos calmos jogadores de xadrez<br />
Como passar a vida.</em></p>
<p><em> Tudo o que é sério pouco nos importe,<br />
O grave pouco pese,<br />
O natural impulso dos instintos<br />
Que ceda ao inútil gozo<br />
(Sob a sombra tranqüila do arvoredo)<br />
De jogar um bom jogo.</em></p>
<p><em> O que levamos desta vida inútil<br />
Tanto vale se é<br />
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,<br />
Como se fosse apenas<br />
A memória de um jogo bem jogado<br />
E uma partida ganha<br />
A um jogador melhor.</em></p>
<p><em> A glória pesa como um fardo rico,<br />
A fama como a febre,<br />
O amor cansa, porque é a sério e busca,<br />
A ciência nunca encontra,<br />
E a vida passa e dói porque o conhece&#8230;<br />
O jogo do xadrez<br />
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco<br />
Pesa, pois não é nada.</em></p>
<p><em> Ah! sob as sombras que sem qu&#8217;rer nos amam,<br />
Com um púcaro de vinho<br />
Ao lado, e atentos só à inútil faina<br />
Do jogo do xadrez<br />
Mesmo que o jogo seja apenas sonho<br />
E não haja parceiro,<br />
Imitemos os persas desta história,<br />
E, enquanto lá fora,<br />
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida<br />
Chamam por nós, deixemos<br />
Que em vão nos chamem, cada um de nós<br />
Sob as sombras amigas<br />
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez<br />
A sua indiferença.</em></p></blockquote>
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		<title>O peso da decisão</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 11:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Lasker]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Schlechter]]></category>
		<category><![CDATA[Shakespeare]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentre as supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas e  arcar com o ônus dessas. Supõe-se que nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de decidir, pois envolve, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-663" title="Dúvida" src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/duvida2-287x300.jpg" alt="" width="222" height="232" /></a></p>
<p>Dentre as  supostas virtudes que o jogo de xadrez propicia ao enxadrista, destaca-se o  estímulo à decisão. A cada lance, o jogador é obrigado a fazer as escolhas  e  arcar com o ônus dessas. Supõe-se que  nenhuma obrigação é mais penosa ao espírito do ser humano do que o ato de  decidir, pois envolve, não raras vezes, conseqüências muitas das quais  desastrosas. A história está repleta de exemplos, não só do que pode causar a  decisão errada, como também o efeito do seu oposto: a indecisão.</p>
<p><span id="more-662"></span></p>
<p>A dinastia  chinesa dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_Sung" target="_blank">Sung</a> findou-se porque o  chefe supremo dos exércitos chineses, quando recebeu a notícia de que a capital  estava cercada pelos mongóis, encontrava-se de bruços a olhar um combate de  grilos e não foi capaz de afastar-se deles, sem antes saber qual seria o  vencedor. Caiu a capital e assim terminou o império dos Sung.</p>
<p>A conhecida  fábula do &#8220;Asno de Burundin&#8221;, conecta-se com a história chinesa, pois  aquele, depois de atravessar um deserto e deparar-se com um monte de feno de um  lado e água límpida em abundância, do outro, não foi capaz de decidir-se  primeiro pela água ou pelo feno, vindo a morrer de fome e de sede.<br />
