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	<title>Clube Conquistense de Xadrez&#187; política</title>
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	<description>Xadrez de Vitória da Conquista e Região</description>
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		<title>O Xadrez e a Política</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2007 11:19:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armínio Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando Arist&#243;teles nos diz que &#34;o homem &#233; um animal pol&#237;tico&#34;, quer nos dizer, tamb&#233;m, implicitamente, que o homem n&#227;o pode jamais abandonar a sua &#34;natureza&#34; pol&#237;tica; constitui uma tolice algu&#233;m declarar-se apol&#237;tico, e o xadrez, como diria o conselheiro Ac&#225;cio, jogado por homens (e mulheres), n&#227;o poderia fugir desse alvo. No reinado dos califas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/aristoteles.jpg' title='Imagem do filósofo Aristóteles'><img src='http://www.ccx.org.br/blog/wp-content/uploads/aristoteles.thumbnail.jpg' alt='Imagem do filósofo Aristóteles' /></a>
<p> Quando Arist&oacute;teles nos diz que &quot;o homem  &eacute; um animal pol&iacute;tico&quot;, quer nos dizer, tamb&eacute;m, implicitamente, que o homem  n&atilde;o pode jamais abandonar a sua &quot;natureza&quot; pol&iacute;tica; constitui uma  tolice algu&eacute;m declarar-se apol&iacute;tico, e o xadrez, como diria o conselheiro  Ac&aacute;cio, jogado por homens (e mulheres), n&atilde;o poderia fugir desse alvo.</p>
<p> No reinado dos califas, o xadrez j&aacute; era tido  como preocupa&ccedil;&atilde;o de Estado, com o fim de conferir prest&iacute;gio aos governantes, e  os melhores enxadristas eram pagos regiamente para exercer a sua arte. Um dos  maiores enxadristas do s&eacute;culo XVI, o padre espanhol Rui L&oacute;pez, morava em  aposentos cont&iacute;guos aos do rei Felipe II e tinha como obriga&ccedil;&atilde;o enfrentar,  regularmente, jogadores de pa&iacute;ses rivais na presen&ccedil;a do monarca.</p>
<p><span id="more-142"></span></p>
<p> Em 1918, o enxadrista Jos&eacute; Raul Capablanca,  recebeu um cargo de diplomata, vital&iacute;cio, do governo de Cuba para divulgar o  seu pa&iacute;s, jogando xadrez.</p>
<p>  Em nenhum pa&iacute;s, no entanto, o xadrez  confundiu-se com a pr&oacute;pria pol&iacute;tica de Estado como na ex-URSS. Com o advento da  revolu&ccedil;&atilde;o, L&ecirc;nin, ele pr&oacute;prio um aficcionado do jogo, escolheu o xadrez como um  instrumento para mostrar a superioridade do homem socialista sobre os seus  advers&aacute;rios capitalistas.</p>
<p> No cl&aacute;ssico livro do historiador Robert  Conquest, O Grande Terror, sobre os expurgos de St&aacute;lin, tem-se um ilustrativo  trecho da fala de Krylenko(Comiss&aacute;rio do Povo para a Justi&ccedil;a), p&aacute;g. 271, num  congresso de enxadristas em 1932: &quot;Devemos terminar de uma vez por todas  com esta neutralidade do xadrez. Devemos condenar de uma vez por todas a  f&oacute;rmula &#8216;o xadrez pelo xadrez&#8217;, assim como a f&oacute;rmula &#8216;a arte  pela arte&#8217;. Precisamos organizar as brigadas de choques de enxadristas e  dar in&iacute;cio a um imediato Plano Q&uuml;inquenal para o xadrez&quot;. Quando de sua  pris&atilde;o, Krylenko recebeu na Butyrka um tratamento especialmente indigno  &quot;para acabar com a sua presun&ccedil;&atilde;o&quot;. Depois de algum tempo, foi levado  para a pris&atilde;o de Lefortovo, onde desapareceu para sempre. Uma das acusa&ccedil;&otilde;es  contra Krylenko foi a de que retardara o desenvolvimento do xadrez e afastara-o  da vida social e pol&iacute;tica da na&ccedil;&atilde;o. Ele foi executado por esse  &quot;crime&quot; em 1940.</p>
