A copa do mundo de 2010 foi um momento revolucionário nesta modalidade esportiva, pelo menos para algumas poucas seleções que aplicaram não se sabe se propositalmente, os princípios do jogo de xadrez em campo. Desde já, pode-se dizer que assim como o xadrez romântico de Morphy, Anderssen e Blackburne sucumbiu aos princípios fundamentais do jogo, descobertos em parte por Steinitz, na copa da África do Sul, o futebol se despediu do romantismo dos artistas do passado em detrimento do planejamento estratégico-tático. Os craques continuaram a ter o seu papel fundamental com uma diferença: criando os seus movimentos dentro de uma estratégia e tática apurada, retirada basicamente do xadrez e refletida longamente antes das partidas e sem nenhuma concessão à improvisos fora do plano estratégico.Assim ocorreu com a seleção da Espanha, com mais intensidade com a Holanda e principalmente com a seleção da Alemanha. Um exemplo que poderia ser retirado não só das partidas de Steinitz,mas principalmente das partidas de Lasker, ocorreu na partida Brasil versus Holanda. Nesta partida os dois craques holandeses juntaram forças contra Michel Bastos, ao observarem que Robinho não retornava para ajudar este lateral. O técnico brasileiro ou não percebeu ou demorou bastante para notar esta fina adequação tática dentro do plano estratégico holandês.
Ser ou não ser?
Categoria : Artigos
O filme “As Filhas de Marvin” com Meryl Streep e Diane Keaton coloca um problema interessante para o espectador: o que é, na verdade, desperdiçar a vida? O personagem de Diane Keaton arquiva os seus sonhos e projetos de vida para cuidar do pai, inválido numa cama e, paulatinamente, gasta a sua beleza a medida que “sacrifica-se” pelo genitor. Como é filme e não vida real, o espectador termina sendo ofuscado pelo brilho interior da personagem.
Poema – Odes
Categoria : Poemas
Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na Cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário.
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.
Poema – Xadrez
Categoria : Poemas
I
Em seu compenetrado recanto, os jogadores
movem as lentas peças. O tabuleiro
retarda-os até a aurora em seu severo
âmbito em que se odeiam duas cores.
Dentro irradiam mágicos rigores
as formas: torre homérica, ligeiro
cavalo, armada rainha, rei que se resguarda,
oblíquo bispo e peões agressores.
Quando esses jogadores tenham ido,
quando o tempo os haja consumido,
por certo não terá cessado o rito.
Foi no Oriente que se armou tal guerra,
cujo anfiteatro é hoje toda a terra.
Como o outro, este jogo é infinito.
Como funciona a mente de um jugador de xadrez? Como trabalham juntas memória, experiência, análise e inspiração para gerar jogadas de xadrez? Estas perguntas têm sido um desafio para a ciência. Agora, um jovem e muito criativo investigador resolveu e nos dá uma vívida explicação, apresentada de maneira pouco comum: Alex Shternshain, com a ajuda de Atenas (deusa do conhecimento), Dionísio (deus do teatro) e Caissa (deusa do xadrez) escreveu um obra de teatro em um ato, que oferecemos traduzida para o português. No original em inglês, as personagens são todas masculinas, enquanto que na versão em português a maior parte é feminina. Coisas do idioma!
Como jogar bem xadrez, por Alexei Suetin
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Reproduzo aqui entrevista feita por Luiz Roberto Guimarães da Costa Júnior.
O grande mestre russo Alexei Suetin esteve, recentemente, na USP para dar uma palestra e em seguida uma simultânea. Na palestra, Suetin, autor de livros como “Manual para jugadores avanzados” e “El laboratório del ajedrecista”, apresentou seu novo livro “Schach Training”, em alemão, ainda sem tradução para inglês ou espanhol.
O GM Suetin, que além do russo fala muito bem o alemão e entende um pouco de espanhol, esteve acompanhado por um tradutor simultâneo durante a palestra. Suetin disse que nasceu numa aldeia chamada Tula onde não havia treinadores de xadrez e teve que se desenvolver por experiência própria, antes de entrar no Palácio dos Pioneiros, em 1939, com 12 anos. Entretanto, com advento da segunda guerra mundial e, quando Hitler invadiu a antiga URSS, parou por 4 anos só voltando a dedicar-se em 1947 com 20 anos e já formado.
Curiosidades
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Autor: Armínio Santos

A gravura mais antiga – Remonta a 3300 a.C, retirada do sarcófago do faraó Tutankámon e mostra mulheres egípcias jogando um jogo de tabuleiro.
Os romanos antigos conheciam o xadrez? No filme Ben-Hur, estrelado por Charlton Heston, aparece rapidamente um tabuleiro de xadrez ricamente marchetado. Os romanos, provavelmente, conheceram o xadrez através dos gregos; preferiam, porém, o jogo de dados.
A época áurea do xadrez – Ocorreu durante certo período da idade média quando eram permitidas visitas de cavalheiros aos quartos das damas, desde que fossem para jogar xadrez. O elevado número de nascimentos oriundos deste costume, contudo, chamou a atenção da igreja, que conseguiu a proibição de tal prática.
Dois livros de tirar o fôlego
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Ao que parece, a invenção do xadrez está ligada a um episódio sangrento.
Com efeito, conta uma lenda que quando o jogo foi apresentado pela primeira vez à corte, o sultão quis premiar o obscuro inventor realizando qualquer desejo seu. Ele pediu uma recompensa aparentemente modesta, a de receber todo o cereal que pudesse resultar de uma soma simples: um grão na primeira das sessenta e quatro casas, dois grãos na segunda, quatro na terceira, e assim por diante…
O Xadrez e a Política
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Quando Aristóteles nos diz que "o homem é um animal político", quer nos dizer, também, implicitamente, que o homem não pode jamais abandonar a sua "natureza" política; constitui uma tolice alguém declarar-se apolítico, e o xadrez, como diria o conselheiro Acácio, jogado por homens (e mulheres), não poderia fugir desse alvo.
No reinado dos califas, o xadrez já era tido como preocupação de Estado, com o fim de conferir prestígio aos governantes, e os melhores enxadristas eram pagos regiamente para exercer a sua arte. Um dos maiores enxadristas do século XVI, o padre espanhol Rui López, morava em aposentos contíguos aos do rei Felipe II e tinha como obrigação enfrentar, regularmente, jogadores de países rivais na presença do monarca.
O Extraordinário Barão de Münchhausen
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Um conto escrito em 1937 por E.Iavitch
O petulante e orgulhoso barão de Münchhausen, que tinha derrotado- segundo ele – os jogadores mais fortes de sua época, e que seus próprios comentários triunfantes e tonitroantes haviam se tornado célebres, percebeu um dia que um desconhecido, no Café de la Régence, observava calado seu jogo “grandioso”, com um olhar algo reticente. “Eu me enfurecia com essa audácia e quis dar-lhe uma lição no tabuleiro.”O barão fez questão de jogar com o parceiro, apesar do jeito assustado deste e de suas repetidas recusas.