Por outro  lado, decisões dramáticas são muitas vezes impostas. No livro de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Styron" target="_blank">William  Styron</a>, A Escolha de Sofia, a personagem Sofia tem de escolher, num campo de  extermínio nazista, salvar o seu filho ou a sua filha da morte, condição  imposta pelo carrasco do campo. A indecisão aí, acarretaria a morte de ambos os  filhos.</p>
<p>No xadrez,  vida e títulos obedeceram, não raras vezes, aos caprichos de uma decisão  errônea ou indecisão.</p>
<p>Na décima e última partida pelo título  mundial de xadrez de 1910, o desafiante <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Schlechter" target="_blank">Schelechter</a> jogando com o campeão  mundial, Emanuel Lasker, precisaria apenas de um simples empate para tomar o  cetro do campeão; a partida lhe era favorável e, como ele confessou muito  depois, a linha de empate fora visualizada por ele com toda a segurança. Ao invés,  entretanto, de empatar e passar a história como campeão mundial, preferiu  decidir-se por outra variante complicada e cheia de perigos ocultos que acabou lhe sendo fatal. Por que  enveredara por essa escolha? A sua explicação foi singela: &#8220;uma mulher da  platéia, muito bonita, olhava o jogo com interesse, parecendo entender bem a  partida. Para não decepcioná-la com um empate, resolvi escolher a outra  variante&#8221;. Alguém lembrou-lhe que aquele &#8220;simples empate&#8221;o  tornaria campeão mundial. Ao conhecer a fome e a mendicidade muitos anos  depois, Schelechter, talvez tivesse se lembrado de que a sua decisão  irresponsável, e mais nada,  fora a causa  da sua derrocada.</p>
<p>Como tomar,  porém, a melhor decisão, nas diversas circunstâncias de vida? Ao que se  sabe  hoje, o uso de elementos intuitivos  é de vital importância, assim como uma grande consciência da responsabilidade  decisória. Imagine o leitor, por um momento, que ele seja um dos  missionários referidos abaixo. Suponhamos que  o seguinte problema lhe seja apresentado agora: é preciso transportar,  atravessando um rio, três missionários e três canibais, fazendo-se várias  viagens num barco de capacidade para apenas duas pessoas. Todavia, o número de  canibais, em terra, jamais deve ser maior do que o dos missionários(por motivos  óbvios). Como decidir, corretamente, esse transporte?</p>
<p>Decisões e  erros, porém, andam juntos e ao final das contas, talvez, não exista outra  decisão mais conveniente do que a reflexão dos versos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare" target="_blank">Shakespeare</a> que fala  sobre a nossa condição humana de decidir:</p>
<blockquote><p><em>Não te doa jamais em pensar em falha tua.</em><br />
<em>Na rosa espinhos há,</em><br />
<em>turva-se a fonte clara;</em><br />
<em>vela a nuvem e o eclipse a luz do do sol, da lua,</em><br />
<em>E o ascoso pulgão vive até na flor mais rara. Todo homem erra sempre”.</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Poema &#8211; Xadrez</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/poema-xadrez/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 12:44:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Xadrez]]></category>

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		<description><![CDATA[por Jorge Luis Borges I Em seu compenetrado recanto, os jogadores movem as lentas peças. O tabuleiro retarda-os até a aurora em seu severo âmbito em que se odeiam duas cores. Dentro irradiam mágicos rigores as formas: torre homérica, ligeiro cavalo, armada rainha, rei que se resguarda, oblíquo bispo e peões agressores. Quando esses jogadores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Luis_Borges" target="_blank">por Jorge Luis Borges</a></em></p>
<blockquote>
<p><strong>I</strong><br />