<p> Logo depois da segunda guerra mundial, o  controle do xadrez e dos enxadristas da URSS estendeu-se para os pa&iacute;ses  sat&eacute;lites da chamada &quot;Cortina de Ferro&quot;, express&atilde;o cunhada por  Winston Churchill. Quando o campe&atilde;o da Ucr&acirc;nia, Bogatirchuk, aproveitando a  confus&atilde;o reinante no final da guerra, fugiu para o Canad&aacute; e escreveu artigos  nos quais afirmava que &quot;na URSS o xadrez estava a servi&ccedil;o exclusivo da  propaganda sovi&eacute;tica, e freq&uuml;entemente os resultados obtidos pelos jogadores  russos eram decididos pelas autoridades&quot;, quem ficou encarregado de  responder ao &quot;desertor&quot; foi o Grande Mestre Internacional, tcheco,  Ludek Pachman. No n&uacute;mero 173 da revista <em>Chess</em> ele responde com insultos ao campe&atilde;o ucraniano. Na &eacute;poca da <em><a href="O Grande Terror">Primavera de Praga</a></em>, em 1968, os seus  compatriotas lembraram-se de Pachman e o submeteram &agrave; pena de dezesseis meses  de torturas e interrogat&oacute;rios que, diz ele: &quot;causaram-me t&atilde;o graves les&otilde;es  &agrave; coluna vertebral que fiquei tr&ecirc;s cent&iacute;metros menor&quot;.</p>
<p> O uso do xadrez como arma pol&iacute;tica atingiu  o auge no cen&aacute;rio da guerra fria, em 1972 quando russos, representados por  B&oacute;ris Sp&aacute;sski e americanos por Robert Fischer, enfrentaram-se em Reikjaviik,  capital da Isl&acirc;ndia. Nos matchs que precederam essa disputa v&aacute;rios jogadores  russos sofreram repres&aacute;lias por terem perdido para o enxadrista americano. Mark  Taimanov, campe&atilde;o russo, foi o primeiro do rol; saiu de Moscou como o franco  favorito e, segundo alguns observadores, com &quot;um otimismo um pouco  exagerado&quot;. Perdeu o match pelo placar de 6&#215;0 e com a derrota lhe foi  tomado o apartamento estatal no qual morava com a fam&iacute;lia. Para o segundo da  lista, o ex-campe&atilde;o mundial Tigran Petrossian, a derrota por 6 x2,5, custou-lhe  o cargo de redator de uma importante revista russa de xadrez.</p>
<p> Em 1980, o ap&aacute;trida russo, naturalizado  su&iacute;&ccedil;o, Vitor Korchnoi, credenciou-se no torneio de candidatos para enfrentar o  deputado do partido comunista, o campe&atilde;o mundial Anatoly Karpov; nas v&eacute;speras  da realiza&ccedil;&atilde;o do encontro, o filho de Korchnoi, Igor, foi encerrado no Gulag,  mais precisamente no campo de concentra&ccedil;&atilde;o de Kresty. A FIDE(Federa&ccedil;&atilde;o  Internacional de Xadrez), manteve-se impass&iacute;vel, confessando-se  &quot;apol&iacute;tica&quot; e Korchnoi, abalado com o drama familiar foi v&iacute;tima f&aacute;cil  de Karpov.</p>
<p> Muitos outros exemplos poderiam ser citados,  mostrando que existem&nbsp; mais coisas nas  sessenta e quatro casas do tabuleirio de xadrez do que poderia supor a&nbsp; nossa v&atilde; filosofia.</p>
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