<a href="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/poesia.jpg"><img src="http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/poesia-231x300.jpg" alt="" title="poesia" width="161" height="210" class="alignright size-medium wp-image-667" /></a><br />
    <em>Em seu compenetrado recanto, os jogadores<br />
    movem as lentas peças. O tabuleiro<br />
    retarda-os até a aurora em seu severo<br />
    âmbito em que se odeiam duas cores.<br />
    Dentro  irradiam mágicos rigores<br />
    as formas: torre homérica, ligeiro<br />
    cavalo, armada rainha, rei que se resguarda,<br />
    oblíquo bispo e peões agressores.<br />
    Quando  esses jogadores tenham ido,<br />
    quando o tempo os haja consumido,<br />
    por certo não terá cessado o rito.<br />
    Foi  no Oriente que se armou tal guerra,<br />
    cujo anfiteatro é hoje toda a terra.<br />
    Como o outro, este jogo é infinito.</em><br />
    &nbsp;<br /><span id="more-617"></span><br />
    <strong>II</strong><br />
    &nbsp;<br />
    <em>Tênue  rei, torto bispo, encarniçada<br />
    rainha, torre direta e peão ladino<br />
    por sobre o negro e o branco do caminho<br />
    buscam e evitam a batalha armada.<br />
    Desconhecem  que a mão assinalada<br />
    do jogador governa seu destino,<br />
    não sabem que um rigor diamantino<br />
    sujeita seu arbítrio e sua jornada.<br />
    Também  o jogador é prisioneiro<br />
    de um outro tabuleiro<br />
    de negras noites e de brancos dias.<br />
    Deus  move o jogador, e este a peça.<br />
    Que Deus por trás de Deus a trama começa<br />
    de poeira e tempo e sonho e agonias?</em></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>&#8220;O que chamais de acaso&#8230;&#8221;</title>
		<link>http://www.ccx.org.br/o-que-chamais-de-acaso/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2007 00:10:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Ivanov]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada mais &#233; do que a provid&#234;ncia em a&#231;&#227;o!&#34;. Para o desconhecido Igor Ivanov, representante da Rep&#250;lblica do Uzbequist&#227;o, nas Espartaqu&#237;adas de Moscou, em 1977, o diagrama abaixo significou bem mais do que uma simples partida de xadrez, representou a sua liberdade. Karpov Igor Ivanov Nessa posi&#231;&#227;o, o campe&#227;o mundial Karpov poderia ter empatado mediante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Nada mais &eacute; do que a provid&ecirc;ncia em a&ccedil;&atilde;o!&quot;.  Para o desconhecido Igor Ivanov, representante  da Rep&uacute;lblica do Uzbequist&atilde;o, nas Espartaqu&iacute;adas de Moscou, em 1977, o diagrama  abaixo significou bem mais do que uma simples partida de xadrez, representou a  sua liberdade. </p>
<p> Karpov</p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/acaso.jpg' alt='Partida de Ivanov x Karpov' style='float:none'/></p>
<p>Igor Ivanov</p>
<p><span id="more-195"></span></p>
<p>Nessa posi&ccedil;&atilde;o, o campe&atilde;o mundial Karpov poderia ter  empatado mediante 38&#8230;P5T; 39- T1D-T8T; 40-DxT+ -DxD; 41-TxT -D6C empate; em vez  disso jogou 38&#8230; T8T + ; 39-R2T-T7T; 40-B6B-T2T; 41-D5B-T2B; 42-D6C e Karpov  abandonou.  </p>
<p>Ivanov conta,  nas suas mem&oacute;rias, que desde muito cedo sonhava em abandonar a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Morador em Lenigrado dividia  com a fam&iacute;lia um espa&ccedil;o de nove metros quadrados. Havia, ainda, assinala, uma cozinha  e dois banheiros para serem divididos com quinze inquilinos&quot;.  </p>
<p>&quot;Tudo  aconteceu por acaso&quot;, conta ele. Quando eu tinha quinze anos e andava  angustiado com a minha falta de perspectiva, parei por acaso, numa pra&ccedil;a,  diante de dois jogadores de xadrez, mais por in&eacute;rcia do que por interesse. Ent&atilde;o  um deles falou algo que, literalmente, mudou o meu destino; foram palavras  prosaicas, ditas de passagem: Mikhail Seyvitich ser&aacute; o nosso representante no  Torneio Internacional de Frankfurt. Algo estalou dentro de mim e fui tomado por  um sentimento avassalador : &quot;O  xadrez poderia ser a chave para sair do pa&iacute;s!&quot;. No entanto, meu entusiasmo  amainou quando eu refleti que para ter essa permiss&atilde;o, eu teria que me tornar  Grande Mestre, ou seja, um enxadrista de alta categoria. Naquele momento eu  olhei o tabuleiro, admirado diante dos seus insond&aacute;veis enigmas; era um final  de tarde e a neve tinha come&ccedil;ado a cair&quot;.  </p>
<p>A partir da&iacute;,  no entanto, eu come&ccedil;ei a estudar xadrez . Levava, &agrave;s vezes, mais de dez horas  consecutivas de estudo, de tal forma que a minha m&atilde;e (o meu pai cumpria pris&atilde;o  na Sib&eacute;ria por pretensas atividades anticomunistas) se preocupou seriamente  comigo, achando que eu estava fora do meu ju&iacute;zo normal.  </p>
<p>Os primeiros  triunfos importantes, eu consegui quatro  anos depois; com vinte e tr&ecirc;s anos  consegui o t&iacute;tulo de Mestre Internacional e com vinte e cinco o de Grande  Mestre. Tinha gasto mais horas de estudo de do xadrez  do que qualquer estudante na sua carreira escolar, incluindo a universidade.</p>
<p>&quot;A  vit&oacute;ria contra o campe&atilde;o mundial, Karpov deu-me direito &agrave; integrar a equipe  sovi&eacute;tica que disputaria o Memorial Capablanca, em Havana. Enquanto  um ex-procurador dos tempos de St&aacute;lin, Baturinsky, remetia para mim o passaporte, eu examinava, com ansiedade, as  possibilidades de fuga que dependiam das escalas t&eacute;cnicas do v&ocirc;o  Moscou-Havana-Moscou. Caso as escalas fossem feitas no Marrocos, eu n&atilde;o poderia  descer do avi&atilde;o. Passei , ent&atilde;o, a se apegar &agrave; esperan&ccedil;a de que uma dessas  escalas fosse feita no aeroporto de Gander, na prov&iacute;ncia de Terra-Nova, no  Canad&aacute;. Sem ousar perguntar nada, com receio de que o meu passaporte fosse tirado, eu esperei. Na ida as escalas  foram feitas no Marrocos e eu tive que jogar em Cuba. No retorno o avi&atilde;o  parou em Gander! Pedi para sair um pouco e depois de alguma relut&acirc;ncia, foi me  dada &agrave; permiss&atilde;o. Desci em dire&ccedil;&atilde;o a &aacute;rea de tr&acirc;nsito, acompanhado de um  policial sovi&eacute;tico. Fi-lo crer que ia comprar presentes e entrei na primeira  loja, distraindo-o com uma observa&ccedil;&atilde;o jocosa a uma mulher que passava. Nesse  momento, dirigi-me a balconista e estendi um bilhete em que  estava escrito em franc&ecirc;s e ingl&ecirc;s: &quot;sou russo e pe&ccedil;o asilo  pol&iacute;tico&quot;. O policial russo, ao  perceber o logro, arrastou -me, furioso,  de volta para o avi&atilde;o. Em estado de desespero me imaginei na Sib&eacute;ria, junto com  o meu pai, punido como traidor da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. Quando o avi&atilde;o estava pr&oacute;ximo de  decolar, a policia canadense adentrou &agrave;  aeronave, seguido da balconista. &quot;Naquele instante fui instado pelos &quot;amigos&quot;  presentes a negar o pedido de asilo.  Alguns  referiram-se as repres&aacute;lias que minha m&atilde;e iria sofrer. Entretanto, reafirmei,  perante a pol&iacute;cia canadense, o meu pedido de asilo e fui retirado do avi&atilde;o, sob  o olhar raivoso da pol&iacute;cia secreta&quot;.  </p>
<p>Duas semanas  depois Ivanov conquistou o torneio aberto de Montreal e foi acolhido pelo  professor Normandeau, sua mulher Francine, seu cachorro &quot;Lobo&quot;e&#8230;  sua filha Genevi&eacute;ve, no dizer de alguns, a mulher mais bela de Montreal, na  &eacute;poca.  </p>
<p>A paix&atilde;o foi inevit&aacute;vel  e Ivanov&nbsp; deu a Genevi&eacute;ve de presente de  noivado uma composi&ccedil;&atilde;o enxadr&iacute;stica de um poema feito pelo GM russo, Korolov. O  poema e a composi&ccedil;&atilde;o seguem abaixo.</p>
<p>O poema chama-se  &quot;Excelsior&quot;, do poeta americano Henry Wadsworth Longfellow, autor do  &quot;Salmo da Vida&quot; e &uacute;nico poeta norte-americano cujo nome figura no  &quot;Canto dos Poetas&quot; da abadia de Westminster. Eis o poema: </p>
<p><em>&quot;As sombras da noite ca&iacute;am r&aacute;pido</em><br />
    <em>Quando por um vilarejo alpino passou</em><br />
    <em>Um jovem que portava, em meio &agrave; neve e ao  gelo,</em><br />
    <em>Um pend&atilde;o com a estranha divisa:  Excelsior!</em></p>
<p><em>Em lares felizes ele via o lampejar</em><br />
    <em>De acolhedoras lareiras faiscantes.</em><br />
    <em>No alto, as geleiras fantasmag&oacute;ricas  reluziam</em><br />
    <em>E de seus l&aacute;bios escapou um gemido:  Excelsior!</em></p>
<p><em>&quot;N&atilde;o arrisque o desfiladeiro&quot;,  disse o velho.</em><br />
    <em>&quot;Negreja a tempestade no c&eacute;u;</em><br />
    <em>A torrente troante &eacute; funda e larga!&quot;</em><br />
    <em>E respondeu altissonante a voz &eacute;rea:  Excelsior!</em></p>
<p><em>&quot;Oh p&aacute;ra&quot;, disse a mo&ccedil;a, e  repousa</em><br />
    <em>Tua cabe&ccedil;a cansada neste peito!&quot;</em><br />
    <em>Uma l&aacute;grima brotou em seu olho rutilante</em><br />
    <em>Mas, com um suspiro, ele ainda respondeu:</em><br />
    <em>Excelsior!</em></p>
<p><strong>Eis o problema de xadrez, baseado no poema, composto por  Korolkov: </strong></p>
<p><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/acaso2.jpg' alt='Problema de Xadrez' style='float:none'/></p>
<p>O jovem (Ivanov) &eacute; o pe&atilde;o  situado na casa 2CD; o velho &eacute; o Rei branco e a mo&ccedil;a (Genevi&eacute;ve), a Dama branca. Para ganhar  &eacute; preciso que o jovem ( o pe&atilde;o em 2CD) avance sempre.<em> Excelsior!</em></p>
<p><strong>1- PXP + &#8211; R4B</strong>( se RXP; 2- D3C mate; se 1&#8230;R5B;2-D3C+-  R6D;3-D2B+ &#8211; R6R;4-D2D+ &#8211; R6B; 5- D3D+ &#8211; R7C e 6-DXPR)<br />
    <strong>2- PXP+ &#8211; R3D</strong>( se 2&#8230;RXP;3-D2C+ &#8211; R6R; 4-D2D+ etc.;  se 2-PXP; 3- D5B+&nbsp; E 4- DXP7B).<br />
    <strong>3-PXP+ &#8211; R2R</strong>( se 3&#8230;RXP;4-D2C+ -R3D;5-DXPR; se  3&#8230;PXP; 4-D3D+; se 3&#8230;R3R, 4-D3C+ &#8211; R4B;5-D3B+; se 3&#8230;R3B; 4- D2B+). <br />
    <strong>4- PXP+ &#8211; R1B</strong>(se 4&#8230;RXP; 5-D2C+; 4&#8230;PXP; 5-D4R+;  &#8230;4-R2B; 5-D3C+ &#8211; R3C;6-D3C+).<br />
    <strong>5-PXP+ &#8211; R1C;6-PXC=D+ -RXD;7-D2C+ &#8211; R1C;  8- DXP</strong> e ganham.</p>
<p>Ivanov&nbsp; e Genevi&eacute;ve, por pouco, n&atilde;o viveram felizes  para sempre. Igor Ivanov faleceu em 2005.</p>
<p>Ivanov era pianista e  matem&aacute;tico. Ele venceu o Utah Open em 29 de outubro de 2005, tr&ecirc;s semanas antes  de sua morte, por c&acirc;ncer.</p>
<p align="right"><strong>Cr&ocirc;nica  reproduzida, em parte, do livro &ldquo;Cr&ocirc;nicas de Xadrez&rdquo;.</strong></p>
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